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Fazia um bom tempo que uma propaganda não causava tanto alvoroço. Pois é o que a propaganda "Unhate" (Não odeie) da empresa italiana Benneton causou. 

A campanha reúne líderes mundiais de potências rivais se beijando. Um típico "selinho" que virou moda aqui pelo Brasil entre as chamadas "celebridades". 

Segundo o que foi noticiado pelo Estadão, a campanha tem o objetivo de "[...] estimular uma cultura sem ódio em todo o mundo". Longe disso acontecer, o que se viu durante todo o dia de ontem nas páginas da mídia impressa e na internet foram reações que expressam mais ódio do que paz. Até o Vaticano se pronunciou contra a propaganda afirmando, segundo veículos jornalísticos, que processará a empresa. 

Selecionei algumas capas de jornais que apresentam fotos da propaganda ontem (17.11.2011). Elas estão disponíveis no Newseum. Achei muito interessante que no México, o Jornal Vanguarda, além de mostrar imagens da propaganda original, criticou uma imagem semelhante de dois candidatos presidenciais mexicanos, que segundo o jornal, 'parodiam' a campanha, já que trocaram também um selinho. Seguem capas:






imagem da jornalista do cqc
Repórter do CQC
O programa CQC da Rede Bandeirantes mistura elementos do jornalismo investigativo com muito humor. Um desses momentos, retrata a falência que parece existir entre "nossos"  deputados.

Longe de ser exemplos, alguns desses tratam a repórter com falta de educação, além, óbvio de não terem a mínima idéia do que assinam nos corredores.

Falta muita maturidade e jogo de cintura nesses representantes do povo brasileiro, para sair de situações vexatórias sem ser rude e violento. Pena que fechamos os olhos a isso.

Veja o vídeo. Ele apresenta uma petição de um fictício deputado que solicita apoio para inclusão de um novo item na cesta básica: a cachaça. Vale as risadas e também a reflexão.





Evito entrar nesta seara, pois temos colegas mais aptos a discutir as relações entre política e comunicação, atendo-me as questões de ensino. Mas não posso ficar calado desta vez.

Algumas campanhas eleitorais estão perdendo o "rumo", se é que algum dia o tiveram! E aí entra m algumas questões que julgo importantes: quais os limites que a própria comunicação impõe a seus profissionais que durante os pleitos desenvolvem as campanhas? Devem existir limites? Devem ser éticos ou morais? Ou, por outro lado, devemos deixar a "liberdade" transformar-se em algo espúrio? Não tenho resposta a essas questões. 

Essas estão "pipocando" em minha cabeça depois de ver alguns dos vídeos da campanha de um candidato a deputado federal pelo estado de São Paulo. O candidato resolveu apelar, no pleno sentido da palavra, e lançou uma série de pequenos vídeos que mesclam erotismo, direitos sociais e, óbvio, a defesa de sua candidatura. Não sei se o candidato será eleito, mas que terá os "15 minutos" de fama assegurado, isso terá!

Eles estão disponiveis no You Tube, mas coloco a seguir um deles. A dica veio do blog Futepoca.



Fonte: Graco Medeiros
Uma discussão interessante que está rolando no momento no meio jornalístico é o caso  WikiLeaks que divulgou grandes volumes de documentos inéditos e secretos. 

O problema que surgiu com essa grande quantidade de fontes inéditas, como um verdadeiro Tsunami,  foi o que fazer com elas. Parece brincadeira: o que um jornalista faz com uma fonte inédita que possibilite um "furo"? Ele pesquisa, confere os dados (uma, duas ou mais vezes), entrevista outros, cria argumentos e conexões e, publica. Simples assim!

É, mas quando a enxurada de fontes veio por meio do WikiLeaks a situação não foi de "euforia jornalística" com o novo, mas sim uma situação de "congelamento". Explico melhor: os jornais ficaram tão entupidos de possibilidades que não sabiam o que fazer com tanta notícia quente. Foram milhares de relatório, todos a serem averiguados, milhares de dados a serem conferidos e milhões de possíveis conexões a serem estabelecidas. Resultado? Quase-inércia. O novo, isto é, a liberação massiva de dados, pegou a imprensa em uma situação que nunca haviam vivenciado.

Martin Moore, diretor do Media Standards Trust, em um artigo para o Idea Lab, chegou a brincar em um post afirmando que "em breve, todas as organizações de notícias, terão um bunker "próprio" - uma sala escura, onde um grupo escolhido à dedo entre os repórteres, estarão recolhidos com seus cartões de memória, laptops com dados recém-abertos, algumas pizzas velhas e muito café". Parece brincadeira? Achei quando li o primeiro parágrafo, mas ele cita o caso do U.K.'s Daily Telegraph, que fez isso com "meia dúzia de jornalistas em uma sala durante nove dias, com cerca de 4 milhões de registros de gastos dos políticos".  E aponta que o mesmo está sendo feito pelo The Guardian, o The New York Times e o Der Spiegel com Julian Assange do WikiLeaks.

Moore apresentou cinco questões importantes para os jornais e jornalistas pensarem quando a enxurada de dados/fontes começarem, já que o assunto também cai na discussão da ética:
1. Como podemos aproveitar a inteligência do público para gerar uma longa lista de matérias?
2. Como podemos torná-las pessoais?
3. Como podemos usar os dados para aumentar a credibilidade das matérias?
4. Como filtramos os dados (e decidimos o que se publicar ou não) da melhor forma e o mais rapidamente possível?
5. Como podemos nos assegurar de que, no futuro, pessoas e organizações dispostas a "vazar" grandes volumes de informação entreguem esses dados para nós?
Estão aqui questões que gostaria de ver a resposta. Com a palavra os editores....

Em uma sociedade do hiperconsumo, para lembrar de Gilles Lipovetsky em "A Felicidade Paradoxal", quais os significados da pirataria? Como a comunicação e os processos formativos a compreendem? Alguns autores tem apontado para a idéia de que a pirataria no meio digital, não é apenas a necessidade de consumir, mas também de se interferir na elaboração dos conteúdos, compartilhando. 

Essa é uma das idéias de Cândida Nobre, da UFPB, no trabalho intitulado "Os processos de ressignificação da pirataria no ciberespaço", apresentado na COMPÓS/2010. Nobre, ao conceituar pirataria, esclarece:
Reforçamos que a pirataria não envolve única e exclusivamente a motivação de lucro direto diante da cópia da obra. É possível ao usuário realizar uma cópia para si próprio, bem como ver um vídeo disponibilizado no YouTube que, a princípio seria protegido por direitos autorais e a indústria ainda assim rotular seu comportamento como pirataria. A razão que leva o indivíduo ao consumo da cópia é variável. Assim como o interesse da comercialização da cópia é o lucro, há os que consomem tais produtos por estarem abaixo do preço e, portanto, compartilham da mesma motivação do vendedor. Há, no entanto, obras que eram de difícil acesso até estarem disponíveis na rede, de forma que recorrer ao “pirata” é a única maneira de entrar em contato com o produto.
E, finalmente, há ainda a dificuldade de acesso do público em relação aos produtos culturais. Neste caso, não estamos tratando das pessoas que têm a opção de ir ao cinema ou comprar um filme no comércio informal, mas daqueles que só terão acesso às obras se estas forem adquiridas por meio da pirataria. Para esta parte da população, a pirataria pode ser entendida como um caminho para a inclusão social. Tanto é assim que mais uma vez destacamos a pesquisa feita no Brasil constatando que a pirataria não é vista com maus olhos pela maioria da população e a prática estaria associada ao mesmo princípio de Robin Hood, de extrair algo dos ricos para os pobres terem acesso (BOECHAT e HERDY, 2008). A diferença seria que, ao menos à primeira vista, o consumo da cópia não restringe o outro do acesso à obra.

Esses argumentos dão muito em que pensar, já que essa visão ampliada associada a pirataria, resgata a noção básica de compartilhamento do conhecimento. Nobre propõe, ainda, uma tipologia de compreensão desses argumentos. Vale a pena a leitura dos argumentos.

Essa é uma questão bem espinhosa. A Constituição Brasileira de 1988, em seu Art. 5º, inciso IV diz que "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato". Mas, o dito anonimado que é vetado na CF/88, também o é liberado enquanto princípio presente no mesmo art. 5°, inciso XIV que diz que "é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional".

Essa cortina protetora tem sido um problema em muitos casos. De fato, revelar as fontes nem sempre é uma coisa simples. A fonte, quando trata-se de pessoas, tem sempre algo a resguardar: seja sua vida, integridade emocional, honra ou mesmo o cargo que ocupa. É sob essa égide, de proteção, que muitas vezes a informação aparentemente fica comprometida. Uma boa análise a respeito das regras dio anonimato é feito no artigo de Tatiana Cosate.

Lendo o artigo de Clark Hoyt, intitulado "Squandered Trust", escrito para The New York Times do dia 17, último, percebe-se quão difícil é essa questão. No artigo, Hoyt retoma essa questão afirmando que manter-se o anonimato apenas reduz a noticiabilidade a uma situação de marginalidade,  depreciando a informação, além de encobrir-se as reais motivações por trás dela. 

De fato, o NYT em suas regras para uso de fontes confidenciais, afirma desde a muito, que essas seriam reduzidas ao máximo e, em uma entrevista de rotina, o "anonimato não deve ser automático ou mesmo uma condição assumida. Nesse tipo de comunicação, anonimato não deve ser oferecido a uma fonte". Além disso, o NYT deixa claro que, "quando o anonimato é concedido, [...] o compromisso é assumido pelo jornal e, não por um jornalista individual".

Regras interessantes. Penso que vale a pena revermos o que pensamos e declaramos sobre a preservação das fontes, principalmente em ano eleitoral.


O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) proibiu a veiculação da propaganda de cerveja "Devassa Bem Loura", da Schincariol, que traz a socialite norte-americana Paris Hilton. Na propaganda, Hilton aparece em poses sensuais.

Para o CONAR, que  tem a função de regular, coibir e punir abusos na propaganda no Brasil,  essa campanha estimularia o excesso de consumo. O Código de Autorregulação Publicitária, em seu anexo A, sobre bebidas alcóolicas, traz a regra básica:

1. Regra geral: por tratar-se de bebida alcoólica — produto de consumo restrito e impróprio para determinados públicos e situações — deverá ser estruturada de maneira socialmente responsável, sem se afastar da finalidade precípua de difundir marca e características, vedados, por texto ou imagem, direta ou indiretamente, inclusive slogan, o apelo imperativo de consumo e a oferta exagerada de unidades do produto em qualquer peça de comunicação.
Além desses aspectos, a Secretaria Especial dos Direitos da Mulher diz que a campanha desrespeita a figura da mulher, com o uso de imagens sexistas.

Segundo o sítio G1
A Schincariol, dona da marca Devassa Bem Loura, afirmou entender "o filme estrelado pela modelo Paris Hilton não ofende,em nenhum aspecto, a qualquer norma ou orientação emitida pelo Conar, mas acata a decisão ao manter o filme fora de veiculação".
Seja qual for o posicionamento - pró ou contra - a propaganda e a polêmica gerada já atingiram os resultados esperados: de um lado, órgão regulador exercita o objetivo de sua existência e, do outro, mais e mais pessoas procuram no You Tube para ver o que de "especial" tem essa campanha, gerando maior consumo e procura do produto.

Veja você mesmo o que parece gerar tanta repercussão. Atente que, nem de longe, a propaganda chega perto das imagens do Carnaval e da exposição do corpo feminino. 





Essa é uma questão complexa: qual o limite da privacidade quando falamos do trabalho jornalístico? Deve haver limites? Alguns acham e praticam o total repúdio a qualquer forma de restrição a coleta e divulgação da informação. Isso tem gerado centenas de processos e, muita confusão na linha tênue entre informação e informação com ética.

Nesse sentido, Stephen Whittle e Glenda Cooper, ambos com experiência jornalística na BBC, publicaram sob a chancela do Reuters Institute for the Study of Journalism o livro virtual "Privacy, probity and public interest". Segundo o resumo executivo do livro, "as novas tecnologias tem sido um dos principais motores para as modificações na percepção de privacidade, permitindo aos cidadãos distribuir fotografias e informações sobre si mesmo, de maneiras não imaginadas até então".

Este livro abordar ainda algumas das questões sobre a natureza da privacidade, bem como que tipo de assuntos particulares pode ser revelado por jornalistas, qual o pepel do interesse público e se o uso crescente leis que favorecem os Direitos Humanos para salvaguardar a privacidade de um indivíduo causam a prática do jornalismo.