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Fazia um bom tempo que uma propaganda não causava tanto alvoroço. Pois é o que a propaganda "Unhate" (Não odeie) da empresa italiana Benneton causou. 

A campanha reúne líderes mundiais de potências rivais se beijando. Um típico "selinho" que virou moda aqui pelo Brasil entre as chamadas "celebridades". 

Segundo o que foi noticiado pelo Estadão, a campanha tem o objetivo de "[...] estimular uma cultura sem ódio em todo o mundo". Longe disso acontecer, o que se viu durante todo o dia de ontem nas páginas da mídia impressa e na internet foram reações que expressam mais ódio do que paz. Até o Vaticano se pronunciou contra a propaganda afirmando, segundo veículos jornalísticos, que processará a empresa. 

Selecionei algumas capas de jornais que apresentam fotos da propaganda ontem (17.11.2011). Elas estão disponíveis no Newseum. Achei muito interessante que no México, o Jornal Vanguarda, além de mostrar imagens da propaganda original, criticou uma imagem semelhante de dois candidatos presidenciais mexicanos, que segundo o jornal, 'parodiam' a campanha, já que trocaram também um selinho. Seguem capas:






Está disponível para download o livro Pragmática: Comunicação Publicitária e Marketing, organizado por Annamaria Jatobá Palacios (UFBA) e Paulo Serra (UBI). O livro é o resultado das IV Jornadas LabCom sobre Pragmática, Comunicação Publicitária e Marketing, evento anualmente promovido pelo Laboratório de Comunicação e Conteúdos Online (LabCom). 

Estive presente ao evento em Covilhã (Portugal) e vale a pena ler os textos das apresentações. Na ocasião postei três pequenas indicações do que vi por lá (Pragmática, comunicação publicitária e marketing, Ironia e publicidade é destacada por Paulo Serra e Publicidade e jornalismo para a terceira idade).

Segundo os organizadores do livro,
A organização das IV Jornadas foi motivada pela necessidade de se dar atenção, no âmbito acadêmico, a gêneros textuais identificados como persuasivos e a aspectos relacionados com os processos produtivos destas tipologias. Partiu-se da premissa de que existe uma reconhecida lacuna na produção acadêmico-científica, principalmente em língua portuguesa, comprometida com estes enfoques.
Esse livro será mais uma importante leitura no âmbito das formações na área publicitária e também referência para aqueles que pesquisam a temática. 

A notícia já deixou de ser repercutida. A morte de Osama Bin Laden não é mais o "quente" na área da comunicação de massa. Outras histórias são mais  importantes e, para alívio de muitos, o problema foi transferido para outros espaços mundiais, seja um tremor de terra, seja o problema nuclear ou mesmo a candidatura ao FMI.

É assim na área da comunicação/jornalismo: a temporalidade é curta, mas os impactos permanecem nesse "continuum informacional" que parece não terminar. Depois desse tempo, desse afastamento da notícia e do ardor informacional, resolvi voltar e escutar o discurso do presidente Barack Obama. Voz calma, semblante que tenta disfarçar a preocupação e uma sensação no ar: será o fim ou apenas um novo começo? Difícil responder. Difícil justificar o injustificável.

Será uma impressão apenas? Veja o discurso e, se desejar, compartilhe o que pensa sobre isso.

A UNESCO no Brasil está com um edital aberto para consultor na área de comunicação. O edital é para pesquisador da área de mídia e comunicação social com graduação em Comunicação Social ou Jornalismo e doutorado na área de Comunicação Social ou áreas afins.

O edital exige experiência de 10 anos, preferencialmente em projetos relacionados à pesquisas sobre mídia, regulação de mídia, análise de conteúdo e/ou análises de recepção, bem como capacidade de formular e analisar indicadores de resultados quantitativos e qualitativos.

A seguir você tem outras informações sobre o edital:

PROJETO 914BRZ5005 - Gestão do Conhecimento para Defesa do Consumidor
EDITAL Nº 01/2011
Perfil: Pesquisador da área de mídia e comunicação social
Responsável Técnico pela Seleção: UNESCO
Data limite para entrega do currículo: 01.06.2011
Baixar: 914BRZ5005 - Gestão do Conhecimento para Defesa do Consumidor Edital Nº 01/2011

As propagandas da Anistia Internacional geralmente são muito boas: claras, diretas e curtas. Como é o caso dessa produzida pela agência La Chose, de Paris, com direção de arte de Axel Didon e Kevin Colinet. O vídeo está disponível no Vimeo.

A propaganda mostra situações de falta de direitos civis na Rússia e as atrocidades que são cometidas internamente no país. Isso inclui a pressão sobre a imprensa para não divulgação de situações em que os direitos civis são suprimidos. Vale a reflexão.


Amnesty International - Russian Dolls from bif on Vimeo.

Uma aposta na ironia e no humor. Essa é a chave que diversas agências resolveram imprimir em propagandas das mais diversas. Encontrei algumas bem engraçadas, mas que passam uma mensagem séria.

Elas são úteis para refletir no potencial e em possíveis impactos que temática podem ter, se apresentadas de diversas formas.

Veja alguns exemplos a seguir. Elas vem de várias partes do mundo e estão disponíveis no Vimeo.



4 Commercials from Benjamin Bloom on Vimeo.


"LKW" Commercials from Steph Ketelhut on Vimeo.

Coletânea de propagandas africanas

1take media commercials from 1Takemedia on Vimeo.




Cena do comercial
Recebi uma sugestão de vídeo de Daniela Oliveira (@kallaw) para o dia. Trata-se de uma propaganda da  Migros, um conglomerado de empresas suíças que operam no setor de supermercados. O comercial foi dirigido por Björn Rühmann e Matthew Branning.

A propaganda tem o foco no respeito ao descanso no dia de domingo. Todos os animais da fazenda participam na difícil tarefa de fazer suas atividades sem atrapalhar o descanso do dono da casa. Muito engraçada e bem estruturada. Bom domingo!



E, sem retirar a graça do comercial, segue os bastidores da preparação do comercial (veja o trabalho que deu para fazer o galo seguir as ordens!):



Além dos aspectos do ensino de jornalismo, esse blog também procura por elementos que possam ser utilizados em sala de aula, gerando discussão e algum tipo de aprendizagem. Vez por outra, cedo ao pedido dos amigos que leem o blog para ser menos "acadêmico" nas escolhas.

Segue, atendendo a esses pedidos, uma coletânea de propagandas sobre o "mundo da cerveja", que recolhi. Todas são muito engraçadas e úteis na discussão sobre a construção de um espaço de aprendizagem, utilizando o humor.













Matrioshka
Quando o assunto é atrair visitantes, parece que o Museu do Comunismo, na cidade de Praga, na República Checa se superou. Eles lançaram uma campanha para atrair novos visitantes. Essa campanha é composta por vários itens, inclusive a "matrioshka" com feições nada convencionais (que se compra na loja virtual por 2,05 Euros). Um dos cartazes, que tem chamado a atenção dos que o visualizam, tem como protagonista, nada menos, do que Karl Marx.

Mas o que há de novo, é que o Marx mostrado, não é aquele "Marx épico", com  ar imponente, de intelectual fervilhando de idéias. É um Marx, em sua intimidade, que poucos conheceram. Ele está de roupas mais leves e corta as unhas! A proposta do museu é atrair pessoas e mostrar que os grandes personagens também foram comuns, como todas as outras pessoas.

Não se sabe se a campanha "Get intimate with history" (Ficar íntimo da História, português) surtiu resultados, mas que a cena é bastante revaladora, isso é. Veja o cartaz a seguir:


Prof. Canavilhas (E) e Prof. Serra (D)
Paulo Serra, professor  do Departamento de Comunicação e diretor da Faculdade de Artes e Letras da Universidade da Beira Interior (UBI), apresentou nas IV Jornadas Pragmática, Comunicação Publicitária e Marketing uma interessante visão sobre a ironia nas imagens publicitárias. Essa apresentação é parte da mesa redonda "Discursos mediáticos", coordenada e moderada pelo prof. Dr. João Canavilhas (UBI).

A ironia está presente no nosso dia-a-dia. Por ironia,  entende-se "dizer o contrário daquilo que se pensa, deixando entender uma distância intencional entre aquilo que dizemos e aquilo que realmente pensamos".  Paulo Serra destacou algumas noções de ironia presentes em propagandas publicitárias. Utilizou para isso, extratos do pensamento de Aristóteles e outros autores clássicos e, chegando a Pessoa (1928).

Para concretizar suas observações, Serra fez menção dos aportes teóricos de Sperber e Wilson (1981, p.295), que defendem uma concepção tradicional, semântica, da ironia. Esses autores defendem uma "teoria ecóica", que destacam, na visão de Serra, quatro elementos:
a) Distinção entre uso e menção de uma expressão;
b) Ironia é uma menção “ecóica”;
c) O enunciador manifesta uma certa atitude;
d) O alvo da ironia será a fonte, real ou imaginada, o objeto da menção ecóica.
"Mas o que tem a ver a ironia com a publicidade?", indaga Serra. Ele destaca que Gibbs e Colston (2007) colocam a ironia como parte das publicidades visuais.  Também Jacques Durand (1970) fala sobre retórica e imagem publicitária. Dessa forma, essa é inerente a ação criativa. Exemplificando isso, apresenta propagandas de carros que demonstram o uso da ironia, como por exemplo as da marca subaru, audi, dentre outras.

Essa apresentação me fez lembrar de algumas propagandas brasileiras, algumas novas, outras antigas, mas que usavam a ironia para despertar atenção. Seguem algumas delas:








Profa. Annamaria (E), prof. Paulo Serra e profa. Milagros (D)
Covilhã - Um frio de 4 graus no entorno da Universidade da Beira Interior (Covilhã, Portugal) não impediu que as IV Jornadas Pragmática, Comunicação Publicitária e Marketing tivessem início. Na abertura, o prof. Dr. Paulo Serra, diretor da Faculdade de Artes e Letras deu boas-vindas aos presentes, seguido pela profa. Dra. Annamaria Jatobá Palacios, organizadora das IV Jornadas.

A conferência de abertura foi realizada pela profa. Dra. Maria de los Milagros Del Saz Rubio, da Universidade Politécnica de Valência, Espanha. A temática desenvolvida pela profa. Milagros versou sobre a análise pragmático-linguística das estratégias de cortesia linguística na publicidade televisiva.

O foco da apresentação foram os anúncios publicitários, com o recorte para os anúncios de absorventes femininos (45 em língua inglesa e 45 em língua espanhola). A defesa da palestrante foi centrada nas noções de cortesia linguística. Segundo a profa. Milagros, essa noção pode ser entendida de duas formas: a primeira negativa, quando entendida como estratégia de minimização e/ou prevenção da ameaça ou confronto e, a segunda positiva, quando é entendida como recurso ou estratégia para manter as relações sociais entre falantes.

Mas por que aplicar essas noções ao discurso publicitário? Pelos menos por quatro motivos, defende a profa. Milagros: 1. Manter o equilíbrio social na interação com a audiência, 2. Manter a cordialidade e harmonia com o interlocutor, 3. Estabelecer relações e vínculos, estreitando laços de união e, 4. Função informativo a serviço da persuasão.

A conferência abordou ainda as questões de formato e exemplos de como a cortesia linguística está presente nessas propagandas. Vamos acompanhar e disponibilizar outras partes do evento.


Sítio do Submarino.com
O Submarino, loja virtual, lançou uma proposta bem diferente: utilizar a realidade aumentada para testar as obras de arte que são vendidas no sítio da loja.  Agora o cliente pode vivenciar se um determinado quadro ficará bem em sua sala, antes de comprar.

A proposta é bem simples: o cliente entra no sítio da loja pelo computador com câmera, imprime a tag para visualizar a obra e, começa a "diversão" da possível compra das obras disponibilizadas.

Gostou da idéia? Experimente. Caso queira fazer você mesmo um exercício com a realidade aumentada, o Blog do Gipo já indicou ferramentas gratuitas para gerar as tags. Veja também outras postagens sobre o assunto.

Veja um pequeno vídeo com a utilização da AR que o Submarino disponibilizou.




Logo da campanha do GRAACC
O GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer) é uma instituição sem fins lucrativos, criada em 1991 para garantir o acesso de crianças e adolescentes de baixa renda ao tratamento do câncer.

O hospital do GRAACC já conta com mais de 400 voluntários, realizando mensalmente cerca de 2.500 atendimentos, entre sessões de quimioterapia, consultas médicas, procedimentos ambulatoriais, cirurgias, transplantes de medula óssea e outros.

A campanha “Sou Fã de Criança” tem o objetivo de atrair mais visibilidade e divulgar a luta contra o câncer infanto-juvenil. Os bastidores de um flash mob (“flash mobilization”, mobilização rápida) realizado no aeroporto de Congonhas, mostra a movimentação em torno da campanha. Leia o manifesto da campanha.  A campanha conta com a realização da agência AVESSO, parceira do Blog do Gipo.




Campanha da Avesso
A Unilever está com uma nova campanha no ar. A campanha foi produzida pela Avesso, empresa de publicidade parceira do Blog do Gipo, e traz o novo conceito da Unilever que é “Cada Gesto Conta”. O foco é comunicar esse modelo de desenvolvimento sustentável defendido pela empresa.

Segundo Daniela Cachich, Diretora de Comunicação Corporativa da Unilever:
Estamos falando de um mundo melhor para todo mundo. No desenvolvimento dessa campanha focamos muito na questão da multiplicação dos gestos. Onde cada gesto pode parecer pequeno, mas se multiplicado por muitas pessoas, são muito grandes e tem um impacto muito forte.
A campanha é composta por cinco filmes, cada um focado em um produto da Unilever: Becel, Comfort, Dove, Lifebuoy e Omo. A criação da campanha é de Anselmo Ramos, Vice-Presidente de Criação da Agência Ogilvy. Veja os bastidores e entenda por que propaganda é a "alma" do negócio:




pessoa com a boca amordacada
Quem disse que a militância estudantil é coisa do passado está enganado. Pelo menos é o que os estudantes russos de jornalismo tem mostrado.

O Portal Imprensa divulgou a ação de estudantes de jornalismo para protestar contra a inércia do governo do primeiro-ministro russo Vladimir Putin em relação aos casos de violência contra jornalistas e a repressão a dissidentes.

O calendário traz estudantes com uma mordaça (bem discreta, por sinal) e, segundo o Portal Imprensa, as estudantes
fotografadas com uma mordaça em forma de x, questionam atitudes de Putin e cobram medidas do primeiro-ministro. "Quem matou Anna Politkóvskaya?", jornalista assassinada há quatro anos e "Quando vão libertar Mijáil Jodorkovski?", fundador da petrolífera Yukos, preso desde 2003, são algumas das questões apresentadas no calendário "Vladimir Vladimirovich, temos algumas perguntas".
O calendário completo pode ser visto no sítio do fotógrafo Sasha Utkin. Vale a reflexão do que nossos alunos tem produzido e da "aparente" inércia dos professores.


Em diversos momentos, escrevi sobre as competências e habilidades formativas necessárias ao fazer jornalístico. Mesmo com muito cuidado durante os processos de formação, ainda assim, a imagem da profissão e do trabalho jornalístico pode ser visto de uma forma nada emocionante ou "profissional".

Procurei algumas charges que ironizam o que, alguns poucos colegas, ainda reforçam como uma prática constante. Vamos esperar que, durante os processos formativos, possamos superar alguns velhos estigmas da área, ou pelo menos, amenizá-los com nossas risadas. Mas vale a pena a leitura do texto "Jornalismo não é ridicularizar pessoas", escrito por Sérgio Spagnuolo, que destaca bem que "o papel da ridicularização é o do humorista, não do jornalista."


A imagem, proveniente do sítio CSL News Cartoon, mostra um jornalista em sua redação. A ação é comum na atividade jornalística: produzir notícias. O 'problema' da charge encontra-se no reforço do esteriótipo de que o jornalista, espumando pela boca, se delicia em produzir notícias "espetacularizadas" ou "bombásticas" sobre calamidades. Essa autoimagem equivocada, perpetuada em alguns processos formativos, acentua a importância do "furo" acima dos aspectos éticos/morais.

Outra charge, aponta para o possível fim do diploma. Ela foi disponibilizada no Blog do Nake. Na charge, o jovem egresso da faculdade exulta com sua formação e grita "eu sou jornalista", daí, em um segundo momento ele escuta a mesma euforia de outros profissionais dos mais variados espaços. Essa charge nos faz refletir em possíveis impactos sobre a profissão. Mas não desanima!

Essa outra charge, contrapõe as práticas jornalísticas tradicionais do "furo" e o ato de "parar as prensas",  com o impacto das mídias sociais. A notícia já foi vinculada nas mídias sociais e, popularizada, mas enquanto não sair no impresso, parece "não valer." Ela foi disponibilizada no sítio Naquim.com.br e intitulada "Velhas mídias".

Essa outra charge, produzida por Angeli e disponível no sítio P.da Audiência da TV, critica a pauta nacional que parece não sair da mídia: a violência e a corrupção. Na banca, defronte de vários jornais, é fácil perceber que parece existir uma "pauta" nacional que vende mais impressos.




Evito entrar nesta seara, pois temos colegas mais aptos a discutir as relações entre política e comunicação, atendo-me as questões de ensino. Mas não posso ficar calado desta vez.

Algumas campanhas eleitorais estão perdendo o "rumo", se é que algum dia o tiveram! E aí entra m algumas questões que julgo importantes: quais os limites que a própria comunicação impõe a seus profissionais que durante os pleitos desenvolvem as campanhas? Devem existir limites? Devem ser éticos ou morais? Ou, por outro lado, devemos deixar a "liberdade" transformar-se em algo espúrio? Não tenho resposta a essas questões. 

Essas estão "pipocando" em minha cabeça depois de ver alguns dos vídeos da campanha de um candidato a deputado federal pelo estado de São Paulo. O candidato resolveu apelar, no pleno sentido da palavra, e lançou uma série de pequenos vídeos que mesclam erotismo, direitos sociais e, óbvio, a defesa de sua candidatura. Não sei se o candidato será eleito, mas que terá os "15 minutos" de fama assegurado, isso terá!

Eles estão disponiveis no You Tube, mas coloco a seguir um deles. A dica veio do blog Futepoca.



Parece brincadeira, mas quando se pensa na Coca-Cola, essa não dá "ponto sem nó" quando o assunto é propaganda. É que um "monstro" gigante foi produzido com caixas de garrafa. É isso mesmo: 2.500 caixas de garrafas de Coca-Cola foram cuidadosamente empilhadas para parecerem um gigante. 

As 2.500 caixas alcançaram 16,5 metros de altitude e, juntas, pesam mais de 25 toneladas. A façanha foi realizada na África do Sul e, em tempos de Copa do Mundo, vai ter um impacto "monstruoso" nos consumidores.


Em uma sociedade do hiperconsumo, para lembrar de Gilles Lipovetsky em "A Felicidade Paradoxal", quais os significados da pirataria? Como a comunicação e os processos formativos a compreendem? Alguns autores tem apontado para a idéia de que a pirataria no meio digital, não é apenas a necessidade de consumir, mas também de se interferir na elaboração dos conteúdos, compartilhando. 

Essa é uma das idéias de Cândida Nobre, da UFPB, no trabalho intitulado "Os processos de ressignificação da pirataria no ciberespaço", apresentado na COMPÓS/2010. Nobre, ao conceituar pirataria, esclarece:
Reforçamos que a pirataria não envolve única e exclusivamente a motivação de lucro direto diante da cópia da obra. É possível ao usuário realizar uma cópia para si próprio, bem como ver um vídeo disponibilizado no YouTube que, a princípio seria protegido por direitos autorais e a indústria ainda assim rotular seu comportamento como pirataria. A razão que leva o indivíduo ao consumo da cópia é variável. Assim como o interesse da comercialização da cópia é o lucro, há os que consomem tais produtos por estarem abaixo do preço e, portanto, compartilham da mesma motivação do vendedor. Há, no entanto, obras que eram de difícil acesso até estarem disponíveis na rede, de forma que recorrer ao “pirata” é a única maneira de entrar em contato com o produto.
E, finalmente, há ainda a dificuldade de acesso do público em relação aos produtos culturais. Neste caso, não estamos tratando das pessoas que têm a opção de ir ao cinema ou comprar um filme no comércio informal, mas daqueles que só terão acesso às obras se estas forem adquiridas por meio da pirataria. Para esta parte da população, a pirataria pode ser entendida como um caminho para a inclusão social. Tanto é assim que mais uma vez destacamos a pesquisa feita no Brasil constatando que a pirataria não é vista com maus olhos pela maioria da população e a prática estaria associada ao mesmo princípio de Robin Hood, de extrair algo dos ricos para os pobres terem acesso (BOECHAT e HERDY, 2008). A diferença seria que, ao menos à primeira vista, o consumo da cópia não restringe o outro do acesso à obra.

Esses argumentos dão muito em que pensar, já que essa visão ampliada associada a pirataria, resgata a noção básica de compartilhamento do conhecimento. Nobre propõe, ainda, uma tipologia de compreensão desses argumentos. Vale a pena a leitura dos argumentos.

Jason Stverak, presidente do Franklin Center for Government and Public Integrity, uma organização jornalística sem fins lucrativos, publicou um elucidativo artigo intitulado "Newspaper journalism isn't dead; just look at the numbers". O artigo, disponibilizado no OJR: The Online Journalism Review, aponta para um novo estudo que foi lançado recentemente pela Newspaper National Network. O estudo revela que houve elevação no número de page views de cerca de 10% sobre os meses anteriores. 

Segundo Stverak,
From March to April 2010, the top 25 markets grew 10 percent reaching 83.7 million. These visitors generated a total of more than 2 billion page views in April, up 24 percent from 1.6 billion page views in January. This study is a strong indicator that journalism isn’t dead. Nor is the quest for news diminishing as the newspaper industry has struggled. And while newspapers lay off journalists and fail to meet the needs of the public, it is now apparent that Americans are actively finding an alternative source to keep abreast on the news they care about.
Essa notícia, com certeza, "esquentará" o mercado jornalístico americano, mas, com bem destacou Stevrak, o mundo virtual não é tão fácil como se imagina e o retorno publicitário pode não ser tão rápido como se espera. Para ilustar isso, Stevrak citou o caso do Long Island’s Daily que gastou cerca de 4 milhões de dólares para reformular seu sítio e, cobrando apenas 5 dólares por semana (ou 260 dólares no ano), conseguiu apenas 35 assinantes em três meses.