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Situação difícil da profissão. Crédito foto.
Que a desregulamentação da profissão de jornalista iria produzir rupturas na forma de se tratar a profissão, já era esperado. Mas não proveniente de uma instituição de ensino que mantém um curso de graduação em Comunicação Social/Jornalismo. Foi o que parece ter ocorrido no Centro Universitário UnirG, em Gurupi (TO).

Rodrigo Fernandes Martins, que preside o Centro Acadêmico (CA) de Comunicação Social da UnirG, publicou hoje no jornal comunitário tocantinense "A boca do Povo" uma nota de repúdio onde indica que a assessora de comunicação da casa, jornalista diplomada, foi trocada por um advogado.

Segundo a nota,
O cargo de Assessor de Comunicação da Fundação UnirG, que era ocupado pela jornalista Giselle Raffi, formada na casa, agora é ocupado pelo advogado Heráclito Suitter. Nada temos contra o referido advogado, mas não podemos ficar calados diante de tamanho desrespeito e desvalorização que a UnirG está tendo com o próprio curso que oferece. Enquanto outras instituições de ensino lutam pela valorização do diploma do Curso de Jornalismo, a UnirG, com esta atitude, deixa a entender que concorda com a lei aprovada em 2009. Entendemos que se trata de um cargo de confiança e que sempre quando há mudança de presidente na instituição é feita também a mudança de vários gestores, mas a UnirG deve tomar cuidado para não dar um tiro no próprio pé. O Centro Universitário deve zelar pela imagem de todos os cursos que oferece. Tendo um Curso de Comunicação Social na casa é inconcebível que os cargos da área não sejam ocupados por jornalistas. Isso é declarar que o curso não tem serventia, o que é um absurdo, pois trata-se de um serviço prestado pela própria instituição.
De fato, é uma lástima que uma instituição formadora prefira optar por alguém que não é da área. Mais ainda, quando pensamos em avaliação institucional, perde-se nessa quando um egresso, anteriormente valorizado, é substituído. Além disso, o próprio corpo discente da instituição começa a colocar em dúvida a usabilidade de sua formação, como se percebe na nota de repúdio do CA. Vamos esperar os desdobramentos e ver se o Sindicato dos Jornalistas do Tocantins irá se manifestar.

A Organização dos Estados Americanos, por meio de seu Departamento de Desenvolvimento Humano, Educação e Cultura, torna público a oferta de bolsas de pós-graduação em período integral e/ou pesquisa conducente a um título, para o processo seletivo 2012-2013.

Segundo a OEA, 

As bolsas são outorgadas por um período não superior a dois (2) anos acadêmicos e a renovação para o segundo ano acadêmico será aprovada se houver fundos disponíveis e se a renovação for necessária para continuar o programa de estudos ou pesquisa para o qual a bolsa foi inicialmente outorgada. O valor total da bolsa da OEA não deverá exceder US$ 30.000,00 por ano acadêmico, incluídos o valor da matrícula, outros benefícios da bolsa e custos administrativos. A OEA/DDHEC não oferece bolsas para estudos no campo das ciências médicas, nem para a aprendizagem de novas línguas.

No comunicado da OEA ainda são expressos os tipos de Bolsas:

• Auto-colocados: Candidatos solicitam admissão diretamente às universidades ou instituições educativas de sua própria escolha. O número de bolsas do tipo auto-colocadas que a OEA/DDHEC vai oferecer é somente uma (1) bolsa auto-colocada por país. Por tanto, os candidatos que elejam este tipo de bolsa terão menos probabilidade de receber uma bolsa da OEA.

• Colocadas pela OEA: A OEA procura colocação dos candidatos selecionados em universidades ou instituções educativas dentro do Consórcio de Universidades da OEA, levando em consideração, da melhor forma possível, os países de preferência declarados pelo candidato.


Requisitos básicos de Elegibilidade:

1. Ser cidadão ou residente permanente legal de um Estado Membro.
2. Ter um título universitário ao momento de apresentar a postulação ao Organismo Nacional de Enlace (ONE).
3. Encontrar-se em bom estado de saúde física e mental para completar o programa de estudo.
4. Dominar o idioma do país e/ou do programa de estudos.
5. Os candidatos a programas presenciais devem se comprometer a voltar ao país patrocinador para permanecer por um período mínimo de 24 meses depois de haver terminado o programa de estudos para o qual receberam a bolsa. Os candidatos a programas de ensino a distância (online) devem se comprometer a permanecer no país patrocinador pelo mesmo período de tempo.

Mais informações podem ser obtidas pelo Portal das Américas. Já o formulário de solicitação de bolsa online pode ser acessado no endereço: https://www.oas.org/fms/Announcement.aspx?id=294&Type=1&Lang=spa

A situação da profissão, pós decisão do STF, é revelada no quantitativo de registros, segundo os dados do Ministério do Trabalho (2010).

Dos sete estados - Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondonia, Roraima e Tocantins - que compõe a região norte, tivemos em 2010, o total de 402 registros profissionais para atuação como jornalista.

No gráfico a seguir, tem-se uma visão, por estado da região norte, dos percentuais de concessão de registro profissional para o exercício do jornalismo:

 
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 2010

Segundo observado no gráfico, o estado do Pará responde por 43% do total de registros realizados na região, sendo que destes, 111 foram de jornalistas profissionais e 60 de jornalistas - Decisão STF. Na posições subsequentes de atribuição de registros da região, vem o estado do Amazonas com  16%, Rondônia com 14%, Tocantins com 12%, Acre com 7% e, Amapá e Roraima com 4% cada um, respectivamente.

Quanto a situação do registro, o gráfico a seguir dá uma idéia dos registros, por condição de formação:

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 2010


Como se observa, 62% ou 249 registros, foram realizados pelo Ministério do Trabalho para jornalistas profissionais, isto é, os que possuem formação em curso superior de comunicação e/ou jornalismo e, 38% ou 153 registros para jornalistas - Decisão STF, isto é, aqueles que não possuem formação acadêmica, mas desejam exercer (ou já exerciam) a profissão.

Na região norte, os estados do Acre, Rondonia e Roraima apresentaram uma situação nada agradável, já que, nesses estados, o registro de jornalistas - Decisão STF foi maior do que a de jornalistas profissionais. Em Rondônia, por exemplo, 67% dos registros realizados pelo Ministério do Trabalho, foi feito a pessoas que não possuiam formação universitária na área de comunicação social/jornalismo.


Fonte: Informações estatísticas brutas do Ministério do Trabalho (2010), repassados a jornalista Izabela Vasconcelos (Repórter - Portal Comunique-se).


Campanha pela aprovação da PEC
Segundo veiculado pelo sítio da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), dos 81 senadores, 16 ainda não declararam a intenção de voto à PEC 33, que torna obrigatório para o exercício da função de jornalista o diploma universitário.

Na conta da FENAJ e dos Sindicatos, são esses os 16 indecisos: Marina Silva (PV/AC), Augusto Botelho (PT-RR), Almeida Lima (PMDB/SE), Regis Fichtner (PMDB/RJ), Maria do Carmo Alves (DEM/SE), Efraim Moraes (DEM/PB), Heráclito Fortes (DEM/PI), Alfredo Cotait (DEM/SP), Jayme Campos (DEM/MT), Gilberto Goellner (DEM/MT), João Tenório (PSDB/AL), Mário Couto (PSDB/PA), Papaléo Paes (PSDB/AP), Acir Gurgacz (PDT/RO), Magno Malta (PR/ES) e Roberto Cavalcante (PRB/PB).

Também nessa conta, a FENAJ aponta outros quatro senadores que são contra a PEC do diploma, a saber: Antonio Carlos Júnior (DEM-BA), Demóstenes Torres (DEM-GO), Fernando Collor (PTB-AL) e Raimundo Colombo (DEM-SC).

Enquanto isso, apesar da PEC 33 ter sido aprovada pela comissão especial em julho deste ano, a matéria não entrou na pauta do plenário da Câmara dos Deputados. A votação prevista para o dia 14.12, não ocorreu. Para ser aprovada, a proposta precisa do voto favorável de 3/5 dos deputados (308) em dois turnos, seguindo depois para votação no Senado Federal.


E.Everhart. Foto: Journalistics.
Essa é uma "boa" questão para pesquisa. Li recentemente um artigo de Erin Everhart, jornalista e especialista em marketing social, intiulado "Can Twitter Make You a Better Editor?" e publicado no Journalistics

Confesso que a pergunta pareceu atraente em si, já que fiquei curioso de ver as argumentações que Everhart traria. Bem, ela começa sua argumentação lembrando que já exerceu a função de editor em uma editora de livros e, vivenciou situações em que os autores tinham dificuldade na escrita. Ela compara esse processo ao de escrita em um jornal, onde o editor também desenvolve as mesma funções de compreensão da escrita. 

Para Everhart, o Twitter obriga o escritor "a ser conciso, dizendo exatamente o que se quer em poucas palavras quanto possível, especialmente se você está esperando para ser reenviada sem outra edição". Nesse sentido, ela defende que o exercício da escrita no Twitter pode auxiliar e melhorar os processos de escrita.

Mas será que isso substitui uma formação específica? Everhart não defende essa idéia. De fato, ela conclui que "o Twitter pode desempenhar um papel chave para ajudar você a ficar melhor no que você diz e como você diz. Mas não acho que o Twitter vai substituir uma educação sólida em um curso de jornalismo". E aí, você concorda com essa idéia?


Outro ponto do relatório "Annual Survey of Journalism & Mass Communication Graduates", produzido pelo James M. Cox Jr. Center for International Mass Communication Training and Research da Universidade da Geórgia, sobre o ano de 2009, é a questão dos salários.

Muitos imaginam salários milionários para quem está desenvolvendo atividades em países "desenvolvidos", como é o caso dos Estados Unidos. A pesquisa revelou algo nada animador sobre os salários. Veja o gráfico 35:


Os salários, em 2009, ficaram muito próximos à média dos 30 mil dólares. Em 2007, os salários maiores eram pagos aos formados que desenvolviam atividades na web, um pouco mais de 37 mil dólares. Na pesquisa de 2009, como visto no gráfico 35, esse valor diminuiu para um pouco mais do que 31 mil dólares. Ainda comparando a pesquisa de 2007 do Cox, os salários para formados que exerciam as atividades no rádio era de cerca de 25 mil dólares e, em 2009, esse valor passou para 29 mil dólares.

É bom comparar as pesquisas, pois revelam o movimento do mercado de trabalho. Formados/egressos estão procurando melhores colocações, assim como ocorre em outros países. Os empregos relacionados a Web tendem a estabilizar, na medida em que, novos formados consigam superar as deficiências formativas e, uma massa de reserva, se forme para a área, assim como acontece com as mídias mais tradicionais, onde os salários praticamente não mudaram, desde 2007, segundos os dados da pesquisa.

Se você pensava em procurar trabalho no hemisfério norte é bom repensar. O mercado de lá está em baixa para os jornalistas.

The Cox Center
Essa é a triste constatação que o relatório "Annual Survey of Journalism & Mass Communication Graduates", produzido pelo James M. Cox Jr. Center for International Mass Communication Training and Research da Universidade da Geórgia, chegou sobre o ano de 2009.

Segundo o relatório anual, apenas 55,5% dos profissionais formados em jornalismo e comunicação a partir de 2009 conseguiram encontrar emprego. Essa é uma situação bem preocupante para os recém-graduados, já que esses índices não eram registrados desde 1986. Mas o relatório ainda aponta que:
  • Os formandos que receberam pelo menos uma oferta de emprego quando terminassem seus estudos, diminuiu 10% em relação à 2008;
  • Apenas 46,2% dos graduados conseguiram um trabalho até 31.10.2009. Isso significou uma redução de 10% em relação ao mesmo período em 2008; 
  • O nível de emprego de tempo parcial também  bateu o recorde em relação à 2008, assim como o número de alunos que preferiram não ir para o mercado de trabalho;
  • Os salários médios dos formados ficaram na faixa dos US$ 30 mil, a mesma dos últimos 3 anos; 
  • Quatro em cada dez egressos afirmaram que havia habilidades que eram exigidos pelo mercado e que eles não haviam adquirido na formação, principalmente os de cunho tecnológico. 
Quanto a essa última parte, a da descoberta da falta de certas competências e habilidades, o gráfico 54 da pesquisa aponta algo curioso e bem próximo do que vivenciamos pela "bandas de cá":


Não é novidade os egressos afirmarem que a "universidade" não "os preparou para...". Já ouvi isso várias vezes (na graduação e até na Pós-graduação). Esse é um discurso recorrente durante os processos formativos. É legal ver na pesquisa que, os egressos percebem, pena que bem depois, quando o "leite já está derramado", que a universidade/curso deve preparar não apenas no quesito técnica/tecnológico, mas também com uma visão do mundo do trabalho, da competitividade e até para o desemprego!

Foto: sítio de Crystal Lauderdale
Essa não é uma questão lá muito fácil de responder. Os amigos mais próximos, que são jornalistas, diriam que não, mas se fossem falar para uma turma de graduação em jornalismo, teriam dificuldade de sustentar essa negativa. Principalmente porque "sustentamos" que faz diferença o processo formativo em uma bacharelado.

Sobre esse assunto nada simples, Crystal Lauderdale, jornalista graduada pela University of Southern California e hoje desenvolvendo atividades para a Video e Multimedia Product Manager e  para o New York Times Company, sustentou alguns argumentos, que nos dão pistas para pensar a formação em jornalismo.

Segundo o sítio Advancing The Story: Broadcast Journalism in a Multimedia World, Lauderdale defende que o espaço laboral em jornalismo mudou. "Antes de 2000, você precisava de uma grau acadêmico (título), experiência em um veículo de comunicação e, possivelmente, um estágio", afirmou Lauderdale. 

Mas os tempos agora são de multiplataforma e, com isso, os novos jornalistas precisam, segundo Lauderdale:
* A degree that covers all platforms
* Emphasis in 1-2 specific skill sets
* Experience with student media
* An internshp is essential
* Basic computer/Web publicaion skills
* Double major is a plus
* Entrepreneurial skills a plus
Esses "conselhos" já não são tão novos. Já comentamos em outros posts sobre essas necessidades, mas vale frisar: não é possível somente força de vontade para se exercer a atividade jornalística.

É preciso mais, ou como Lauderdale disse: "[...] é preciso uma capacidade técnica, uma experiência de estágio, 'clips' em um site de portfolio, um referêncial não-acadêmico e, amor em contar histórias". E aí, você concorda com ela?

Foto: sítio Senãles.
Diversos cursos de curta duração que surgiram pelo país, depois do "fim" da exigência do diploma, fazem a promessa de que, "em 40 horas, você será um jornalista da internet". 

Essa aposta pelo desenvolvimento de competências e habilidades no meio digital em tão pouco tempo é muito arriscada. Alguns tem jogado seu "reais" nessa proposta. Mas, Esther Vargas, uma das principais jornalistas do Peru, defende uma posição contrária a essa credulidade e facilidade na internet.

Vargas tem focado seus estudos na promoção e formação profissional por meio das tecnologias da informação e comunicação e, dessa forma, desenvolvido uma visão do que é o espaço da internet. Em entrevista ao sítio Senãles, especializado em comunicação, mídia e cultura, Vargas apontou para o perfil profissional da pessoa que envereda pela idéia de construir conhecimento e produzir notícias em comunidades virtuais. Segundo Vargas, o gestor ou administrador de comunidades virtuais em jornais:
Debe ser una persona creativa con experiencia en manejo de crisis. No creo que este puesto sea para practicantes o recién graduados. Creo que el apoyo de estos es básico, pero se requiere una persona con trayectoria y con capacidad de responder a la audiencia, con independencia. Debe tener voz y voto en el medio, debe participar en las reuniones del comité editorial y debe manejar una estrategia para llegar a más gente.
Vargas destaca "não acreditar" que esse espaço seja o do simples "praticante" ou do "recém-formado", necessitando de mais. Para ela, a trajetória e a experiência contam muito no momento da notícia. Ter o que dizer e como dizer são, ao ver de Vargas, competências essenciais do jornalista no campo virtual. E ainda acrescentou:
Todo periodista debe, fundamentalmente, saber qué es y qué está pasando en Internet. Debe estar en Twitter y en Facebook, porque son las redes sociales más visitadas; y, por supuesto, debe saber editar un video, armar una galería de fotos, escribir en un blog y transmitir en vivo. No digo que deba ser un experto en todo, pero tener conocimientos básicos, lo que incluye el tan temido HTML.
 É, vai ter muita gente pensando duas ou mais vezes antes de cair no conto do "jornalista em 40 horas" se escutar os conselhos de Esther Vargas. Já os em processos formativos, devem atentar para esses conselhos e rever seus percursos, ainda dentro da Universidade, visando uma melhor inserção profissional.

Pense em comprar um produto e/ou serviço e não ter idéia de quando ou mesmo por quanto tempo poderá desfrutar do que lhe é cabido? Essa é uma situação muito estressante e extremamente frustante. Pois é assim que se encontram os que retiram o registro profissional para exercerem a profissão de jornalista, sem a formação universitária específica.


Desde que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) acatou o parecer do ministro Gilmar Mendes, que decidiu que é inconstitucional a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, o registro profissional tem sido feito em diversos cantos do Brasil, sem a exigência da formação universitária.

Segundo a Agência Câmara de Notícias,  "1.098 pessoas obtiveram no Ministério do Trabalho o registro profissional para atuar na área sem nenhuma exigência". De fato, o Ministério do Trabalho tem emitido o registro profissional, sendo a diferença estampada no anverso. Segundo a Agência Câmara,
Enquanto o trabalhador com diploma é classificado de jornalista profissional, os sem graduação na área são enquadrados como jornalista/decisão STF. De acordo com o Ministério do Trabalho, a diferenciação visa informar ao empregador se o profissional tem ou não o diploma. 
Esse condicionamento "decisão STF", por si só, gera uma diferenciação na forma de se recepcionar esse 'profissional' (inclusive do ponto de vista da remuneração para as mesmas funções específicas) e,  como atesta o deputado Hugo Leal (PSC-RJ), relator da comissão que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 386/09, citado pela Agência Câmara,
A situação dessas pessoas é complicada, porque estamos em um período de vacância da lei. São registros provisórios que vão ser regulamentados depois, ainda que o Ministério do Trabalho esteja cumprindo seu papel concedendo os registros.
Essa condição de instabilidade profissional, transforma as relações trabalhistas e torna o mercado laboral ainda mais instável. Certo colega da área, queixava-se da proposta de redução salarial recebida, com a desculpa do "patrão", de que há 'profissionais sem diploma e com registro' que aceitarão ganhar menos. Vamos ver como esse "abacaxi" será descascado nos próximos meses até a possível aprovação da PEC.

Uma interessante reportagem, produzida por Rodrigo Bittar e veiculada pela Agência Câmara de Notícias, apontou para o exercício da profissão de jornalista em diversos países da europa

Em muitos, o exercício não é condicionado ao profissional possuir a formação superior na área. A reportagem cita o caso da "Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Chile, China, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Japão, Luxemburgo, Peru, Polônia, Reino Unido, Suécia e Suíça". 

Na reportagem, se faz referência ao trabalho de Michel Mathien, professor de ciências da informação e da comunicação da Universidade de Strasbourg III, na França. Mathien escreveu o livro “Les Journalistes”, de 1995, onde aponta que "em quase toda a Europa, apesar de não haver requisito de formação, existe regulamentação de acesso à profissão". 

De fato, as posições são muito amplas, havendo defesa para  a manutenção do diploma, ora como exigência mínima para o exercício da profissão, ora como um "plus", que diferenciaria o profissional e o faria mais competitivo. É claro que em ambas as concepções, teremos prós e contras. Do ponto de vista da universidade, não consigo conceber o exercício, consciente e crítico, do jornalismo sem uma sólida formação. Mas, também compreendo que, em um país como o Brasil, com "abismais" distâncias sociais, não podemos negar a presença de profissionais renomados e de impacto, sem a formação universitária específica.

Essa é uma questão bem complexa: quem deve ser o jornalista, o diplomado ou o ''prático"? Não tenho resposta a essa questão. Ela será construída ao longo de muito e profundos debates, tanto dentro como fora da academia. Enquanto aguardamos o desenvolvimento, vamos ver o que ocorre em outros países, conforme citado pela reportagem:

Alemanha: não há obrigatoriedade de formação superior; a profissão é regulamentada por meio do reconhecimento conjunto, por parte das empresas jornalísticas e das organizações profissionais, de um período de aprendizado prático de 18 a 24 meses.
Bélgica: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é condicionado ao reconhecimento, por parte da organização profissional, de ausência de impedimentos; existem vantagens salariais para os diplomados.
Dinamarca: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é condicionado à licença emitida pelo sindicato nacional dos jornalistas.
Espanha: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é condicionado a ter nacionalidade espanhola, inscrição no registro de jornalistas e à posse de diploma em ciências da informação ou de experiência profissional de dois a cinco anos.
França: não há obrigatoriedade de formação superior.
Grã-Bretanha: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é condicionado a um estágio em empresa jornalística ou, para os que não o conseguirem, a um curso preparatório do Conselho Nacional de Treinamento de Jornalistas.
Grécia: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é obtido por meio de diploma em jornalismo ou experiência de três anos na área.
Irlanda: não há obrigatoriedade de formação superior; não há nenhuma norma formal ou tradicional de acesso.
Itália: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é condicionado ao registro na ordem dos jornalistas, que é concedido somente após um estágio de 18 meses e aprovação em um exame de proficiência.
Luxemburgo: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é condicionado a licença do conselho de imprensa, que exige o compromisso com princípios deontológicos.
Países-Baixos: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é condicionado a licença do conselho de imprensa.

Parece um paradoxo: o mercado para os novos jornalistas está cada vez mais escasso, mas nunca antes, tantos jovens quiseram adentrar na profissão. É o que apontou Ed Caesar no periódico londrino The Sunday Times, e disponibilizado no TimesOnline. O artigo de Caesar, intitulado "Hold the front page, I want to be on it", aponta para esse aparente paradoxo na profissão de jornalista.
 
No artigo, Caesar apontou que para os candidatos a novos jornalistas há a necessidade de talento, sorte, uma fonte alternativa de renda (para sobreviver enquanto a vaga não aparece), uma paciência sem fim, uma disposição otimista e muitas "cotoveladas", mas o essencial, é "certamente a tenacidade".

Obviamente Caesar olha para um mercado saturado, não muito diferente de mutis lugares no nosso imenso país, onde os egressos de cursos de comunicação/jornalismo, disputam a "unhas e dentes" um espaço de trabalho, que pelo menos, tenha alguma remuneração por seu trabalho.

Uma observação de Caesar é interessante:
These are the signs of an industry at a strange moment. Hordes of young people still want to become journalists; there are fewer opportunities than ever for them to do so. It is no secret that what used to be called the “print media” has been economically straitened. But just as belts are tightened and we are attempting to map our future in the internet age, the legions of graduates keep coming — arts degrees and journalism diplomas in hand — to join the party. Are they, by attempting to start their journalism careers in 2010, making what the hero of Joseph O’Neill’s Netherland calls “a historic mistake”? Is their situation “pre-apocalyptic, like the last citizens of Pompeii… or merely near-apocalyptic, like that of the cold-war inhabitants of New York, London, Washington and, for that matter, Moscow”.
Pompeii or Moscow? Paywalls or free content? iPad or Kindle? Nobody knows for sure but that has not stopped my boss and many others making large bets on the outcome. But if aspiring print journalists can, in spite of this uncertainty, suffer the indignity of working for free, in order to gain the opportunity to work for low wages, in order to write or edit a meaningful story at some point for decent, if unspectacular, money — if they can brook all this and succeed — they will need tenacity.
Será que estamos cometendo um "erro histórico" ao não prepararmos os jovens para o desemprego? Digo isso, porque esquecemos que existe uma imensa diferença entre trabalho e emprego. Com a redefinição da noção de "mundo do trabalho", nos anos 1990, o trabalho desvinculou-se do emprego. Explico melhor: o trabalho enquanto exercício da "força produtiva", esse o temos a todo instante, mas o o emprego, a "força de trabalho com estabilidade e direitos", é algo cada vez mais raro e difícil. Principalmente no jornalismo, onde por mais veículos editoriais emergentes, a prática do sub-emprego ainda é uma realidade massacrante. Caesar reconhece isso quando aponta para os "baixos salários" que o jornalista londrino, em início de carreira, tem de 'se prestar' até conseguir uma boa história (ou furo!). 

Vale fazer uma leitura cuidadosa do texto de Ed Caesar, pois apesar de estar em uma realidade de "além mar", é muito próxima ao que vivenciamos nas "bandas de cá" do Novo Mundo. 


Depois de procurar na rede e mandar e-mails para o STF tentando conseguir uma cópia da sessão, encontrei finalmente postado no You Tube a sessão do Supremo Tribunal Federal que culminou na votação pelo fim da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.

Nessa sessão, ficam muito evidentes as competências formativas como foco. Quais são? Por que tê-las? São impeditivas para o exercício da profissão? Essas foram algumas questões que perpassam as defesas de voto de cada um dos magistrados.

Vale a pena prestar atenção com essa óptica, percebendo como as competências ora são reforçadas, ora confundidas pelos magistrados.


Parte 1


Parte 2


Parte 3


Já disponível no You Tube a algum tempo, as aulas "virtuais" sobre jornalismo e o fazer profissional, elaboradas e apresentadas pelo prof. Manuel Carlos Chaparro, jornalista e professor de Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo (USP), são uma revisão importante para quem estuda o ensino de jornalismo.

Chaparro, mantém o blog O Xis da Questão, onde discute jornalismo, mídias e atualidades na área de jornalismo e, apresenta regularmente algumas lições sobre a prática profissional, que já desempenha desde 1957. 

Seguem as aulas disponíveis no You Tube:

Aula 1: O que é jornalismo?
Aula 2: O que é jornalismo - jornalismo como processo
Aula 3: O que é jornalismo - processo jornalístico
Aula 4: O discurso jornalístico
Aula 5: Discurso jornalístico: autonomia e clareza
Aula 6: Discurso jornalístico: clareza das idéias
Aula 7: Discurso jornalístico: clareza das relevâncias
Aula 8: Discurso jornalístico: clareza das ações
Aula 9: Atualidade no jornalismo
Aula 10: Acontecimento no jornalismo
Aula 11: Pauta jornalística: conceitos, definições e técnicas
Aula 12: Método jornalístico
Aula 13: O método em 7 movimentos
Aula 14: Fontes organizadas
Aula 15: Tipologia das fontes
Aula 16: Caracterização dos tipos de fontes

Aula extra: Defesa do diploma


Era comum se ouvir, nas aulas, que telejornalismo é uma questão de técnica. Bastava usá-la de forma metódica e, pronto, estava montada a matéria. Pior é que depois de algum tempo, se começa a pensar dessa forma mesmo. Não se problematizam questões essenciais, apenas se "transmite" informações.

Já faz algum tempo, circulou um vídeo que mostra essa 'realidade'. Chega a ser engraçado, se não fosse tão triste, termos de ouvir (e ver!) que as competências formativas que nos fazem uma profissão, não parecem ser mais do que, simplesmente, técnicas soltas (ou melhor, ajustadas!), dentro de um roteiro meio vazio. 

O primeiro vídeo traz Rafinha Bastos, mostrando como se faz (ou monta-se) uma reportagem. A sátira é uma adaptação do trabalho de Charlie Brooker, do How To Report The News, no segundo vídeo. Seguem os vídeos para reflexão.






Refletir sobre a profissão nunca é demais. De fato, refletimos menos e, agirmos bem pouco nos últimos tempos. E isso é ruim para uma área em turbulência constante.

Nesse sentido, reconheço como essencial a posição da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), na defesa de uma posição sóbria sobre a formação e atuação dos jornalistas, levando em consideração a posição do STF sobre o fim da obrigatoriedade do diploma, bem como a proposta de Diretrizes Curriculares para a área. 

A seguir, reproduzo o texto da carta aberta. Se ainda não leu, gaste uns minutos lendo e reflita sobre a sua atuação. Isso fará diferença!

Carta Pública da SBPJor sobre a regulamentação da profissão de jornalista

A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), entidade científica que busca a promoção de estudos avançados no campo do jornalismo, reunindo 397 pesquisadores, sendo 164 doutores, vem a público apresentar, ao Congresso Nacional e à sociedade brasileira, um conjunto de sugestões para o restabelecimento de uma ordenação jurídica que regulamente a profissão de jornalista, após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão no dia 17 de junho de 2009, de extinção do diploma em curso superior em Jornalismo como condição de acesso à profissão de jornalista.

A SBPJor entende que a decisão do STF, equivocada em si, criou um vácuo legal na regulamentação da profissão, ausência que necessita ser reparada com urgência pelo Legislativo Federal. Por isso, a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo, após analisar os projetos apresentados pelos parlamentares no Senado e Câmara Federal, tece os seguintes indicativos para auxiliar no debates e decisões a respeito deste tema:

1º) Considera pertinente que a questão seja tratada por meio de duas iniciativas legislativas: uma iniciativa na forma de uma emenda à Constituição Federal, que altera dispositivo a fim de criar amparo constitucional para considerar o diploma de nível superior em jornalismo uma condição essencial ao exercício da profissão de jornalista; e outra iniciativa na forma de um projeto de lei que regulamenta a profissão de jornalista, atualizando-a conforme as transformações no exercício profissional e as novas demandas da sociedade;

2º) O estabelecimento, no corpo do texto constitucional, de uma norma como o diploma superior em jornalismo para o exercício profissional é uma proteção que o Legislativo elabora para a preservação de direitos fundamentais da sociedade, neste caso o direito de acesso a informações jornalísticas construídas com o amparo de conhecimentos sobre a história das nações e sociedades, sua estrutura jurídica, instituições sociais e políticas contemporâneas, tendo por base o rigorético, técnico e estético específicos do exercício do jornalismo. Estes requisitos da informação jornalística são fundamentais para o funcionamento do Estado democrático e devem ser balizados por um perfil de formação profissional de nível superior em jornalismo como condição mínima de competência reconhecida pelos órgãos superiores do Estado brasileiro.

3º) Tanto a proposta de emenda constitucional apresentada no Senado (PEC 33/2009) quanto aquela formulada na Câmara Federal (PEC 386/2009) atendem aos requisitos de estabelecimento do diploma em jornalismo como requisito profissional. Fica a cargo do legislador alcançar a forma jurídica final que melhor expresse esta proposta no texto constitucional. Entendemos que este deva ser o passo primeiro para tratamento do tema pelo Congresso Nacional, a ser complementado, posteriormente, por uma legislação específica que regulamente a profissão;

4º) No caso das duas emendas à Constituição Federal, sugerimos que a PEC 33/2009 evite a redação “diploma de curso superior de Comunicação Social, com habilitação em jornalismo”, pois as novas diretrizes curriculares para os cursos de jornalismo (recentemente formuladas por uma comissão de especialistas nomeada pelo Ministério da Educação e que deverão ser apreciadas pelo Conselho Nacional de Educação) prevêem a possibilidade de cursos de nível superior autônomos em jornalismo, sem serem uma habilitação de um Curso de Comunicação Social. Portanto, uma expressão mais sintética, como “diploma de curso superior em jornalismo”, parece-nos suficiente.

5º) A regulamentação profissional proposta pelo projeto de lei (PL-5592/2009) é considerada, pela SBPJor, como um movimento necessário de organização do exercício do jornalismo. Portanto, defendemos seu encaminhamento, ao mesmo tempo em que sugerimos uma revisão desta proposta nos seguintes itens:

a) O projeto de lei foi concebido com base na decisão do STF que nega, no atual texto constitucional, a possibilidade de uma lei que restrinja o acesso à profissão de jornalista. O projeto de lei expressa isto no seu Artigo 1º “É livre o exercício da profissão de jornalista”. Entretanto, caso seja aprovada uma das emendas constitucionais que restabelece o diploma como condição do exercício da profissão de jornalista, o Artigo 1º do projeto de lei fica sem efeito. Sugerimos, então, que o projeto de lei incorpore a previsão de exigência do diploma conforme a PEC ou aguarde a votação da PEC para indicar uma regulamentação adequada à emenda constitucional;

b) O projeto de lei prevê um conjunto de atividades e funções do jornalista (Arts. 2º e 5º) que necessitam ser revistos, já que eles não incorporam uma atualização das transformações do jornalismo a novas condições e demandas sociais. As novas diretrizes curriculares para os cursos de jornalismo propostas pela comissão de especialistas do Ministério da Educação devem ser consideradas como base para esta revisão;

c) O Art. 4º do Projeto de Lei estabelece, como um dos documentos necessários à obtenção do registro de jornalista, a “folha corrida”. Consideramos esta uma solicitação anacrônica e inapropriada ao espírito democrático do Estado de direito, pois obriga o cidadão a provar sua inocência para exercer uma profissão;

d) O Parágrafo 3º do Art. 4º prevê registro especial de jornalista a funcionários públicos, gerando um privilégio desnecessário, já que a função de jornalista pode ser preenchida, na administração pública, mediante concurso público;

e) O Art. 8º propõe “obter registro de jornalista profissional quem comprovar o exercício da profissão por dois anos consecutivos ou quatro intercalados”, algo que cria inúmeras brechas para a não adoção do diploma universitário como requisito de acesso à profissão. Além de questionável em si, este artigo entrará em conflito com as duas PEC propostas.

A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo entende que a preservação da liberdade de expressão e de um fluxo informacional qualificado e plural na sociedade brasileira depende da existência e atuação de profissionais com competências específicas para garantir o cumprimento dos compromissos e responsabilidades sociais inerentes à atividade jornalística. Por isto, reconhece o empenho do Congresso Nacional em definir, de forma explícita, os requisitos para o exercício da profissão de jornalista. Cremos que, desta forma, o Legislativo cumpre o seu papel de espaço de debates e de formulação legislativa conforme as demandas da sociedade.

Brasília, 21 de setembro de 2009.

Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor)


Ken Robinson, Ph.D. pela Universidade de Lodres e especialista em critiavidade na educação, discute um problema importante: como tirar o máximo proveito das pessoas em processo de formação? Essa é uma questão que todo professor tem interesse, seja nas áreas de exatas, humanas ou sociais aplicadas.

Robinson defende que "somos educados para nos tornamos bons trabalhadores, ao invés de pensadores criativos". Essa é uma crítica presente em todos os espaços de formação. Queremos acadêmicos mais atuantes e capazes de boas reflexões, mas a formação parece não ser suficiente, em muitos casos.

Robinson aponta o impacto que a "tecnologia e seu efeito transformador" tem "no trabalho" e, afirma:
De repente, diplomas não valem mais nada. Não é verdade? Quando eu estudava, quem tinha um diploma tinha um emprego. Quem não tinha emprego, era porque não queria. [...] Mas agora, garotos com diploma universitário estão voltando para casa para jogar videogames por que pedem mestrado para o trabalho que necessitava antes de uma bacharelado, e doutorado para o trabalho que necessitava mestrado. É um processo de inflação acadêmica. E é um indicativo de que toda a estrutura educacional está mudando na frente do nosso nariz. Precisamos repensar radicalmente nossa visão de inteligência.
Essas reflexões são interessantes e, reforçam o que já defendemos em outro post sobre jornalismo, formação e  trabalho. Veja mais, no vídeo a seguir. Ele foi legendado para 30 idiomais, inclusive o português. Para usar as legendas (caso necessite), clique em subtítulos e selecione o idioma.



Jornalismo, formação e trabalho

Postado por Gilson Pôrto Jr. às 20:34 0 Comments


Trabalho e emprego. Essas são duas palavras quase mágicas para todo recém-formado. O egresso acostumou-se a viver trabalhando (bicos, free, etc) e, na maioria dos casos, emprego que é bom nada! Essa é uma realidade em todos os campos de formação. A diferenciação entre as duas palavras, nem sempre, é facilmente entendida: trabalho não significa emprego. Com reestruturação do trabalho nos anos 1990, as duas palavras foram descoladas e, hoje, vivenciamos "trabalho" enquanto categoria que não significa necessariamente emprego. Entenda-se aqui emprego, como uma categoria que pressupõe carteira assinada, "direitos" (mesmo que poucos) assegurados, estabilidade, etc.

Lembro-me que, a uns 10 anos atrás já discutia com alunos da graduação a "formação para o desemprego". Defendia na época, que o mercado modificava-se rapidamente e, a universidade também precisava entender isso e, proporcionar aos alunos, condições de competitividade. Recordo-me que foi uma guerra: fui chamado na coordenação de curso e acusado de "terrorismo", de fazer fazer alunos desistirem da área, pois alertava os acadêmicos para a possibilidade do desemprego e da necessidade de abertura de novos espaços laborais, sob pena de ficarmos "ultrapassados" para um mercado flutuante e em constante mutação.

O que esse tempo todo mostrou? Que essa é uma certeza inegável: diversas áreas encontram-se em "crise" de identidade, por não atualizarem seu cabedal de conhecimento e suas técnicas e/ou metodologias. Novas habilidades são exigidas diariamente e, nossos acadêmicos, devem ser alertados para as potencialidades de uma mercado em mutação, que exige novas competências a todo instante.

Nessa linha de pensamento, Dina Rickman escreveu uma reflexão bem interessante no Journalism.co.uk, site especializado em jornalismo. Sob o título What does a jobs crisis mean for journalism education?, Rickman alertou para a necessidades dos futuros jornalistas serem informados sobre a "crise de emprego". Por que esse alerta é importante? Porque tem-se um aumento, segundo ela, de 15,7% ao ano no Reino Unido no ingresso de novos acadêmicos nas faculdades. Esses tem "sonhos" ( como qualquer acadêmico de aparecer na "telinha" ou ser um editor de algum grande jornal), porém encontram a realidade de um mercado saturado.

Segundo Rickman, citando as estatísticas divulgadas pela untistats.com's,

[...] os dados sobre o emprego de pessoas com cursos de graduação de jornalismo revelam algumas estatísticas preocupantes.  Uma pesquisa realizada com estudantes,  após seis meses da formatura, verificaram que, com excepção dos licenciados de Bournemouth e Kingston [universidades inglesas], nenhum curso teve mais de 40 por cento dos formandos de jornalismo trabalhando em alguma mídia associada à profissão.  Um quarto dos diplomados da University of the Creative Arts estavam trabalhando como assistentes ou caixas de vendas de varejo, em comparação com apenas 15 por cento que tinham emprego garantido na mídia ou em indústrias associadas.
O que pensam os formadores nas universidades? Sara McConnell, que dirige o curso de jornalismo na  Kingston University apontou que
[...] há "muitos cursos de 'jornalismo no Reino Unido e é preciso haver um" debate sério "sobre o futuro do ensino de jornalismo". Algumas universidades estão olhando apenas para  o rendimento dos estudantes e, universidades sem escrúpulos,  podem ser desonestas a respeito de perspectivas de emprego. Seria irresponsável para nós fingimos que uma graduação é uma porta de entrada para um emprego.
Independente do que pensemos, é importante sermos honestos: um diploma não é, necessariamente, sinônimo de emprego. Isso acontece lá nos Estados Unidos e aqui também no Brasil. É claro que, as chances aumentam para aqueles que possuem competências e habilidades adquiridas no espaço acadêmico, mas  não implicam em sucesso, necessariamente.

O que temos de fazer? Como formadores nas universidades, assumir o que defendi a 10 anos atrás: o mercado modifica-se rapidamente e, a universidade precisa entender isso e, proporcionar aos alunos, condições de competitividade, sobretudo, as que dizem respeito ao jornalismo digital. Não estou aqui fazendo "apologia ao mercado", queria poder não depender dele, mas a verdade é "nua e crua": somos peças de uma jogo bem elaborado nessa máquina capitalista. Ela sabe bem as regras, e nós?

Na quinta-feira, dia 29.10.2009, Miriam Leitão entrevistou o jornalista Rosental Calmon Alves, que é professor de jornalismo na University of Texas at Austin e diretor do Knight Center for Journalism in the Americas.


O centro da conversa foi sobre a comunicação e como as empresas podem lidar com o mundo digital. Entre os destaques da entrevista estão as competências formativas, o diploma e a crise do modelo de negócios nos Estados Unidos. Esses são elementos importantes que já discutimos no Blog do Gipo. Assista a entrevista a seguir.




Paul Bradshaw, diretor do curso de jornalismo da Birmingham City University, no Reino Unido, escreveu uma reflexão bem interessante sobre a formação em jornalismo. O artigo escrito para o Online Journalism Blog intitulado Are there too many journalism courses?, apresentou uma série de competências necessárias para a formação do profissional que atua em jornalismo.

Segundo Bradshaw, a diversidade de graus possíveis para a formação em "jornalismo não existem apenas para treinar as pessoas para entrar na indústria de notícias. Esta é a diferença entre "educação" e "formação" " e, indicou um conjunto de competências/habilidades que são desenvolvidas durante esse percurso:
* Construção do núcleo de competências acadêmicas, como a investigação, o conhecimento conceitual e as habilidades críticas;
* Desenvolver habilidades práticas, tais como a comunicação, pesquisa e produção;
* Desenvolver habilidades criativas;
* Desenvolver habilidades de gerenciamento de projetos;
* Desenvolver habilidades de trabalho em equipe e a capacidade de trabalho por iniciativa;
* Criar uma compreensão crítica dos processos de notícias e relações de poder;
* Fornecer espaço para explorar como o jornalismo ea  publicação é, e poderia ser diferente, (particularmente importante quando se está em crise);
* Permitir que as pessoas saibam se eles querem trabalhar na indústria de notícias;
* Permitir que os estudantes compreendam que conseguirão uma graduação em uma área que é  desafiadora e gratificante;
* E sim, a formação de pessoas para entrar na indústria de notícias;
* E qualquer indústria que envolve profissionais da comunicação;
 Será a formação universitária a chave para o sucesso profissional? Bradshaw afirma que, apesar de todos estudarem jornalismo, nem todos que tem "esperança de ser", serão, por exemplo, âncoras ou titulares de editoria em grandes jornais (já que essas posições já encontram-se ocupadas), mas é extremamente importante essa formação.  Porquê? Ele afirma:
Algumas pessoas não são muito boas, algumas pessoas não se esforçam muito, algumas pessoas apenas se "encostam" ao longo do caminho,  na lei do menor esforço - não se pode conceber que, em nosso sistema de ensino, sem excluir aqueles que trabalham duro, que são talentosos e dedicado e querem conseguir grandes coisas. Um diploma não é a promessa de uma carreira bonita - é a promessa de uma oportunidade de desenvolvimento pessoal, que  é embasado em seu próprio compromisso e capacidade individuais, tanto quanto a dos professores,  do pessoal de apoio e das universidades.
É, está aqui uma visão bem sóbria da formação universitária! Ela permite "uma oportunidade de desenvolvimento pessoal", que agregada as competências e habilidades, desenvolvidas ao longo do curso, podem dar valor ao conhecimento adquirido durante todo o processo e permitir uma melhor inserção profissional.