Página do World Journalism Education Council
Você já conheceu o sítio do World Journalism Education Council? Trata-se de um conselho composto, inicialmente,  de 29 países que estão envolvidos em ensino de jornalismo e comunicação de massa, em âmbito universitário. 

Esse grupo criou um espaço de divulgação e aproximação entre as universidades dos cinco continentes,  proporcionando um "lugar comum" para os que ensinam jornalismo possam discutir questões que são universais no campo formativo.

O conselho mantém um cadastro de universidades pelo mundo que ofertam jornalismo. No início deste mês, o cadastro foi atualizado, sendo que o repositório conta com o cadastro de 2.348 universidades em todo o mundo que ofertam o ensino de jornalismo. O último censo aponta para os dados a seguir:

Census Results as of August 5, 2010
Continent Programs Percent
Africa 218 9.28%
Asia 645 27.47%
Europe 530 22.57%
North America 692 29.47%
Oceania 53 2.26%
South America 208 8.86%
Total 2,348 100.00%

O repositório permite ainda a pesquisa por regiões do mundo, por continente e por países. Outros detalhes como metodologia podem ser acessadas na página.  Faça um tour pelo sítio

Fotojornalismo: o fim de uma era?

Postado por Gilson Pôrto Jr. às 07:35 0 Comments

Foto: Paulo Miguens

Roy Greenslade, professor de jornalismo da City University (Londres) e ex-editor do Daily Mirror (1990-91), escreveu para o Guardian.co.uk um artigo intitulado "Photojournalism is dead - agency boss laments the passing of an era", onde aponta as observações feitas por Neil Burgess, ex-chefe da Network Photographers, sobre o fim do fotojornalismo.

Para Burgess, citado por Greenslade,
Devemos parar de falar sobre fotojornalistas completamente. Além de alguns 'velhos dinossauros', cujos contratos são tão longos e estão tão perto da aposentadoria, que é mais barato mantê-los, há poucos fotógrafos sendo financiados por organizações jornalísticas para atuarem como repórteres. Alguns são mantidos para fornecer "ilustração" e o trabalho visual decorativo, mas simplesmente não há jornalismo visual ou reportagem a ser apoiados por organizações de notícias. Sete fotógrafos baseados na Inglaterra ganharam prêmios na competição deste ano do World Press Photo e nenhum deles foi financiado por uma organização britânica de notícias. Mas este não é um problema apenas do Reino Unido. Observe o Time e a Newsweek, elas são uma piada... Mesmo elas, têm apenas alguns grandes nomes do fotojornalismo em seus cabeçalhos, mas quando foi a última vez que você viu uma foto de ensaio de algum significado nestas revistas?
Essa não é uma situação nova. Pelas bandas de cá, o fotojornalismo também parece não está sendo uma prática muito incentivada nos meios formativos. Concordo com Burgess que falta mais financiamento para a melhoria e ampliação do espaço laboral. Mas também, tenho de reconhecer a realidade "nua e crua" que ele mesmo transformou em indagação na reportagem de Greenslade: "[...] o que aconteceu com os caras que produzem histórias, que abordam questões ao invés de eventos? Jornais e revistas não querem empregá-los mais".

Triste constatação! O espaço laboral jornalístico mudou. Já não basta uma máquina na mão para se ter garantia de trabalho, nem mesmo uma boa foto, já que ser "freelancer" não enche barriga sempre. E aqui temos um genuíno problema: mas mudou para o quê? O que devemos esperar do futuro do fotojornalismo? Ele ainda "tem" futuro?

Foto: BBNews
Matt Ridley, ex-editor de ciência do The Economist (1984-1987), correspondente em Washington entre 1987-1989 e autor do livro “The Rational Optimist: How Prosperity Evolves” (sobre o livro, veja a entrevista), fez uma apresentação ao TED Talk sobre as idéias serem recombinadas, fundidas e estarem em constante mutação, ou como ele mesmo afirmou, "como as idéias fazem sexo".

Ridley é jornalista e doutor em Zoologia, o que o tornou familiar com termos ligados às ciências duras. Na apresentação, ele compara uma ponta de lança, tecnologia elaborada pelo homo erectus ao mouse, tecnologia do século XX. Em sua fala, destaca a "velocidade" de inovação da ponta de lança: "[...] a ponta de lança levou mais de 1 milhão a 1 milhão e meio de anos para mudar [...] o homo erectus fez a mesma ferramenta por mais de 30.000 gerações". Já o mouse, produto do século XX, "é obsoleto após cinco anos".

Obviamente, essas mutações são fruto da combinação de idéias, de uma tecnologia cumulativa. Para Ridley, "esse é o segredo para entender o que está acontecendo no mundo". E não pára aí: veja o vídeo, que está legendado em português, e perceba as idéias sobre recombinação e fusão, úteis na prática jornalística e nos processos formativos.





Robert Niles
Essa é uma pesquisa que dá o que falar. Robert Niles, que já foi editor Web, redator e repórter de vários jornais, incluindo o Los Angeles Times e o Herald-Times, convida os colegas a se perguntarem sobre que habilidades são necessárias para o chamado "sucesso profissional". 

No artigo intitulado "What skills do you need to succeed in your journalism career?", publicado no OJR: The Online Journalism Review, Niles relembra que antes da internet as habilidades dos jornalistas eram bem claras:
Uma geração atrás, as habilidades necessárias para um jornalista eram bem definidas. Se você estava indo trabalhar em uma redação de um jornal impresso, era necessário saber como redigir/escrever um relatório/notícia. Caso você fosse trabalhar em fotojornalismo, você precisava desenvolver ainda a fotografia e as habilidades de edição de fotos. Se fosse ser  cinegrafista precisava saber como filmar e editar vídeo. Se fosse telejornalista, seria necessário desenvolver a habilidade de falar no ar com confiança e autoridade.
Porém Niles reconhece que hoje é "necessário isso tudo e muito mais". É por isso que, nesse artigo, ele abriu o espaço para a participação em uma enquete que expressa quais as habilidades que os jornalistas já possuem e quais as que desejariam desenvolver. Veja, preliminarmente, como se manifestaram online os leitores, inclusive eu:


É interessante olhar as respostas e ver que os resultados não são tão distantes assim quanto se imagina. A amostragem é a mesma em ambas as respostas. Mesmo os que dominam uma determinada "área do saber" digital, concordam que "sempre" estão em processo de aprendizagem e, que novas competências e habilidades são diariamente incorporadas ao trabalho. 

Fronteira Estados Unidos/México
Quando se fala em fronteiras, a primeira imagem que talvez venha a mente é a de um "não-natural" ou imigrante tentando entrar em um espaço que é do "natural" ou cidadão. Pensa-se na vigilância, na proteção dos espaços e, óbvio, na punição do invasor. Mas que dizer das áreas formativas?

A comunicação é repleta de fronteiras formativas. O jornalismo, a editoração e, hoje, o web design são atividades laborais que se misturam no fazer jornalístico digital.  Os limites entre elas não são muito claras, já que quem produz notícia o pode fazer de várias formas. Tanto quem edita, quanto quem elabora os espaços noticiosos, são produtores de noticiabilidade, de uma maneira bem ampla.

 Já frisamos por aqui em outros momentos a necessidade da imersão do jornalista nas atividades que envolvem a internet e, nesse sentido, compreender quais as atividades/funções de cada área ajuda no entendimento de quais as competências que são ou mesmo podem ser partilhadas pelos profissionais.

Encontrei três vídeos simples, mas que expressam o posicionamento dos profissionais dessas áreas. Neles percebemos as competências formativas e as demandas necessárias.








Foto: sítio de Crystal Lauderdale
Essa não é uma questão lá muito fácil de responder. Os amigos mais próximos, que são jornalistas, diriam que não, mas se fossem falar para uma turma de graduação em jornalismo, teriam dificuldade de sustentar essa negativa. Principalmente porque "sustentamos" que faz diferença o processo formativo em uma bacharelado.

Sobre esse assunto nada simples, Crystal Lauderdale, jornalista graduada pela University of Southern California e hoje desenvolvendo atividades para a Video e Multimedia Product Manager e  para o New York Times Company, sustentou alguns argumentos, que nos dão pistas para pensar a formação em jornalismo.

Segundo o sítio Advancing The Story: Broadcast Journalism in a Multimedia World, Lauderdale defende que o espaço laboral em jornalismo mudou. "Antes de 2000, você precisava de uma grau acadêmico (título), experiência em um veículo de comunicação e, possivelmente, um estágio", afirmou Lauderdale. 

Mas os tempos agora são de multiplataforma e, com isso, os novos jornalistas precisam, segundo Lauderdale:
* A degree that covers all platforms
* Emphasis in 1-2 specific skill sets
* Experience with student media
* An internshp is essential
* Basic computer/Web publicaion skills
* Double major is a plus
* Entrepreneurial skills a plus
Esses "conselhos" já não são tão novos. Já comentamos em outros posts sobre essas necessidades, mas vale frisar: não é possível somente força de vontade para se exercer a atividade jornalística.

É preciso mais, ou como Lauderdale disse: "[...] é preciso uma capacidade técnica, uma experiência de estágio, 'clips' em um site de portfolio, um referêncial não-acadêmico e, amor em contar histórias". E aí, você concorda com ela?

Cena do curta L'autre
O curta L'autre foi o produzido por Clovis Gay, Tanya Aydostian e Alexandre Hérault para a EMCA 3D, da School of Animated Trades, em Angoulême, na França.

O curta retrata o potencial da imaginação humana, de superar as limitações físico-espaciais que vivenciamos e, por outro lado, mostra também o lado sombrio, presente em cada indivíduo. Luz e escuridão, bondade e maldade, consciência e inconsciência, são alguns pares antagônicos que vivenciamos nesse curta. Bom domingo.

L'autre _ the movie from Tanya Aydostian on Vimeo.


Como tratar a comunicação e o jornalismo em tempos de convergência? É possível pensar o jornalista digital como "artesão" da informação? Como tratar as informações partindo das mídias sociais?

Essas são algumas questões tratadas no novo livro disponível para download, intitulado Periodismo Digital en un paradigma de transición, organizado por Fernando Irigaray, professor de jornalismo da Universidade de Rosário, Dardo Ceballos e Matías Manna.

O livro é fruto do II Foro de Periodismo Digital de Rosário (Argentina) e traz reflexões bem interessantes sobre a prática jornalística. Boa leitura. 


Top 10 dos ataques mundiais
Um estudo sobre o estado da internet no primeiro trimestre de 2010, produzido pela Akamai, empresa especializada em detectar e melhorar a velocidade da rede mundial, apontou para os 10 países em que se registrou a origem dos ataques na rede. 

O Brasil ocupa o 5º lugar nesse ranking nada amistoso, com 6% dos ataques na rede. O estudo levou em conta o monitoramento de 198 países no primeiro trimestre de 2010 e os ataques provenientes desses. 

A Russia ocupa o primeiro lugar nessa estatística, com 12% dos ataques mundiais, seguido por Estados Unidos com 10%, China com 9,1% e Taiwan com 6,1%. No ano passado, tínhamos outro país da América do Sul, a Argentina. Porém as medidas de proteção, a tiraram do ranking dos 10 países que mais originam ataques na internet.