Mostrando postagens com marcador diretrizes curriculares. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador diretrizes curriculares. Mostrar todas as postagens

Ontem tive um dia bem produtivo na pesquisa que desenvolvo sobre ensino de jornalismo. Conheci as instalações e um pouco do curso de Jornalismo e Editoração mantido na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

Entrevistei a professora Beth Saad, que desenvolve pesquisas na área de jornalismo e mídias digitais e, também o chefe do Departamento de Jornalismo e Editoração, o prof. José Coelho Sobrinho.

Ainda importante para pesquisa, participei da reunião da comissão departamental que está responsável por propor mudanças na estrutura curricular e no projeto pedagógico do curso de jornalismo, que ocorre todas as segunda-feiras. A proposta de reestruturação curricular em pauta pode ser vista na apresentação do prof. José Coelho. 

foto de reinaldo fernandes
Reynaldo Fernandes, membro do CNE
O Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão vinculado ao Ministério da Educação, colocou na pauta do dia 08.10.2010, uma audiência pública para debater as diretrizes curriculares do curso de Jornalismo.

Estiveram presentes representantes de universidades federais e privadas, estudantes, pesquisadores, professores e entidades da área. O tema central da audiência foi a proposta apresentada por uma comissão formada a pedido do Ministério da Educação (MEC). Essa era composta por especialistas da área de Jornalismo, sendo presidida pelo professor José Marques de Mello.

Repercutindo a audiência, o sítio Jornalismo, mantido pelo prof. Gerson Martins, apontou para a possibilidade de participação. Segundo Martins,
Na audiência, a Comissão do CNE abriu para que os presentes pudessem expor os argumentos sobre o conteúdo do documento das Diretrizes. Segundo o conselheiro Reynaldo Fernandes, houve uma consonância nas exposições, o que facilitará o trabalho de produção do relatório. Destacou também que poderão ser encaminhadas contribuições pela internet, por meio do correio eletrônico audiencia.jornalismo@mec.gov.br.
Segundo notícia veiculada no Estadão.com, sobre a audiência pública,
Entre os principais pontos discutidos na proposta estão a separação do curso de Jornalismo do curso de comunicação social; a obrigatoriedade de um estágio supervisionado, visando ao aperfeiçoamento entre teoria e prática; e a inclusão, oficial, da assessoria de imprensa como disciplina.O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, ressaltou que a proposta do MEC vai contribuir para que os profissionais saiam das faculdades mais preparados para o mercado de trabalho. “O jornalismo é uma atividade profissional e esse documento atesta isso.” No mesmo sentido, o presidente do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), Edson Spenthof, defendeu a proposta de diferenciar o jornalismo da comunicação social. Para ele, existe o jornalista, o publicitário e várias outras profissões ligadas à comunicação. “Não existe o profissional de comunicação social. Isso inexiste.”
Vamos ficar atentos e ver como se desenvolverá essa disputa, que agrada e desagrada o mercado consumidor dos egressos da área.

Alguns dos pesquisadores no I Seminário
O I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo, promovido pela Rede Procad "Ensino de Jornalismo na era da convergência" e formado pelas universidades UFBA, UFSC, UTP e USP, reuniu pesquisadores(as) de várias partes do país para discutir e problematizar estruturas curriculares e projetos pedagógicos.

Essa não é uma tarefa simples, já que a área de Jornalismo passa por diversas transformações e, apesar de antiga, refletiu bem pouco, por meio de produções bibliográficas, sobre a questão do ensino e dos processos de convergência digital associada aos processos formativos.

Dessa forma, esse primeiro evento da rede PROCAD, torna-se um campo de reflexão a mais, com foco nas questões digitais. Sobre os projetos pedagógicos e as estruturas curriculares, é interessante a indicação dada pelo prof. Gerson Martins, que apresentou trabalho no evento:
Nas discussões ainda se destacou a objetividade, clareza que deve permear os Projetos Pedagógicos. Segundo alguns pesquisadores presentes no evento, os Projetos Pedagógicos não devem ser "meras" replicações de outros, mas devem atender as características do curso, da localidade e primar pela clareza, principalmente a coerência entre as ementas, referências bibliográficas e os objetivos do Projeto Pedagógico.
Eu e, ao lado, profa. Malu (UFBA)
A indicação percebida pelo prof. Gerson também é partilhada por mim. Os projetos pedagógicos de curso (PPC) devem ter organicidade em suas construções, mas o que percebemos quando olhamos as disciplinas dos cursos espalhados pelo Brasil, é uma quase total desconexão entre objetivos macro-pedagógicos e a efetividade desses nas disciplinas, tratadas de forma estanque.

No evento, apresentei uma parte do trabalho que desenvolvo em minha tese de doutoramento na UFBA. O trabalho abrange um pouco da história dos processos de formação no Brasil e em Portugal. Veja a seguir os slides que usei. Lembro que, esses não são, em si, a finalização da argumentação. Antes foram indicações que desenvolvi dentro do texto. Portanto, não encare-o como fechado, acabado, mas em construção. Em breve o texto ficará disponível na Rede Procad e farei link para leitura, o que os tornará mais compreensíveis.

Apresentação I Seminário Florianópolis Brasil e Portugal


Para aqueles que trabalham com a temática, a programação do I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo, que ocorrerá de 26 a 27.08.2010 na UFSC, já encontra-se disponível. O seminário tem como tema "O Ensino de Jornalismo na Era da Convergência Tecnológica – Matrizes curriculares, planos de ensino e demandas profissionais”. Já indicamos por aqui os detalhes.

Nesse evento, apresentarei o trabalho intitulado "Brasil e Portugal: construindo uma perspectiva sobre a história dos processos formativos", que faz parte do processo de doutoramento que desenvolvo junto ao GJOL-UFBA, com o prof. Marcos Palacios. Entre outubro e dezembro/2010, estarei em terras lusitanas, fazendo um estágio junto ao prof. Antonio Fidalgo, da Universidade de Beira Interior, para aprimorar as pesquisas já realizadas. O trabalho apresentado, destacará alguns caminhos desenvolvidos.

Veja a programação a seguir dos trabalhos do I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo:

DIA 26/08/2010
8:00 ‐ Abertura
8:30 às 8:50 – Ensino de Jornalismo em Brasil e Portugal – Gilson Porto UNITINS/UFBA

8:50 às 9:10 – Ensino de Jornalismo Digital: prático ou teórico – Alvaro Laranjeira, Claudia Quadros e Kati Caetano ‐ UTP/PR

9:10 às 9:30 – Três metodologia s ancoradas na prática convencional – O ensino de Jornalismo digital nos cursos da Grande Florianópolis – Elias Machado, Gian Kojikovski, Juliana Teixeira, Leonardo Silva e Tattiana Teixeira, UFSC

10:00 às 10:30 – Intervalo para café

10:30 às 10:50 – O ensino de jornalismo nos tempos da convergência digital – Diretrizes para ação – Alice Mitika Koshiama, USP

10:50 às 11:10 – O ensino de ciberjornalismo: estudo comparativo nos cursos de Jornalismo do Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul – Gerson Martins (UFSM)

11: 10 às 11:30 – O Desafio do ensino de telejornalismo em duas regiões do interior do Rio Grande do Sul, Cárlida Emerim, UNIPAMPA

11:30 às 12:00 ‐ Discussão dos trabalhos apresentados

12:00 às 14 h – Intervalo para almoço

TARDE
14:00 às 14:20 – Jornalismo amoroso. Quem quer (a)provar? Reflexões sobre a aplicação de práticas pedagógicas amorosas na formação e no cotidiano do jornalista – Maria Luiza Cardinale Baptista (ULBRA)

14:20 às 14:40 – Um dispositivo analítico para o ensino de jornalismo: uma abordagem das condições de produção do texto de jornalismo científico – Ricardo Henrique Almeida Dias e Maria José P.M. de Almeida

14:40 às 15:10 – Ensino de Jornalismo e novas tecnologias – a experiência da UFPR – Toni Scharlau (UFPR)

15:10 às 15:40 – Discussão dos trabalhos

15:40 às 16:10 – Intervalo para Café

16:10 às 16:20 ‐ Uso de Plataformas analógicas e digitais na prática de jornalismo‐laboratório – Demétrio Soster (UNISC)

16:20 às 16:40 – Digitalização e convergência na produção laboratorial no curso de Jornalismo
Luciana Gomes Ferreira

16:40 às 17:00 – Discussão do Trabalhos

17:00 às 18:00 – Avaliação dos trabalhos e propostas de cooperação

Foto: Nasa
O World Journalism Education Council estabeleceu uma declaração de princípios que  são  de importância e atenção quanto aos processos formativos em jornalismo.

Segundo o conselho, 11 princípios devem nortear os processos de formação em âmbito mundial. No preâmbulo dos princípios, as 23 entidades internacionais que assinam o documento, apontam que o jornalismo tem como finalidade servir ao público e, dessa forma, devem "[...] dominar um corpo cada vez mais complexo de conhecimentos e habilidades especializadas [...]", mas, como destaca, "[...] acima de tudo, o jornalista deve ser responsável por desenvolver um compromisso ético [...] este compromisso deve incluir uma compreensão e profundo apreço pelo papel que o jornalismo desempenha na formação, valorização e perpetuação de uma sociedade informada". 

São esses os 11 princípios:
1. No coração da educação em jornalismo deve haver um equilíbrio entre o conteúdo conceitual, filosófico e, baseado em competências. Embora seja também interdisciplinar, o ensino do jornalismo é um campo acadêmico com espaço próprio, com um corpo distinto de conhecimento e teoria.
2. O jornalismo é um campo adequado para estudos universitários de graduação à pós-graduação. Os programas de formação jornalísticos devem oferecer uma gama completa de graus acadêmicos, incluindo bacharelados, mestrados e doutorados, assim como certificações, especializações e treinamentos de carreira.
3. Os educadores em jornalismo devem ser uma mistura de acadêmicos e profissionais, sendo importante que os educadores tenham experiência em trabalhar como jornalistas.
4. Os currículos de Jornalismo devem inclui uma variedade de cursos e competências, tais como o estudo da ética no jornalismo, história, estruturas midiáticas/instituições a nível nacional e internacional, análise crítica da mídia e do jornalismo como uma profissão. Devem incluir, ainda nos cursos,o papel social, político e cultural dos meios de comunicação na sociedade e, às vezes, incluir cursos sobre como lidar com os meios de gestão e economia. Em alguns países, o ensino do jornalismo inclui campos como relações públicas, publicidade, produção e difusão.
5. Os educadores em jornalismo têm uma missão importante de sensibilização para promover a compreensão midiática do público em geral e, dentro de suas instituições acadêmicas, especificamente.
6. Os graduados em programas de jornalismo devem estar preparados para trabalhar com a informação, fortemente empenhados profissionalmente, tendo elevados princípios éticos e, capazes de cumprir as obrigações de interesse público que são fundamentais para seu trabalho.
7. A maioria dos programas de graduação e muitos mestres do jornalismo tem uma forte orientação profissional. Nestes programas de aprendizagem profissional/vivencial, devem ser prestados em laboratórios, em salas de aula e estágios em local de trabalho, sendo isso um componente chave.
8. Os educadores em jornalismo devem manter fortes ligações com as indústrias de mídia. Eles devem refletir criticamente sobre as práticas da indústria e oferecer aconselhamento e reflexão para a indústria.
9. O jornalismo é um campo tecnologicamente intenso. Profissionais terão de dominar uma variedade de ferramentas baseadas em computador. Sempre que possível, o ensino do jornalismo fornecerá uma orientação para essas ferramentas.
10. O jornalismo é um esforço global, estudantes de jornalismo devem saber que, apesar das diferenças políticas e culturais, esses compartilham valores e objetivos profissionais com seus pares em outras nações. Sempre que possível, o ensino do jornalismo proporcionará aos alunos a experiência, em primeira-mão, da maneira que o jornalismo é praticado em outras nações.
11. Os educadores em jornalismo têm a obrigação de colaborar com os colegas no mundo inteiro para prestar assistência e apoio, para que o ensino de jornalismo possa ganhar força como uma disciplina acadêmica e, desempenhar um papel mais eficaz em ajudar o jornalismo para alcançar seu pleno potencial.
Esses princípios não são novidade, mas reforçam o que outros países devem ter como metas ao estabelecerem suas estruturas curriculares e proporem competências e habilidades formativas.  Muitos desses princípios já figuram entre os elementos norteadores das Diretrizes Curriculares Nacionais e das competências previstas aos egressos em jornalismo e comunicação social. Mas não custa frisar que o ensino de jornalismo ainda precisar ter mais espaço e acreditação. 

Depois de procurar na rede e mandar e-mails para o STF tentando conseguir uma cópia da sessão, encontrei finalmente postado no You Tube a sessão do Supremo Tribunal Federal que culminou na votação pelo fim da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.

Nessa sessão, ficam muito evidentes as competências formativas como foco. Quais são? Por que tê-las? São impeditivas para o exercício da profissão? Essas foram algumas questões que perpassam as defesas de voto de cada um dos magistrados.

Vale a pena prestar atenção com essa óptica, percebendo como as competências ora são reforçadas, ora confundidas pelos magistrados.


Parte 1


Parte 2


Parte 3


Era comum se ouvir, nas aulas, que telejornalismo é uma questão de técnica. Bastava usá-la de forma metódica e, pronto, estava montada a matéria. Pior é que depois de algum tempo, se começa a pensar dessa forma mesmo. Não se problematizam questões essenciais, apenas se "transmite" informações.

Já faz algum tempo, circulou um vídeo que mostra essa 'realidade'. Chega a ser engraçado, se não fosse tão triste, termos de ouvir (e ver!) que as competências formativas que nos fazem uma profissão, não parecem ser mais do que, simplesmente, técnicas soltas (ou melhor, ajustadas!), dentro de um roteiro meio vazio. 

O primeiro vídeo traz Rafinha Bastos, mostrando como se faz (ou monta-se) uma reportagem. A sátira é uma adaptação do trabalho de Charlie Brooker, do How To Report The News, no segundo vídeo. Seguem os vídeos para reflexão.






Recebi a pouco, por intermédio do prof. Elias Machado (UFSC) a informação sobre a realização do I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo/ Rede PROCAD. O evento ocorrerá em Florianópolis, durante os dias 26 e 27 de agosto, próximo. 

Segue a chamada de trabalhos, com os respectivos contatos:

A Rede PROCAD “O Ensino de Jornalismo na Era da Convergência Tecnológica – Matrizes curriculares, planos de ensino e demandas profissionais”, formada por professores da UFBA, UFSB, USP e TUIUTI e financiada pela CAPES, promove nos dias 26 e 27 de agosto de 2010 o I Seminário Nacional de Ensino do Jornalismo, na Universidade Federal de Santa Catarina. Podem submeter trabalhos pesquisadores que investigam as seguintes temáticas: ensino de jornalismo e novas tecnologias, ensino de jornalismo em tempos de convergência, projetos pedagógicos, metodologias de ensino, formatação de currículos, entre outros.

Os trabalhos, acompanhados de resumo de dez linhas em espaço 1 e cinco palavras-chave, devem ser escritos em New Times Roman, corpo 12 e espaçamento 1 e meio, com extensão máxima entre 30 e 35 mil caracteres, incluída a bibliografia. As referências completas devem vir ao final do trabalho. As citações até três linhas podem ser inseridas no corpo do trabalho. Citações acima deste limite devem ser destacadas no texto, em corpo 10, com espaçamento 1. Serão selecionados, no máximo,  32 trabalhos para apresentação no I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo.  O  Seminário será a base do livro anual da Rede PROCADJOR que será lançado no final do ano de 2010.


A data limite para o envio de trabalhos para seleção é 30 de Junho de 2010. O resultado da seleção será comunicado aos pesquisadores até 15 de Julho de 2010. O Comitê Científico do I Seminário Nacional de Ensino do Jornalismo está constituído pelos membros das equipes PROCAD: Álvaro Larangeira, Adriana Amaral, Beth Saad, Claudia Quadros, Elias Machado, Francisco Karam, Graciela Natansohn, Kati Caetano, Malu Fontes, Marcos Palacios e Tattiana Teixeira. Mais informações podem ser obtidas na página do PROCAD em http://www.procadjor.cce.ufsc.br ou com os coordenadores locais Elias Machado (machadoe@cce.ufsc.br) e Tattiana Teixeira (tattianaufsc@gmail.com)

Chris Lynch, jornalista especializado em tecnologias sociais e web, defendeu em seu sítio, o The Lynch Blog, que o jornalismo mudará drasticamente nos próximos anos

Essa é uma afirmação lógica, já que a crise mundial aponta para a mudança de conceitos. Mas Lynch agrega algo interessante: sua crítica vai também para os formadores, com foco nas escolas, faculdades e/ou universidades de jornalismo.

Para Lynch,
Nos próximos anos, eu acho que a maioria das escolas de jornalismo vai diminuir ou desaparecer. As restantes serão drasticamente diferentes, com os alunos enfocando temas que não dizem respeito à criação de conteúdo. [...] A noção de o jornalista ser um profissional que é apenas um observador objetivo de um tópico, irá desaparecer nos próximos anos. Esta é uma coisa boa, pois era uma fantasia estúpida...
Essa visão de Lynch já é corroborada por outros autores da área de formação, que apontam a necessidade de rever-se as estruturas e métodos. Aliás, outra crítica ferrenha de Lynch: enquanto que a internet está, a mais de uma década consolidada no campo das práticas jornalísticas, as faculdades e/ou universidades ainda ensinam métodos tradicionais, que não fazem sentido no cenário atual.

E aí tenho de concordar com um posicionamento de Lynch: os jornalistas atuais perderam muito do que pareciam ter no passado, o reconhecimento e a credibilidade como intelectuais. "Os jornalistas deixaram de ser especialistas", lembra Lynch, para "relatarem sobre os especialistas".

Suzanne Lainsson, economista e jornalista, comentando sobre essa visão de Lynch, acrescenta algumas idéias:
Essa tem sido minha grande reclamação sobre as escolas de jornalismo. Ao invés de aprender a escrever e a investigar (que deveriam ter aprendido na escola fundamental e média), os estudantes seriam melhor servidos por cursos de história, negócios, economia, ciência, meio ambiente, e assim por diante. Eles precisam saber o suficiente para ser capaz de fazer as perguntas certas.
 Essas visões pragmáticas da formação em jornalismo são questionáveis. De fato, fazem sentido no contexto profissional, onde a maioria dos conteúdos apreendidos são, na maioria das vezes, pouco utilizados. Mas não podemos esquecer: somos a resultante daquilo que aprendemos e vivenciamos. Não seríamos nós, sem nossos olhares inviésados, sem nossas vivências, sem nossas teorias apreendidas. As posições de Lynch e Lainsson são importantes por revelarem demandas à formação universitária, mas não são posicionamentos finais. Muita água deve rolar antes de sabermos (se é que saberemos mesmo!) aonde queremos chegar com a formação em jornalismo.


Uma leitura importante está disponível para download. Trata-se do "Mapa de los centros y programas de formación de comunicadores y periodistas en América Latina y el Caribe", publicado em 2009. 

O mapeamento, realizado pela Federación Latinoamericana de Facultades de Comunicación Social (Felafacs), junto com a UNESCO, mostra um retrato da formação em comunicação e jornalismo nos países da América Latina e Caribe.

Alguns dos aspectos destacados no mapeamento já eram de se esperar, entre esses a questão da heterogeneidade de instituições. Segundo o mapa,
La heterogeneidad caracteriza la calidad de enseñanza en los países de la región, como al interior de ellos mismos. El carácter público o privado de las instituciones de enseñanza tiende a marcar significativamente la calidad de la formación de comunicadores y periodistas. Las universidades públicas parecen mantener el prestigio ganado con los años y a invertir en investigación, aunque en muchos casos se encuentren muy masificadas y en constante crisis; mientras las privadas –sobre todo las que se orientan a la profesionalización– tienden a invertir en equipos e infraestructura, descuidando muchas veces el área académica. En varios países las universidades públicas son las que preferentemente se someten a los sistemas de acreditación; sin embargo, estos sistemas son desiguales en su alcance y naturaleza según países y regiones.
Por outro lado, todas parecem apresentar um mesmo problema, com respeito ao ensino e ao reconhecimento das relações com o mercado de trabalho: 
Llama la atención que resulta poco frecuente que los centros de enseñanza conozcan a cabalidad las demandas del mercado, los intereses académicos de los estudiantes, y que logren actualizar sus planes curriculares acorde a ello. Más bien, lo que pareciera existir es una fuerte competencia entre centros de enseñanza de diversa calidad educativa, preferentemente en los niveles de pregrado y maestrías, ya que resulta escasa la oferta educativa de doctorados en comunicación y periodismo en Latinoamérica.
Esses aspectos e outros apontados em detalhes, podem ser lidos aqui. Trata-se de uma leitura obrigatória para quem está discutindo a temática.


Refletir sobre a profissão nunca é demais. De fato, refletimos menos e, agirmos bem pouco nos últimos tempos. E isso é ruim para uma área em turbulência constante.

Nesse sentido, reconheço como essencial a posição da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), na defesa de uma posição sóbria sobre a formação e atuação dos jornalistas, levando em consideração a posição do STF sobre o fim da obrigatoriedade do diploma, bem como a proposta de Diretrizes Curriculares para a área. 

A seguir, reproduzo o texto da carta aberta. Se ainda não leu, gaste uns minutos lendo e reflita sobre a sua atuação. Isso fará diferença!

Carta Pública da SBPJor sobre a regulamentação da profissão de jornalista

A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), entidade científica que busca a promoção de estudos avançados no campo do jornalismo, reunindo 397 pesquisadores, sendo 164 doutores, vem a público apresentar, ao Congresso Nacional e à sociedade brasileira, um conjunto de sugestões para o restabelecimento de uma ordenação jurídica que regulamente a profissão de jornalista, após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão no dia 17 de junho de 2009, de extinção do diploma em curso superior em Jornalismo como condição de acesso à profissão de jornalista.

A SBPJor entende que a decisão do STF, equivocada em si, criou um vácuo legal na regulamentação da profissão, ausência que necessita ser reparada com urgência pelo Legislativo Federal. Por isso, a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo, após analisar os projetos apresentados pelos parlamentares no Senado e Câmara Federal, tece os seguintes indicativos para auxiliar no debates e decisões a respeito deste tema:

1º) Considera pertinente que a questão seja tratada por meio de duas iniciativas legislativas: uma iniciativa na forma de uma emenda à Constituição Federal, que altera dispositivo a fim de criar amparo constitucional para considerar o diploma de nível superior em jornalismo uma condição essencial ao exercício da profissão de jornalista; e outra iniciativa na forma de um projeto de lei que regulamenta a profissão de jornalista, atualizando-a conforme as transformações no exercício profissional e as novas demandas da sociedade;

2º) O estabelecimento, no corpo do texto constitucional, de uma norma como o diploma superior em jornalismo para o exercício profissional é uma proteção que o Legislativo elabora para a preservação de direitos fundamentais da sociedade, neste caso o direito de acesso a informações jornalísticas construídas com o amparo de conhecimentos sobre a história das nações e sociedades, sua estrutura jurídica, instituições sociais e políticas contemporâneas, tendo por base o rigorético, técnico e estético específicos do exercício do jornalismo. Estes requisitos da informação jornalística são fundamentais para o funcionamento do Estado democrático e devem ser balizados por um perfil de formação profissional de nível superior em jornalismo como condição mínima de competência reconhecida pelos órgãos superiores do Estado brasileiro.

3º) Tanto a proposta de emenda constitucional apresentada no Senado (PEC 33/2009) quanto aquela formulada na Câmara Federal (PEC 386/2009) atendem aos requisitos de estabelecimento do diploma em jornalismo como requisito profissional. Fica a cargo do legislador alcançar a forma jurídica final que melhor expresse esta proposta no texto constitucional. Entendemos que este deva ser o passo primeiro para tratamento do tema pelo Congresso Nacional, a ser complementado, posteriormente, por uma legislação específica que regulamente a profissão;

4º) No caso das duas emendas à Constituição Federal, sugerimos que a PEC 33/2009 evite a redação “diploma de curso superior de Comunicação Social, com habilitação em jornalismo”, pois as novas diretrizes curriculares para os cursos de jornalismo (recentemente formuladas por uma comissão de especialistas nomeada pelo Ministério da Educação e que deverão ser apreciadas pelo Conselho Nacional de Educação) prevêem a possibilidade de cursos de nível superior autônomos em jornalismo, sem serem uma habilitação de um Curso de Comunicação Social. Portanto, uma expressão mais sintética, como “diploma de curso superior em jornalismo”, parece-nos suficiente.

5º) A regulamentação profissional proposta pelo projeto de lei (PL-5592/2009) é considerada, pela SBPJor, como um movimento necessário de organização do exercício do jornalismo. Portanto, defendemos seu encaminhamento, ao mesmo tempo em que sugerimos uma revisão desta proposta nos seguintes itens:

a) O projeto de lei foi concebido com base na decisão do STF que nega, no atual texto constitucional, a possibilidade de uma lei que restrinja o acesso à profissão de jornalista. O projeto de lei expressa isto no seu Artigo 1º “É livre o exercício da profissão de jornalista”. Entretanto, caso seja aprovada uma das emendas constitucionais que restabelece o diploma como condição do exercício da profissão de jornalista, o Artigo 1º do projeto de lei fica sem efeito. Sugerimos, então, que o projeto de lei incorpore a previsão de exigência do diploma conforme a PEC ou aguarde a votação da PEC para indicar uma regulamentação adequada à emenda constitucional;

b) O projeto de lei prevê um conjunto de atividades e funções do jornalista (Arts. 2º e 5º) que necessitam ser revistos, já que eles não incorporam uma atualização das transformações do jornalismo a novas condições e demandas sociais. As novas diretrizes curriculares para os cursos de jornalismo propostas pela comissão de especialistas do Ministério da Educação devem ser consideradas como base para esta revisão;

c) O Art. 4º do Projeto de Lei estabelece, como um dos documentos necessários à obtenção do registro de jornalista, a “folha corrida”. Consideramos esta uma solicitação anacrônica e inapropriada ao espírito democrático do Estado de direito, pois obriga o cidadão a provar sua inocência para exercer uma profissão;

d) O Parágrafo 3º do Art. 4º prevê registro especial de jornalista a funcionários públicos, gerando um privilégio desnecessário, já que a função de jornalista pode ser preenchida, na administração pública, mediante concurso público;

e) O Art. 8º propõe “obter registro de jornalista profissional quem comprovar o exercício da profissão por dois anos consecutivos ou quatro intercalados”, algo que cria inúmeras brechas para a não adoção do diploma universitário como requisito de acesso à profissão. Além de questionável em si, este artigo entrará em conflito com as duas PEC propostas.

A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo entende que a preservação da liberdade de expressão e de um fluxo informacional qualificado e plural na sociedade brasileira depende da existência e atuação de profissionais com competências específicas para garantir o cumprimento dos compromissos e responsabilidades sociais inerentes à atividade jornalística. Por isto, reconhece o empenho do Congresso Nacional em definir, de forma explícita, os requisitos para o exercício da profissão de jornalista. Cremos que, desta forma, o Legislativo cumpre o seu papel de espaço de debates e de formulação legislativa conforme as demandas da sociedade.

Brasília, 21 de setembro de 2009.

Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor)



Essa foi a proposta da Jornadas da OBCiber, que foram realizadas nos dias 4 e 5 de dezembro de 2009, com o foco na temática "O jornalismo nos novos media: ensino e investigação". Participaram diversos professores e profissionais, alguns já conhecidos aqui pelo Brasil, quer por seus trabalhos, quer por partilharem experiências no ensino e na pesquisa.

Entre os participantes, duas apresentações julgo essenciais (já que a finalidade do que escrevo aqui no Blog do Gipo e no blog Ensino de Jornalismo é o ensino e a pesquisa): a primeira, do prof. Javier Díaz Noci, da Universitat Pompeu Fabra, em Barcelona, que apontou para a temática Pesquisa em ciberjornalismo: tendências, e, a segunda proferida pelo Prof. António Granado, da Universidade Nova de Lisboa, intitulada 10 coisas que as universidades precisam fazer para melhorar o ensino do jornalismo.

Caso prefira assistir as apresentações, coloca-as a seguir. Encaro como essenciais para quem está estudando o ensino de jornalismo.


Palestra do prof.Javier Díaz Noci


Palestra do prof. António Granado




Essa é uma questão que me instiga: quais as competências formativas necessárias para o trabalho jornalístico? Lembro-me, quando eu mesmo passava pela graduação na área, de ouvir professores-jornalistas, falarem sobre a importância de uma formação sólida. Quando indagados sobre essa tal de "formação sólida", que é bem o discurso das diretrizes curriculares nacionais, todos engasgavam e titubeavam muito antes de ensaiar uma pseudo-resposta.

Qualquer que seja a resposta, algo está muito claro: as diretrizes curriculares nacionais para qualquer área não são o fim em si. Explico melhor: elas são referenciais de qualidade, vislumbres do que deveria ser uma formação mínima (esqueça a idéia de currículo mínimo, não é o caso). O problema é que não existe "a formação", mas formações possíveis. Prefiro a palavra no plural e, se houvesse uma forma de ampliar esse plural, o faria.

Nosso espaço formativo é muito fragmentado, o que é bom por um lado, já que permite a eclosão de novas possibilidades criativas de processos formativos. É entre essas diversas formações, algumas difusas (é verdade), surgem possibilidades híbridas de pensamento, que transcendem as tênues linhas da formação em uma determinada área. Daí, porque me atrai muito a idéia - sei que o acento foi retirado, não consigo ver a palavra "idéia" sem o acento - de formação ampla do profissional e não restritiva, fragmentando ainda mais o frágil conhecimento de área.

Dessa forma, penso que o conhecimento amplo da área jornalística, perpassa e é perpassada por muitas áreas do conhecimento. É o caso do planejamento. Ele é o tipo de conhecimento que é comum e as mesmo tempo específico. Veja os vídeos a seguir, disponibilizados por Carlos Vilela, do sítio CHMKT, que dão uma boa idéia das possibilidades do planejamento como competência formativa essencial.



2 from Carlos Vilela on Vimeo.


1 from Carlos Vilela on Vimeo.



Letras, palavras, frases, sentenças bem elaboradas... Não faltam possibilidades no fazer jornalístico. Mas achar que esse "fazer" reduz-se apenas a contar uma boa história, é um ledo engano.

O trabalho de escrita jornalística compara-se ao trabalho de historiar. Não é de hoje que digo isso. Já declarei anteriormente que "existe uma linha muito tênue entre história e jornalismo" (Pôrto Jr, Gilson (Org). História do Tempo Presente, Edusc, 2007). O historiador tem seu objeto de cientificidade no tempo passado (não tão distante como normalmente se assume) e, o jornalista, no tempo presente (o ontem, não tão distante, mas também no agora).

É nessa construção passado-presente, que emaram-se palavras, criando histórias de um presente efêmero, que encantam e informam. Mas o trabalho do jornalista e do próprio jornalismo, é mais do que apenas a escrita de uma boa história publicável.  Jeff Javis, que é professor na Universidade de Nova York, aponta para outras possibilidades no trabalho jornalístico. Ele defende o trabalho jornalístico como processo e não apenas como produto

Por que é esse posicionamento importante? Javis argumenta que o trabalho do jornalismo no presente assume diversas possibilidades que vão desde a construção de dados e algoritmos, até escrita em colaboração e o crowdsourcing. Todos esses são vistos por ele enquanto processo.

O contar histórias não. Ele é produto, está acabado. E, nesse aspecto, o escritor de uma história "reinvidica para si o papel de centro da história", de criador e do "tom" que ele deve assumir. É como ele afirma: "contador de histórias está no controle".Não é esse o papel do jornalista? Também o é. Mas não deveria ser apenas esse.

Javis resume bem sua defesa de um jornalismo centrado nos processos e não apenas no produto:

Mas se continuarmos a assumir que o nosso papel é o do contador de histórias, e nos limitar a isso, então corremos o risco de fechar-nos às formas de captação e partilha de informações que não acabem sob a forma de histórias, que não estão organizados dessa forma. Quando nos abrimos, podemos pensar nos jornalistas como catalisadores, como organizadores da comunidade (e não apenas de informação, mas de uma comunidade, com habilidade para organizar as suas próprias informações), como professores, como curadores (como eu poderia passar por isso sem usar a palavra pelo menos uma vez?), como filtros, como fabricantes de ferramentas, como escritores de algoritmos.

Penso que essa defesa de Jarvis, indica bem quais os caminhos, ou melhor, que competências e habilidades devem fazer parte de qualquer  processo de formação. É claro que não descartamos a construção de histórias, mas não podemos reduzir o fazer jornalístico a apenas histórias efêmeras, quando temos pela frente um "rio de possibilidades" nesse século que apenas está começando.

Ken Robinson, Ph.D. pela Universidade de Lodres e especialista em critiavidade na educação, discute um problema importante: como tirar o máximo proveito das pessoas em processo de formação? Essa é uma questão que todo professor tem interesse, seja nas áreas de exatas, humanas ou sociais aplicadas.

Robinson defende que "somos educados para nos tornamos bons trabalhadores, ao invés de pensadores criativos". Essa é uma crítica presente em todos os espaços de formação. Queremos acadêmicos mais atuantes e capazes de boas reflexões, mas a formação parece não ser suficiente, em muitos casos.

Robinson aponta o impacto que a "tecnologia e seu efeito transformador" tem "no trabalho" e, afirma:
De repente, diplomas não valem mais nada. Não é verdade? Quando eu estudava, quem tinha um diploma tinha um emprego. Quem não tinha emprego, era porque não queria. [...] Mas agora, garotos com diploma universitário estão voltando para casa para jogar videogames por que pedem mestrado para o trabalho que necessitava antes de uma bacharelado, e doutorado para o trabalho que necessitava mestrado. É um processo de inflação acadêmica. E é um indicativo de que toda a estrutura educacional está mudando na frente do nosso nariz. Precisamos repensar radicalmente nossa visão de inteligência.
Essas reflexões são interessantes e, reforçam o que já defendemos em outro post sobre jornalismo, formação e  trabalho. Veja mais, no vídeo a seguir. Ele foi legendado para 30 idiomais, inclusive o português. Para usar as legendas (caso necessite), clique em subtítulos e selecione o idioma.




Paul Bradshaw, diretor do curso de jornalismo da Birmingham City University, no Reino Unido, escreveu uma reflexão bem interessante sobre a formação em jornalismo. O artigo escrito para o Online Journalism Blog intitulado Are there too many journalism courses?, apresentou uma série de competências necessárias para a formação do profissional que atua em jornalismo.

Segundo Bradshaw, a diversidade de graus possíveis para a formação em "jornalismo não existem apenas para treinar as pessoas para entrar na indústria de notícias. Esta é a diferença entre "educação" e "formação" " e, indicou um conjunto de competências/habilidades que são desenvolvidas durante esse percurso:
* Construção do núcleo de competências acadêmicas, como a investigação, o conhecimento conceitual e as habilidades críticas;
* Desenvolver habilidades práticas, tais como a comunicação, pesquisa e produção;
* Desenvolver habilidades criativas;
* Desenvolver habilidades de gerenciamento de projetos;
* Desenvolver habilidades de trabalho em equipe e a capacidade de trabalho por iniciativa;
* Criar uma compreensão crítica dos processos de notícias e relações de poder;
* Fornecer espaço para explorar como o jornalismo ea  publicação é, e poderia ser diferente, (particularmente importante quando se está em crise);
* Permitir que as pessoas saibam se eles querem trabalhar na indústria de notícias;
* Permitir que os estudantes compreendam que conseguirão uma graduação em uma área que é  desafiadora e gratificante;
* E sim, a formação de pessoas para entrar na indústria de notícias;
* E qualquer indústria que envolve profissionais da comunicação;
 Será a formação universitária a chave para o sucesso profissional? Bradshaw afirma que, apesar de todos estudarem jornalismo, nem todos que tem "esperança de ser", serão, por exemplo, âncoras ou titulares de editoria em grandes jornais (já que essas posições já encontram-se ocupadas), mas é extremamente importante essa formação.  Porquê? Ele afirma:
Algumas pessoas não são muito boas, algumas pessoas não se esforçam muito, algumas pessoas apenas se "encostam" ao longo do caminho,  na lei do menor esforço - não se pode conceber que, em nosso sistema de ensino, sem excluir aqueles que trabalham duro, que são talentosos e dedicado e querem conseguir grandes coisas. Um diploma não é a promessa de uma carreira bonita - é a promessa de uma oportunidade de desenvolvimento pessoal, que  é embasado em seu próprio compromisso e capacidade individuais, tanto quanto a dos professores,  do pessoal de apoio e das universidades.
É, está aqui uma visão bem sóbria da formação universitária! Ela permite "uma oportunidade de desenvolvimento pessoal", que agregada as competências e habilidades, desenvolvidas ao longo do curso, podem dar valor ao conhecimento adquirido durante todo o processo e permitir uma melhor inserção profissional.


Desde cedo na formação dos jornalistas, a palavra "objetividade" torna-se parte do seu vocabulário central. Espera-se, que essa competência, seja "ensinada" e desenvolvida durante todo o processo formativo. Mas o que é essa objetividade? Defende-se (e, com isso, esforçamo-nos a ensinar), que o trabalho do jornalista deve ser isento, neutro, como condição de legitimidade da prática jornalística.

Que habilidades são exigidas nesse processo de objetividade? Podemos indicar algumas: uma linguagem simplificada, a construção em terceira pessoa do texto, imparcialidade e um registro fidedigno dos diálogos. Essas habilidades, permitem ao jornalista, a realização de um recorte do "real", construindo a sua "realidade", que posteriormente, é partilhada com os leitores. Esses, por sua vez, exercitam sua própria leitura.

Temos nisso um problema: a objetividade repousa sobre a linguagem. De um lado, temos o jornalista, que constrói seu olhar sobre o fato e, do outro lado, temos o leitor que interage com o texto e, nessa tecitura, cria, transforma, destrói e reconstrói sua(s) leitura(s). Essa leitura (que não é mais "a leitura"), desenvolve-se em "maneiras de ler" o mundo a nossa volta. O sujeito - quer o falante, quer o leitor - lança seu olhar, que de nenhuma forma consegue ser neutro. A leitura do signo é sempre ímpar e, a ação compreensiva, uma experiência única, que teimamos em achar que pode ser reproduzida, ipsis literis, de um leitor a outro.

Vamos agregar mais um ingrediente: a presença do editor. Esse tem um papel de intermediar o processo de construção da informação. Na verdade, esse pré-leitor qualificado, exerce o papel de consolidar o "pacto de leitura", que a área da comunicação tem com as demais áreas do conhecimento. Espera-se, que a notícia produzida, atenda ao critério da objetividade para ser publicada/veiculada.

E aqui o "caldo fica mais grosso", quando o editor faz o recorte na narração produzida, que obviamente não é e, dificilmente será, objetiva. O editor assume para si toda a carga ideológica, que faz parte do processo de escolha de qual tipo de escrita será ou não aceita.

E como está o panorama de atuação desse profissional? Craig Newmark, escreveu para o The Huffington Post, sobre a crise da "curadoria de notícias". No artigo intitulado A nerd's take on the future of news media, Newmark critica a atuação, ou melhor, a falta de atuação dessas "curadorias" no processo da notícia e, aproveita o espaço, para criticar a objetividade jornalística. Para ele, a objetividade que é praticada, por apenas se ouvir as partes e suas justificativas, não é um agregador de valor. Ao contrário, seria um motivo para  perda de credibilidade.

Será que ele vislumbra algum caminho para a ação jornalística no futuro? É claro que sim. Para ele, o futuro está na criação de modelos mais híbridos, com a presença de outros atores nesse processo de edição, onde a "transparência é a nova objetividade" e o "[...] futuro das organizações jornalísticas será determinado pelas tendências emergentes que já são visíveis".


O Ministério da Educação (MEC) iniciou uma consulta pública para definir competências formativas. O projeto Referenciais Nacionais dos Cursos de Graduação é uma sistemática de trabalho participativo, onde a comunidade acadêmica e  demais segmentos interessados, participam com problematizações pedagógicas que resultarão em um Referencial Nacional para os cursos. São discutidos, dessa forma, referenciais e linhas de formação da área.

Nessa rodada serão o foco da consulta 17 cursos da área de Ciências Exatas e da Terra, 14 cursos da área de Comunicação e Artes e, 21 cursos da área de Humanidades.

O que são os referenciais de curso? O MEC define como

[...] um descritivo que aponta, em linhas gerais, um perfil do profissional formado, os temas abordados durante a formação, as áreas em que o profissional poderá atuar e a infraestrutura necessária para a implantação do curso. Ele não limita as instituições na proposição de cursos, uma vez que traça um referencial que não é limitador, mas apenas orientador. Portanto, cada Instituição de Ensino Superior (IES) pode, respeitando o mínimo apontado no referencial, inserir novas temáticas, bem como delinear linhas de formação no curso.
Em outras palavras: os referenciais agregam as competências gerais e as habilidades que resultarão do processo formativo no curso avaliado. Trata-se de um importante instrumento, que auxilia universidades e outros espaços formativos, a conceberem a formação.

E que dizer da linhas de formação? O MEC intende que

As Linhas de Formação particularizam o curso, enfocando aspectos teóricos ou práticos pertinentes para o curso oferecido pela IES no contexto histórico e social em que ela se insere. No entanto, não se configuram como habilitações, pois não aparecem no nome do curso, apenas nas habilidades e competências desenvolvidas pelo aluno ao longo de sua formação e no detalhamento do seu histórico escolar.
No passado, chamamos essas linhas de formação de ênfase do curso. É importante entender que, ao permitir e incentivar a sua definição, na prática, não teremos um profissional com um perfil apenas de formação, mas dezenas ou centenas de perfis formativos debaixo de uma mesma nomenclatura. A princípio, pensando do ponto de vista do mercado, isso facilitará a inserção do egresso, mas cria dificuldades no momento que o(a) aluno(a) transfere-se de instituição, por algum motivo.

Pode-se dizer, então, que essa consulta vai definir um currículo mínimo? Bem, o próprio Ministério afirma que "o Referencial de Curso não se configura como currículo mínimo, nem deve ser entendido como uma diretriz curricular, visto que os cursos que já possuem diretrizes estabelecidas devem continuar seguindo-as".

Então, se não é um currículo mínimo, nem é uma definição de currículos, o que vem a ser essa proposta? Em outro post feito aqui, apontei uma pequena consulta que fiz no Portal SiedSup, do MEC, sobre a situação do ensino superior: são 686 cursos de Comunicação Social (com várias habilitações) e 376 cursos de Jornalismo no Brasil.  Uma das questões que apontei foi que "não é possível, com pesquisa no SiedSup conseguir as informações sobre estruturas curriculares, o que mostraria em muito a diversidade do que é feito em cada instituição sob a égide de "Comunicação Social" e "Jornalismo".

Isso vai ao encontro do que o MEC faz agora: ele pretende sistematizar, em um primeiro momento, as nomenclaturas, diminuindo o 'universo' vasto existente. É o que o MEC chama de "Convergência de Denominação (De - Para):

A Convergência de Denominação (De - Para) é uma lista que apresenta os nomes dos cursos atualmente vigentes, na coluna DE, e as sugestões de denominação a serem adotadas, na coluna PARA. A convergência foi realizada por especialistas nas áreas e deve ser entendida como uma sugestão de nova denominação. Cabe às Instituições de Ensino Superior (IES), com base nas características de cada curso, adotar a denominação que julgar mais pertinente, dentre as opções disponíveis na Convergência de Denominação (De - Para) e, de acordo com a nova denominação adotada, se necessário, adaptar a matriz curricular.
Mais do que apenas a mudança de nomenclatura (que por si só já pressupõe uma mudança de identidade), o curso pode adotar também adaptações na matriz curricular, modificando a atual estrutura e, transformando o próprio projeto. Isso fica claro no conjunto sugerido como referencial de jornalismo, disponibilizado pelo MEC.

A consulta está aberta e todos podem participar. Basta acessar o formulário on-line do MEC.

O que é ser jornalista? Essa é a pergunta que Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicação da USP, desenvolve em seu texto publicado no sítio do Observatório da Imprensa. A discussão de Bucci perpassa a formação múltipla do jornalista e, os "problemas" que isso ocasiona na prática profissional. 
Temos um problema epistemológico real e, segundo Bucci, a situação é ainda pior:
Agora, olhe bem à sua volta: o diploma caiu, a Lei de Imprensa deixou a vida para entrar na pré-história e a regulamentação, bem, a regulamentação não é nada nem ninguém. Ela não existe mais. Isso significa que, se alguém for perguntar à Lei o que é um jornalista, não encontrará resposta alguma. Se os olhos da sociedade se voltarem à Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), encontrará o mesmo vazio. A Fenaj não define satisfatoriamente o que é um jornalista. Não definia antes – e, agora, muito menos.
Por que a angústia dessa fala? Pela inerente dificuldade de dizer quem é o jornalista, tendo suas funções e, obviamente, sua ética bem definida. Não seria o nosso Código de Ética um instrumento de definição de identidade? Para Bucci o problema ainda persite, pois:
O Código de Ética da Fenaj afirma que o jornalista é tanto o assessor de imprensa como o jornalista propriamente dito. Trata-se de uma ambivalência insustentável. Jornalistas são pagos para perguntar o que a sociedade tem o direito de saber; assessores são pagos para responder aquilo que seus clientes ou empregadores gostariam que a sociedade tomasse por verdade. Não que assessores desempenhem funções estruturalmente indignas ou ilegítimas, longe disso: eles desempenham um papel indispensável na comunicação social; apenas desempenham um papel que não se confunde, nem pode pretender se confundir, com o papel da imprensa. Por isso, tenho sustentado que o Código de Ética da nossa categoria repousa sobre um conflito de interesses.
Está aí um problema, que tenho que concordar com o autor: temos o mesmo indivíduo exercendo papéis contraditórios. Conheci uma colega que era jornalista em um expediente e assessora de comunicação  em  órgão público em outro. Indaguei sobre isso e, percebi que a angústia é real: o conflito era generalizado quando ela tinha de exercer o papel de jornalista 'perguntando a si mesma' enquanto assessora. Essa é uma contradição insuportável e, que não deveria ocorrer.

Pela necessidade de sobrevivência - todos precisamos trabalhar - somos submetidos a uma situação limítrofe. Explico melhor: qual a linha que demarca a ação do jornalista do assessor de comunicação de uma entidade/instituição?  Nesse caso, ela é tão tênue e, por vezes não existe na plenitude, deixando a decisão ética a cargo do colega e do momento.

É como pontua Bucci no artigo sobre essa "ambivalência":
O que define o jornalista, nós sabemos, é a independência que ele guarda em relação ao poder do Estado e ao poder econômico. Agora, se o assessor de imprensa pode, segundo o nosso Código de Ética, ser entendido como jornalista, o requisito da independência cai por terra. Assessores não precisam ter compromisso com a independência editorial.
[...]
Pergunte-se: [...] Como um assessor de imprensa, encarregado por dever de ofício a prestigiar apenas um dos lados de um acontecimento, pode ser obrigado a observar a "precisa apuração dos acontecimentos"? Ele ouvirá todos os lados? Se não, por que, aqui também, não lhe foi outorgada a dispensa de cumprir os deveres do jornalista? Será que os redatores do código se distraíram?
[...]
Portanto, é indiscutível, o código confere uma autorização tácita para que o profissional acumule duas funções, a de repórter num veículo jornalístico e a de assessor de alguma repartição. Será que esse acúmulo de funções é desejável para a ética de imprensa? Dez entre dez bons jornalistas responderão que não. Não obstante, só o que o código não autoriza é que esse profissional faça reportagem para esse veículo jornalístico sobre a entidade para a qual trabalhe como assessor. Pior ainda: segundo o mesmo código, o profissional agirá eticamente se realizar, por exemplo, uma reportagem sobre a entidade rival àquela que o emprega como assessor. Desse modo, o assessor de imprensa de um time de futebol poderá escrever uma matéria sobre o time adversário para um veículo em que trabalhe, digamos, como editor. E não incorrerá, segundo o mesmo código, em nenhuma falta ética. Só o que ele não pode é escrever sobre o lugar em que trabalha como assessor. Novamente, a contradição é chocante. 
É, o problema está posto e é grave. Qual a identidade, ou melhor, as possíveis identidades do jornalista? Sua formação deveria dar conta dessa(s) demanda(s)? Se sim, qual o estatuto de cientificidade de cada uma delas? Já vimos que um único não tem funcionado tão bem. Resta-nos pensar...

O Observatório da Imprensa é um programa televisivo importantíssimo na discussão da mídia e de suas relações com a sociedade. Por vezes, Alberto Dines, faz o papel de "Advogado do Diabo" ao criticar o próprio sistema que a mídia brasileira desenvolveu.
Nesse programa específico, exibido em 23.06.2009, se discute o fim do diploma de jornalismo. Participaram do programa o jornalista Mario Vitor Santos, em São Paulo, que é ex-ombudsman da Folha de S.Paulo, onde trabalhou por 15 anos em diversas funções e, o professor de jornalismo Muniz Sodré participou pelo estúdio do Rio de Janeiro.
O programa está dividido em 6 vídeos. O resumo do programa e o editorial de Alberto Dines pode ser lido aqui.

Vídeo 1


Vídeo 2


Vídeo 3


Vídeo 4


Vídeo 5


Vídeo 6