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Fiz uma pequena seleção das capas que melhor retratam o dia em que se completa 10 anos desde os atentados do 11 de setembro. Utilizei para isso o "arsenal" do Newseum, museu virtual de mais de 630 jornais espalhados pelo mundo.

Na galeria de hoje, 11 de setembro, é difícil achar qual o jornal impresso nos Estados Unidos que não trouxe alguma notícia ligada aos atentados de 11 de setembro. É também difícil imaginar que algum jornal norte-americano arriscaria deixar  essa notícia de lado, sob o risco de ter boicote de seus leitores (seja hoje, seja no futuro).

Como indiquei, fiz a pequena seleção, das centenas de capas, que ao meu olhar, parecem mais significativas, seja porque são quase obras de arte, seja porque retratam a dor pela memória. De qualquer forma, esse é um olhar particular, não representando qualquer convicção ou linha de pensamento.  Caso queira escolher as suas, consulte a página do Newseum.




 


Em um artigo intitulado "Newspapers, Yes, Newspapers Might Be Good Stock Plays" publicado no dia 12.06.2011, o The Wall Street Journal trouxe uma reflexão sobre as indústrias jornalísticas e a situação na bolsa de valores.

Partindo dos valores das ações dessas empresas, Andrew Bary, apresenta o quadro a seguir:


Segundo a reportagem, a situação ainda é "saudável" na maioria das empresas jornalísticas, que mantém seus lucros na faixa dos 20%. Isso mesmo com a redução de leitores, que figuram na faixa de 25% dos adultos entre 18-34 anos que leem um jornal diário.

Será que vemos uma troca de "plataformas", do impresso para o digital? Segundo Bary, "[...] enquanto os sites de jornais geram uma grande quantidade de tráfego, eles geralmente não produzem receita porque os seus leitores não gostam de pagar para ter acesso e, os anunciantes pagam menos para atingir usuários online do que os leitores de [mídia] impressa".

Dentre os melhores resultados, estão as ações do Washington Post (que reúne um conglomerado de mídia e educação, o que explica a valorização das ações) e a do grupo Gannett, que tem uma carteira diversificada  de empresas de radiodifusão, publicação digital e móvel (entre elas a USAToday.com e mais 81 sítios locais).

Já dentre as empresas jornalísticas em pior situação, estão a McClatchy (MNI), que é dona de uma carteira de jornais que incluem o The Miami Herald, The Sacramento Bee, the Fort Worth Star-Telegram, The Kansas City Star, The Charlotte Observer e The (Raleigh) News & Observer, além de participações minoritárias em outro tanto de jornais;  e, a Lee Enterprises (LEE), que possui 49 jornais diários e cerca de 300 publicações de especialidade em 23 estados norte-americanos.

Fonte: Com informações de The Wall Street Journal.

O espaço educativo tem assistido nas últimas semanas um embate fora do comum: de um lado, personalidades da língua portuguesa e, do outro, o Ministério da Educação. Fazia muito tempo que uma polêmica desse naipe não surgia. O foco é simples: o que é ou não certo, quando se pensa a plasticidade linguística.

Depois de vários embates, o MEC joga duro e lança o que chamou de "Dossiê - Livro Didático", composto de artigos de diversos intelectuais em meios de comunicação de massa espalhados pelo país. A chamada na página inicial do ministério é forte: "comunidade científica reage ao obscurantismo que prega censura ao livro didático". O peso dos intelectuais chama atenção, em um movimento de "quase blindagem da situação". Vale a leitura.

As amizades não são interações simples. São complexas e, muitas vezes, até conflitantes. Mas são uma das boas coisas de se viver em sociedade. Como cultivá-las? Quando deixá-las? Quando permitir novas interações? Essas não são questões simples.

Na animação de hoje, essas são indagações que circundam a temática da amizade e geram reflexões. A animação é intitulada "Second Wind" e foi produzida por Ian Worrel, com trilha sonora de James Mark. Retrata a história de um homem e seu gato gigante. Ela está disponível no Vimeo. Aproveite e reflita no que ocorre. Bom domingo.


Second Wind from Ian Worrel on Vimeo.


Em um extenso artigo intitulado "True Enough: The second age of PR", John Sullivan discutiu na edição de maio/junho 2011 da revista Columbia Journalism Review, sobre quem está ocupando o espaço jornalístico.

Citando diversos autores e críticos atuais da suposta crise do jornalismo, Sullivan faz referência a afirmação do correspondente John Nichols de que a "enorme sensação de vazio, provocado pelo colapso do jornalismo tradicional não está sendo preenchido pelos novos meios de comunicação, mas por relações públicas".

Por que essa afirmação? Basicamente, segundo o jornalista citado por Sullivan, é por que cada vez mais os repórteres tem menos tempo para verificar os fatos e, além disso, os governos e/ou empresas tem conseguido gerar mais histórias, o que faz com que os repórteres as prefiram, do que a ida ao campo.

Qual o problema disso? Pode parecer, a princípio, que se supre uma lacuna informacional. Mas a longo prazo, "grupos externos passam a ter mais poder para definir a agenda", afirma Sullivan.   É, esse é um problema sério: pautar a mídia. Mas não é novidade, apesar de problemático.

Outras discussões e argumentações reforçam que esse pode ser um problema ainda mais sério para o jornalismo, desfigurando a imagem profissional. Leia mais e tire suas conclusões.

Um documentário produzido por Marty Stalker e intitulado "Egypt: After The Revolution", mostra as perspectivas dos egípcios após os movimentos ocorridos no país em março último. Jovens entre 18 e 19 anos, bem como outros setores da sociedade, relatam no documentário suas expectativas por justiça, democracia e liberdade, mas demonstram entender que se trata de uma construção que ainda está longe de sua completude.

Essas são expectativas importantes já que o país esteve mergulhado em contradições que colocavam de lados opostos uma classe minoritária extremamente rica e, do outro, uma massa empobrecida e amordaçada.

O documentário foi filmado em uma Canon 5D Mark II e você poderá ver os bastidores dessa empreitada de Stalker no sítio Scattered Images.


Egypt: After The Revolution from Marty Stalker on Vimeo.


Quem acompanhou na semana passada a lista da COMPÓS, deve ter observado o "embate" entre duas posições formativas em torno da exigência ou não da formação específica em comunicação para editais de seleção de docentes na universidades.

O estopim dessa discussão, que se arrastou durante toda a semana com posições pró e contra, foi o edital para quatro vagas na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que exigia a formação em núcleo duro de Comunicação.

O primeiro a se manifestar foi o prof. Marcos Palacios, que apontou para alguns problemas:
Para cumprir o ritual, não posso deixar de, mais um vez, apontar o caráter restritivo das exigências estabelecidas para o concurso.  Admito que para as vagas 1 e 4 seja aceitável a exigência de Graduação em Comunicação, porém com a ressalva de igual admissibilidade para candidatos com Mestrado e/ou doutorado em Comunicação, como alternativa. Já para as vagas 2 e 3 a exigência de Graduação em Comunicação é simplesmente insustentável (suponho que até mesmo no plano jurídico), uma vez que são áreas de conhecimento perfeitamente passíveis de preenchimento por candidatos oriundos de várias graduações. Aceitável seria, neste caso, a exigência de Mestrado ou Doutorado na área de Comunicação.Mais uma vez, lamento o fechamento e o corporativismo que continuam imperando em nossos concursos.

Após essa mensagem de Palacios, começou a exposição de diferentes olhares, quer favoráveis, quer contrários a opinião. Entre eles estava a colega Rose Vidal, que recentemente terminou se mestrado em Comunicação Social. Segundo Vidal,
Eu discordo totalmente dos meus colegas, pois já existem tão poucos concursos para nós, comunicólogos, e quando surge ainda contestam. Deveriam contestar esse absurdo da queda do diploma para jornalistas. Nós que estamos saindo de mestrados e doutorados da área sabemos o quanto é difícil encontrar concurso.. É pela desunião da classe que a situação está cada vez pior. De 30 concursos abertos (efetivos) apenas este está oferecendo oportunidade para comunicação com formação (incluindo mestrado principalmente)....a escassez de oportunidade ninguém reclama...

Daí para frente, mais um enxurada de posicionamentos, que demonstram a diversidade natural existente na área de Comunicação, tão comum em outras tantas áreas. Mas em meio a diversas posturas, achei especialmente interessante a sugestão do colega José Luiz Braga. Leia a seguir seus argumentos:
As posições apresentadas são certamente compreensíveis, de parte a parte – na medida em que cada um percebe um lado da questão. Talvez essa reflexão pudesse ser, entretanto, aprofundada se não tentássemos definir uma espécie de padrão universal – tipo “todos os concursos devem favorecer um ingresso transdisciplinar” ou “todos os concursos devem favorecer formações específicas”. Creio que o critério que deve prevalecer em cada concurso específico seria o melhor preenchimento da vaga específica – segundo os objetivos especificamente atribuídos ao/à professor/a a ser contratado/a. Creio que em alguns casos, uma formação abrangente e diversificada será interessante, pois o professor deve trabalhar perspectivas comunicacionais que exijam justamente abrangência, articulação de conhecimentos diversos, percepção contextual daquilo que ensina, desenvolvimentos de interface com outra CHS. Nesse caso, cabe pedir que um dos níveis (ou graduação, ou mestrado, ou doutorado) tenha sido feito na área da Comunicação – aceitando, e mesmo preferindo que os outros níveis sejam diversos.
 Em outros casos, o departamento ou curso pode efetivamente estar interessado em um “especialista” – e talvez mais, alguém que tenha experiência profissional específica, além de uma formação voltada para um ângulo específico. Podemos precisar de um professor de jornalismo, que tenha graduação em jornalismo, eventualmente cobrar experiência profissional – e que tenha desenvolvido pesquisas (de mestrado e doutorado) sobre questões de jornalismo. Se esse é o perfil do professor necessário, não vejo porque não exigir tal especificidade (igualmente para qualquer das outras habilitações comunicacionais).
O problema, então, é que, talvez, organizadores de concursos não pensem nessa especificidade – e decidam uma coisa ou outra apenas com base em um padrão abstrato, ditado por um a priori ou por uma questão meramente burocrática. Se isso deve ser criticado, creio que não devemos cair também em posição apriorística – “tudo tem que ser x” ou “tudo tem que ser “y”. O que deveríamos reivindicar é que os concursos apresentem boas razões - ou seja, relacionadas ao perfil efetivamente pretendido para o professor - para determinar “x” ou “y”. Para além dessa pretensão de seriedade seletiva, podemos ainda refletir sobre um complemento. Se o Departamento não tem tanta certeza assim do perfil pretendido especificamente, seria inteligente não “fechar” o concurso – informando preferência pelo perfil de tal tipo – mas aceitando perfis próximos. Pois quem sabe aparece como candidato um “perfil próximo”, mas que, na especificidade do concurso, demonstra ser aquele que mais produtivamente assumirá as funções em concurso. Mesmo porque a especificidade pretendida pode não depender de “todos os níveis de formação”, mas ser desenvolvida em um ou dois deles.
 Assim, acredito na vantagem da abertura – simplesmente porque esta amplia a probabilidade de selecionar o candidato com perfil mais adequado. A obrigação maior de quem organiza um concurso não é o de atender a preferências genéricas abrangentes, mas sim a de maximizar a probabilidade de encontrar o professor (a professora) que efetivamente fará o melhor trabalho.
É interessante acompanhar esses embates, que representam a preocupação com a consolidação de uma área. Mas tendo a concordar com o prof. Palacios em suas indicações. Explico o porquê: tenho graduação em Pedagogia/Educação e, posteriormente em Comunicação Social/Jornalismo. Iniciei o processo de doutoramento em Comunicação Social antes de cursar a garduação nessa área. Procurei-a por achar que agregaria mais conhecimento e capacidade de intervenção na área por "falar de dentro da própria área", mas não foi isso que vi ocorrer. De fato, a graduação em comunicação agregou bem pouco em minha formação já pré-existente. Sim, conheci as teorias que antes não tinha acesso, troquei idéias com outros colegas, cresci. Mas não o quanto pensava e esperava para fazer diferença em meu processo de doutoramento.

Então, em que eu ganhei? Afirmo que graduar-me na área dura de comunicação me deu tranquilidade para falar de seus processos formativos. Posso falar da formação em comunicação/jornalismo por ter sido "agente" desse processo. E aí em tom bem "durkheiminiano" fui agente, isto é, percebi como no processo de formação, a passividade do alunado é grande e como a (de)formação ocorre durante as disciplinas.  Ganhei também por ter um "laboratório próprio", onde percebia as fragilidades formativas de meus colegas docentes tentando ensinar, quando na verdade não tinham fundamentação para falar do assunto. É, essa é uma realidade aqui no Tocantins e, arrisco-me a generalizar um pouco, talvez em boa parte das faculdades/universidades espalhadas pelo Brasil.


Aos domingos, posto sempre uma animação. Mas hoje resolvi fazer algo diferente e colocar à disposição dos leitores um editorial que achei bem pertinente. Trata-se do "sucesso" relâmpago do Twitter nas últimas horas. Não é a trilha sonora de carnaval de uma escola de samba, nem uma marchinha. Muito menos um Axé. Trata-se de um editorial de jornal semanal. Editorial? É isso mesmo.

Nas últimas horas, um editorial da jornalista Rachel Sheherazade falando do Carnaval ganhou repercussão nacional justamente por destacar não a folia e alegria efêmera do carnaval, mas as mazelas que esse acaba por alargar. Vale ouvir ou ler.



Cena do descongelamento em Tolerantia
Nesses tempos de falta de tolerância, uma animação produzida na Bósnia retrata como a intolerância tem resultados catastróficos. A animação foi produzida por Ivan Ramadan e é intitulada “Tolerantia”, sendo premiada como "Melhor Curta Europeu" pela European Film Academy em 2008. Ela está disponível no Vimeo.

A história é bem simples: um homem pré-histórico é descongelado na idade do gelo e começa a construir a sua nova sociedade, dando destaque ao sol. Só que outro homem pré-histórico tem a mesma idéia, porém decidindo que adoraria, o que parece ser, a noite. Nem precisa falar o que vai acontecer. Bom domingo!


Tolerantia - a short animated film by Ivan Ramadan from Ivan Ramadan on Vimeo.


Parece brincadeira, mas não é: o jornal cearense Diário do Nordeste demitiu de forma arbitrária, no último dia 18 de outubro, o jornalista Dalwton Moura, por ter escrito e editado matéria no Caderno 3 sobre as revoluções marxistas que marcaram os séculos XIX e XX.

Segundo a nota do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Ceará (Sindjorce):
O caderno especial, de seis páginas, foi considerado pela direção da empresa "panfletário" e "subversivo", além de "inoportuno ao momento atual".Tendo, entre outras fontes, o filósofo Michael Löwi, que estaria em Fortaleza para lançar o livro "Revoluções" (com imagens que marcaram os movimentos contestatórios decisivos para a história dos últimos dois séculos), a matéria foi pautada pelo editor-chefe do jornal, Ildefonso Rodrigues, tendo sido sugerida pela historiadora e professora Adelaide Gonçalves, da Universidade Federal do Ceará (UFC). No entanto, ao comunicar a demissão do jornalista, o editor-chefe se limitou a dizer que "não sabia o conteúdo da reportagem até vê-la publicada".
Essa é muito boa: como um "editor-chefe" diz que não sabia do conteúdo de um caderno? É fato que, no Brasil, a moda é dizer que 'não se sabia', mas como parte das competências jornalísticas de um editor, obrigatoriamente, encontra-se a revisão dos conteúdos a publicar. Pior é que isso pode até virar moda: jogar a culpa para o trabalhador e não querer assumir uma posição ideológica clara. É uma pena que um jornal se dê a essa atitude.

Leia as matérias que custaram o emprego do jornalista Dalwton Moura e tire suas conclusões:
2. Homem de muitos mundos, de Adelaide Gonçalves (UFC)
3. Revolução e imagem e De volta a Fortaleza, da jornalista Síria Mapurunga

Caso queira ler mais, a notícia repercutiu em:


imagem de uma onda gigante
Imagem do vídeo Natural Re-sasters
Uma animação bem diferente foi escrita por Aaron Becker, Jason Esser e Michael Cone, tendo como animadores Ryan Sneddon, Michael Cone e Chris Green. É intitulada Natural Re-sasters e está disponível no Vimeo.

A história nos transporta para o ano de 2067 e, diferente do que imaginamos quanto as catástrofes naturais, a idéia dos escritores é aproveitar engenhosamente esses eventos para o bem da humanidade. É um sonho interessante, mas vale a reflexão, já que alguém pode pensar em tornar algo disso em realidade. Bom domingo.



Natural Re-sasters from michael cone on Vimeo.


capa do livro didatico com palestinos e israelenses
Foto: Haaretz
Muito se diz do potencial da educação na superação de conflitos. De fato, a educação tem, em potência, a força motriz para a paz. Mas, em potência, não quer dizer, obrigatoriamente em ato. É o que vivenciam os espaços educativos na Palestina e em Israel.

O novo conflito é pedagógico e tem um livro didático como centro dessa nova "tormenta". A reportagem foi publicada pelo jornal israelense Haaretz.  Segundo o jornal, "o livro didático de história oferece aos alunos as narrativas centrais dos palestinos e do movimento sionista". É fruto de um projeto que visa aproximar os dois países, por permitir o conhecimento e a problematização da história em ambos os lados desse conflito. O livro foi resultado de uma colaboração conjunta entre israelenses e palestinos, financiados por um grupo sueco, para promover a convivência através da educação.

Mas parece que não está dando muito certo. Na Palestina, o livro foi adotado para utilização nas escolas, mas em Israel, foi prontamente proibido. É uma pena que o discurso da paz, seja apenas um discurso. Que seja mais fácil mantém o estigma de que o "outro" é o criminoso e que deva ser combatido. Vamos esperar que os impactos na Palestina deste material seja positivo e que, em Israel, se revejam as posições adotadas.


pessoa com a boca amordacada
Quem disse que a militância estudantil é coisa do passado está enganado. Pelo menos é o que os estudantes russos de jornalismo tem mostrado.

O Portal Imprensa divulgou a ação de estudantes de jornalismo para protestar contra a inércia do governo do primeiro-ministro russo Vladimir Putin em relação aos casos de violência contra jornalistas e a repressão a dissidentes.

O calendário traz estudantes com uma mordaça (bem discreta, por sinal) e, segundo o Portal Imprensa, as estudantes
fotografadas com uma mordaça em forma de x, questionam atitudes de Putin e cobram medidas do primeiro-ministro. "Quem matou Anna Politkóvskaya?", jornalista assassinada há quatro anos e "Quando vão libertar Mijáil Jodorkovski?", fundador da petrolífera Yukos, preso desde 2003, são algumas das questões apresentadas no calendário "Vladimir Vladimirovich, temos algumas perguntas".
O calendário completo pode ser visto no sítio do fotógrafo Sasha Utkin. Vale a reflexão do que nossos alunos tem produzido e da "aparente" inércia dos professores.


Ken Doctor, autor do livro Newsonomics, escreveu o artigo intitulado "The still-evolving Newsonomics of digital transition" para o Nieman Journalism Lab (Harvard University) onde desenvolve algumas noções preliminares dos custos envolvidos na transição para o modelo online. 

Doctor aponta que as empresas jornalísticas poderiam iniciar os cortes de orçamento na faixa dos "60%". Com que estes custos poderiam ser reduzidos? Ele é direto e sem rodeios: "[...] os custos... com produção gráfica, impressão, circulação e despesas de distribuição, juntamente com os postos de trabalho que seriam eliminados".

E os 40% restantes? Para Doctor, o restante seria direcionado em "cerca de 20 por cento  para a redação, e 10-15 por cento destinado as vendas de anúncios". Será essa "a fórmula" do sucesso? Dificilmente. "Não há nenhum modelo e não há fórmulas que possam ser compartilhadas. A estrada da transição é muito escura e instável neste momento, sem mapa ou GPS", reforça Doctor.

Repercutindo sobre essa visão de Doctor,  o sítio Flip Side aponta que essa é apenas parte da equação. Segundo o sitio,

A outra parte da equação tem que ser uma mudança no modelo do negócio. O verdadeiro problema é que os jornais ainda dependem de estruturas de vendas orientadas em torno de um modelo de negócios enraizados na década de 1950: esperar o telefone tocar, em seguida, colocar um representante de vendas em um carro até o cliente, criar uma meia dúzia de anúncios, fazer o cliente assinar um contrato, [...]. As organizações locais de todos os tipos de mídia precisam começar a experimentar formas mais agressivas de inovações, para reduzir os custos de captação e gestão de unidade e de novas fontes de receita.
Seja qual for a equação - se é que teremos uma tão cedo - uma coisa é certa: não é possível ficar passivo frente as demandas atuais da possível crise que passam alguns dos grandes veículos no mundo. Vamos ver quem melhor apresenta caminhos.

Foto: Andreas Rentz
Negativista? Fatalista? Controverso? Essas seriam possíveis palavras a serem ditas sobre Jeff Jarvis, blogueiro, jornalista e professor na Universidade Cidade de Nova York. Em entrevista ao El País.com, Jarvis afirmou que talvez seja tarde demais para os grandes jornais reverem suas estruturas e competir com os jornais online emergentes. 

Jarvis aponta que a dinamicidade dos pequenos veículos online facilitam os processos e, produzem resultados com baixos ou nenhum custo. Na entrevista, ele compara o The Washington Post com o sítio tbd.com, dirigido por Jim Brady. Segundo Jarvis, ambos disputam o espaço da notícia, porém enquanto que o Washington Post o "faz com 745 jornalistas em sua redação", o pequeno e eficaz tdb.com o faz "com duas dezenas de repórteres, construindo uma rede de parceiros e blogueiros e explorando todas as vantagens da economia da Internet". 

Não é de hoje que as críticas de Jarvis vem sobre as grandes empresas da mídia, mas parece um tiro certeiro nessas empresas quando ele aponta para o "calcanhar de Aquiles": os custos de manutenção. Pequenos periódicos online parecem sobreviver a uma possível crise com mais flexibilidade, além de ofertar informações a custos bem baixos ou mesmo gratuitos. Essa é uma receita difícil de superar. 

Outro ponto destacado por Jarvis é a questão do conteúdo online. Para ele, a mediação e seleção de conteúdos são os mais importantes eixos no espaço da internet, já que vivenciamos uma grande abundância de informações. O que é necessário fazer? Jarvis é direto: "ink versus link" (tinta versus link). O que ele quer dizer com isso? Que na "economia do link", é o link que cria valor à medida em que cria novos espaços, já que um conteúdo sem ligações não tem valor.

Esse panorama aponta para o que já indicamos em outras postagens: o ecossistema jornalístico mudou. Muitos apostaram nessa mudança, mas os grandes grupos empresariais desprezaram a web como espaço de noticiabilidade, desprezaram o potencial aglutinador da internet. "Talvez", realmente, "seja tarde demais", como afirmou Jarvis, mas vamos ver o que essas "máquinas" farão para não sucumbir no espaço dos negócios.



A animação Kutoja - The last knit, dispoível o You Tube, foi escrito, dirigido e animado por Laura Neuvonen, apresenta um pouco de "nossa" vida conturbada. Não pense que a cidade é o centro da animação, pois é justamente o contrário. A idéia é a busca de um local de paz para exercitar um hobby.

O centro da história é uma jovem senhora que tricota. Mas o tricotar obsessivo gera repercussões. Algumas dessas fogem ao controle e, ao "renascer" uma nova perspectiva, começamos de novo o processo.

Lembrei-me ao assistir da vida "esquizofrênica" que nos colocamos diariamente na academia. Boa reflexão!




Fonte
Risco? Incerteza? Essas são palavras presentes sempre que estruturamos qualquer prática, seja educativa, seja jornalística. Seria ingenuidade pensar que essas situações não ocorreriam em um processo de planejamento.

Quando planejamos, estamos projetando, o que reforça a noção de “lançar para frente”, isto é, para o que ainda não existe. Se não existe, estando apenas no mundo da abstração mental do(s) elaborador(es), está sujeito ao risco e à incerteza.

Cabe aqui um esclarecimento importante: as palavras risco e incerteza se entrelaçam e reforçam uma à outra. Como assim? Bem, o "risco" pode ser entendido como a probabilidade de ocorrerem situações aleatórias, que podem ser naturais ou artificiais, ou ainda uma combinação de ambas. Já a "incerteza" envolve qualquer tipo de erro, fruto da relação do ser humano com o meio, influindo na tomada de decisão. Pensando bem, podemos dizer que o risco é o somatório ou mesmo certo grau de estimativa da possibilidade da incerteza ocorrer. Daí, por que afirmamos que estão entrelaçados e reforçam uma à outra.

Quando no exercício da profissão, muitas situações complexas podem acontecer. É importante que o jornalista/repórter esteja "preparado". Discutimos muito isso em sala de aula, com foco em perguntas e situações vexatórias. Mas que dizer de situações que põem em risco a integridade física do jornalista? Como se preparar para se portar "ao vivo" a uma situação potencialmente perigosa ou mesmo evitá-la?

Não há como evitá-la, mas se preparar sim. Essa preparação “antecipada” (aqui uso um pleonasmo consciente!) é chamada de gerenciamento de risco. Podemos definir gerenciamento de risco como o processo sistemático de se identificar, analisar e reagir aos riscos de uma situação. Isso inclui maximizar as probabilidades e consequências de eventos positivos e minimizar as probabilidades e as consequências de eventos adversos.

Os vídeos a seguir, mostram situações em que jornalistas, quando faziam reportagens ao vivo, foram vítimas de acidentes. Resolvi postar esses vídeos, pois precisamos melhor entender "os espaços" que ocupamos (uma rápida olhada, com mais atenção poderia evitar muitos riscos) para posteriormente não sermos as vítimas e viramos notícia.

Vídeo 1: Repórter Werton Araújo de um jornal da filiada da Globo (TV Mirante de São Luís - Maranhão), leva um choque durante uma transmissão ao vivo



Vídeo 2: Repórter Lasier Martins, no telejornal vespertino mais assistido do Rio Grande do Sul, levou um choque durante uma reportagem sobre uvas (não percebeu um fio por detrás das uvas)



Vídeo 3: Durante uma entrevista a um boxeador ao vivo, o entrevisador - o polêmico Jorge Reis da Costa, o Kajuru - chama o boxeador de covarde e o "clima fecha..."



Vídeo 4: Repórter espalhola destrói obra de 16 dias (subiu onde não devia)



Vídeo 5: Repórter japonesa escorrega e cai no choro. Faltou jogo de cintura.



Vídeo 6: Também existem situações em que o jornalista perde a noção de seu trabalho e do respeito a quem entrevista. Lamentável!




Vídeo 7: Para descontrair, tem situações engraçadas...




Vídeo 8: Jornalista português se enrola com texto e se irrita ao vivo.




Cena da animação "Tim".
A animação Tim, produzida por Ken Turner e disponível no Vimeo, nos transporta para os sonhos de criança, onde heróis e anti-heróis estão presentes na mente e nas expectativas de uma futuro ainda tão incerto.

A música da animação me fez voltar aos tempos de criança, já que na época, essa música era muito tocada em minha casa. Experimente! Conheça Tim e seu sonho. Talvez você se veja por aqui. Bom domingo.


TiM from Ken Turner on Vimeo.


Foto: Gilson Pôrto, região entre Rio Sono e Lizarda
Essa foi a comprovação que tive essa semana. Dirigi mais de 1500 km dentro do Estado do Tocantins e constatei uma triste realidade: o estado está em chamas. A baixa umidade, a extrema seca e a ação de algumas pessoas que parecem não ter um mínimo de compreensão, tornaram o estado, nestes meses de  agosto e começo de setembro uma verdadeira fornalha.

A mídia vem noticiando a situação crítica, mas mesmo assim, indivíduos mantém a prática "medieval" de queimar suas pequenas propriedades e, nesse processo, perdem o controle, tornando sua "fogueirinha" em uma catástrofe estadual. 

Nem mesmo processos de conscientização deram jeito esse ano (apesar de que, por ser ano eleitoral, não vi nenhuma propaganda sobre a situação). No caso da foto acima, onde presenciei os focos entre Lizarda e Rio Sono, dava para ver pessoas correndo entre um foco e outro, espalhando as chamas. Isso era por volta das 23:30 h.

A Ilha do Bananal, no sudoeste do estado, com quase 2 milhões de hectares, teve mais de 45% de sua área devastada pelas chamas. Esse é apenas um exemplo, já que praticamente, todo o estado tem focos de incêndio em suas áreas. Essa situação é agravada pela falta de água em algumas regiões, inclusive na capital, Palmas. 

Veja a capa dos jornais e a ênfase dada à situação pela mídia. O principal, Jornal do Tocantins, estampou a situação com ênfase nas últimas duas semanas, sem falar nas notícias sobre o clima e falta de água. As imagens são referentes as capas dos dias 27.08, 28.08, 01.09, 02.09 e 04.09, respectivamente:





The Cox Center
Essa é a triste constatação que o relatório "Annual Survey of Journalism & Mass Communication Graduates", produzido pelo James M. Cox Jr. Center for International Mass Communication Training and Research da Universidade da Geórgia, chegou sobre o ano de 2009.

Segundo o relatório anual, apenas 55,5% dos profissionais formados em jornalismo e comunicação a partir de 2009 conseguiram encontrar emprego. Essa é uma situação bem preocupante para os recém-graduados, já que esses índices não eram registrados desde 1986. Mas o relatório ainda aponta que:
  • Os formandos que receberam pelo menos uma oferta de emprego quando terminassem seus estudos, diminuiu 10% em relação à 2008;
  • Apenas 46,2% dos graduados conseguiram um trabalho até 31.10.2009. Isso significou uma redução de 10% em relação ao mesmo período em 2008; 
  • O nível de emprego de tempo parcial também  bateu o recorde em relação à 2008, assim como o número de alunos que preferiram não ir para o mercado de trabalho;
  • Os salários médios dos formados ficaram na faixa dos US$ 30 mil, a mesma dos últimos 3 anos; 
  • Quatro em cada dez egressos afirmaram que havia habilidades que eram exigidos pelo mercado e que eles não haviam adquirido na formação, principalmente os de cunho tecnológico. 
Quanto a essa última parte, a da descoberta da falta de certas competências e habilidades, o gráfico 54 da pesquisa aponta algo curioso e bem próximo do que vivenciamos pela "bandas de cá":


Não é novidade os egressos afirmarem que a "universidade" não "os preparou para...". Já ouvi isso várias vezes (na graduação e até na Pós-graduação). Esse é um discurso recorrente durante os processos formativos. É legal ver na pesquisa que, os egressos percebem, pena que bem depois, quando o "leite já está derramado", que a universidade/curso deve preparar não apenas no quesito técnica/tecnológico, mas também com uma visão do mundo do trabalho, da competitividade e até para o desemprego!