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As revistas acadêmicas cumprem um papel importantíssimo na divulgação da ciência. Normalmente, são criadas e mantidas por universidades e/ou faculdades com corpos docentes bem estruturados e com pós-graduação, que assumem-na como elemento de divulgaçaõ de ações e pesquisas.

Mas existe espaço para outras iniciativas. Eu mesmo já vivenciei esse dia a dia, mantendo de 1999 a 2008 a Revista de Pedagogia, uma das primeiras revistas acadêmicas em educação totalmente na internet que chegou a ser avaliada como Nacional B e figurou um bom tempo na Qualis da Capes. Ela era mantida no sítio da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e tinha a "imensa" equipe de duas pessoas - eu e o programador visual. Ela parou de ser editada, pois os colegas da revista imprensa achavam que era concorrência e que tinha baixado a avaliação que receberam da ANPED na época (Nacional C). Como na época era mais complicado a manutenção de uma revista acadêmica sem "academia", ela foi descontinuada.

Lembro-me das diversas reuniões de editores universitários por ocasião dos momentos anuais da ANPED e da resistência que os colegas tinham a revistas online. É engraçado lembrar hoje, pois muitos são árduos defesores dessas iniciativas no presente (Como se diz por aqui, a fila anda).

De qualquer forma, aqueles que desejarem enveredar por esse caminho árduo, está disponível uma série de materiais que ajudam a facilitar esses processos. Entre eles, um guia foi elaborado por M. Alejandra Rojas e Sandra Rivera, intitulado  Guía de Buenas Prácticas para Revistas Académicas de Acceso Abierto. Vale a leitura e aplicação das sugestões para implantação de uma revista acadêmica aberta.

Essa foi a temática central da discussão realizada por John Berman, correspondente da ABC News desde 2002,  Susan Chira, editora de Negócios Estrangeiros do New York Times desde 2004, Jason Fry, ex-assistente de edição do Wall Street Journal Online e Alexander Heffner,fundador da Scoop44, um diário online que cobre a administração Obama.
 
Os jornalistas discutiram sobre o desenvolvimento das tecnologias, a crise no modelo de negócios do jornalismo impresso e os impactos das mídias digitais sobre a profissão, que tende a perder seus espaços tradicionais - as redações - como local produtor de notícias.

Uma problemática interessante nesse debate, levantada por  Jason Fry é a questão da audiência. Segundo ele, a mídia impressa tem uma audiência que envelhece e que não está sendo substituída por uma mais jovem. É a questão que já falamos em outros momentos: como atrair neoleitores ao modelo impresso? Se é que será possível, já que esses neoleitores são 'nativos digitais' e vivenciam outras experiências do ato de ler, que envolvem aspectos multimídia e interação.

De qualquer forma, uma transcrição desta mesa redonda foi disponibilizada na Revista Andover, sob o título "Your Daily Newspaper Is Dying. Now What?". 


A íntegra da mesa redonda pode ser vista a seguir:

Journalism Roundtable from Phillips Academy on Vimeo.


O Washington Post em parceria com o Centro Woodrow Wilson, abriu 5 (cinco) vagas com bolsas para jornalistas da América Latina. O programa consiste em três semanas em Washington, acompanhando e publicando notícias sobre temas de interesse para seus países, dentro das instalações do Washington Post e o convívio com as equipes de redação do jornal.

O período de inscrição vai até dia 28 de maio, tendo o início do programa previsto para o período de 13 de setembro a 1º de outubro de 2010. Além dos custos de translado e alojamento, há previsão de uma pequena ajuda para despesas semanais. 

Pré-requisitos:
• Ser empregado de um meio de informação impresso (jornais ou revistas) ou eletrônico que publique regularmente material noticioso e opere independentemente de governos, associações empresariais ou grupos de interesse;
• São elegíveis também jornalistas que trabalham como freelancers, desde que mantenham uma relação estável como uma organização que preencha os requisitos do item anterior e tenham nessa atividade suas principal fonte de renda;
• Ter no mínimo quatro anos de experiência profissional em jornalismo;
• Ter um bom domínio do inglês.

Os candidatos devem apresentar:
• Uma proposta de trabalho de no máximo 800 palavras, em inglês, descrevendo de forma clara o projeto de reportagem no qual planeja trabalhar durante o período da bolsa em Washington;
• Currículo, em inglês;
• Três exemplos recentes de trabalhos publicados (não é necessário traduzir para o inglês). Cada texto não deve ter mais do que 1200 palavras;
• Duas cartas de recomendação, ao menos uma de autoria do atual empregador, em inglês ou no idioma do país;
• As cartas de recomendação devem ser enviadas a partir do e-mail do autor ou diretamente para o endereço da seleção. O assunto do e-mail deve ser “Carta de recomendação para(nome candidato="x" do="x")”;
• Uma carta de apresentação com o nome completo, números de telefone e atual cargo do candidato.

As candidaturas podem ser feitas em inglês, espanhol e português. Maiores informações na página do Washington Post.


O jornalismo digital ou on-line é uma realidade no espaço da web. Nos últimos meses, diversas empresas jornalísticas fizeram reformas drásticas em seus organogramas (como no caso de um grande jornal americano que demitiu quase 600 funcionários de sua redação impressa para se adequar ao formato digital) para agregar novas competências e habilidades em seu processo de construção da notícia (e veja que não estamos falando dos valores-notícia!).

De qualquer forma, as redações modificaram-se ou estão em processo de atualização para a cultura da internet e a sociedade em rede. Passeando pela internet, ou melhor, como chama André Lemos no seu texto Ciber-Flânerie, estava eu no processo que ele bem define:

"O flâneur inventa a cidade sobre a cidade e suas infra-estruturas. Trata-se mesmo de traçar sulcos na sua superfície, marcar o tecido urbano como um texto alucinadamente atravessado por remissões infinitas. Nesta perspectiva, andar, caminhar, errar pela cidade num ritmo próprio, navegá-la metaforicamente, abrindo-se para os estímulos contraditórios – este exercício de sair de si - resulta numa escrita que a torna um lugar praticado. O mesmo acontece com a prática da navegação pelo ciberespaço."

Nessa ato de "flâneur" pela rede, encontrei uma página muito interessante, do projeto "Documental Multimedia Redacciones On Line", que tem como foco mapear e discutir as modificações que passaram sete redações digitais de periódicos em língua espanhola: abc.es (Espanha), clarín.com (Argentina), críticadigital.com (Argentina), cronista.com (Argentina), elpaís.com (Espanha), elmundo.es (Espanha) e perfil.com (Argentina). O material é bem completo e traz entrevistas bem esclarecedoras, além de produções escritas e infográficos.

A seguir, o vídeo que apresenta esse projeto de intergração de redações on-line.



Integración de redacciones from alvaro liuzzi on Vimeo.