Estamos no 69º aniversário do lançamento do filme The Great Dictator (O Grande Ditador), dirigido e estrelado por Charles Chaplin. Quando foi lançado em 15 de outubro de 1940, essa sátira aos regimes ditatoriais, sobretudo o nazismo e o fascismo, foi confundido como um apelo "meio socialista", devido ao discurso pró-direitos humanos.
Uma cena muito lembrada é a da sala de decisão e da vontade megalomaníaca de dominação. Veja.


De qualquer forma, o filme retrata a situação na distante nação de Tomânia, que vive a realidade da tirania. O discurso final feito por Chaplin dá uma lição de democracia (pelo menos para a época).


Vou dar uma colher de chá: O discurso está a seguir, disponível na wikipedia.

"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!" ( segue o estrondoso aplauso da multidão ).

Na contramão desse discurso inflamado, está a sátira feita ao então presidente americano George Bush, que apesar da "leveza", não chega nem perto da graça de Chaplin na cena! É interessante que, a medida em que ele "flutua", as notícias na parte debaixo do vídeo apontam para ações terroristas de Bin Laden, atentados e mortes por homens-bomba... Realmente "tá tudo dominado".


Desde que a reportagem Le Corps Incarcéré saiu no Le Monde no dia 22.06.2009 que tento fazer um post sobre a sensação que tive com a exposição montada. Ela foi realizada por Bernard Monasterolo e Karin Elhadj, com fotos de Léo Ridet.


Trata-se de uma reportagem especial de quase 15 minutos, que utilizando fotografias e entrevistas, foi montada a partir da vida de quatro privados de liberdade (Hugo, Hafed, Hélène e Djemel) em cinco eixos de análise/exposição:

1. O corpo escavado (Le corps fouillé)

2. O corpo do outro (Le corps de l'autre)

3. O corpo doente (Le corps malade)

4. O corpo reencontrado (Le corps retrouvé)

5. O corpo libertado (Le corps libérè)


A medida em que cada um desses aspectos é aprofundado pela vida de um dos quatro personagens, a reportagem especial ganha força com três entrevistas: a primeira, com o sociólogo Arnaud Gaillard que fala sobre a sexualidade dentro da prisão; a segunda com o sociólogo Laurent Gras que fala sobre a prática desportiva dentro dos espaços prisionais e, a terceira, com a psiquiatra Christiane Beaurepaire, que publicou agora em 2009 um livro sobre a psiquiatria na prisão.


Algumas coisas surgem nessa reportagem que acho importante pontuar: o conteúdo é típico de uma montagem em torno de histórias de vida e, portanto, rica em detalhes; a fotografia é bem feita, com detalhes de situações somente comuns a quem está dentro do espaço prisional, tais como cela, grades, roupas íntimas, micro-ambientes, etc. Esse 'partilhamento' de um um 'espaço comum', mas não comum a quem não está privado de liberdade, em primeiro momento, tende a chocar. É claro que o conjunto de fotografias escolhidas para o vídeo acabam diminuindo o impacto (para ser bem impactante, basta pegar algumas dos presídios aqui do Brasil). A sonoridade da reportagem também é interessante: os primeiros ruídos são de 'vozes disformes', sem uma sonoridade distinta e de chaves batendo. Depois se intercala com falas e fotos dos personagens. Bem, essas são algumas impressões iniciais. Convido você a tê-las também!


Caso queira aprofundar seu conhecimento sobre a temática, sugiro uma visita ao site da Senát, sobre Les conditions de détention dans les établissements pénitentiaires en France e a cronologia das políticas públicas da política penitenciária na França.


Um visita aos sites a seguir também esclarecem muito:

Comité européen pour la prévention de la torture http://www.cpt.coe.int/fr/default.htm/
Commission nationale de déontologie de la sécurité http://www.cnds.fr/
Cour européenne des droits de l’Homme http://www.echr.coe.int/

Ecole d’administration pénitentiaire http://www.enap.justice.fr/


O Anima Mundi, em cada edição, tem superado as expectativas, não apenas numéricas, mas, principalmente, qualitativas. Os filmes da mostra principal e das categorias web e celular estão muito atraentes e com mensagens abrangentes.
Retomando o que havia dito anteriormente em outro post (e fazendo propaganda dos curtas), já escolhi dois filmes interessantes, que estão na onda "ecológica": o primeiro é o filme Cidadão de Papelão, de Ivan Mota que retrata "onde o carroceiro que recolhe sucata nas ruas se encaixa em nossa sociedade?" e, o segundo, Gota de Chuva, de Fernando Corvisier de Abreu, mostra um jovem Yanomami e um mico-leão dourado tentando entender a destruição da floresta amazônica pelo homem branco.
Assim como em anos anteriores, o Anima Mundi 2009 vai dar o que falar. Foi assim com a edição passada. Tomemos o caso do vencedor de 2008, o curta L'Animateur (The Animator). Esse curta gerou bastante polêmica, principalmente entre os religiosos mais radicais e/ou menos esclarecidos. Veja o vídeo:




Não quero retomar os embates que foram feitos de que houve ridicularização da figura divina com o vídeo, mas pensar um pouco na irreverência francesa dessa produção. Não é de hoje que, marcadamente nesse canto europeu, a irreverência surgiu. Ao assistir ao vídeo lembrei de François Rabelais, sacerdote francês do século XVI, que ficou marcado pela peças irreverentes que escreveu em seu tempo. Rabelais partiu da imaginação popular, própria do espírito medievo, da estrutura narrativa existente em seu tempo e da própria riqueza vocabular para "popularizar" problemas mais decadentes do seu tempo, como a vivência religiosa, a justiça ou as guerras.

Um dos livros que li sobre ele foi produzido por Mikhail Bakhtin intitulado "A Cultura popular na Idade Media e no Renascimento: o contexto de François Rabelais". Lembro-me que, no primeiro contato, causou-me estranheza a linguagem "meio" tola (para não dizer decadente), utilizada por Rabelais. Depois de ler o livro e discutir com colegas de faculdade do curso de História (com especialização em história medieval), compreendi que "essa marca" era uma forma de aproximação do sacro com o populesco, do puro com o impuro, do intocavelmente sagrado com o mundano ou em palavras mais pedagógicas: uma forma de fazer o povão entender o que a cultura dominante queria dizer.

Por que essa volta? Por que penso que o caso do filme L'Animateur (The Animator) possa ser visto nesse sentido: uma forma de aproximar uma temática complexa e cheia de disputas dogmáticas sobre "quem?", "quando?", "como?", em simplesmente, "foi feito", independente de "quem?", "quando?" e, mais complexo, "por que?" (deixo aqui para os colegas da filosofia continuarem a conversa...)

Quanto aos trajes e adereços utilizados pelo(s) autor(es) do curta, deixo a liberdade desses alçar vôo. Não diminui o que acredito e nem o que foi produzido.

Não há como não se emocionar com a aventura visual proporcionada por Yann Arthus-Bertrand.
O acervo de 2126 fotos gratuitas, fruto do documentário HOME, é uma conquista mundial. Primeiro pela iniciativa de disponibilizar o patrimônio coletivo visual realmente para o coletivo, sem ônus e, segundo, pela própria beleza de fotos e ângulos quase inéditos (em alguns até mesmo inéditos).
Aqui cabe uma pequena ressalva: sei que colegas vão querer me matar por falar em algo "inédito", mas penso que a sensação que temos com o visual-fotográfico, apesar de talvez não o ser esteticamente devido as técnicas, sempre é uma sensação cognitiva nova, daí inédita (aqui estou sendo mais pedagogo do que jornalista, pois John Dewey, filósofo e pedagogo do final do século XIX, defendia que cada experiência vivencial é única, ímpar!).
Outra conquista desse projeto: além da imagem que é um show a cada "clic", há também a possibilidade de se acessar os dados mais técnicos. Na foto do Corcovado, no Rio de Janeiro, por exemplo, temos informações no site sobre latitude/longitude 22°57’ S - 43°12’ W em que a foto foi feita; imagens de satélite do local e outras fotos (que são enviadas em diversos formatos para e-mail), dentre outras possibilidades que você encontrar ao passear pelo site.
Importante e, não exagerado, Yann Arthus-Bertrand em cada foto deixa claro uma mensagem básica de que nenhuma imagem pode ser utilizada para uma campanha publicitária ou relativa à promoção sem acordo prévio com ele e, algo bem expressivo e que já esperava ver em algum lugar: qualquer utilização relativa à promoção ou campanha publicitária das imagens é reservada exclusivamente às sociedades ou organismos protetores do ambiente!



HOME, filme de Yann Arthus-Bertrand

Postado por Gilson Pôrto Jr. às 10:21 0 Comments

Em junho deste ano, em comemoração ao dia do meio ambiente, foi lançado o filme HOME, de autoria do Yann Arthus-Bertrand. Trata-se de uma belíssima "construção artística" de paisagens aéreas do mundo inteiro.
O objetivo do filme é sensibilizar a opinião pública mundial sobre a necessidade de alterar modos e hábitos de vida a fim de evitar uma catástrofe ecológica planetária. É um discurso já realizado a anos, mas as imagens dão um peso a mais ao argumento, apesar de contestável.
Também, é disponibilizado pelo autor as fotos aéreas utilizadas no filme, como a que reproduzimos aqui da Natural Reserve os Scandola - Corsica of the South. São ao todo 2126 fotos disponíveis no site. Acesse aqui.
A seguir, o trailer do filme. Porém, se desejar ver o filme inteiro, ele está disponível em português de Portugal e em inglês com legendas em inglês.






O 17º Festival Internacional de Animação do Brasil já começou! O Anima Mundi foi iniciado em 1993 e tornou-se o maior da América Latina no gênero. Durante o festival são exibidos curtas, médias e longas-metragens, seriados e comerciais.
As linguagens de narração e as técnicas são as mais variadas, havendo categorias específicas para web e celular. Falando em web e celular, você pode participar como Cyber-Júri. Como é composto? O Cyber-Júri é um júri, formado pelo público cadastrado on-line no site ANIMA MUNDI, que votará nas animações finalistas exibidas no site do concurso e atribuirá o Prêmio Popular.
Todas as pessoas que queiram participar do Cyber-Júri podem cadastrar-se no site de ANIMA MUNDI desde que disponham de um endereço de correio eletrônico válido. Para isso, deverá ler o regulamento para votar nas produções via web e via celular.
Já escolhi dois filmes interessantes, que estão na onda "ecológica": o primeiro é o filme Cidadão de Papelão, de Ivan Mota que retrata "onde o carroceiro que recolhe sucata nas ruas se encaixa em nossa sociedade?" e, o segundo, Gota de Chuva, de Fernando Corvisier de Abreu, mostra um jovem Yanomami e um mico-leão dourado tentando entender a destruição da floresta amazônica pelo homem branco.
Participe!

A Rede Interatores disponibilizou para download o novo livro de Chris Anderson intitulado "Free: The future of a radical price".

No livro, Anderson fala do advento da desmonetarização de diversos espaços/campos, que desencadeou o inflamento da internet como espaço do "free". A idéia parece interessante, mas a fundamentação do livro parece apresentar alguns problemas.
Ele está no meio de um verdadeiro turbilhão de críticas, por ser suspeito de plágio. As críticas começaram em junho desse ano com a reportagem de Waldo Jaquith no The Virginia Quaterly Review, que apontava para trechos do livros que haviam sido copiados sem crédito da Wikipedia. Depois veio a reportagem do Los Angeles Times que apontava o "aparente" plágio.
Chris Anderson desculpou-se apontando como "erro de edição", sendo revisto para a segunda edição essas correções.
De qualquer forma, o tempo dirá e os leitores apontarão, se há realmente plágio, já que indicar referências não necessariamente garante a não prática do "colar" idéias.


Hoje estava "meio" livre - se é que existe a noção de metade de tempo livre, ou melhor, de ócio! - e passeava sem muita obrigação por sites da internet. Encontrei meio por acaso o site do Walter Longo (já postei antes sobre ele), e uma reflexão que me chamou muita atenção.

Tratava-se de uma opinião intitulada "Silêncio, estamos em reunião!". Esse título causou-me estranheza. Na sinopse do podcast, Longo afirmava: "As reuniões, apesar de importantes, têm se tornado uma praga dentro das organizações. Data-shows, frases prontas e a obsessão pelo consenso substituem a coragem competitiva e a responsabilidade individual, emperrando tomadas de decisões importantes e a agilidade na busca por novos negócios".

Parei e resolvi escutar. Faça o mesmo! O podcast está em: Silêncio, estamos em reunião.

Achei tremendamente elucidativo, pois é isso que vivenciei quando trabalhei em órgãos públicos, onde diariamente temos uma agenda de reuniões que parecem não ter sentido. Reuniões sobre reuniões! Que vida sem sentido. Fazer reuniões para discutir como as reuniões serão feitas... frases prontas... powerpoints com frases de motivação....e, o fim: balões coloridos... que extremo!

E que dizer da Universidade? A semelhança é real: reuniões de conselhos (quando eles realmente existem) para partilhar decisões que não serão tomadas, pois quem decide está com os "imortais" em conselhos superiores. Quanta mediocridade!

Quem diria que as próprias empresas iriam fazer "filmes" (ou melhor dizendo, propagandas com cara de filme) sobre mudanças em seus produtos? É, a Microsoft resolveu tirar do baú a capacidade inventiva e fizeram um vídeo de divulgação chamado "Office 2010 - The movie".

Ele apresenta algumas inovações e, partindo de um "crime", abusa da noção de movimento. O "filme" tem pontos de humor, mas a cena da morte do Clippy (aquele personagem chato que aparece no meio do texto ou da planilha quando você menos espera!) é boa mesmo. Se a promessa for cumprida, nada mais de Clippy nos textos!!!