Uma contribuição importante para a construção da história da mídia sonora foi dada pelo Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom. O grupo disponibilizou material comemorativo dos 70 anos da primeira transmissão de O Repórter Esso.
O Repórter Esso foi um programa noticioso de rádio que foi iniciado nos Estados Unidos em 1935 e chegou a 15 países se tornando referência de informação. No Brasil, foi transmitido pela primeira vez em 28 de agosto de 1941, pela Rádio Nacional, no Rio de Janeiro.
O especial Repórter Esso foi coordenado por Maria Cláudia Santos, com supervisão de Tacyana Arce e teve o envolvimento dos membros do grupo Dioclécio Luz, Douglas Gonçalves, Eduardo Paiva, Gil Horta, Gisele Sayeg, Ismar Capistrano, Janine Marques Passini Lucht, Juliana Gobbi, Leandro Olegário, Leyla Coimbra Thomé, Luciano Klöckner, Nair Prata e Sônia Pessoa.
O material comemorativo é gratuito para veiculação em emissoras de todo o país. São programetes, entrevistas, depoimentos de ouvintes e inclusive um programa já pronto para ir ao ar. Está disponível para download, segundo o sítio do grupo:
4- Entrevistas com estudiosos e nomes que deram voz ao Repórter Esso em diferentes estados brasileiros, além de depoimentos de ouvintes que têm na memória as lembranças da época em que O Repórter Esso ia ao ar.
Visite o sítio do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom, escute e, se trabalhar na área, inclua na programação da semana. A história da mídia sonora no Brasil agradece.
Foi disponibilizado pelo blog Monitorando, mantido pelo colega Rogério Christofoletti, o debate “Redes sociais transformam o jornalismo?”, realizado no último dia 19, na Rádio Ponto da UFSC.
O debate aconteceu no programa “Jornalismo em Debate”, produzido por alunos de graduação e pós-graduação e parte da Cátedra FENAJ.
No debate participaram os jornalistas César Valente, do blog De Olho na Capital, Alexandre Gonçalves, do Coluna Extra e Alexandra Zanela, editora do Diário.com, além do próprio Rogério Christofoletti. Por telefone, participou o jornalista Douglas Dantas, do Sindicato de Jornalistas do Espírito Santo. A supervisão dos trabalhos foi de Valci Zuculotto e a mediação foi de Áureo Moraes, ambos professores da UFSC.
Um dos pontos importantes no debate foi a questão da credibilidade das mídias sociais, principalmente o seu uso para compor notícias. Também se problematizou a utilização das mídias sociais como elemento formador de opinião.
Prof. João Canavilhas e profa. Annamaria Palacios.
A profa. Dra. Annamaria Jatobá Palacios fechou as atividades da mesa redonda "Discursos mediáticos", coordenada pelo prof. João Canavilhas (UBI), com o trabalho "Modos de dizer da publicidade e do jornalismo para públicos seniores, em Portugal: marcas de intertextualidade entre duas práticas sócio-discursivas".
Na apresentação, profa. Annamaria apontou para as propagandas que tem como foco os idosos em Portugal. Para isso, selecionou uma amostra de quatro jornais portugueses e durante 30 dias, acompanhou as publicações de notícias e publicidades que tinham foco na terceira idade. Durante a apresentação, foi apontado uma possível compreensão, por meio de uma tipologia criada para analizar as intertextualidades nos diversos grupo.
Ouça a apresentação da profa. Annamaria Palacios e dos aspectos de contato entre publicidade e jornalismo:
Essa é a essência do livro intitulado "E o rádio?: novos horizontes midiáticos", organizado por Luiz Artur Ferraretto e Luciano Klöckner, da PUC-RS. O livro é uma coletânea de 40 artigos apresentados no XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, realizado em Curitiba, em 2009. Os temas abordados são dos mais variados, tais como história, ensino, cidadania, criatividade, publicidade, programação e futuro da mídia sonora.
Já no prefácio da obra, os organizadores dão o tom da obra, ao indagarem:
Afinal, e o Rádio? A pergunta vai e volta com frequência. Está presente nas salas de aula das universidades, nas redações e nos estúdios das emissoras, nos escritórios de diretores, coordenadores, chefes... Ganha abrangência e gera preocupação nestes tempos de internet, globalização, convergência... Afinal, e o Rádio? Para onde vai este veículo que há nove décadas foi chegando de mansinho e ganhando os ouvintes com estardalhaço maior ou menor conforme reinava absoluto ou retirava-se para um plano secundário?
Essas são questões tratadas pelos autores participantes que, direta ou indiretamente, apontam a atualidade do rádio, apesar de outras mídias parecerem ter mais repercussão.Vale a leitura e reflexão.
Alguns afirmam que o rádio, em tempos de internet, é coisa obsoleta. Em certo sentido, isso até poderia ser afirmado, mas a realidade de alguns locais tem mostrado que ele continua forte como um veículo de difusão de notícias.
O estudo foi realizado com base em 752 dias de programação. Os resultados são bem interessantes. Entre esses, o estudo concluiu:
• 90% dos adultos estão expostos a algum tipo de mídia de áudio em uma base diária, com transmissão, tendo no rádio a maior parte de tempo de audição;
• A exposição ao "áudio" se dá em quatro níveis de uso, entre os ouvintes:
(1) Usa a transmissão de rádio via satélite (atingiu 79,1% diariamente; sendo 122 minutos diários entre os usuários);
(2) CDs e fitas (chegou a 37,1% diariamente; 72 minutos);
(3) Áudio portátil, tais como iPods/MP3 (chegou a 11,6% diariamente; 69 minutos), áudio digital armazenado em um computador, tais como arquivos de música transferidos e utilizados em um computador (alcance de 10,4% diariamente; utilização média de 65 minutos), streaming de áudio digital em um computador (atingir 9,3% ao dia; 67 minutos) e;
(4) Áudio em celulares (chegou a 2% diariamente; 9 minutos).
• O papel dos dispositivos de áudio portátil:
i) Importância dos players de MP3 e iPod, com média de 8 minutos de escuta por dia entre toda a amostra observada;
ii) entre os ouvintes (11,6%), o maior alcance estava entre aqueles com idade de 18-34 anos (20,8%), solteiros (18,5%), e aqueles que tendem a ser mais esclarecidos quanto ao uso da tecnologia (18,2%);
iii) Mesmo entre aqueles que usam outras formas de mídia de áudio, a transmissão de rádio ainda tem um amplo alcance. Por exemplo, entre aqueles que também ouviram o áudio portátil, tais como dispositivos leitores de MP3 ou iPod, o rádio teve um alcance diário de 81,6% e, 97 minutos de média de tempo de audição.
• A exposição ao áudio na mídia tem o maior alcance entre aqueles com níveis mais elevados de educação e renda;
• A radiodifusão é a forma dominante de mídia de áudio em casa, no trabalho e no carro;
• O "Broadcast" do rádio atinge a faixa etária entre 18-34 anos, com taxas equivalentes às de adultos em geral, ficando na faixa de 79,2% dos ouvintes, com uma média de 104 minutos por dia;
• Entre as plataformas de mídia, a televisão ao vivo foi a mais elevada do alcance e uso diário entre os pesquisados (95,3%, 331 minutos), seguida pela transmissão de rádio (77,3% alcance, 109 minutos), Web / Internet [excluindo o uso do e-mail] (63,7%, 77 minutos), jornais (34,6%, 41 minutos) e revistas (26,5%, 22 minutos);
• Em média, as pessoas gastam quase idêntico tempo durante a semana (454 minutos) e nos finais de semana (458 minutos), usando um das cinco principais fontes de mídia.
Nos gráficos a seguir, provenientes do Nielsen Wire, esses dados são melhor visualizados:
Outro dado que "salta aos olhos", é referente ao tempo, nos dias úteis, de audição aos meios. O rádio é o segundo colocado, perdendo apenas para a Televisão:
Longe de estar aposentado, o rádio continua a ser um veículo importante de difusão de notícias. Mas ,é importante, pensar em como ele será reinventado e se articulará com a própria web e com o jornalismo digital.
Quem já não ouviu rádio? Há gerações, o rádio faz parte da programação da família brasileira. É claro que seu impacto diminuiu em comparação com a televisão e a própria internet, mas em alguns rincões do país ainda continua a ser a única forma rápida e eficaz de comunicação.
No prefácio, a profa. Marialva Carlos Barbosa, Presidente da Associação Brasileira dos Pesquisadores de História da Mídia – Rede ALCAR, resume a perspectiva da obra:
Falar em história da mídia sonora, portanto, é referir-se ao complexo sistema de comunicação que envolve, necessariamente, escutas e partilhamentos em torno de universos culturais comuns e que constitui a gênese dos sistemas comunicacionais brasileiros. Imersos em práticas orais, distantes do letramento, ingressando na oralidade secundária, se quisermos aqui nos valer da conceituação de ONG, sem passar necessariamente pelo letramento, razão pela qual na sociedade brasileira estamos tão afetos à oralidade do mundo, as práticas comunicacionais desse território que hoje denominamos Brasil sempre foram relacionadas a um mundo de ouvir dizer e de sons que corriam de boca em boca.
É com esse olhar, que a presente obra agrega mais valor aos estudos sobre o rádio, atualizando e informando todos os que se debruçam nesse estudo.