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O espaço educativo tem assistido nas últimas semanas um embate fora do comum: de um lado, personalidades da língua portuguesa e, do outro, o Ministério da Educação. Fazia muito tempo que uma polêmica desse naipe não surgia. O foco é simples: o que é ou não certo, quando se pensa a plasticidade linguística.

Depois de vários embates, o MEC joga duro e lança o que chamou de "Dossiê - Livro Didático", composto de artigos de diversos intelectuais em meios de comunicação de massa espalhados pelo país. A chamada na página inicial do ministério é forte: "comunidade científica reage ao obscurantismo que prega censura ao livro didático". O peso dos intelectuais chama atenção, em um movimento de "quase blindagem da situação". Vale a leitura.

Tomada do Forte de Copacabana (1964) pelo novo regime
Em 31 de março de 1964, grupos sociais tradicionais ligados a militares, após anos de ensaio, resolveram iniciar o que, na visão "oficial", ficou conhecido como Regime de Responsabilidade.

Esses grupos militares, apoiados por setores tradicionais da sociedade brasileira, transformaram o descontentamento provocado pela renúncia de Jânio Quadros, a posterior parlamentarização do Brasil e o desenvolvimentismo sindical de João Goulart (Jango), em motivos para deflagar um movimento de mudança social.

Na visão de Roberto Campos, o Golpe Militar de 1964 foi resultado de “[...] uma crise sistêmica. Uma perda de eficiência e um colapso da disciplina, seja sindical, seja militar. Marchávamos para uma situação caótica... ”.

Na visão das facções militares era necessário tomar as rédeas do país e combater o avanço do comunismo, que tinha como figuras ilustres membros destacados do governo Jango.  Pela história oficial, neste dia 31 de março, iniciou-se uma verdadeira revolução em prol de um estado de responsabilidade nas mãos dos miliares.

Nos vídeos a seguir, o discurso "oficial" é repassado a população e reforçado até hoje por facções políticas ligadas aos remanescentes dos governos militares. Por meio das imagens, percebe-se para que vieram essas facções.

Imagens e músicas do período - 1964 a 1989


Questão Social


Educação no Regime Militar



Programa: aonde iremos chegar?
Paul Glewwe, do Department of Applied Economics (University of Minnesota) e, Ana Lúcia Kassouf, do Departamento de Economia (Esalq/USP) publicaram um estudo sobre os impactos do Programa Bolsa Família na educação.

Os pesquisadores reconhecem que, no campo da redução da pobreza e da desigualdade de renda, o programa teve um grande impacto. "Em 2007, mais de 11 milhões de famílias foram beneficiadas, isto é, cerca de 46 milhões de pessoas, um quarto da população brasileira", afirmam os pesquisadores. Em 2011, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, esse número atende mais de 12 milhões de famílias.

Porém, que dizer do impacto na educação? Será que o programa aumentou o número de matrículas escolares, reduzindo as taxas de abandono escolar e melhorando os índices de aprovação?.

Segundo os autores,
[...] após contabilizar os efeitos cumulativos, que o Bolsa Família tenha aumentado as taxas de matrícula em cerca de 5,5 pontos percentuais da 1ª à 4ª série e cerca de 6,5 pontos percentuais da 5ª à 8ª série. Eles também descobriram que o programa reduziu as taxas de abandono escolar em cerca de 0,5 ponto percentual no caso de crianças da 1ª à 4ª série e cerca de 0,4 ponto percentual, no caso de crianças da 5ª à 8ª série. O programa aumentou as taxas de aprovação em cerca de 0,9 ponto percentual para crianças da 1ª à 4ª série e 0,3 ponto percentual para crianças da 5ª à 8ª série.
Apesar dos resultados encontrados, os autores concluem:
Embora esses impactos favoreçam o Bolsa Família, cálculos simples com base nos impactos sobre a matrícula sugerem que os prováveis benefícios, em termos de aumentos salariais, não devem exceder os custos do programa. Seu efeito em longo prazo parece ser o aumento das taxas de matrícula dos participantes em cerca de 18 pontos percentuais, o que significa que 82 por cento dos beneficiários teriam sido matriculados na escola mesmo sem o Bolsa Família. A transferência de renda, no entanto, só poderia ser vista como benefício em razão de sua distribuição. Isto suscita a seguinte questão: será que o Bolsa Família pode ser canalizado para aquelas famílias que não teriam matriculado seus filhos se o programa não existisse? Responder esta pergunta é uma tarefa importante para futuras pesquisas.
O estudo está disponível no Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo, da Organização das Nações Unidas (ONU). Um resumo expandido da pesquisa também está disponível no International Policy do Centro do mês de março/2010.

Ilana e sua arte
Muitos vídeos tem circulado na internet sobre a pintura com areia, feita por artistas, tais como Ilana Yahav, Ferenc Cakó, Sergey Nazarov, dentre outros que ficaram mundialmente conhecidos por shows com produções artísticas fantásticas na areia.

O que pouca gente sabe, entretanto, que não apenas esses, mas um seleto grupo de artistas do gênero, mantém projetos na Rússia que ensinam a técnica de pintar com areia. Um deles é o SandProject, que parte da idéia do psicólogo Carl Gustav Jung de que a areia equilibra as emoções, afetando a psiquê humana.

Oficinas com crianças
O projeto é mantido pelo grupo SandPro, que realiza formações com mini-palestras, discussões em grupo, jogos, dramatizações, técnicas de psicodrama e terapia de técnicas de arte.

Essas formações são voltadas para adultos e crianças (com no mínimo 2 anos de idade). O programa abrange ainda oficinas de relação pai-filho, utilizando a areia como forma de comunicação para pais e seus filhos. Alguns dos resultados das oficinas podem ser vistos na página das produções e no portifólio do SandProject.

Veja parte de um dos shows de  Ilana Yahav e, logo em seguida, de Ferenc Cakó:







A situação da profissão, pós decisão do STF, é revelada no quantitativo de registros, segundo os dados do Ministério do Trabalho (2010).

Dos sete estados - Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondonia, Roraima e Tocantins - que compõe a região norte, tivemos em 2010, o total de 402 registros profissionais para atuação como jornalista.

No gráfico a seguir, tem-se uma visão, por estado da região norte, dos percentuais de concessão de registro profissional para o exercício do jornalismo:

 
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 2010

Segundo observado no gráfico, o estado do Pará responde por 43% do total de registros realizados na região, sendo que destes, 111 foram de jornalistas profissionais e 60 de jornalistas - Decisão STF. Na posições subsequentes de atribuição de registros da região, vem o estado do Amazonas com  16%, Rondônia com 14%, Tocantins com 12%, Acre com 7% e, Amapá e Roraima com 4% cada um, respectivamente.

Quanto a situação do registro, o gráfico a seguir dá uma idéia dos registros, por condição de formação:

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 2010


Como se observa, 62% ou 249 registros, foram realizados pelo Ministério do Trabalho para jornalistas profissionais, isto é, os que possuem formação em curso superior de comunicação e/ou jornalismo e, 38% ou 153 registros para jornalistas - Decisão STF, isto é, aqueles que não possuem formação acadêmica, mas desejam exercer (ou já exerciam) a profissão.

Na região norte, os estados do Acre, Rondonia e Roraima apresentaram uma situação nada agradável, já que, nesses estados, o registro de jornalistas - Decisão STF foi maior do que a de jornalistas profissionais. Em Rondônia, por exemplo, 67% dos registros realizados pelo Ministério do Trabalho, foi feito a pessoas que não possuiam formação universitária na área de comunicação social/jornalismo.


Fonte: Informações estatísticas brutas do Ministério do Trabalho (2010), repassados a jornalista Izabela Vasconcelos (Repórter - Portal Comunique-se).


A Proposta de Emenda Constitucional 33/09 acrescenta o art. 220-A à Constituição Federal, para dispor sobre a exigência do diploma de curso superior de comunicação social, habilitação jornalismo, para o exercício da profissão de jornalista.

Ela foi protocolada no Senado Federal em 02.07.2009 e remetida na mesma data para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, sendo publicada em 03.07.2009 no Diário do Senado Federal (Pág. 29045-29050).  A proposta pode ser visualizada a seguir:

PEC Original

Nessa proposta, apontava-se diretamente no caput que "o exercício da profissão de jornalista é privativo do portador de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação".

Segundo o autor da PEC, senador Antonio Carlos Valadares, o acolhimento desta se fazia necessário, pois:
Não se podem desconsiderar os benefícios que advieram para a profissão com a exigência da formação universitária específica na área de comunicação. Um jornalista não é um mero escritor, um mero emissor de opiniões. Isso é papel dos articulistas, contratados pelos órgãos de imprensa para esse fim específico, e dos quais não se exige, nem nunca se exigirá, diploma de jornalista. A principal atividade desenvolvida por um jornalista, no sentido estrito do termo, é a apuração criteriosa de fatos, que são então transmitidos à população segundo critérios éticos e técnicas específicas que prezam a imparcialidade e o direito à informação. Isso, sim, exige formação, exige estudo, exige profissionalismo.

Exigir formação acadêmica para a realização de uma atividade profissional específica, sensível e importante como o jornalismo, não é cercear a liberdade de expressão de alguém. É razoável exigir que as pessoas que prestam à população esse serviço sejam profissionais graduados, preparados para os desafios de uma atividade tão sensível e fundamental, que repercute diretamente na vida do cidadão em geral.
Em 08.07.2009 a PEC é distribuída ao Senador Inácio Arruda, para emitir Relatório. Em 26.08.2009 a PEC é devolvida pelo Relator, Senador Inácio Arruda, em virtude do Requerimento nº 70, de 2009-CCJ, aprovado na 31ª Reunião Ordinária, na mesma data, de autoria do Relator e do Senador Antonio Carlos Valadares.

Em 30.09 a 01.10.2009, na 40ª Reunião Ordinária é realizada Audiência Pública destinada à instrução da matéria, conforme Requerimento nº 70, de 2009-CCJ, de iniciativa dos Senadores Antonio Carlos Valadares e Inácio Arruda. No dia 01.10.2009, ocorre a audiência com a presença dos seguintes convidados: Sérgio Murillo de Andrade, Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ);Edson Spenthof, Presidente do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ); Carlos Franciscato, da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor); Raimundo Cezar Britto Aragão, Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB);Osvaldo Pinheiro Ribeiro Junior, Assessor Juridico da OAB. Também convidados, mas não estavam presentes (justificaram ausência): Daniel Pimentel Slavieiro, Presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT); Judith Brito, Presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) Tarcísio Olanda, Mauricio Azêdo, representante da Associação Brasileira de Imprensa.

Depois da audiência pública, o texto retorna ao relator que, em 04.11.2009, dá voto favorável a Proposta nos termos da Emenda Substitutiva. Em 06.11.2009, a PEC é incluída na pauta da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal.

Na 49ª Reunião Ordinária, realizada em 11.11.2009, a Presidência concede vista coletiva, nos termos regimentais e em 02.12.2009, na 54ª Reunião Ordinária, o Senador Inácio Arruda reformula a Emenda Substitutiva apresentada como conclusão do Relatório, sendo então aprovada nos termos da Emenda nº 1-CCJ (Substitutivo). Veja a seguir:

70949 Parecer Com Susbtitutivo

Em 08.12.2009, a PEC com o susbtitutivo aprovado é encaminhada a SubSecretaria de Coordenação Legislativa do Senado Federal (SSCLSF) para prosseguimento da tramitação e juntada de documentos.

Em 11.12.2009 é incluída na pauta do dia e ocorre a leitura do Parecer nº 2.414, de 2009, da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, proveniente do Relator Senador Inácio Arruda, pela aprovação da proposta, nos termos do Substitutivo.

De 11.12.2009 até 06.07.2010, a PEC aguardava a inclusão na Ordem do Dia do Senado Federal. Nesta data, é lido e aprovado o Requerimento nº 687, de 2010, subscrito pelos líderes partidários, solicitando calendário especial para apreciação da matéria em primeiro e segundo turnos. A matéria foi apresentada nas quatro sessões, porém não houve oradores interessados na discussão.

Em 07.07.2010, a PEC retornou a Ordem do Dia, para discussão. Porém, não foi apreciada pelos senadores, sendo transferida para o dia 08.07.2010. Depois disso, em sucessivas transferências, a PEC voltaria em mais 24 sessões, sendo a última prevista para o próximo dia 14.12.  

O que mudou?

O quadro a seguir, elaborado pelo Serviço de Redação da Secretaria-Geral da Mesa do Senado Federal, faz um comparativo das mudanças:

Quadro Comparativo PEC e Susbtitutivo

Fonte: Com informações do Senado Federal.


Analfabetismo em foco: dados da PNAD

Postado por Gilson Pôrto Jr. às 08:42 0 Comments

O analfabetismo no Brasil é histórico. Histórico também é a incompreensão de suas causas, de seus atenuantes e agravantes e, principalmente, como transformar essa realidade. Nesse aspecto, a compreensão dos dados é essencial para entender esse processo excludente. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), realizada feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em uma amostra de domicílios brasileiros, levantou diversas características socioeconômicas da sociedade que podem ajudar nesta compreensão.

Dois importantes documentos foram disponibilizados e ajudam a entender esse movimento. O primeiro, é o Comunicado IPEA nº 66, que traz uma análise da evolução da educação no Brasil no período de 1992 a 2009, além de um quadro mais detalhado da atual situação da escolarização da população brasileira.

Para o diretor do IPEA, Jorge Abrahão, "o analfabetismo na população de 15 anos ou mais ainda é considerado muito alto: 9,7% da população nessa faixa não sabe ler nem escrever. Estamos em situação muito pior que a de países desenvolvidos. Não é nem preciso ir tão longe, já que outros países da América do Sul, como Equador, Chile e Argentina apresentam índices melhores que os do Brasil.Grandes diferenças são encontradas entre a população urbana e rural (4,4% contra 22,8%), branca e negra (5,9% contra 13,4%), e das regiões Sul e Sudeste (5,5% contra 18,7%). Quando comparados os 20% mais ricos da população e os 20 % mais pobres, a diferença também é grande: 2% contra 18,1%. Quanto à idade, a faixa acima de 40 anos registra o maior percentual: 16,5% de pessoas que não sabem ler e escrever".

O segundo, é o Comunicado IPEA nº 70, que discorre sobre a situação do analfabetismo e do analfabetismo funcional no Brasil, nos últimos cinco anos.

Segundo esse comunicado, "na faixa etária de 15 anos ou mais, houve redução do número absoluto de analfabetos de pouco mais de 1 milhão de pessoas em todas as regiões do país, que corresponde a uma queda de 7%. Em termos relativos, a taxa de analfabetismo caiu cerca de 1,8 ponto percentual (p.p.), passando de 11,5% para 9,7%".

Vale a pena ler os dois comunicados e entender esse movimento.


Interação com Realidade Aumentada
No final de semana, estive em Belmonte (Portugal) para conhecer a "Terra de Cabral". Na companhia da família Palacios (Marcos, Annamaria e Davi), fui oficialmente apresentado ao Museu dos Descobrimentos. Apesar das interpretações sobre o "Novo Mundo" e da "descoberta" serem questionadas pelos historiadores brasileiros, fiz uma descoberta pessoal muito interessante.

Essa consistiu, para minha felicidade, de ver que a realidade aumentada já é uma prática nessa localidade. Em vários espaços do museu é possível interagir com os diversos objetos e, deles, retirar uma interação instrutiva. Por exemplo, no espaço "produtos brasileiros" o visitante 'conhece' a proposta de uma feira tipicamente bahiana e, tem a possibilidade de interagir com frutas típias do norte-nordeste do Brasil.  

Vale a visita. Um vídeo, disponível no YouTube, a seguir mostra outros detalhes do museu:




Matrioshka
Quando o assunto é atrair visitantes, parece que o Museu do Comunismo, na cidade de Praga, na República Checa se superou. Eles lançaram uma campanha para atrair novos visitantes. Essa campanha é composta por vários itens, inclusive a "matrioshka" com feições nada convencionais (que se compra na loja virtual por 2,05 Euros). Um dos cartazes, que tem chamado a atenção dos que o visualizam, tem como protagonista, nada menos, do que Karl Marx.

Mas o que há de novo, é que o Marx mostrado, não é aquele "Marx épico", com  ar imponente, de intelectual fervilhando de idéias. É um Marx, em sua intimidade, que poucos conheceram. Ele está de roupas mais leves e corta as unhas! A proposta do museu é atrair pessoas e mostrar que os grandes personagens também foram comuns, como todas as outras pessoas.

Não se sabe se a campanha "Get intimate with history" (Ficar íntimo da História, português) surtiu resultados, mas que a cena é bastante revaladora, isso é. Veja o cartaz a seguir:


Prof. João Canavilhas e profa. Annamaria Palacios.
A profa. Dra. Annamaria Jatobá Palacios fechou as atividades da mesa redonda "Discursos mediáticos", coordenada pelo prof. João Canavilhas (UBI), com o trabalho "Modos de dizer da publicidade e do jornalismo para públicos seniores, em Portugal: marcas de intertextualidade entre duas práticas sócio-discursivas".

Na apresentação, profa. Annamaria apontou para as propagandas que tem como foco os idosos em Portugal. Para isso, selecionou uma amostra de quatro jornais portugueses e durante 30 dias, acompanhou as publicações de notícias e publicidades que tinham foco na terceira idade. Durante a apresentação, foi apontado uma possível compreensão, por meio de uma tipologia criada para analizar as intertextualidades nos diversos grupo.

Ouça a apresentação da profa. Annamaria Palacios e dos aspectos de contato entre publicidade e jornalismo:





Prof. Canavilhas (E) e Prof. Serra (D)
Paulo Serra, professor  do Departamento de Comunicação e diretor da Faculdade de Artes e Letras da Universidade da Beira Interior (UBI), apresentou nas IV Jornadas Pragmática, Comunicação Publicitária e Marketing uma interessante visão sobre a ironia nas imagens publicitárias. Essa apresentação é parte da mesa redonda "Discursos mediáticos", coordenada e moderada pelo prof. Dr. João Canavilhas (UBI).

A ironia está presente no nosso dia-a-dia. Por ironia,  entende-se "dizer o contrário daquilo que se pensa, deixando entender uma distância intencional entre aquilo que dizemos e aquilo que realmente pensamos".  Paulo Serra destacou algumas noções de ironia presentes em propagandas publicitárias. Utilizou para isso, extratos do pensamento de Aristóteles e outros autores clássicos e, chegando a Pessoa (1928).

Para concretizar suas observações, Serra fez menção dos aportes teóricos de Sperber e Wilson (1981, p.295), que defendem uma concepção tradicional, semântica, da ironia. Esses autores defendem uma "teoria ecóica", que destacam, na visão de Serra, quatro elementos:
a) Distinção entre uso e menção de uma expressão;
b) Ironia é uma menção “ecóica”;
c) O enunciador manifesta uma certa atitude;
d) O alvo da ironia será a fonte, real ou imaginada, o objeto da menção ecóica.
"Mas o que tem a ver a ironia com a publicidade?", indaga Serra. Ele destaca que Gibbs e Colston (2007) colocam a ironia como parte das publicidades visuais.  Também Jacques Durand (1970) fala sobre retórica e imagem publicitária. Dessa forma, essa é inerente a ação criativa. Exemplificando isso, apresenta propagandas de carros que demonstram o uso da ironia, como por exemplo as da marca subaru, audi, dentre outras.

Essa apresentação me fez lembrar de algumas propagandas brasileiras, algumas novas, outras antigas, mas que usavam a ironia para despertar atenção. Seguem algumas delas:








Profa. Annamaria (E), prof. Paulo Serra e profa. Milagros (D)
Covilhã - Um frio de 4 graus no entorno da Universidade da Beira Interior (Covilhã, Portugal) não impediu que as IV Jornadas Pragmática, Comunicação Publicitária e Marketing tivessem início. Na abertura, o prof. Dr. Paulo Serra, diretor da Faculdade de Artes e Letras deu boas-vindas aos presentes, seguido pela profa. Dra. Annamaria Jatobá Palacios, organizadora das IV Jornadas.

A conferência de abertura foi realizada pela profa. Dra. Maria de los Milagros Del Saz Rubio, da Universidade Politécnica de Valência, Espanha. A temática desenvolvida pela profa. Milagros versou sobre a análise pragmático-linguística das estratégias de cortesia linguística na publicidade televisiva.

O foco da apresentação foram os anúncios publicitários, com o recorte para os anúncios de absorventes femininos (45 em língua inglesa e 45 em língua espanhola). A defesa da palestrante foi centrada nas noções de cortesia linguística. Segundo a profa. Milagros, essa noção pode ser entendida de duas formas: a primeira negativa, quando entendida como estratégia de minimização e/ou prevenção da ameaça ou confronto e, a segunda positiva, quando é entendida como recurso ou estratégia para manter as relações sociais entre falantes.

Mas por que aplicar essas noções ao discurso publicitário? Pelos menos por quatro motivos, defende a profa. Milagros: 1. Manter o equilíbrio social na interação com a audiência, 2. Manter a cordialidade e harmonia com o interlocutor, 3. Estabelecer relações e vínculos, estreitando laços de união e, 4. Função informativo a serviço da persuasão.

A conferência abordou ainda as questões de formato e exemplos de como a cortesia linguística está presente nessas propagandas. Vamos acompanhar e disponibilizar outras partes do evento.


Fonte: UNESCO
A filosofia está presente no dia a dia das pessoas. Ela faz parte, mesmo que o indivíduo não a perceba, da forma como ele se comporta, se posiciona e critica uma certa situação. Nessa amplitude, a prática jornalística não pode esquecer que, em seu cerne, a filosofia é uma aliada importante da construção de competências.

Aproveitando que hoje é o Dia Mundial da Filosofia, que é lembrado toda terceira quinta-feira de novembro desde 2002, disponibilizo a mensagem que a UNESCO deixa nesta data:

Mensagem da Sra. Irina Bokova, Diretora-Geral da UNESCO, por ocasião do Dia Mundial da Filosofia, 18 de novembro de 2010.

Todo ano o Dia Mundial da Filosofia representa uma oportunidade única de reunir a comunidade filosófica internacional e estimular a reflexão sobre questões contemporâneas. Segundo sua Constituição, a UNESCO se esforça para promover o livre pensamento e o diálogo por meio de suas atividades no campo de educação, cultura, ciência e comunicação. Como a defesa da paz deve ser construída na mente dos seres humanos, é nosso dever trabalhar para fortalecer essas mentes por meio do pensamento crítico e do entendimento mútuo.

Em 2010, o Dia Mundial da Filosofia também se inscreve no marco do Ano Internacional para a Aproximação das Culturas e, portanto, é revestido de suma importância. De fato, a filosofia ensina lições de diversidade por meio de suas múltiplas escolas de pensamento em todas as épocas e todos os continentes.

A complexidade dos problemas atuais nos convida a aproveitar essa riqueza para construirmos nossa capacidade de analisar a realidade. A intensificação de todos os tipos de intercâmbio encerra uma grande promessa de oportunidades de compartilhar, mas também envolve o risco de mal-entendidos e tensão. É necessário redobrar os esforços coletivos para garantir a todos uma educação de qualidade e um ambiente favorável, onde cada homem e mulher possa expressar suas ideias e enriquecer o debate público, promovendo a justiça e a paz.

Para tanto, os organismos internacionais, especialmente a UNESCO, devem desempenhar um papel fundamental, como o apoio de todos os agentes acadêmicos, científicos e culturais e o envolvimento das universidades, da mídia, da sociedade civil e dos governos. A filosofia é uma das exigências de nossa época, e sua consolidação é um eixo primordial de meu compromisso com o novo humanismo.

Por ocasião deste Dia Mundial da Filosofia, a UNESCO reunirá filósofos, cidadãos ilustres ou pessoas simples, com mentes inquiridoras, em mesas redondas, conferências e simpósios para aprofundar nosso entendimento sobre as questões contemporâneas: Como podemos conciliar a universidade de valores e a diversidade de culturas? Qual o papel da filosofia na aproximação dos povos? Oitenta eventos internacionais serão realizados no mundo inteiro, com apoio de nossos parceiros, das Cátedras UNESCO, das Comissões Nacionais e redes de peritos, como a Rede Internacional de Mulheres Filósofas, para que este exercício de questionamento, que é o primeiro passo para a sabedoria, possa ser difundido ao máximo.


Imagem de Luis Soriano em seu burro beto
Vem da Colômbia uma idéia prática: o biblioburro. Trata-se de uma biblioteca móvel no "lombo" de um burro. A  criação foi do professor colombiano Luis Soriano Borges, que leva livros aos jovens das zonas rurais mais carentes que não podem deslocar-se para ir às bibliotecas das cidades grandes.

A proposta de biblioteca itinerante não é nova, mas a idéia de fazê-lo nas costa de um burro é bastante criativa, além de prática para a região rural colombiana. A comunidade é receptiva a proposta e os resultados promissores. Segundo Borges, seu objetivo é despertar a criatividade e o gosto pela leitura, junto com seus dois burros: alfa e beto.

Assista ao vídeo da entrevista de Borges sobre o Biblioburro, realizada pela TV Al Jaazera e disponível no You Tube.





Parece brincadeira, mas não é: o jornal cearense Diário do Nordeste demitiu de forma arbitrária, no último dia 18 de outubro, o jornalista Dalwton Moura, por ter escrito e editado matéria no Caderno 3 sobre as revoluções marxistas que marcaram os séculos XIX e XX.

Segundo a nota do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Ceará (Sindjorce):
O caderno especial, de seis páginas, foi considerado pela direção da empresa "panfletário" e "subversivo", além de "inoportuno ao momento atual".Tendo, entre outras fontes, o filósofo Michael Löwi, que estaria em Fortaleza para lançar o livro "Revoluções" (com imagens que marcaram os movimentos contestatórios decisivos para a história dos últimos dois séculos), a matéria foi pautada pelo editor-chefe do jornal, Ildefonso Rodrigues, tendo sido sugerida pela historiadora e professora Adelaide Gonçalves, da Universidade Federal do Ceará (UFC). No entanto, ao comunicar a demissão do jornalista, o editor-chefe se limitou a dizer que "não sabia o conteúdo da reportagem até vê-la publicada".
Essa é muito boa: como um "editor-chefe" diz que não sabia do conteúdo de um caderno? É fato que, no Brasil, a moda é dizer que 'não se sabia', mas como parte das competências jornalísticas de um editor, obrigatoriamente, encontra-se a revisão dos conteúdos a publicar. Pior é que isso pode até virar moda: jogar a culpa para o trabalhador e não querer assumir uma posição ideológica clara. É uma pena que um jornal se dê a essa atitude.

Leia as matérias que custaram o emprego do jornalista Dalwton Moura e tire suas conclusões:
2. Homem de muitos mundos, de Adelaide Gonçalves (UFC)
3. Revolução e imagem e De volta a Fortaleza, da jornalista Síria Mapurunga

Caso queira ler mais, a notícia repercutiu em:


imagem do times group com dois elefantes
Imagem do Times Group
Quando se fala em emprego, não há como não pensar em uma certa estabilidade. De fato, essa chamada "estabilidade", que pressupõe uma carteira assinada, direitos trabalhistas e certos benefícios sociais, está cada vez mais difícil. Quando aparece, as competências exigidas estão muito além dos recém graduados e, até, de muitos jornalistas experientes.

Veja o caso do anúncio de emprego para trabalho no The Times Group. Ele destina-se a suprir vagas de editores, designers, ilustradores e artistas gráficos na Índia. O interessante do anúncio, é o conjunto de competências/habilidades exigidas. Segue anúncio, caso algum colega se enquadre e esteja com vontade de conhecer outras partes do globo a trabalho:




capa do livro didatico com palestinos e israelenses
Foto: Haaretz
Muito se diz do potencial da educação na superação de conflitos. De fato, a educação tem, em potência, a força motriz para a paz. Mas, em potência, não quer dizer, obrigatoriamente em ato. É o que vivenciam os espaços educativos na Palestina e em Israel.

O novo conflito é pedagógico e tem um livro didático como centro dessa nova "tormenta". A reportagem foi publicada pelo jornal israelense Haaretz.  Segundo o jornal, "o livro didático de história oferece aos alunos as narrativas centrais dos palestinos e do movimento sionista". É fruto de um projeto que visa aproximar os dois países, por permitir o conhecimento e a problematização da história em ambos os lados desse conflito. O livro foi resultado de uma colaboração conjunta entre israelenses e palestinos, financiados por um grupo sueco, para promover a convivência através da educação.

Mas parece que não está dando muito certo. Na Palestina, o livro foi adotado para utilização nas escolas, mas em Israel, foi prontamente proibido. É uma pena que o discurso da paz, seja apenas um discurso. Que seja mais fácil mantém o estigma de que o "outro" é o criminoso e que deva ser combatido. Vamos esperar que os impactos na Palestina deste material seja positivo e que, em Israel, se revejam as posições adotadas.


Como uma fênix renascida, a censura aos meios de comunicação no Estado do Tocantins, retorna ao 'palco', em meio ao turbilhão dos últimos dias que antecedem a eleição. 

Na notícia publicada na edição de domingo, o Jornal do Tocantins apontou que os veículos noticiosos do estado estão sob censura, sob pena de pagarem R$ 10 mil reais de multa. 

Segundo Lailton Costa, jornalista que assina a matéria,
Ao julgar liminarmente uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral proposta pela coligação Força do Povo, do candidato à reeleição Carlos Gaguim (PMDB), o vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-TO), desembargador Liberato Póvoa, proibiu os veículos regionais listados na ação de utilizarem e publicar, de qualquer forma, direta ou indireta, dados relativos a Gaguim ou qualquer integrante de sua equipe de governo referentes à investigação realizada pelo Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo sobre uma suposta organização criminosa acusada de fraudar licitações públicas. 
Independente de os "fatos" serem ou não reais, a tática de judicialmente bloquear a mídia tocantinense de repercutir o fato não pega nada bem. É bom lembrarmos que mesmo os veículos de comunicação do Estado estejam amordaçados, os demais jornais e revistas do país continuam a divulgar notícias sobre o ocorrido. A exemplo, a VEJA e a repercursão do UOL.

A tática, óbvia do ponto de vista jurídico, não é a melhor, já que chama atenção ainda maior de outros tantos que, como eu, não estavam ligando para o caso, encarando apenas como mais "uma informação pré-eleição que se dissiparia". Por outro lado, minha atenção é maior agora, já que a mordaça foi institucionalizada. 

Segue imagem da decisão publicada no Jornal do Tocantins e lista dos veículos censurados:

O Estado de S.Paulo;
TV Anhanguera;
TV Bandeirantes – Band Tocantins;
Rede Record/Rádio Jovem Palmas;
TV Capital (SBT);
TV Araguaína (SBT);
Correio do Povo;
Conexão Tocantins;
A Notícia;
Coktail;
Mira Jornal;
O Paralelo 13;
Jornal Opção;
Tribuna do Planalto;
TV Palmas/Rede Sat Tocantins;
TV Girassol;
Cleber Toledo;
Ecos do Tocantins;
Roberta Tum;
Portal Stylo;
Rádio Rio Preto FM;
Rádio Rio Verde FM (104,9);
Rádio Goianorte FM (87,9);
Rádio Cidade FM (87,9);
Rádio Miracema FM (104,9);
Rádio Nova FM;
Luz FM (104,9);
Rádio Liberdade FM (104,9);
Rádio Formoso FM (104,9);
Rádio Criativa FM (87,9);
Rádio Cultura FM (104,9);
Rádio Boas Novas FM (87,9);
Rádio Natureza FM;
Rádio Cidade FM;
Rádio Planeta FM;
Rádio Palmeiras FM;
Rádio Ciclone FM;
Rádio FM Pequizeiro 87,9;
Radio Colméia FM;
Radio Vale FM;
Radio Natividade 87,9;
Nova FM 104,9;
Radio Sucesso;
Porto Alegre FM;
Almas FM;
Radio combinado FM;
Radio Cidade FM 104,9;
Rádio Itamaraty FM;
Lagoa FM;
Cidade FM;
Rádio Jovem FM;
Rádio Dimensão FM;
A voz do mel 104,9;
Taipas Fm 87,9;
Goiatins FM;
Esperança FM;
Educativa FM;
Rádio Aliança FM (104,9);
Rádio Entre Rios FM (87,9);
Terra FM;
Rádio Mirante;
Tocantins FM;
Araguaia FM/AM;
Nativa FM;
Guaraí AM;
Serra da Mesa FM;
Cristal AM;
Independência FM / AM;
Rádio Cultura de Miracema;
Jovem Pan FM;
Palmas FM;
Rádio Nova Era FM (Antiga Galileia)


Fonte
Risco? Incerteza? Essas são palavras presentes sempre que estruturamos qualquer prática, seja educativa, seja jornalística. Seria ingenuidade pensar que essas situações não ocorreriam em um processo de planejamento.

Quando planejamos, estamos projetando, o que reforça a noção de “lançar para frente”, isto é, para o que ainda não existe. Se não existe, estando apenas no mundo da abstração mental do(s) elaborador(es), está sujeito ao risco e à incerteza.

Cabe aqui um esclarecimento importante: as palavras risco e incerteza se entrelaçam e reforçam uma à outra. Como assim? Bem, o "risco" pode ser entendido como a probabilidade de ocorrerem situações aleatórias, que podem ser naturais ou artificiais, ou ainda uma combinação de ambas. Já a "incerteza" envolve qualquer tipo de erro, fruto da relação do ser humano com o meio, influindo na tomada de decisão. Pensando bem, podemos dizer que o risco é o somatório ou mesmo certo grau de estimativa da possibilidade da incerteza ocorrer. Daí, por que afirmamos que estão entrelaçados e reforçam uma à outra.

Quando no exercício da profissão, muitas situações complexas podem acontecer. É importante que o jornalista/repórter esteja "preparado". Discutimos muito isso em sala de aula, com foco em perguntas e situações vexatórias. Mas que dizer de situações que põem em risco a integridade física do jornalista? Como se preparar para se portar "ao vivo" a uma situação potencialmente perigosa ou mesmo evitá-la?

Não há como evitá-la, mas se preparar sim. Essa preparação “antecipada” (aqui uso um pleonasmo consciente!) é chamada de gerenciamento de risco. Podemos definir gerenciamento de risco como o processo sistemático de se identificar, analisar e reagir aos riscos de uma situação. Isso inclui maximizar as probabilidades e consequências de eventos positivos e minimizar as probabilidades e as consequências de eventos adversos.

Os vídeos a seguir, mostram situações em que jornalistas, quando faziam reportagens ao vivo, foram vítimas de acidentes. Resolvi postar esses vídeos, pois precisamos melhor entender "os espaços" que ocupamos (uma rápida olhada, com mais atenção poderia evitar muitos riscos) para posteriormente não sermos as vítimas e viramos notícia.

Vídeo 1: Repórter Werton Araújo de um jornal da filiada da Globo (TV Mirante de São Luís - Maranhão), leva um choque durante uma transmissão ao vivo



Vídeo 2: Repórter Lasier Martins, no telejornal vespertino mais assistido do Rio Grande do Sul, levou um choque durante uma reportagem sobre uvas (não percebeu um fio por detrás das uvas)



Vídeo 3: Durante uma entrevista a um boxeador ao vivo, o entrevisador - o polêmico Jorge Reis da Costa, o Kajuru - chama o boxeador de covarde e o "clima fecha..."



Vídeo 4: Repórter espalhola destrói obra de 16 dias (subiu onde não devia)



Vídeo 5: Repórter japonesa escorrega e cai no choro. Faltou jogo de cintura.



Vídeo 6: Também existem situações em que o jornalista perde a noção de seu trabalho e do respeito a quem entrevista. Lamentável!




Vídeo 7: Para descontrair, tem situações engraçadas...




Vídeo 8: Jornalista português se enrola com texto e se irrita ao vivo.




Foto: Gilson Pôrto, região entre Rio Sono e Lizarda
Essa foi a comprovação que tive essa semana. Dirigi mais de 1500 km dentro do Estado do Tocantins e constatei uma triste realidade: o estado está em chamas. A baixa umidade, a extrema seca e a ação de algumas pessoas que parecem não ter um mínimo de compreensão, tornaram o estado, nestes meses de  agosto e começo de setembro uma verdadeira fornalha.

A mídia vem noticiando a situação crítica, mas mesmo assim, indivíduos mantém a prática "medieval" de queimar suas pequenas propriedades e, nesse processo, perdem o controle, tornando sua "fogueirinha" em uma catástrofe estadual. 

Nem mesmo processos de conscientização deram jeito esse ano (apesar de que, por ser ano eleitoral, não vi nenhuma propaganda sobre a situação). No caso da foto acima, onde presenciei os focos entre Lizarda e Rio Sono, dava para ver pessoas correndo entre um foco e outro, espalhando as chamas. Isso era por volta das 23:30 h.

A Ilha do Bananal, no sudoeste do estado, com quase 2 milhões de hectares, teve mais de 45% de sua área devastada pelas chamas. Esse é apenas um exemplo, já que praticamente, todo o estado tem focos de incêndio em suas áreas. Essa situação é agravada pela falta de água em algumas regiões, inclusive na capital, Palmas. 

Veja a capa dos jornais e a ênfase dada à situação pela mídia. O principal, Jornal do Tocantins, estampou a situação com ênfase nas últimas duas semanas, sem falar nas notícias sobre o clima e falta de água. As imagens são referentes as capas dos dias 27.08, 28.08, 01.09, 02.09 e 04.09, respectivamente: