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A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) anunciou, no último dia 13, que está está desenvolvendo uma versão de fácil acesso ao Portal de Periódicos para aparelhos smartphones e tablets.

Em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), a versão para equipamentos móveis permitirá acesso a todo o conteúdo atual do portal. A versão ainda está em fase de testes, mas está recebendo contribuições e sugestões por meio do e-mail: periodicos@capes.gov.br. Também é possível visualizar o ambiente para versão mobile.

Com isso, a CAPES torna o Portal de Periódicos presente em praticamente todos os espaços. Basta agora mudar sua política de acesso e permitir que todas as instituições, e não apenas as conveniadas (que são apenas 311), tenham acesso aos conteúdos. Com isso, a política de divulgação científica com recursos públicos estaria completa e totalmente aberta aos interessados em pesquisas e consultas.

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou no último dia 01.06, a proposta que estabelece a eleição direta para escolha de reitores, vice-reitores e diretores das instituições públicas de educação superior.

Essa tem sido uma situação complexa, já que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) falava apenas das universidades federais, deixando a lacuna para as demais públicas.

Segundo a Agência Câmara,
O texto aprovado foi o substitutivo da Comissão de Educação e Cultura aos projetos de Lei 4646/04, do Senado, e 3674/04, da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA). As propostas modificam a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) [...] determinando que o órgão colegiado deliberativo superior das instituições públicas de educação superior será formado de forma democrática, com 2/3 dos assentos ocupados por membros da comunidade acadêmica e 1/3 por representantes da sociedade civil local e regional.
Por que tão importante modificação não ganhou destaque midiático e mesmo discussão dentro das universidades? Porque, praticamente, a lei já está aprovada. Segundo noticiado pela Agência Câmara, a proposta tramitou em caráter conclusivo, isto é, o projeto não precisa ser votado no Plenário da Câmara, mas apenas pelas comissões designadas pela apreciação. Já que o projeto foi aprovado em seu mérito jurídico pela Comissão, ele retorna ao Senado Federal para apreciação final.

O XXIV FORGRAD - Fórum Nacional de Pró-reitores das Universidades Brasileiras ocorreu em Palmas (TO) entre os dias 29.05 a 01.06.2011. 

Com o foco na temática “Ensino, Pesquisa e Extensão no contexto da graduação para os próximos 10 anos”, o evento destacou as potencialidades existentes nas diversas pastas do Ministério da Educação (MEC) e as políticas implantadas nos últimos governos.

Como no momento pesquiso ensino de jornalismo  e políticas de formação nos cursos de graduação em Comunicação Social/Jornalismo, não podia deixar de estar presente e ver o que se pretende para a próxima década. O evento, apesar da organização impecável, não impressionou muito, já que não foi apresentado nada de "novo" no campo de políticas emergentes. 

As apresentações foram muito interessantes e algo parece ser certo: ainda temos muito a construir. Sejam instituições federais, estaduais, confessionais, municipais ou mesmo particulares, o caminho ainda é muito longo e difícil. A superação da burocracia e inércia de programas governamentais ainda é um dos grandes problemas apontados pelos Pró-Reitores presentes.

Outra coisa que ficou evidente: o auditório, sempre quase vazio, não era o lócus das decisões. Essas sempre tomadas em pequenos grupos em reuniões fechadas eram de fato os espaços "democráticos". Apesar de professores e Pró-reitores criticarem esse modus faciendi de "fazer acontecer" em pequenos e "seletos" grupos, nada mudou. É a "política brasileira" se fazendo presente no espaço "democrático" da universidade.

A notícia já deixou de ser repercutida. A morte de Osama Bin Laden não é mais o "quente" na área da comunicação de massa. Outras histórias são mais  importantes e, para alívio de muitos, o problema foi transferido para outros espaços mundiais, seja um tremor de terra, seja o problema nuclear ou mesmo a candidatura ao FMI.

É assim na área da comunicação/jornalismo: a temporalidade é curta, mas os impactos permanecem nesse "continuum informacional" que parece não terminar. Depois desse tempo, desse afastamento da notícia e do ardor informacional, resolvi voltar e escutar o discurso do presidente Barack Obama. Voz calma, semblante que tenta disfarçar a preocupação e uma sensação no ar: será o fim ou apenas um novo começo? Difícil responder. Difícil justificar o injustificável.

Será uma impressão apenas? Veja o discurso e, se desejar, compartilhe o que pensa sobre isso.

No último dia 03 de maio (dia mundial da liberdade de imprensa), John Slattery, jornalista que atua em Londres (Inglaterra), registrou em seu sítio um comentário sobre a curiosa campanha de contestação  "I’m a Photographer, Not a Terrorist!" ("Eu sou um fotógrafo, não um terrorista"), realizada em frente ao City Hall, de Londres, com entrega de uma carta ao prefeito Boris Johnson.

O flashmob teve como objetivo protestar contra as leis que tem impedido indivíduos de tirar fotografias em espaços públicos. Essas leis antiterrorismo têm sido aplicadas em diversos países da Europa e nos Estados Unidos.

A contestação, segundo o grupo manifestante, é que os fotógrafos profissionais estão sofrendo cada vez mais o assédio dos seguranças, o que tem atrapalhado (e até impedido, em muitos casos) o trabalho realizado. Faz sentido: a sensação de constante medo, têm prejudicado e gerado instabilidade no desenvolvimento das ações de segurança em locais públicos e privados abertos a visitação (a exemplo do que aconteceu ao brasileiro Jean Charles de Menezes, que foi morto com oito tiros pela polícia londrina, que o teria confundido com um homem-bomba).

A campanha tenta alertar a todos os que trabalham e apreciam fotografia de que o que pode correr risco é a história visual que é construída pelos clics, já que todo sujeito com uma máquina de fotografar pode ser visto como uma potencial ameaça.

Valeu a manifestação! Uma seleção de fotos do flashmob pode ser vista a seguir:




Foi publicado hoje no jornal do Tocantins, edição de 27.04.2011, na seção Opinião, um artigo direto e constrangedor da leitora Vanessa Cassol, intitulado "Impeachment 2011" . Em termos simples, mas claros, Cassol relembra o impacto dos movimentos de 1992 que geraram o impeachment do então presidente da república.

Fazendo a analogia com Palmas (TO), Cassol aponta para os escândalos que surgiram nos últimos meses, seja no Executivo ou mesmo no Judiciário tocantinense e o aparente descaso com que isso vem sendo encarado por todos. Pena que os argumentos parecem proceder.

Mas o que me chamou a atenção foi uma proposta feita por ela, na verdade, um convite. Reproduzo-o a seguir, por julgar que vale a reflexão sobre a situação na capital e em todo o estado:
Em face de tantas injustiças e corrupções que existem em nosso País, faço um convite à você gestor corrupto, a você mesmo que tem um poder incrível nas mãos para trazer benefícios àqueles que lhe pagam seu salário e todas as mordomias da sua família. Convido-lhe à passar 7 dias nas seguintes, e até então, hipotéticas situações: no primeiro dia você deverá passar pela  experiência de estar com problemas seríssimos de saúde (digo: seríssimos!) e utilizar um posto público para tratamento. No segundo dia, que seja preso e viva esse dia como tal. No terceiro, que passe a noite em uma calçada, na fila, para matrícula dos filhos na rede pública. No quarto, ter sido desempregado e saber que toda sua família dependia daquele salário mínimo. No quinto dia, chegar em "sua" casa de adobe, nos dias de muita chuva e saber que a vela acabou e que seus filhos estão com fome. No sexto dia você será atendido por um funcionário público, após horas aguardando, e ficará sabendo que o preço para que seu processo seja pago, ficará em 50% do valor que é de direito seu. E enfim, no sétimo, último e sagrado dia, lhe convido para voltar a toda sua vida real, que tenha a mesma rotina e viagens de sempre, que seus cartões de créditos continuem da mesma forma, que sua família lhe veja ainda que por uma cortina, com um orgulho fantasiado para não passar vergonha perante a sociedade, e assim pegue a Bíblia nas mãos, e olhe para os céus.


Orientações e sugestões
A escola é um espaço do aprendizado, mas também pode ser o espaço de sofrimentos. Seja esse sofrimento resultante da relação entre aluno-professor ou aluno-aluno.

Nos últimos anos, casos de violência tem sido chamados de bullying. Não é um fenômeno novo. Existe desde que o "mundo é mundo". Trata-se do uso da força e/ou violência, seja física, seja psicológica.

Mas o que pouca gente ainda discute é quando o bullying vai para o espaço da internet. Encontrei um material bem interessante, criado pelo órgão Defensor del Menor en la Comunidad de Madrid. Trata-se de organismo, com previsão legal, na cidade de Madri (Espanha) com poderes de monitorar e propor reformas de procedimento.

O material intitulado Ciberbullying - Guía de Recursos, traz uma série de sugestões sobre como evitar o Ciberbullying. É um material básico de orientação a professores e gestores de escolas. 

Outros dois livros intitulado El maltrato entre escolares: guía para jóvenesEl maltrato entre escolares: guía para padres, trazem informações para jovens e pais sobre como proceder dentro das escolas.

Além do material de orientação, eles lançaram um vídeo que mostra como o jovem pode ser vítima de ciberbullying. Veja a seguir:


Outros vídeos sobre o uso da internet, produzidos pela Jefatura de Gabinete de Ministros de la Presidencia de la Nación Argentina, são bem instrutivos:






Bauman: mente inquieta
Zygmunt Bauman é um sociólogo polonês que tem impactado a forma de ver a sociedade moderna, atribuindo-lhe uma perspectiva de pós-modernidade.

De fato, seus livros traduzidos para o português tem defendido a existência de uma pós-modernidade líquida.

Apesar de gerar controvérsia no mundo acadêmico por conta dessa defesa, é um dos autores mais interessantes dos últimos tempos (em minha humilde avaliação).

Seus escritos, nas últimas décadas tem agregado muita análise e discussão na forma de se compreender o mundo moderno (ou pós-moderno) e as nuances sociais. Gosto especialmente do livro Vidas Desperdiçadas, onde ele discute a exclusão social.

Seus livros foram disponibilizados recentemente no blog LetrasUSP Download, fruto de uma tentativa de divulgação, todos em PDF para download. Diferente das outras indicações que damos aqui no Blog do Gipo, não há referência no sítio sobre os direitos autorais e sua utilização. A dica veio do blog do GJOL.

Ética: construção permanente
O projeto “Códigos de ética jornalística: valores em transformação num cenário profissional de rápidas mudanças”, financiado pelo CNPq e orientado pelo professor Rogério Christofoletti tem disponibilizado um rico acervo de documentos na área da profissão jornalística.

O acervo atual, disponível no sítio objETHOS, possui 42 códigos de ética traduzidos para o português. Entre esses encontramos códigos provenientes dos Estados Unidos, Brasil, Noruega, Reino Unido, Paquistão, China, Rússia, Turkia, Pakistão, dentre outros.

Além dos códigos, o sítio ainda tem uma relação bem ampla de indicações na blogosfera mundial sobre a temática. Vale a pena o acesso e a comparação de como nossos colegas constróem a imagem profissional em outras partes do mundo.


Direito autoral na medida certa
Os direitos autorais são um dos pontos mais sensíveis na hora de discutir o que vai para a internet. Não é ponto pacífico, mas já gerou centenas de discussões jurídicas e perda de tempo produtivo.

Já discutimos no Blog do Gipo, em outros posts, situações e materiais que apresentam posicionamentos legais.

Além disso, o Creative Commons é uma saída prática, legal e segura. Um vídeo interessante, partindo de uma dica do especialista em direito autoral Hélio Kuramoto, em seu sítio, complementa esse entendimento. Você pode vê-lo a seguir, de forma simples, clara e direta:



É pelo motivos expressos no vídeo que o Blog do Gipo possui uma licença Creative Commons do tipo "Atribuição-Uso não-comercial-Compartilhamento pela mesma licença 2.5 Brasil (CC BY-NC-SA 2.5)". Traduzindo essa licença:

Você pode, partindo de meus posts existentes nesse blog:
Compartilhar — copiar, distribuir e transmitir a obra.
Remixar — criar obras derivadas.

Sob as seguintes condições:
Uso não-comercial — Você não pode usar esta obra para fins comerciais.
Compartilhamento pela mesma licença — Se você alterar, transformar ou criar em cima desta obra, você poderá distribuir a obra resultante apenas sob a mesma licença, ou sob uma licença similar à presente.

Ficando claro que:
Renúncia — Qualquer das condições acima pode ser renunciada se você obtiver permissão do titular dos direitos autorais.

Domínio Público — Onde a obra ou qualquer de seus elementos estiver em domínio público sob o direito aplicável, esta condição não é, de maneira alguma, afetada pela licença.

Outros Direitos — Os seguintes direitos não são, de maneira alguma, afetados pela licença:
•Limitações e exceções aos direitos autorais ou quaisquer usos livres aplicáveis;
•Os direitos morais do autor;
•Direitos que outras pessoas podem ter sobre a obra ou sobre a utilização da obra, tais como direitos de imagem ou privacidade.

Aviso — Para qualquer reutilização ou distribuição, você deve deixar claro a terceiros os termos da licença a que se encontra submetida esta obra. A melhor maneira de fazer isso é com um link para esta página.


Castello Branco e outros generais: início ou fim?
No Brasil, o dia 1º de abril é lembrado como o dia da mentira. Mas também é uma data importante para a nova história brasileira. É o dia em que se deu, efetivamente, o início da Ditadura Militar no Brasil.

Durante décadas, a história oficial apontou, durante o chamado "Regime de Responsabilidade", que a revolução social ocorreu em 31 de março de 1964, daí porque ontem fiz um post sobre a data.

A nova história brasileira contesta isso, e aponta que o golpe militar de 1964 ocorreu na madrugada do dia 1º de abril. Mas como explicar ou mesmo associar um evento dessa proporção ao dia da mentira? Melhor seria dar um "jeitinho brasileiro" nessa história. E foi o feito.

Negou-se durante o período militar a verdade clara: como uma mentira, obrigou-se uma sociedade democrática a se tornar a sociedade de uns poucos e, ainda por cima, sob o peso do fuzil. Nasci sob a égide do fuzil, ainda no governo do general Garrastazu Médici, passando pelos governos dos generais Ernesto Geisel e João Figueiredo. Eram tempos silenciosos em minha casa, em que o medo do "outro", da delação, era uma realidade.

Enquanto o discurso oficial pregava o progresso e o slogan "Brasil: ame-o ou deixe-o", colegas da Faculdade de Filosofia e Letras do Ceará eram amordaçados ou simplesmente sumiam (seja porque fugiam ou mesmo porque não eram mais vistos). E isso se repetiu em vários cantos do Brasil. Com um pequena pesquisa na internet, você encontrará sítios que apontam para centenas de desaparecidos nesse período. Todos esses negados pela história oficial.

Em meus tempos de Ensino Fundamental (antigo 1º grau), por me considerarem um aluno "tranquilo" fui obrigado a fazer parte do "famoso" Centro Cívico, sem direito a contestação ou mesmo negação. Era um "privilégio" que não podia ser declinado. E qual a atividade? Suprir a carência de professores no chamado turmo intermediário (ou como era chamado, o turmo da fome) que começava as 11:30 h e ía até às 14:30 h. Dava aulas de matemática para alunos da 1ª série. Nesse tempo eu estava na 4ª série. Era o milagre desse desenvolvimento social nacional! De menino-aluno virei menino-professor pela simples escolha do regime.

Dias de repressão ostensiva
Quando cresci mais um pouco e comecei a contestar, opondo-me a prestar continência e a cantar o hino nacional diariamente em nossa escola (que era obrigatório em todas as escolas durente o regime), constatemente era retirado da fila e levado para um longo sermão com as freiras, padres e professores na escola.

Não cheguei a sofrer punições maiores, apesar de ser desacreditado entre colegas de sala por ser levado diariamente para a direção na frente de todos. Mas até hoje não sei porque meu pai teve de trocar-me de escola ao final do ano letivo (não sei se por pedido da escola, por não renovarem minha matrícula ou por medo, já que o silêncio necessário não era contestado).

O que sei ao certo é que o Regime de Responsabilidade deflagrado oficialmente no dia 31 de março nunca existiu de fato. Foi um Regime Militar, fruto de um Golpe Militar em um 1º de abril de 1964 e, como todo 1º de abril, trouxe descaradamente uma mentira social. Forçados, amordaçados, humilhados e mortos, eis o saldo desse 1º de abril de 1964.

Vamos refletir para não permitir que isso ocorra novamente. Nos vídeos a seguir, análises sóbrias sobre o período são feitas.


Educação na Ditadura: A marca da Repressão - parte 1


Educação na Ditadura: A marca da Repressão - parte 2


Análise do período militar - Boris Fausto


Tomada do Forte de Copacabana (1964) pelo novo regime
Em 31 de março de 1964, grupos sociais tradicionais ligados a militares, após anos de ensaio, resolveram iniciar o que, na visão "oficial", ficou conhecido como Regime de Responsabilidade.

Esses grupos militares, apoiados por setores tradicionais da sociedade brasileira, transformaram o descontentamento provocado pela renúncia de Jânio Quadros, a posterior parlamentarização do Brasil e o desenvolvimentismo sindical de João Goulart (Jango), em motivos para deflagar um movimento de mudança social.

Na visão de Roberto Campos, o Golpe Militar de 1964 foi resultado de “[...] uma crise sistêmica. Uma perda de eficiência e um colapso da disciplina, seja sindical, seja militar. Marchávamos para uma situação caótica... ”.

Na visão das facções militares era necessário tomar as rédeas do país e combater o avanço do comunismo, que tinha como figuras ilustres membros destacados do governo Jango.  Pela história oficial, neste dia 31 de março, iniciou-se uma verdadeira revolução em prol de um estado de responsabilidade nas mãos dos miliares.

Nos vídeos a seguir, o discurso "oficial" é repassado a população e reforçado até hoje por facções políticas ligadas aos remanescentes dos governos militares. Por meio das imagens, percebe-se para que vieram essas facções.

Imagens e músicas do período - 1964 a 1989


Questão Social


Educação no Regime Militar



Calmas e furiosas: constante dicotomia
Quando morava no litoral, sempre me encantava com o movimento das marés. O vai-e-vem das ondas, constantes e, ao mesmo tempo, inconstantes. Calmas em um momento e, noutros, com uma fúria sem limites e controle. Essa talvez seja a beleza que existe nos mares. Mas a ação jornalística também pode ser comparada ao que vivenciei.

Em tempos "líquidos" e de uma anunciada pós-modernidade, cada vez se torna mais difícil ensinar a ética jornalística. Essa é a conclusão que Stephen Ward é obrigado a reconhecer no artigo "5 Principles for Teaching Journalism Ethics in the Digital Age", publicado no sítio MediaShift. Ele é diretor do Center for Journalism Ethics in the School of Journalism and Mass Communications da Universidade de Wisconsin-Madison e, desenvolve atividades docentes constantes problematizando a ética em sala de aula.

Por que a dificuldade? Porque os padrões mudaram. Ward reconhece que em tempos passados os livros e manuais traziam conceitos de ética que eram repassados, em um verdadeiro cânon do "que fazer e do que evitar". Mais esses tempos "simples" já não existem mais. Para ele, há um choque entre o "velho" e o "novo" no campo da ética jornalística. O "velho" abrange questões amplamente discutidas em sala de aula, tais como o compromisso com o profissionalismo, a separação de notícias e opinião, os métodos para verificar os relatórios, uma preocupação com o rigor, e os ideais de objetividade.

Já o "novo", para muitos avassalador em seus métodos, invade o campo discursivo e profissional com elementos midiáticos diferenciados, tais como imediatismo, transparência, opinião crítica e jornalismo partidário, anonimato, levando muitos usuários a ignorar os métodos de precisão e verificação.

Essa constatação de Ward não é nova, mas vale lembrar que era de se esperar que novos usos fossem surgir das tecnologias que emergem e, que essas, provocassem uma crise nos paradigmas jornalísticos existentes.

Existe, então, do ponto de vista do ensino, um caminho para se ensinar ética jornalística em uma sociedade inconstante? Ward pensa que sim, mas envolve abandonar o consenso a priori. Ele indicou cinco elementos que todo professor de jornalismo deveria levar em consideração ao pensar seu curso. São eles:

1. Iniciar a partir da experiência vivencial que o aluno possui da mídia, isto é, discutir o que eles vivenciam, explorando o "tumulto de opiniões" sobre o jornalismo. Se você evitar isso, pode correr o risco de perder credibilidade aos olhos de seus alunos.

2. Auxiliar os estudantes a ter um envolvimento reflexivo: aqui entra a importância de servir de "ponte" entre o conhecimento e o alunado. O ponto central é dar-lhes elementos que permitam refletir, por conta própria, sobre os princípios, a medida em que o docente, vai mediando/intermediando com métodos para análise de situações éticas, dando perspectivas.

3. Insistir no desenvolvimento de um pensamento crítico, não nos modismos. Trabalhe contra a tendência de rejeitar princípios, simplesmente porque são tradicionais e parecem não estar na moda. Por exemplo, os "entusiastas" da nova mídia pode apressar-se a rejeitar a objetividade da notícia como um ideal. Eles podem usar raciocínios capciosos. Em tais situações, os professores têm de perguntar por razões melhor, para indicar as áreas onde a objetividade possa ser necessária, e para introduzir versões matizadas de objetividade que evitem as objeções mais óbvias.

4. Ser transitório. Ministre o curso para que seus alunos possam acompanhar a transição nas estruturas tradicionais e profissionais.Faça uma avaliação justa da ética no jornalismo profissional. Como surgiu e quais são suas características essenciais? Em seguida, compare esse quadro com os valores que fundamentam hoje a ética. A questão norteadora é: Até que ponto os princípios tradicionais se aplicam hoje? Que orientações editoriais são necessárias para lidar com situações novas, novos dilemas? Grande parte do ensino de ética jornalística deve envolver discussões sobre como a ética do jornalismo pode reinventar-se para que ela possa orientar jornalistas por meio de múltiplas plataformas midiáticas. Mostre que a invenção de novas orientações é possível. Examine como as organizações de notícias estão construiindo novas orientações sobre uma série de problemas, por exemplo, a partir do conteúdo cidadão verifique como lidar com os boatos na mídia social. Desafie-os a escrever a sua própria política de ética no anonimato online ou outros problemas.

5. Ser "global" em seu ensino. Com a "globalização" do jornalismo, exige-se que os alunos possam pensar sobre sua responsabilidade de informar um público que ultrapassa as fronteiras. Em um mundo de mídia em constante alternância, os alunos devem ponderar se os jornalistas precisam adotar uma visão mais global de si mesmos. Eles precisam considerar a possibilidade de uma ética do jornalismo global. Além disso, devemos ensinar a pluralidade de abordagens para a ética jornalística, que possa ser aplicada da Escandinávia e da Europa para a Ásia.

Essas indicações são importantes, pois permitem ao docente rever sua prática em sala de aula. Mas, Ward alerta algo que achei especialmente interessante. A revolução na sala de aula começa pelo próprio professor, sendo esse mais dialético, permitindo espaços para que seus alunos participem e construam pontos de vista; holístico, ajudando a eclosão de vários tipos de fatos e idéias nas discussões; e, socrático, por meio de questionamento e discussão, para que os alunos formulem seu próprio quadro ético.




Aguardando julgamento
Em 27.09.2005 o jornalista Rogério Alessandro de Mello Basali teve um artigo publicado pela Folha de São Paulo e, em 03.01.2006 pela Gazeta Bragantina, em que supostamente ofendia um juiz trabalhista. Pelo ocorrido na primeira, ele foi processado e condenado à pena de um ano e quatro meses de reclusão por calúnia, difamação e injúria – crimes previstos na antiga Lei de Imprensa.

Porém, a Lei de Imprensa foi revogada, gerando uma dificuldade de entendimento da ação punitiva, já que a Justiça entendeu que as notícias eram diferentes (datas e veículos, mas direcionadas a mesma pessoa), cabendo duas ações e não apenas uma. Segundo veiculado no último dia 11.02, pelo sítio do Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso foi parar, citando a defesa do jornalista,
A defesa explica que, ao manter a condenação contra o jornalista, o TRF sustentou que, revogada a Lei de Imprensa, os crimes pelos quais Rogério foi condenado passaram a ser tipificados pelos artigos 138, 139 e 140, do Código Penal. O TRF, porém, não declarou a extinção da punibilidade pela ocorrência da prescrição, mesmo passado o prazo de dois anos, conforme previa a Lei 5.250/67, diz a advogada. Isso porque para o TRF, prossegue a defesa, com a mudança na lei que embasou a condenação, a prescrição para o delito não seria o que previsto na Lei de Imprensa, e sim o previsto no Código Penal, que se dá em quatro anos.
Com esse argumento e mais um precedente aberto pela Primeira Turma do Supremo, que ao julgar o caso de outro jornalista já teria aplicado o entendimento de que a prescrição penal continua sendo regida pelo artigo 41 da Lei de Imprensa, e não pelo Código Penal, a defesa pede que seja reconhecida a prescrição da pretensão punitiva do Estado. Vamos esperar para ver o que o Celso de Mello decidirá nesse caso.


Capa da Time: foto premiada
A fotografia choca pelo requinte de crueldade expressa. Trata-se da fotografia da afegã Bibi Aisha, 18 anos, mulher da província afegã de Oruzgan, que foi mutilada pelo marido que cortou-lhe o nariz e as orelhas por ela ter voltado para a família, depois de o acusar de maus tratos.

A fotografia foi tirada pela repórter sul-africana Jodi Beiber e publicada na capa da conceituada revista Time de 1º de Agosto de 2010. A fotografia venceu o 54º concurso internacional World Press Photo 2010.

Segundo o sítio da World Press Photo, a "jovem foi resgatada por militares e por uma organização de apoio a mulheres vítimas de violência ficando em Cabul e, posteriormente enviada para os Estados Unidos, onde foi operada, recuperando o seu nariz".

Um portifólio com fotografias de mulheres intitulado "Women of Afghanistan Under Taliban Threat" está disponível no sítio da revista Time, permitindo-se conhecer um pouco mais dessa realidade.



capa do livro didatico com palestinos e israelenses
Foto: Haaretz
Muito se diz do potencial da educação na superação de conflitos. De fato, a educação tem, em potência, a força motriz para a paz. Mas, em potência, não quer dizer, obrigatoriamente em ato. É o que vivenciam os espaços educativos na Palestina e em Israel.

O novo conflito é pedagógico e tem um livro didático como centro dessa nova "tormenta". A reportagem foi publicada pelo jornal israelense Haaretz.  Segundo o jornal, "o livro didático de história oferece aos alunos as narrativas centrais dos palestinos e do movimento sionista". É fruto de um projeto que visa aproximar os dois países, por permitir o conhecimento e a problematização da história em ambos os lados desse conflito. O livro foi resultado de uma colaboração conjunta entre israelenses e palestinos, financiados por um grupo sueco, para promover a convivência através da educação.

Mas parece que não está dando muito certo. Na Palestina, o livro foi adotado para utilização nas escolas, mas em Israel, foi prontamente proibido. É uma pena que o discurso da paz, seja apenas um discurso. Que seja mais fácil mantém o estigma de que o "outro" é o criminoso e que deva ser combatido. Vamos esperar que os impactos na Palestina deste material seja positivo e que, em Israel, se revejam as posições adotadas.


imagem da jornalista do cqc
Repórter do CQC
O programa CQC da Rede Bandeirantes mistura elementos do jornalismo investigativo com muito humor. Um desses momentos, retrata a falência que parece existir entre "nossos"  deputados.

Longe de ser exemplos, alguns desses tratam a repórter com falta de educação, além, óbvio de não terem a mínima idéia do que assinam nos corredores.

Falta muita maturidade e jogo de cintura nesses representantes do povo brasileiro, para sair de situações vexatórias sem ser rude e violento. Pena que fechamos os olhos a isso.

Veja o vídeo. Ele apresenta uma petição de um fictício deputado que solicita apoio para inclusão de um novo item na cesta básica: a cachaça. Vale as risadas e também a reflexão.





Fonte: Dossiê Redes Sociais
Está disponível o dossiê Redes Sociais da Revista Eletrônica de Jornalismo Científico ComCiência (Unicamp), que é lastreada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

O objetivo da revista é popularizar os assuntos científicos e, dessa forma, os artigos são escritos de forma a clarificar assuntos mais complexos. Dessa forma, os autores do dossiê eleboraram artigos de fácil compreensão, indicando questões centrais.

Entre os autores, estão nomes conhecidos como Adriana Amaral, Mirna Tornus, Alex Primo e Raquel Recuero.


Segue o sumário:

Editorial
A banalização do banal - Carlos Vogt
Reportagens
Privacidade na rede: questões de segurança e de direito
@candidato vai seguir você
Plataformas sociais auxiliam a construção do conhecimento?
A vida social numa rede de avatares
Os quinze minutos de fama e a espetacularização do cotidiano
Artigos
Redes sociais e sites de relacionamento: em busca de comunidades
Raquel Recuero
O jornalismo e a reconfiguração midiática
Mirna Tonus
Redes sociais de música: segmentação, apropriações e práticas de consumo
Adriana Amaral
Como o Wikileaks vem transformando jornalistas em decifradores de código
Tiago C. Soares
A internet na história dos movimentos anti-vacinação
Paulo Roberto Vasconcellos-Silva e Luis David Castiel
Resenha
A cauda longa
Por Rafael Evangelista
Entrevista
Alex Primo
Poema
Figuração do tempo
Carlos Vogt


Cena da animação The Monk & The Monkey
Como tomar as decisões acertadas? Essa é uma questão que todos já nos deparamos. Valorar uma ação ao invés de outra pode ter efeitos imediatos e a longo prazo. Mas, infelizmente, saber avaliar isso durante o processo não é tão simples. Os processos formativos não dão conta de ensinar isso, apenas o arranhamos tentanto "ensinar" o que não se ensina.

Na animação The Monk & The Monkey, produzida por Brendan Carroll e Francesco Giroldini, e disponibilizada no Vimeo, vemos esses raros momentos em que nos encontramos em uma encruzilhada, para se tomar uma decisão. Vale a reflexão. Bom domingo!


The Monk & The Monkey from Brendan Carroll on Vimeo.


Desculpem-me o trocadilho, mas é o que está em minha mente desde que retornei do I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo, promovido pela Rede Procad, em Florianópolis. O evento tinha como foco discutir ensino de jornalismo em tempos de convergência e, entre uma e outra apresentação, discutíamos o que os colegas haviam expressado e defendido.

Em um desses momentos, o colega Gerson Martins, prof. da UFMS, que sentava ao meu lado na “mesa redonda“, falou sobre a falta de cuidado que os acadêmicos de jornalismo tem com suas produções e, especialmente com o que escrevem, principalmente no Twitter. Martins expressava a falta de cuidado com o que era expresso, como se não houvesse repercussão, já que pelos contatos, uma pseudo-história podia se transformar em “fato”. Brinquei na hora: uma ciberfofoca!

Rabisquei em meu caderno, uma questão que gostaria de pensar alto: pode credibilidade ser transmitida por um tweet? Também por um tweet posso passar uma autoimagem? Essas são duas questões que não me saíam da cabeça e, no avião, resolvi ‘ensaiar essa idéia’.

O trocadilho que intitula essa postagem é uma referência ao que meu pai dizia sempre: “Diga-me com quem andas, que direi que és!”. Era muito usado para passar o velho “sabão” quando eu fazia alguma asneira. E olha que adolescente faz muitas. Pior é que não me recordo delas! Pena. Dariam boas reflexões.

Bem, voltemos. Pode credibilidade ser transmitida por um tweet? Penso que sim. Principalmente se você, enquanto produtor/criador de notícias o faz. Imagine alguém com centenas de seguidores, twittar uma notícia duvidosa. Se for a “Candinha” (como chamávamos na adolescência quem fofocava), tudo bem, era conversa sem muito significado. Eram ‘estórias’ sem muita credibilidade. Agora imagine um profissional da informação twittar uma ‘meia-verdade’ (se é que tem metade!). Seus seguidores, que o repercutem, o fazem por pensar que esse tem o que dizer. Que o que é dito é uma fato. Tem fundamento e, portanto, é seguro do ponto de vista da informação. Ao retransmitirem, pensam fazê-lo com seriedade.

É esse cuidado com o que postamos no “mundo digital” que precisamos reforçar nos processos formativos. Não estou sendo chato, nem preciosista. É um cuidado com a própria imagem do futuro profissional que pode ficar em risco. Daí, a segunda questão: também por um tweet posso passar uma autoimagem? É claro! Se meus tweets são sempre recheados de trivialidades, que tipo de imagem passo? Tenho um colega que sigo no Twitter, prof. Teske (peço licença a ele, por citá-lo), que sempre envia mensagens sobre a situação política no Tocantins, com comentários sóbrios e claros, mesmo em 140 caracteres. O que ele me transmite? A palavra à mente é engajamento. E, por conhecê-lo profissionalmente, seus comentários são respeitados por mim. Essa é sua autoimagem profissional transmitida por meio de seus tweets.

Daí a minha defesa pela utilização do Twitter como ferramenta jornalística. Como fonte, se a autoimagem do possuidor for sensata e segura. Está aqui também porque tenho seguido tão poucos no Twitter. Esses poucos, tem muito a dizer. O tempo diário de trocas significativas é cada vez mais reduzido entre nossos pares na academia. A distância (eu na região norte e outros tantos espalhados pelo Brasil e fora dele) ainda as torna mais difíceis. Dessa forma, o Twitter tem sido uma “fonte” de troca com muitos desses colegas que sugerem caminhos, pistas de idéias a construir, encruzilhadas, caos, dentre tantas outras possibilidades.

É claro que compreendo, e não estou sendo ingênuo ao defender isso, que esse não foi o uso original da ferramenta. Nós, os profissionais da área (seja educação ou comunicação) estamos “forçando a barra”, como diria Gibson, “criando os usos”, e é nesse constante refazer, que nós encontramos e desencontramos, construindo e desconstruindo. Por isso, antes de produzir um tweet, tenha certeza do que queres dizer/compartilhar. Muitos o ‘escutam’ e, principalmente, o avaliam profissionalmente por isso. Por isso, também, não sou favorável ao bloqueio do acesso ao que se escreve. Sou, antes, favorável a responsabilidade pela escrita.