Chris Anderson e Michael Wolf escreveram um artigo de capa para a revista Wired que criou bastante polêmica. Trata-se do artigo "The Web Is Dead. Long Live the Internet", onde apontam que a WEB (World Wide Web) está em declínio. Esse declínio é, para os autores, fruto de uma gama de aplicativos que fazem o indivíduo passar longas horas na internet, mas não na WEB. A figura a seguir mostra esse movimento de declínio, segundo os autores:


 Para Anderson e Wolf, a "morte" não e o fim da Web:
“Sure, we’ll always have Web pages. We still have postcards and telegrams, don’t we? But the center of interactive media — increasingly, the center of gravity of all media — is moving to a post-HTML environment,” we promised nearly a decade and half ago. The examples of the time were a bit silly — a “3-D furry-muckers VR space” and “headlines sent to a pager” — but the point was altogether prescient: a glimpse of the machine-to-machine future that would be less about browsing and more about getting.
Trata-se de uma previsão funesta? Parece, mas outros jornais trataram de contrapor o artigo da Wired. Foi o caso do The New York Times, no artigo intitulado "Is the Web Dying? It Doesn’t Look That Way". Nesse, Nick Bilton, discorda de Anderson e Wolf. Para Bilton, o tráfego na Web tem aumentado, ao invés de diminuir. Para isso, utiliza o gráfico produzido por um relatório da Cisco, que aponta o crescimento:

O gráfico demonstra que, entre 1995 e 2006, o montante total do tráfego Web passou de cerca de 10 terabytes/mês para um milhão terabytes/mês. Bilton aponta que as indicações de Anderson e Wolf podem estar certos no que diz respeito ao crescimento do uso dos aplicativos, mas assevera que "a maioria dessas aplicações e sites da Web são tão interligados, que é difícil saber a diferença".

É cedo para dizer qual dos dois tem razão, ou mesmo se ambos estão certos ou equivocados. O que podemos afirmar é que a Web está sendo redefinida, sendo seus "usos" cada vez mais ressignificado, em face das tecnologias que eclodem diariamente. Vamos ver o que o futuro reserva para o mundo das notícias e o trabalho jornalístico.

Veja outros pontos de vista em:
Is the web really dead?
Wired Declares The Web Is Dead—Don’t Pull Out The Coffin Just Yet
When Wrong, Call Yourself Prescient Instead
The Web Isn’t Dead; It’s Just Continuing to Evolve

Uma divertida animação dirigida por Mike Klim, Stanley Moore, Dominic Pallotta e Mikey Sauls reforça e redefine um provérbio antigo: Um dia é do caçador, mas pode ser também da caça! 

É bom pensar, pelo menos na animação, que a cruel destruição do ecossistema pode se voltar contra quem o destrói!

Bom domingo.


dilla The Film from mikey sauls on Vimeo.


Recentemente recordei-me das idéias de Cornélius Castoriadis e das aulas que tive no mestrado sobre a tensão entre o "instituinte" e o "instituído". O "instituído" - aquilo que é determinado e regulatório, como no caso das "diretrizes" curriculares de um curso - e, o "instituinte", o desenvolvimento de práticas de formação, estão em permanente tensão. Esse tencionamento necessário e democrático, permite o desenvolvimento de diversas possibilidades no campo da formação.

Por que falar nisso? Porque ficar só no instituído (diretrizes) engessa os processos, já que o diálogo passa a ser susbtituído pela reprodução de práticas. A emancipação do indivíduo, tão necessária nos processos de formação, fica em segundo plano, se é que é exercitada.

Marcos regulatórios são importantes no processo de consolidação de uma área, como a de comunicação, mas não podem engessar os processos de criação do indivíduo (ou de grupos). Esse é um cuidado que o Congresso Nacional deveria atentar ao discutir as 633 sugestões que foram aprovadas na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) em 2009 e, que em breve, farão parte da pauta. Regular sim, aprisionar não! Que o marco regulatório seja um impulsionador de políticas públicas em comunicação e não um "leão travestido de gatinho", onde a simples menção de algo diferente seja motivo de repressão.

Evito entrar nesta seara, pois temos colegas mais aptos a discutir as relações entre política e comunicação, atendo-me as questões de ensino. Mas não posso ficar calado desta vez.

Algumas campanhas eleitorais estão perdendo o "rumo", se é que algum dia o tiveram! E aí entra m algumas questões que julgo importantes: quais os limites que a própria comunicação impõe a seus profissionais que durante os pleitos desenvolvem as campanhas? Devem existir limites? Devem ser éticos ou morais? Ou, por outro lado, devemos deixar a "liberdade" transformar-se em algo espúrio? Não tenho resposta a essas questões. 

Essas estão "pipocando" em minha cabeça depois de ver alguns dos vídeos da campanha de um candidato a deputado federal pelo estado de São Paulo. O candidato resolveu apelar, no pleno sentido da palavra, e lançou uma série de pequenos vídeos que mesclam erotismo, direitos sociais e, óbvio, a defesa de sua candidatura. Não sei se o candidato será eleito, mas que terá os "15 minutos" de fama assegurado, isso terá!

Eles estão disponiveis no You Tube, mas coloco a seguir um deles. A dica veio do blog Futepoca.



Para aqueles que trabalham com a temática, a programação do I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo, que ocorrerá de 26 a 27.08.2010 na UFSC, já encontra-se disponível. O seminário tem como tema "O Ensino de Jornalismo na Era da Convergência Tecnológica – Matrizes curriculares, planos de ensino e demandas profissionais”. Já indicamos por aqui os detalhes.

Nesse evento, apresentarei o trabalho intitulado "Brasil e Portugal: construindo uma perspectiva sobre a história dos processos formativos", que faz parte do processo de doutoramento que desenvolvo junto ao GJOL-UFBA, com o prof. Marcos Palacios. Entre outubro e dezembro/2010, estarei em terras lusitanas, fazendo um estágio junto ao prof. Antonio Fidalgo, da Universidade de Beira Interior, para aprimorar as pesquisas já realizadas. O trabalho apresentado, destacará alguns caminhos desenvolvidos.

Veja a programação a seguir dos trabalhos do I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo:

DIA 26/08/2010
8:00 ‐ Abertura
8:30 às 8:50 – Ensino de Jornalismo em Brasil e Portugal – Gilson Porto UNITINS/UFBA

8:50 às 9:10 – Ensino de Jornalismo Digital: prático ou teórico – Alvaro Laranjeira, Claudia Quadros e Kati Caetano ‐ UTP/PR

9:10 às 9:30 – Três metodologia s ancoradas na prática convencional – O ensino de Jornalismo digital nos cursos da Grande Florianópolis – Elias Machado, Gian Kojikovski, Juliana Teixeira, Leonardo Silva e Tattiana Teixeira, UFSC

10:00 às 10:30 – Intervalo para café

10:30 às 10:50 – O ensino de jornalismo nos tempos da convergência digital – Diretrizes para ação – Alice Mitika Koshiama, USP

10:50 às 11:10 – O ensino de ciberjornalismo: estudo comparativo nos cursos de Jornalismo do Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul – Gerson Martins (UFSM)

11: 10 às 11:30 – O Desafio do ensino de telejornalismo em duas regiões do interior do Rio Grande do Sul, Cárlida Emerim, UNIPAMPA

11:30 às 12:00 ‐ Discussão dos trabalhos apresentados

12:00 às 14 h – Intervalo para almoço

TARDE
14:00 às 14:20 – Jornalismo amoroso. Quem quer (a)provar? Reflexões sobre a aplicação de práticas pedagógicas amorosas na formação e no cotidiano do jornalista – Maria Luiza Cardinale Baptista (ULBRA)

14:20 às 14:40 – Um dispositivo analítico para o ensino de jornalismo: uma abordagem das condições de produção do texto de jornalismo científico – Ricardo Henrique Almeida Dias e Maria José P.M. de Almeida

14:40 às 15:10 – Ensino de Jornalismo e novas tecnologias – a experiência da UFPR – Toni Scharlau (UFPR)

15:10 às 15:40 – Discussão dos trabalhos

15:40 às 16:10 – Intervalo para Café

16:10 às 16:20 ‐ Uso de Plataformas analógicas e digitais na prática de jornalismo‐laboratório – Demétrio Soster (UNISC)

16:20 às 16:40 – Digitalização e convergência na produção laboratorial no curso de Jornalismo
Luciana Gomes Ferreira

16:40 às 17:00 – Discussão do Trabalhos

17:00 às 18:00 – Avaliação dos trabalhos e propostas de cooperação

Mascotes dos jogos
Achei essa animação sobre os Jogos de Inverno de Vancouver - 2010 uma produção bastante interessante. Apesar dos jogos terem ocorrido em fevereiro último, a produção visual em torno dele continua atual. A página oficial traz alguns atrativos que vale a visita.

É o caso da animação a seguir. Com uma pequena história, diversas modalidades dos jogos são apresentadas. Ele foi produzido pela BBC Sport. Aproveite o domingo!




Etiquetas criadas por Tom Scott
Tom Scott é um comediante britânico com muita criatividade e também perspicácia. Em seu sítio, Scott escreveu um post intitulado "Journalism Warning Labels", onde critica de forma aberta práticas jornalísticas muito utilizadas em várias partes do mundo, não apenas no Reino Unido.

Com criatividade e uma dose extra de sarcasmo, Scott criou etiquetas que apontam para práticas jornalística questionáveis e, que muitas vezes, são passadas na mídia impressa como uma "notícia quente", fidedigna e verificável. As etiquetas trazem mensagens do tipo: "Cuidado, este artigo foi plagiado de outra fonte de notícias", "Cuidado, o jornalista não compreende o conteúdo que está escrevendo" ou "Cuidado, as fontes não foram verificadas". Ele sai pelas ruas colocando esses adesivos em diversas notícias de jornais gratuitos  e, garante em seu sítio, que "isso é feito sem caluniar um jornal específico", já que ele o faz a esmo, para gerar humor.

Veja algumas etiquetas a seguir e se quise, faça o download para imprimir (caso precise): 



Pois é, as redes sociais ganham espaço a cada segundo e, não precisa muito esforço para provar isso. Foi o que o Ethan Bloch do sítio Flowtown fez.

Resolveu produzir um "mapa mundi" onde as redes sociais representassem seus milhões de "seguidores". Independente das contestações estatísticas, a "obra de arte" ficou interessante e reveladora: é inegável o crescimento do Facebook, do Twitter e de outras redes que, pouco a pouco, ganham espaço entre jovens e adultos. Durante essa década precisaremos discutir seriamente o papel destas mídias nos processos formativos, já que elas já estão povoando as conversas e as práticas de muitos professores, além dos profissionais.

Veja o novo mapa. Será que pega?

Fonte: Graco Medeiros
Uma discussão interessante que está rolando no momento no meio jornalístico é o caso  WikiLeaks que divulgou grandes volumes de documentos inéditos e secretos. 

O problema que surgiu com essa grande quantidade de fontes inéditas, como um verdadeiro Tsunami,  foi o que fazer com elas. Parece brincadeira: o que um jornalista faz com uma fonte inédita que possibilite um "furo"? Ele pesquisa, confere os dados (uma, duas ou mais vezes), entrevista outros, cria argumentos e conexões e, publica. Simples assim!

É, mas quando a enxurada de fontes veio por meio do WikiLeaks a situação não foi de "euforia jornalística" com o novo, mas sim uma situação de "congelamento". Explico melhor: os jornais ficaram tão entupidos de possibilidades que não sabiam o que fazer com tanta notícia quente. Foram milhares de relatório, todos a serem averiguados, milhares de dados a serem conferidos e milhões de possíveis conexões a serem estabelecidas. Resultado? Quase-inércia. O novo, isto é, a liberação massiva de dados, pegou a imprensa em uma situação que nunca haviam vivenciado.

Martin Moore, diretor do Media Standards Trust, em um artigo para o Idea Lab, chegou a brincar em um post afirmando que "em breve, todas as organizações de notícias, terão um bunker "próprio" - uma sala escura, onde um grupo escolhido à dedo entre os repórteres, estarão recolhidos com seus cartões de memória, laptops com dados recém-abertos, algumas pizzas velhas e muito café". Parece brincadeira? Achei quando li o primeiro parágrafo, mas ele cita o caso do U.K.'s Daily Telegraph, que fez isso com "meia dúzia de jornalistas em uma sala durante nove dias, com cerca de 4 milhões de registros de gastos dos políticos".  E aponta que o mesmo está sendo feito pelo The Guardian, o The New York Times e o Der Spiegel com Julian Assange do WikiLeaks.

Moore apresentou cinco questões importantes para os jornais e jornalistas pensarem quando a enxurada de dados/fontes começarem, já que o assunto também cai na discussão da ética:
1. Como podemos aproveitar a inteligência do público para gerar uma longa lista de matérias?
2. Como podemos torná-las pessoais?
3. Como podemos usar os dados para aumentar a credibilidade das matérias?
4. Como filtramos os dados (e decidimos o que se publicar ou não) da melhor forma e o mais rapidamente possível?
5. Como podemos nos assegurar de que, no futuro, pessoas e organizações dispostas a "vazar" grandes volumes de informação entreguem esses dados para nós?
Estão aqui questões que gostaria de ver a resposta. Com a palavra os editores....