Foto: Gazeta Online
Já falamos do relatório "Annual Survey of Journalism & Mass Communication Graduates", produzido pelo James M. Cox Jr. Center for International Mass Communication Training and Research da Universidade da Geórgia em dois outros posts, mas não podia deixar de lado uma parte mais qualitativa do relatório.

Ela é formada pelas falas dos atores (os alunos/egressos/formados). Essas falas expõem necessidades formativas que todo acadêmico deveria encarar como "conselhos" de quem já passou pelo processo e que já enfrenta a "batalha" do emprego. Extrai as idéias das falas que estão nas páginas 25 a 27 do relatório. Vamos a elas:

1. Certifique-se de aproveitar bem as oportunidades formativas, reforçando suas habilidades;
2. Procure participar de redes que são criadas dentro dos espaços formativos, crie relações profissionais com seus professores, que poderão recomendá-lo para atividades profissionais no futuro;
3. Esteja aberto a todas as oportunidades: façam estágios o máximo possível, seja freelancer, crie redes, isso vai habilitá-lo para o mundo do trabalho;
4. Tenha um plano B para se estabelecer em campos competitivos de trabalho;
5. Persiga um nivel de formação maior do que tem hoje (um mestrado, por exemplo). Isso tornará suas competências profissionais mais claras; 
6. Mantenha um alto nível profissional: crie redes sociais com profissionais e não tenha medo de se relacionar com eles;
7. Publique em tantas mídias quanto possível para mostrar aos potenciais empregadores suas competências (aprenda a "vender-se");
8. Tente emprego em todo lugar, mesmo onde você ache que não está no nível da empresa: nunca se sabe, se não tentar!
9. Esteja preparado para trabalhar em qualquer função. Peça orientação, mas tenha iniciativa;
10. Desenvolva habilidades e competências que possam ser usadas em várias profissões/áreas. Seja flexível e otimista, sem perder de foco seus objetivos; 
11. Tenha certeza de que a escolha profissional pelo jornalismo é o que você realmente quer;
12. A comunicação é um campo versátil, permitindo a inserção em muitas áreas/profissões. Veja isso como uma "bênção"  e não como um limitador.

Foto: Nasa
O World Journalism Education Council estabeleceu uma declaração de princípios que  são  de importância e atenção quanto aos processos formativos em jornalismo.

Segundo o conselho, 11 princípios devem nortear os processos de formação em âmbito mundial. No preâmbulo dos princípios, as 23 entidades internacionais que assinam o documento, apontam que o jornalismo tem como finalidade servir ao público e, dessa forma, devem "[...] dominar um corpo cada vez mais complexo de conhecimentos e habilidades especializadas [...]", mas, como destaca, "[...] acima de tudo, o jornalista deve ser responsável por desenvolver um compromisso ético [...] este compromisso deve incluir uma compreensão e profundo apreço pelo papel que o jornalismo desempenha na formação, valorização e perpetuação de uma sociedade informada". 

São esses os 11 princípios:
1. No coração da educação em jornalismo deve haver um equilíbrio entre o conteúdo conceitual, filosófico e, baseado em competências. Embora seja também interdisciplinar, o ensino do jornalismo é um campo acadêmico com espaço próprio, com um corpo distinto de conhecimento e teoria.
2. O jornalismo é um campo adequado para estudos universitários de graduação à pós-graduação. Os programas de formação jornalísticos devem oferecer uma gama completa de graus acadêmicos, incluindo bacharelados, mestrados e doutorados, assim como certificações, especializações e treinamentos de carreira.
3. Os educadores em jornalismo devem ser uma mistura de acadêmicos e profissionais, sendo importante que os educadores tenham experiência em trabalhar como jornalistas.
4. Os currículos de Jornalismo devem inclui uma variedade de cursos e competências, tais como o estudo da ética no jornalismo, história, estruturas midiáticas/instituições a nível nacional e internacional, análise crítica da mídia e do jornalismo como uma profissão. Devem incluir, ainda nos cursos,o papel social, político e cultural dos meios de comunicação na sociedade e, às vezes, incluir cursos sobre como lidar com os meios de gestão e economia. Em alguns países, o ensino do jornalismo inclui campos como relações públicas, publicidade, produção e difusão.
5. Os educadores em jornalismo têm uma missão importante de sensibilização para promover a compreensão midiática do público em geral e, dentro de suas instituições acadêmicas, especificamente.
6. Os graduados em programas de jornalismo devem estar preparados para trabalhar com a informação, fortemente empenhados profissionalmente, tendo elevados princípios éticos e, capazes de cumprir as obrigações de interesse público que são fundamentais para seu trabalho.
7. A maioria dos programas de graduação e muitos mestres do jornalismo tem uma forte orientação profissional. Nestes programas de aprendizagem profissional/vivencial, devem ser prestados em laboratórios, em salas de aula e estágios em local de trabalho, sendo isso um componente chave.
8. Os educadores em jornalismo devem manter fortes ligações com as indústrias de mídia. Eles devem refletir criticamente sobre as práticas da indústria e oferecer aconselhamento e reflexão para a indústria.
9. O jornalismo é um campo tecnologicamente intenso. Profissionais terão de dominar uma variedade de ferramentas baseadas em computador. Sempre que possível, o ensino do jornalismo fornecerá uma orientação para essas ferramentas.
10. O jornalismo é um esforço global, estudantes de jornalismo devem saber que, apesar das diferenças políticas e culturais, esses compartilham valores e objetivos profissionais com seus pares em outras nações. Sempre que possível, o ensino do jornalismo proporcionará aos alunos a experiência, em primeira-mão, da maneira que o jornalismo é praticado em outras nações.
11. Os educadores em jornalismo têm a obrigação de colaborar com os colegas no mundo inteiro para prestar assistência e apoio, para que o ensino de jornalismo possa ganhar força como uma disciplina acadêmica e, desempenhar um papel mais eficaz em ajudar o jornalismo para alcançar seu pleno potencial.
Esses princípios não são novidade, mas reforçam o que outros países devem ter como metas ao estabelecerem suas estruturas curriculares e proporem competências e habilidades formativas.  Muitos desses princípios já figuram entre os elementos norteadores das Diretrizes Curriculares Nacionais e das competências previstas aos egressos em jornalismo e comunicação social. Mas não custa frisar que o ensino de jornalismo ainda precisar ter mais espaço e acreditação. 

Outro ponto do relatório "Annual Survey of Journalism & Mass Communication Graduates", produzido pelo James M. Cox Jr. Center for International Mass Communication Training and Research da Universidade da Geórgia, sobre o ano de 2009, é a questão dos salários.

Muitos imaginam salários milionários para quem está desenvolvendo atividades em países "desenvolvidos", como é o caso dos Estados Unidos. A pesquisa revelou algo nada animador sobre os salários. Veja o gráfico 35:


Os salários, em 2009, ficaram muito próximos à média dos 30 mil dólares. Em 2007, os salários maiores eram pagos aos formados que desenvolviam atividades na web, um pouco mais de 37 mil dólares. Na pesquisa de 2009, como visto no gráfico 35, esse valor diminuiu para um pouco mais do que 31 mil dólares. Ainda comparando a pesquisa de 2007 do Cox, os salários para formados que exerciam as atividades no rádio era de cerca de 25 mil dólares e, em 2009, esse valor passou para 29 mil dólares.

É bom comparar as pesquisas, pois revelam o movimento do mercado de trabalho. Formados/egressos estão procurando melhores colocações, assim como ocorre em outros países. Os empregos relacionados a Web tendem a estabilizar, na medida em que, novos formados consigam superar as deficiências formativas e, uma massa de reserva, se forme para a área, assim como acontece com as mídias mais tradicionais, onde os salários praticamente não mudaram, desde 2007, segundos os dados da pesquisa.

Se você pensava em procurar trabalho no hemisfério norte é bom repensar. O mercado de lá está em baixa para os jornalistas.

Cena do curta 35mm
Recebi a indicação de um video bem interessante por meio da Renata Deformes (@hellorenats). Trata-se do curta de 35mm que apresenta 35 filmes em 2 minutos.

A experiência é bem legal, apesar de alguns filmes não serem facilmente detectados (isso é o que torna a vivência única!). Experimente.

O conceito e o Layout são de Sarah Biermann, Torsten Strer, Felix Meyer e Pascal Monaco, com animação de Felix Meyer e Pascal Monaco e o som de Torsten Strer.
Bom domingo!


35mm from Pascal Monaco on Vimeo.

The Cox Center
Essa é a triste constatação que o relatório "Annual Survey of Journalism & Mass Communication Graduates", produzido pelo James M. Cox Jr. Center for International Mass Communication Training and Research da Universidade da Geórgia, chegou sobre o ano de 2009.

Segundo o relatório anual, apenas 55,5% dos profissionais formados em jornalismo e comunicação a partir de 2009 conseguiram encontrar emprego. Essa é uma situação bem preocupante para os recém-graduados, já que esses índices não eram registrados desde 1986. Mas o relatório ainda aponta que:
  • Os formandos que receberam pelo menos uma oferta de emprego quando terminassem seus estudos, diminuiu 10% em relação à 2008;
  • Apenas 46,2% dos graduados conseguiram um trabalho até 31.10.2009. Isso significou uma redução de 10% em relação ao mesmo período em 2008; 
  • O nível de emprego de tempo parcial também  bateu o recorde em relação à 2008, assim como o número de alunos que preferiram não ir para o mercado de trabalho;
  • Os salários médios dos formados ficaram na faixa dos US$ 30 mil, a mesma dos últimos 3 anos; 
  • Quatro em cada dez egressos afirmaram que havia habilidades que eram exigidos pelo mercado e que eles não haviam adquirido na formação, principalmente os de cunho tecnológico. 
Quanto a essa última parte, a da descoberta da falta de certas competências e habilidades, o gráfico 54 da pesquisa aponta algo curioso e bem próximo do que vivenciamos pela "bandas de cá":


Não é novidade os egressos afirmarem que a "universidade" não "os preparou para...". Já ouvi isso várias vezes (na graduação e até na Pós-graduação). Esse é um discurso recorrente durante os processos formativos. É legal ver na pesquisa que, os egressos percebem, pena que bem depois, quando o "leite já está derramado", que a universidade/curso deve preparar não apenas no quesito técnica/tecnológico, mas também com uma visão do mundo do trabalho, da competitividade e até para o desemprego!

Arara Azul. Foto: Alvaro Luiz Apolônio
Em minha ingenuidade, achei durante muito tempo que criar uma reserva, seja indígena, seja florestal ou mesmo um parque ecológico, era sinônimo de preservação na natureza (fauna e flora). Grande engano!

Ontem, na II Feira Internacional de Artesanato (Mundial Art), que acontece até o próximo dia 08 em Palmas (TO), me deparei com uma situação. O evento reúne a arte e a cultura do Brasil, da República Tcheca, do Peru, da Bolívia, do Equador, do Paquistão, do Quênia, da África do Sul, da Índia, do Nepal, da Turquia, da Grécia, do Egito, do Marrocos e de Cuba. Uma verdadeira Babel!

Passeando com minha esposa e aprecisando as diversas culturas e produções, encontrei um estande Pataxó. Fiquei encantado com a produção de artefatos e utensílios de madeira de primeira, mogno legítimo!. E aí comecei a pensar "cá com meus botões": de onde vem essa madeira? Tudo bem, você dirá: "Ah, eles podem tirar algumas árvores para produzir subsistência...". Tudo bem até aí.

Foto: Espaço Livre
Mas fiquei fascinado mesmo, foi com um cocar feito de penas. Belo ornamento, em um azul cintilante e estonteante. Novamente em minha ingenuidade, perguntei ao índio pataxó, todo ornamentado, se as penas eram sintéticas. A respostas foi curta e grossa: "Não, são de arara mesmo". E ainda perguntei de novo: "De arara azul mesmo? Originais?", para ouvir um outro sim. Fiquei me perguntando quantas araras deixaram de viver por causa daquele colar?

Mas vamos ao que interessa. Está aí, sem rodeios e de forma clara: a arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) está na lista de animais em extinção desde 2003 no Apêndice 1 do CITES (Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção) e vulnerável de acordo com a IUCN (União Mundial para a Conservação da Natureza). 

E isso fica como? Como preservar, se o "preservado", que internacionalmente grita pela proteção às áreas, também destrói? E quanto era o belo cocar? O preço estava em R$ 1.000,00 (mil reais), sem desconto e à vista! 

Foto: Projeto "World Intelligence HQs
Li a pouco uma notícia do jornal português I-Online, intitulado "As sedes das agências secretas num só mapa.Obra de portugues", que trazia o recente feito de três jovens portugueses: mapear as agências secretas pelo mundo. O nome do projeto é:  "World Intelligence HQs.

Pode parecer coisa de filme de 007, mas é bem real: usando o Google Maps e as informações públicas existentes nos vários países, Ana Paula Coimbra, Yannick Carvalho e André de Borges criaram um mapa onde estão assinaladas 180 agências secretas de dezenas de países, entre elas a CIA (Estados Unidos), a Mossad (Israel), o MI6 (Reino Unido) e a SIED (Portugal). Também lá estão outros menos conhecidos: a Vevak (Irã), a KGB (Bielorrusso), a CIO (Zimbabué) e a ABIN (Brasil).

Segundo o jornal,
Nenhum dos três elementos tem ligações a agências de informações e, aparentemente, não mostram desejo de trabalhar para elas - para já. Este guia Michelin da espionagem já mereceu a atenção do "Washington Post" e de vários profissionais da área, especialmente dos Estados Unidos e do Reino Unido. Mas nenhuma secreta tocou à campainha de Ana Coimbra. "Duvido muito que sejamos contactados. E se formos, caso seja um serviço estrangeiro, informaremos as autoridades nacionais." Ao trabalhar no mapa, nenhum dos três alguma vez pensou estar a meter--se em problemas. A verdade é que as informações recolhidas pelos jovens portugueses podem ser usadas por grupos com fins menos lícitos. "Tivemos esse receio. Mas, repare, a informação que disponibilizamos é de fonte aberta."
 É, temos agora mais uma fonte de pesquisa na rede. Até o que parecia muito oculto, está agora um pouco mais claro e disponível. É a rede encurtando os espaços! Ficou curioso? Então veja o mapa a seguir e faça as suas pesquisas:


View World Intelligence HQ's in a larger map


Rogério Christofoletti, professor da UFSC, informa em seu blog, o Monitorando, que está aberto o período de recebimento de artigos para a revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do PosJor/UFSC

O tema desta edição é "Jornalismo e Políticas Públicas”, sendo o número disponibilizado até dezembro/2010. Veja a ementa no sítio do Monitorando.
Importante:
Prazo para submissão: 20 de setembro de 2010
Site da revista: http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/index
Requisitos de apresentação de originais
: aqui

Fonte: Aula Magna
A pauta de boa parte das empresas jornalísticas tem sido a inovação. De fato, a "crise mundial", que parece ter afetado uma parcela dos veículos noticiosos, tem levado certas empresas do ramo jornalístico a rever seus processos e repensar as formas de se fazer notícia e seu modelo de negócios. 

Mas, assim como ocorre em outras áreas do conhecimento, inovar ou renovar os processos, é algo que não ocorre no isolamento da área. Não é de hoje que a idéia de "construir junto" se aplica muito bem aos jornais e a prática do jornalismo.

Interdisciplinarmente, ou melhor, transdisciplinarmente as áreas do conhecimento podem e devem agregar valor a construção de novas formas de se sair da 'aclamada' crise. É essa renovação, com redefinição das formas de atuar e gerenciar a produção de notícias, que muitos especialistas tem problematizado.

Recentemente alguns estudiosos de várias áreas do conhecimento, entre eles Carlos Scolari, Mário Perez-Montoro e Mar Carnet gravaram suas "visões" pessoais e teóricas do que vem a ser inovação e, possivelmente quais caminhos a seguir. Algumas são bem esclarecedores e dão pistas para se pensar a inovação. Veja a seguir: