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A notícia já deixou de ser repercutida. A morte de Osama Bin Laden não é mais o "quente" na área da comunicação de massa. Outras histórias são mais  importantes e, para alívio de muitos, o problema foi transferido para outros espaços mundiais, seja um tremor de terra, seja o problema nuclear ou mesmo a candidatura ao FMI.

É assim na área da comunicação/jornalismo: a temporalidade é curta, mas os impactos permanecem nesse "continuum informacional" que parece não terminar. Depois desse tempo, desse afastamento da notícia e do ardor informacional, resolvi voltar e escutar o discurso do presidente Barack Obama. Voz calma, semblante que tenta disfarçar a preocupação e uma sensação no ar: será o fim ou apenas um novo começo? Difícil responder. Difícil justificar o injustificável.

Será uma impressão apenas? Veja o discurso e, se desejar, compartilhe o que pensa sobre isso.

Você já ouviu falar em lábio leporino? O nome talvez lhe seja desconhecido, mas a imagem de uma pessoa com desenvolvimento incompleto do lábio e/ou do palato, talvez lhe seja familiar. Pois é, esse desenvolvimento incompleto ocorre enquanto o indivíduo está sendo formado no útero, onde o lábio e o palto (popularmente chamado céu da boca) se desenvolvem separadamente.

Estudos realizados no Brasil, apontam que de cada mil nascimentos, ocorre uma variação de 1,54 a 0,47 indivíduos nascidos vivos que apresentam desenvolvimento incompleto do lábio. Isso representa "aproximadamente 260.908 portadores de fissuras labiopalatais no país", reforça estudo realizado por Biazon e Peniche, publicado em 2008. Também existe uma vasta literatura médica sobre o assunto disponível online, caso queira saber mais.

De qualquer forma, as políticas brasileiras desenvolvidas nas últimas décadas tentam diminuir o sofrimento desses cidadãos que vivem um isolamento social e, na maioria das vezes, são estigmatizados pela comunidade local, seja por preconceito social, seja pela própria ignorância. 

O problema se concentra na classificação dessa situação. Normalmente, a cirurgia reconstrutiva, chamada de palatoplastia, não é considerada de emergência, podendo se arrastar por meses e até anos, antes da total reconstrução. No Brasil, apesar dessa situação, o governo ainda assume a responsabilidade por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Mas em diversos cantos do mundo, as pessoas acometidas do desenvolvimento incompleto do lábio dependem da ação de entidades sem fins lucrativos e assistenciais para terem apoio. É o caso da Smile Train, que tem desenvolvido ações de reconstrução facial em diversos cantos do mundo. Veja o vídeo a seguir e, se possível, colabore para diminuir o sofrimento de milhares de jovens. 




Sítio do SISU: problemas operacionais
O Sistema de Seleção Unificada (SiSU), criado pelo Ministério da Educação (MEC) para distrubuir 83.215 vagas no ensino superior, em 83 instituições públicas (federais, estaduais e institutos federais), a partir das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é alvo de centenas de reclamações nessa manhã.

O trend (ou tendência, assunto mais falado, etc...)  #sisu no Twitter traz inúmeras reclamações quanto ao tempo de espera no sítio do sistema e, na prática, parece uma eternidade: esperei 20 minutos para o sítio abrir e, depois disso caiu. Os candidatos ao ensino superior, em dezenas de tweets expressam sua angústia, não apenas pela falta de acesso, mas também pela forma do processo.

Segundo o sítio Último Segundo (IG),  a Assessoria de Imprensa do MEC informou que "é preciso paciência. O ministério trabalha para dar mais agilidade ao sistema, mas alega que são muitas pessoas tentando se inscrever ao mesmo tempo – o site chegou a ter 150 mil acessos simultâneos e 600 acessos por minuto."

Enquanto a coisa não normaliza, veja algumas das "pérolas" postadas no Twitter, que revelam o humor dos candidatos:




Além dos aspectos do ensino de jornalismo, esse blog também procura por elementos que possam ser utilizados em sala de aula, gerando discussão e algum tipo de aprendizagem. Vez por outra, cedo ao pedido dos amigos que leem o blog para ser menos "acadêmico" nas escolhas.

Segue, atendendo a esses pedidos, uma coletânea de propagandas sobre o "mundo da cerveja", que recolhi. Todas são muito engraçadas e úteis na discussão sobre a construção de um espaço de aprendizagem, utilizando o humor.













O analfabetismo no Brasil é histórico. Histórico também é a incompreensão de suas causas, de seus atenuantes e agravantes e, principalmente, como transformar essa realidade. Nesse aspecto, a compreensão dos dados é essencial para entender esse processo excludente. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), realizada feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em uma amostra de domicílios brasileiros, levantou diversas características socioeconômicas da sociedade que podem ajudar nesta compreensão.

Dois importantes documentos foram disponibilizados e ajudam a entender esse movimento. O primeiro, é o Comunicado IPEA nº 66, que traz uma análise da evolução da educação no Brasil no período de 1992 a 2009, além de um quadro mais detalhado da atual situação da escolarização da população brasileira.

Para o diretor do IPEA, Jorge Abrahão, "o analfabetismo na população de 15 anos ou mais ainda é considerado muito alto: 9,7% da população nessa faixa não sabe ler nem escrever. Estamos em situação muito pior que a de países desenvolvidos. Não é nem preciso ir tão longe, já que outros países da América do Sul, como Equador, Chile e Argentina apresentam índices melhores que os do Brasil.Grandes diferenças são encontradas entre a população urbana e rural (4,4% contra 22,8%), branca e negra (5,9% contra 13,4%), e das regiões Sul e Sudeste (5,5% contra 18,7%). Quando comparados os 20% mais ricos da população e os 20 % mais pobres, a diferença também é grande: 2% contra 18,1%. Quanto à idade, a faixa acima de 40 anos registra o maior percentual: 16,5% de pessoas que não sabem ler e escrever".

O segundo, é o Comunicado IPEA nº 70, que discorre sobre a situação do analfabetismo e do analfabetismo funcional no Brasil, nos últimos cinco anos.

Segundo esse comunicado, "na faixa etária de 15 anos ou mais, houve redução do número absoluto de analfabetos de pouco mais de 1 milhão de pessoas em todas as regiões do país, que corresponde a uma queda de 7%. Em termos relativos, a taxa de analfabetismo caiu cerca de 1,8 ponto percentual (p.p.), passando de 11,5% para 9,7%".

Vale a pena ler os dois comunicados e entender esse movimento.


Logo da campanha do GRAACC
O GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer) é uma instituição sem fins lucrativos, criada em 1991 para garantir o acesso de crianças e adolescentes de baixa renda ao tratamento do câncer.

O hospital do GRAACC já conta com mais de 400 voluntários, realizando mensalmente cerca de 2.500 atendimentos, entre sessões de quimioterapia, consultas médicas, procedimentos ambulatoriais, cirurgias, transplantes de medula óssea e outros.

A campanha “Sou Fã de Criança” tem o objetivo de atrair mais visibilidade e divulgar a luta contra o câncer infanto-juvenil. Os bastidores de um flash mob (“flash mobilization”, mobilização rápida) realizado no aeroporto de Congonhas, mostra a movimentação em torno da campanha. Leia o manifesto da campanha.  A campanha conta com a realização da agência AVESSO, parceira do Blog do Gipo.




Campanha da Avesso
A Unilever está com uma nova campanha no ar. A campanha foi produzida pela Avesso, empresa de publicidade parceira do Blog do Gipo, e traz o novo conceito da Unilever que é “Cada Gesto Conta”. O foco é comunicar esse modelo de desenvolvimento sustentável defendido pela empresa.

Segundo Daniela Cachich, Diretora de Comunicação Corporativa da Unilever:
Estamos falando de um mundo melhor para todo mundo. No desenvolvimento dessa campanha focamos muito na questão da multiplicação dos gestos. Onde cada gesto pode parecer pequeno, mas se multiplicado por muitas pessoas, são muito grandes e tem um impacto muito forte.
A campanha é composta por cinco filmes, cada um focado em um produto da Unilever: Becel, Comfort, Dove, Lifebuoy e Omo. A criação da campanha é de Anselmo Ramos, Vice-Presidente de Criação da Agência Ogilvy. Veja os bastidores e entenda por que propaganda é a "alma" do negócio:




imagem do times group com dois elefantes
Imagem do Times Group
Quando se fala em emprego, não há como não pensar em uma certa estabilidade. De fato, essa chamada "estabilidade", que pressupõe uma carteira assinada, direitos trabalhistas e certos benefícios sociais, está cada vez mais difícil. Quando aparece, as competências exigidas estão muito além dos recém graduados e, até, de muitos jornalistas experientes.

Veja o caso do anúncio de emprego para trabalho no The Times Group. Ele destina-se a suprir vagas de editores, designers, ilustradores e artistas gráficos na Índia. O interessante do anúncio, é o conjunto de competências/habilidades exigidas. Segue anúncio, caso algum colega se enquadre e esteja com vontade de conhecer outras partes do globo a trabalho:




imagem da jornalista do cqc
Repórter do CQC
O programa CQC da Rede Bandeirantes mistura elementos do jornalismo investigativo com muito humor. Um desses momentos, retrata a falência que parece existir entre "nossos"  deputados.

Longe de ser exemplos, alguns desses tratam a repórter com falta de educação, além, óbvio de não terem a mínima idéia do que assinam nos corredores.

Falta muita maturidade e jogo de cintura nesses representantes do povo brasileiro, para sair de situações vexatórias sem ser rude e violento. Pena que fechamos os olhos a isso.

Veja o vídeo. Ele apresenta uma petição de um fictício deputado que solicita apoio para inclusão de um novo item na cesta básica: a cachaça. Vale as risadas e também a reflexão.





Fonte: Ben Oliveira
Qualquer comunicador, por mais iniciante que seja, sabe quão importante é a credibilidade. Comunicar algo e ter um público que receba a informação como fidedigna é algo que se anseia e se batalha muito para acontecer no meio jornalístico e nos processos de formação.

De fato, se espera que, na medida em que, o "seu espaço" de comunicação torna-se visível, ele conquiste a aceitabilidade por disponibilizar informações factuais ponderadas e sólidas. Mas nem sempre o que se disponibiliza nas redes sociais é visto como "seguro" e, desta forma, aceito.

Essa é a constatação que o European Journalism Observatory chegou no artigo "The Price of Credibility". Destacou-se no artigo, que diversas empresas estão "mergulhando de cabeça" na idéia de fazer marketing nas redes sociais, mas descobriram que os possíveis consumidores sentem receio e, normalmente, não abrem os anúncios por temerem tratar-se de vírus ou assemelhados. Essa constatação foi o resultado da pesquisa realizada por Louise Kelly, Gayle Kerr e Judy Drennan da Queensland University of Technology e publicada no Journal of Interactive Advertising

Esse estudo pode indicar uma sobrevida aos meios tradicionais e as suas fontes de manutenção, mas revela mais. Mostra que precisamos avançar muito se desejamos que esses espaços sejam consolidados. Não é de hoje que escrevo e defendo o uso educacional das redes sociais, mas convenhamos, alguns colegas a utilizam ainda de forma muito precária e com triviliadades. Daí, seus alunos o fazem da mesma forma e, temos um círculo vicioso: o da falta de assunto que faça valer a pena o tempo à frente da tela.

Etiquetas criadas por Tom Scott
Tom Scott é um comediante britânico com muita criatividade e também perspicácia. Em seu sítio, Scott escreveu um post intitulado "Journalism Warning Labels", onde critica de forma aberta práticas jornalísticas muito utilizadas em várias partes do mundo, não apenas no Reino Unido.

Com criatividade e uma dose extra de sarcasmo, Scott criou etiquetas que apontam para práticas jornalística questionáveis e, que muitas vezes, são passadas na mídia impressa como uma "notícia quente", fidedigna e verificável. As etiquetas trazem mensagens do tipo: "Cuidado, este artigo foi plagiado de outra fonte de notícias", "Cuidado, o jornalista não compreende o conteúdo que está escrevendo" ou "Cuidado, as fontes não foram verificadas". Ele sai pelas ruas colocando esses adesivos em diversas notícias de jornais gratuitos  e, garante em seu sítio, que "isso é feito sem caluniar um jornal específico", já que ele o faz a esmo, para gerar humor.

Veja algumas etiquetas a seguir e se quise, faça o download para imprimir (caso precise): 



Arara Azul. Foto: Alvaro Luiz Apolônio
Em minha ingenuidade, achei durante muito tempo que criar uma reserva, seja indígena, seja florestal ou mesmo um parque ecológico, era sinônimo de preservação na natureza (fauna e flora). Grande engano!

Ontem, na II Feira Internacional de Artesanato (Mundial Art), que acontece até o próximo dia 08 em Palmas (TO), me deparei com uma situação. O evento reúne a arte e a cultura do Brasil, da República Tcheca, do Peru, da Bolívia, do Equador, do Paquistão, do Quênia, da África do Sul, da Índia, do Nepal, da Turquia, da Grécia, do Egito, do Marrocos e de Cuba. Uma verdadeira Babel!

Passeando com minha esposa e aprecisando as diversas culturas e produções, encontrei um estande Pataxó. Fiquei encantado com a produção de artefatos e utensílios de madeira de primeira, mogno legítimo!. E aí comecei a pensar "cá com meus botões": de onde vem essa madeira? Tudo bem, você dirá: "Ah, eles podem tirar algumas árvores para produzir subsistência...". Tudo bem até aí.

Foto: Espaço Livre
Mas fiquei fascinado mesmo, foi com um cocar feito de penas. Belo ornamento, em um azul cintilante e estonteante. Novamente em minha ingenuidade, perguntei ao índio pataxó, todo ornamentado, se as penas eram sintéticas. A respostas foi curta e grossa: "Não, são de arara mesmo". E ainda perguntei de novo: "De arara azul mesmo? Originais?", para ouvir um outro sim. Fiquei me perguntando quantas araras deixaram de viver por causa daquele colar?

Mas vamos ao que interessa. Está aí, sem rodeios e de forma clara: a arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) está na lista de animais em extinção desde 2003 no Apêndice 1 do CITES (Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção) e vulnerável de acordo com a IUCN (União Mundial para a Conservação da Natureza). 

E isso fica como? Como preservar, se o "preservado", que internacionalmente grita pela proteção às áreas, também destrói? E quanto era o belo cocar? O preço estava em R$ 1.000,00 (mil reais), sem desconto e à vista! 

Página do World Journalism Education Council
Você já conheceu o sítio do World Journalism Education Council? Trata-se de um conselho composto, inicialmente,  de 29 países que estão envolvidos em ensino de jornalismo e comunicação de massa, em âmbito universitário. 

Esse grupo criou um espaço de divulgação e aproximação entre as universidades dos cinco continentes,  proporcionando um "lugar comum" para os que ensinam jornalismo possam discutir questões que são universais no campo formativo.

O conselho mantém um cadastro de universidades pelo mundo que ofertam jornalismo. No início deste mês, o cadastro foi atualizado, sendo que o repositório conta com o cadastro de 2.348 universidades em todo o mundo que ofertam o ensino de jornalismo. O último censo aponta para os dados a seguir:

Census Results as of August 5, 2010
Continent Programs Percent
Africa 218 9.28%
Asia 645 27.47%
Europe 530 22.57%
North America 692 29.47%
Oceania 53 2.26%
South America 208 8.86%
Total 2,348 100.00%

O repositório permite ainda a pesquisa por regiões do mundo, por continente e por países. Outros detalhes como metodologia podem ser acessadas na página.  Faça um tour pelo sítio

Foto: sítio de Crystal Lauderdale
Essa não é uma questão lá muito fácil de responder. Os amigos mais próximos, que são jornalistas, diriam que não, mas se fossem falar para uma turma de graduação em jornalismo, teriam dificuldade de sustentar essa negativa. Principalmente porque "sustentamos" que faz diferença o processo formativo em uma bacharelado.

Sobre esse assunto nada simples, Crystal Lauderdale, jornalista graduada pela University of Southern California e hoje desenvolvendo atividades para a Video e Multimedia Product Manager e  para o New York Times Company, sustentou alguns argumentos, que nos dão pistas para pensar a formação em jornalismo.

Segundo o sítio Advancing The Story: Broadcast Journalism in a Multimedia World, Lauderdale defende que o espaço laboral em jornalismo mudou. "Antes de 2000, você precisava de uma grau acadêmico (título), experiência em um veículo de comunicação e, possivelmente, um estágio", afirmou Lauderdale. 

Mas os tempos agora são de multiplataforma e, com isso, os novos jornalistas precisam, segundo Lauderdale:
* A degree that covers all platforms
* Emphasis in 1-2 specific skill sets
* Experience with student media
* An internshp is essential
* Basic computer/Web publicaion skills
* Double major is a plus
* Entrepreneurial skills a plus
Esses "conselhos" já não são tão novos. Já comentamos em outros posts sobre essas necessidades, mas vale frisar: não é possível somente força de vontade para se exercer a atividade jornalística.

É preciso mais, ou como Lauderdale disse: "[...] é preciso uma capacidade técnica, uma experiência de estágio, 'clips' em um site de portfolio, um referêncial não-acadêmico e, amor em contar histórias". E aí, você concorda com ela?

Top 10 dos ataques mundiais
Um estudo sobre o estado da internet no primeiro trimestre de 2010, produzido pela Akamai, empresa especializada em detectar e melhorar a velocidade da rede mundial, apontou para os 10 países em que se registrou a origem dos ataques na rede. 

O Brasil ocupa o 5º lugar nesse ranking nada amistoso, com 6% dos ataques na rede. O estudo levou em conta o monitoramento de 198 países no primeiro trimestre de 2010 e os ataques provenientes desses. 

A Russia ocupa o primeiro lugar nessa estatística, com 12% dos ataques mundiais, seguido por Estados Unidos com 10%, China com 9,1% e Taiwan com 6,1%. No ano passado, tínhamos outro país da América do Sul, a Argentina. Porém as medidas de proteção, a tiraram do ranking dos 10 países que mais originam ataques na internet.

Pois bem, é inegável que o Twitter se tornou um canal de comunicação popular. Mais do que isso: o popular (particular) se tornou assunto do Twitter. 

O que antes eram apenas "curtas" em uma página de fofocas em revistas e/ou jornais com circulação até nacional, hoje é "mundialmente" visível e explorado. O que antes exigia um filtro do que seria publicado, hoje é potencialmente expresso sem os devidos cuidados.

É, o mundo da noticiabilidade mudou. Não sei bem ainda se para melhor, já que com o Twitter temos as campanhas (como as do Irã, o "Cala Boca Galvão", etc...) que demonstram o engajamento possível na rede de milhares de pessoas em prol de um aspecto específico.Temos a criação de pequenas redes de comunicação entre distantes que, passam a "produzir" notícias e socializá-las. Temos a mobilização massiva quer faz com que milhares de reúnam para protestar. Não faltam usos e abusos do Twitter (Já escrevi sobre esses usos e abusos em outros posts).

No momento vemos a sua ascensão. É o que o infográfico do The Blog Herald nos mostra a seguir, conforme dica do Alec Duarte, no Webmanário:

Quando se fala em "checar os fatos" parece  algo primário. De fato o é. Todo jornalista aprende desde cedo que, mesmo com a melhor das intenções e por mais que o "furo" pareça certo, convém "checar" e "checar de novo" um fato antes de o publicar. Essa é uma competência formativa que deve ser incentivado e problematizado dentro dos processos formativos.

Esse é um aspecto essencial que Andy Young, da revista The New Yorker, apontou no texto "Los Datos - El proceso de verificación en the New Yorker", disponibilizado para download. Young descreve o fluxo de trabalho dos fact checkers:
En New Yorker hay 16 fact checkers – un número inferior al de correctores de manuscrito o copy editors, pero superior al número de verificadores de otras revistas. Algunos de mis colegas son jóvenes, recién licenciados; otros realizan este trabajo desde antes de que yo naciera. La sección tiene un director, que antes fue verificador, que también escribe artículos para otras publicaciones. Él resuelve los problemas complicados que surgen y se ocupa de entrevistar y contratar a nuevos empleados. Tiene dos delegados que se encargan del flujo de artículos y de otros asuntos de organización. Todo lo que se publica en la revista es verificado, incluso las historietas gráficas, las portadas, los poemas, los cuentos, las reseñas de arte y, por supuesto, los artículos periodísticos.
Por que essa necessidade? Por inexatidões que podem por em risco a qualidade da informação. Young lembra o caso de um poema, em que o autor "había inventado términos científicos para describir lo que él había visto, detalles que hubieran parecido ridículos a cualquier lector con un conocimiento básico de biología".  Esse é um risco que diminui bastante quando as informações são checadas. É claro que não isenta o periódico de cometer "erros" conceituais, principalmente se o assunto for muito específico. Outras dicas são dadas pelo autor.Vale a leitura do texto.

É isso mesmo! O jornalista é uma rede. Essa é a proposta de David Beriain, Ander Izaguirre e Sergio Caro, no mesa redonda intitulada El periodista empresa, do X Congreso de Periodismo Digital, que ocorreu em Huesca, na Espanha.

Para os autores da proposta, o jornalista é como uma marca que produz rentabilidade aos jornais (veja a imagem). Essa marca, amplifica-se na medida em que o jornalista cria sua "rede" com as redações, fontes, especialistas, público especializado e com seus leitores.

Já vivenciamos essa idéia  no caso dos jornalistas freelances que escrevem para diversos jornais no Brasil. Mais do que um texto, eles vendem uma marca, um nome que representa "respeitabilidade e confiança" sobre um determinado assunto. Ter um texto produzido por "este ou aquele" jornalista, torna o próprio jornal mais atraente para certos públicos. Daí a importância da rede, ou melhor, do jornalista-rede.

Beriain, Izaguirre e Caro apontam para essa rede intrincada de colaborações que é o jornalista:
Donde los periodistas no son ya piezas de una redacción engranada y jerárquica (por mucho que se horizontalice), sino constructores de una marca propia que convierten a su vez en redes sociales porque los nuevos periodistas son capaces de extender los viejos lazos con fuentes y colegas a una esfera más amplia e interactiva con más participantes, interacción y público con quienes aprovechar su inteligencia propia, la colectiva y también su capacidad de redifusión.

El periodista como red social es capaz de crear nuevas interacciones con su propio medio (si pertenece a alguno), las fuentes, los expertos con los que tiene una relación habitual, el público más especializado y segmentado, que sigue su trabajo por interés en su ámbito (geográfico o temático) de información, por empatía y a partir de ahí llega al público general con una estructura de reporteo, edición, difusión, participación, corrección y archivo en red.
Essa é uma boa reflexão sobre o fazer jornalístico. Como redes, os profissionais da comunicação, deveriam ser capazes de novas e complexas interações com seus leitores. Pena que a realidade no campo laboral ainda esteja um pouco distante de vivenciarmos isso plenamente, já que muitos jornalistas parecem resistir ao uso da mídias sociais e de outros aparatos tecnológicos e, quando os possuem, dificilmente "respondem" ou "interagem" com seus leitores nos espaços de comentários (com raras e honrosas exceções!).

De qualquer forma, é como resume Juan Varela, jornalista e consultor de mídia, na análise que escreveu sobre esse assunto no sítio Periodistas 21 (Espanha):
Ya existen en internet muchos periodistas red, igual que blogueros, autores, académicos o expertos que han construido sus redes propias. Todos podemos ser una red social. Es una de las mejores soluciones para salir de una crisis profesional que va más allá de los intereses de los editores o de los problemas cotidianos del oficio.

É, o problema não tem sido, de fato, ser uma rede, mas penso que o problema maior tem sido manter a rede com qualidade. Não é simples, nem fácil transformar "seu espaço", individualizado, impar, no "espaço do nós", coletivizado, partilhado e construído em rede. Mas vale a reflexão dos colegas e a tese.

Todo autor de sítio e, mais especificamente um jornal online, ao escrever ou disponibilizar a notícia, espera que seu "público" seja um consumidor das informações ali desenvolvidas. Espera-se que, alguém esteja do "outro" lado da tela, seja no país ou mesmo fora dele. Qualquer que seja a percepção sobre o que se escreve, espera-se que seja necessário para o(s) leitor(es).

Nesse sentido, a fidelização do leitor é um assunto importante, seja no meio impresso, seja no meio virtual/online. Rodrigo Orihuela, jornalista argentino, escreveu para o Amphibia uma reflexão bem interessante que segue nesse caminho. Segundo Orihuela,
Ahí, en esa perdida de la “imprescindibilidad”, está una de los grandes desafíos de los diarios online, desafío que marca con claridad por qué los diarios deben mirar hacia otras latidudes, bien distantes de los medios tal cual los conocemos, para reinventarse en internet. Cada diario necesita encontrar online formas para ser tan diferente que pase a ser único y tan único como para ser imprescindible.
Está aqui uma boa questão: até que ponto o jornal online, ou mesmo o sítio que se produz, é de fato, "imprescindível" ao leitor? Qual o leitor que se espera ao escrever um determinado conteúdo? Será todo leitor consumidor incondicional do conteúdo disponibilizado no sítio? Essas são questões que, ao meu ver, devem nortear a criação e manutenção de um espaço informativo.

É com certeza um grande desafio para os editores, jornalistas e escritores de sítios em geral. Reinventar-se continuamente, sem perder seu foco e, fidelizar seus leitores. Será isso possível quando, muitas vezes, vive-se a "ditadura" do tempo reduzido para se confirmar as fontes, redigir, corrigir e organizar materiais de apoio? Essas são questões que dão muito o que pensar.

No início da semana, o Jornal Zero Hora noticiou que um dos jornais mais antigos país, o Jornal do Brasil que publica diariamente notícias já por 119 anos, deixaria suas atividades impressas.

O Jornal do Brasil foi criado em 1891 por Rodolfo Epifânio de Sousa Dantas, com Intenção de defender o regime deposto monárquico. Foi fechado em 1893, por ordem do presidente Floriano Peixoto, voltando a circular em 1894. Na década de 1950, O Jornal do Brasil passou por uma ampla reforma gráfica que revolucionou o design de Jornais no Brasil. Em 2001, a marca foi arrendada pelo empresário baiano Nelson Tanure.

Segundo o Zero Hora,
Considerado uma referência da imprensa nacional e um dos mais influentes veículos do país entre o período da ditadura militar e o início da redemocratização, o JB não resistiu a dívidas e à queda na tiragem mesmo em um ano em que a circulação dos jornais teve alta de 1,5% nos primeiros cinco meses de 2010.
O jornal carioca começou a enfrentar problemas financeiros a partir da década de 1980 e hoje teria dívidas de R$ 100 milhões, enquanto sua tiragem cai. O jornal econômico Gazeta Mercantil, também controlado por Tanure, deixou de circular em maio do ano passado por dificuldades semelhantes.
Essa notícia foi logo repercutida por outros sítios nacionais, tais como o Jornalistas da Web e, internacionais, como Shaping the Future of the Newspaper blog (sfnblog.com)  e journalism.co.uk. Todos os artigos repercutidos lamentaram o fato do fim do periódico impresso. De fato, devido a situação de endividamento, relatado pelo Zero Hora, é de se lamentar. Mas não vejo isso, a priori, como um fim, mas uma reinício.

O Jornal do Brasil, quando criado em 1891, foi pioneiro em muitos aspectos. Apesar de a motivação atual ser basicamente financeira, será uma boa oportunidade para verificarmos a aceitação/receptividade do períódico no meio online, de forma definitiva. Também será uma boa oportunidade para levantar-se o grau de fidelidade dos leitores tradicionais acostumados ao impresso, porém fidelizados a um tipo de leitura e apresentação da informação. Vamos esperar que essa "crise" sirva de motor propulsor para mudanças e outros possam avaliar o potencial para migrar definitivamente para a internet.