Vez por outra, olho para meus livros nas estantes em casa e fico a me perguntar por quanto tempo ainda teremos esse "prazer" de ter um livro impresso. Sonhava com uma biblioteca grande com centenas de livros (já tenho mais de duas!!!) a medida em que, ano a ano, fosse aprofundando o saber...
Pergunto-me isso devido a dois fatores: primeiro, a onda ecológica, onde preservar implica mudar velhos e cristalizados hábitos de consumo e, segundo, pela apropriação das tecnologias digitais que disponibilizam acervos cada vez maiores. Hoje, tenho algumas dúzias de DVDs com livros eletrônicos/digitais....
Daí, encontrei hoje uma "solução" não ecológica, mas extremamente prazerosa. Trata-se de uma máquina de "livro expresso"... Livro expresso? É, no mesmo sistema do cafezinho. Só que demora entre 4-5 minutos para o livro estar pronto.




Está disponível para download o livro "Futuros imaginários - das máquinas pensantes à aldeia global" de Richard Barbrook. Barbrook é professor da School of Social Sciences, Humanities and Languages da Universidade de Westminster.

Nesse livro, Barbrook reflete sobre o desenvolvimento tecnológico levando em consideração suas motivações políticas e objetivos econômicos. Essa é uma discussão que não é nova. Porém, o autor acrescenta também a discussão da repercussão social, e conectando informações dos campos da ciência, tecnologia, economia, política, história e comunicação de massa, dá um show de conhecimento e de idéias na área.

No prefácio à edição brasileira, Wanderlynne Selva, comenta o potencial do livro: "Com uma visão politizada e radical da tecnologia, Barbrook apresenta neste livro uma alternativa contrária à doutrina mcluhanista: “a convergência da mídia, as telecomunicações e os computadores não libertam – nem nunca irão libertar – a humanidade. A Internet é uma ferramenta útil, não uma tecnologia redentora. O determinismo tecnológico não molda o futuro da humanidade: quem constrói o futuro é a humanidade em si, usando novas tecnologias como ferramentas.”

Vale a leitura!


O livro "Além das redes de colaboração: internet, diversidade cultural e tecnologias do poder", organizado por Nelson De Luca Pretto e Sérgio Amadeu da Silveira em 2008 e publicado pela Editora da UFBA está disponível para download.

O livro é fruto de seminários realizados pela Casa de Cinema de Porto Alegre em parceria com a Associação Software Livre, ocorridos no segundo semestre de 2007, como parte do Programa Cultura e Pensamento do Ministério da Cultura.

O legal do livro é que apresenta as contradições entre as possibilidades de criação e disseminação culturais inerentes às redes informacionais. A definição de códigos, padrões e protocolos são problematizados no livro, que tem Conteúdo licenciado pelo Creative Commons para Uso Não Comercial (by-nc,2.5).

O que significa isso? Como é lembrado na contracapa do livro: "Esta licença permite que outros remixem, adaptem, e criem obras derivadas sobre sua obra sendo vedado o uso com fins comerciais. As novas obras devem conter menção a você nos créditos e também não podem ser usadas com fins comerciais, porém as obras derivadas não precisam ser licenciadas sob os mesmos termos desta licença."

Boa leitura a todos!



Lançado em março de 2009 pelo Twitter, “Para entender a internet - Noções, práticas e desafios da comunicação em rede”, organizado por Juliano Spyer é uma experiência diferente de publicação e divulgação de livro. Ele foge aos padrões convencionais, pois não possui editora e está disponível apenas pela Web.


O livro é diferente de todos os que você deve ter lido antes, por pelo menos 3 motivos, conforme delineado pelo organizador:


"Você pode interferir neste projeto de três maneiras:
- comentando: o objetivo de ele estar na internet é dar a possibilidade para pessoas interessadas nos assuntos dos artigos trocarem idéias entre si e também com os autores. O resultado dessa conversa poderá ser aproveitado para enriquecer o artigo.

- divulgando: o conteúdo integral deste livro está registrado com uma licença Creative Commons que autoriza quem quiser a copiar e distribuir este material, contanto que ele não seja usado com fins comerciais.

- remixando: você pode usar os artigos deste livro para criar produtos derivados como, por exemplo, uma apresentação ou um vídeo caseiro, sem se esquecer de dar crédito aos autores e de disponibilizar a obra com a mesma licença, para que outras pessoas possam continuar tirando proveito do conhecimento.

E mais: junto com o nome dos autores você também vai encontrar o nome de usuário de cada um no Twitter *. Se você gostar de um texto, pode passar a acompanhar o autor online e interagir com ele."


Gostou da proposta? Eu sim. Além disso, o livro contém noções atualizadas de diversos especialistas e blogueiros. Vale a pena ler!


O Greenpeace, assim como o WWF, tem desempenhado um papel importante na divulgação da necessidade de se prerservar o ambiente. Apesar de não concordar com alguns posicionamentos, concordo em muito com a política de esclarecimento promovida por suas propagandas.

Cada uma delas é inteligente, direta e sem rodeios: temos de dizer claramente onde estamos e para aonde iremos com a propagação desordenada de políticas consumistas. Não quero aqui cair no discurso da preservação apenas porque muitos o fazem, mas vivemos no limiar de nossa existência.

Reflita sobre algumas dessas propagandas. São fortes e diretas, como a degradação que o ambiente tem sofrido.

Essa foi produzida pelo escritório da França.




Esse fala sobre a necessidade de uma revolução energética.




Nessa produção, se aponta para a fragilidade da vida humana, em contraponto a existência do planeta.




Essa foi produzida com foco na caça de baleias no Japão.




Essa foi construída em torno da pergunta: "Vocês queriam mudar o mundo? Vocês conseguiram".




Essa é mais divertida, aplicando a conservação de fontes de energia.




WWF: campanhas de preservação

Postado por Gilson Pôrto Jr. às 18:05 0 Comments

A Worldwide Fund for Nature (WWF) foi criada em 1961, tendo sede na Suiça. Nas últimas décadas, a Rede WWF se consolidou como uma das mais respeitadas redes independentes de conservação da natureza.

A WWF é composta por organizações e escritórios em diversos países que têm como característica a presença tanto local quanto global e o diálogo com todos os envolvidos na questão ambiental.

Suas campanhas são marcadas por extrema criatividade e pelo 'deboche' ao discurso capitalista do progresso. Progresso a que preço?, parece ter sido a máxima de cada propaganda produzida. Para atingir seus objetivos, a WWF tem usado uma safra de argumentos dos mais variados, indo desde a preservação da fauna e flora propriamente dita, até a preservação do próprio homem (que, pela violência e poluição, deve daqui a algum tempo entrar na lista de ameaçados de extinção).

Seguem algumas dessas campanhas disponíveis na rede.













Dualismos digitais

Postado por Gilson Pôrto Jr. às 16:40 0 Comments

Nesse final de semana, terminou o seminário Oportunidades Digitais em Tempo de Crise , que ocorreu no Chile. Dos diversos aspectos que foram apresentados, Pablo Mancini escreveu para o Blog Amphibia, o que chamou de cinco dualismos digitais que foram defendidos.
Não terei tempo agora de traduzir e comentar cada um deles com o cuidado que merecem (férias me chama!). São oportunas as observações apresentadas e espero retomá-las em posts futuros para discutir. Deixo na versão original, inclusive com os liks feitos por Mancini. São eles:

1 – ¿FREE O FREEMIUM?

En esta esquina, Chris Anderson, Mark Masnik y Seth Godin. En la otra, Malcolm Gladwell, Mark Cuban y John Gapper. Todos de trayectoria respetable, plantean dos posibles modelos de negocios para los medios digitales. Importar linealmente ese debate y obligarnos a ser fieles de una u otra escuela es un riesgo que no vale la pena asumir.

La discusión de fondo, que rara vez se da, no es tanto sobre los modelos de negocios sino sobre los modelos productivos. En los medios digitales es mucho más fuerte la preocupación sobre cómo hacer caja para pagar los sueldos de decenas y decenas de empleados antes que alcanzar la rentabilidad con religiones trasnochadas.

2 – ¿NATIVOS O INMIGRANTES?
Salvavidas de plomo. Cuando la organización periodística quiere renovarse opta por deshacerse de los “periodistas tradicionales” e incorporar una buena dosis de nativos digitales en las redacciones. Como si los saberes y las habilidades estuvieran sólo en una u otra generación profesional. De nada sirve sembrar nativos en un entorno, como son las redacciones actualmente, que funciona como hace 50 años. Sin actualizar el código fuente de las redacciones online de poco sirven los más jóvenes, que van, hacen su trabajo pero ni de cerca consumen el producto que producen.

Por cierto, ¿cómo se explica la génesis de tres casos claves de nuevos medios donde la presencia de nativos digitales se reduce al grado cero? Politico.com, Newser.com y el Interactive News Team de The New York Times? De más está decir que las redacciones online en América Latina están pobladas de nativos digitales y profesionales menores de 35 años, y aun sí los portales periodísticos no hacen gala, precisamente, de la interactividad.

3 – ¿CONTENIDOS DE CALIDAD O CONTENIDOS BASURA?

Otro falso dualismo que asfixia discusiones en la industria de los medios digitales. ¿Con qué instrumento y categorías se mide la calidad de los contenidos en la red? En un entorno de abundancia informacional inédita hay menos lugar para el canon de calidad y mucho más para los criterios posibles de valor de uso de la información. Con dos categorías tan binarias, calidad y basura, resulta muy difícil generar ofertas eficientes.

En la discusión, no sólo subyace la idea de toda producción es humana, donde la automatización posible de procesos productivos en el periodismo cancela hasta la fiesta autoevangelizadora de los periodistas digitales efervescentes. Además, supone dejar sin lugar a dos roles que son, precisamente, los que parecen tener cada vez más protagonismo: los community managers y los data curators.

4 – ¿SE MUEREN LOS DIARIOS O TIENEN LARGA VIDA POR DELANTE?

Frecuentemente reducida a fundamentalistas de los soportes, esta discusión no deja lugar a nada. Los medios tradicionales están inmersos en una doble crisis financiera y de credibilidad, mientras que los medios online y los nuevos medios aún no encuentran modelos de negocios que vuelvan sustentable a la profesión en Internet. El dato que hackea este dualismo es la nueva configuración de ciudades posturbanas, con millones de nodos móviles y fijos, donde reinan la fluidez y la manipulación de datos con efectos dramáticos en la organización espacio/tiempo. Donde coexisten ofertas heterogéneas de brevedades, sobreproducción de contenidos, pildorización cultural y consumo intermitente de medios.

Pensar el consumo de medios desde el soporte puede ser un error fatal para las organizaciones periodísiticas. Edición impresa o desde un navegador de Internet. Son opciones del pasado. Hay que ser agnóstico del soporte.

El soporte periodístico es la red. Los productores de contenidos tienen que disponibilizar su producción en el ciberespacio y ofertarla en múltiples instancias de consumo posible. No sólo en papel, no sólo en un punto fijo de acceso a Internet, sino también y sobre todo en los nuevos entornos urbanos que ofrecen instancias de consumo breves pero de alta intensidad. (Ampliaremos este punto en Amphibia en un próximo post cuando comentemos Burbujas de ocio, de Roberto Igarza.)

5 – ¿LA AUDIENCIA ES PARTICIPATIVA O PRODUCTORA DE CONTENIDO?

La audiencia ES el contenido. Facebook y Twitter son los pedagogos del nuevo periodismo. Facebook porque es la nueva expresión de las formas e interacciones de las comunidades de lectores, tal como en el siglo XVIII lo eran los cafés en Londres, cuando los diarios intervenían en la nueva esfera pública y configuración social. Twitter, por su parte, porque es una expresión de las brevedades de producción y consumo colectivo de medios.

En las versiones online de los medios tradicionales, la audiencia sólo puede ver lo que escribieron los periodistas y con suerte comentar públicamente, siempre sobre lo que escribieron los periodistas, y sujetos a moderación de la elite.

Facebook es el sitio de noticias más visitado de todo el mundo. No el sitio periodístico, pero sí el de noticias. Las audiencias hibridan allí y visualizan con el mismo rango de jerarquización editorial la muerte del Papa, el viaje de un amigo, la cotización del dólar o las fotos de la novia.


46 anos da Revolução de Angicos

Postado por Gilson Pôrto Jr. às 11:50 0 Comments

Revolução em Angicos? É, foi essa a palavra utilizada na época para descrever o que estava acontecendo na pequena cidade do interior do Rio Grande do Norte. Essa revolução "de verdade, séria e bem organizada" foi realizada por um educador chamado Paulo Freire.

Paulo Freire elaborou uma proposta de alfabetização de adultos conscientizadora, encarando o educando como sujeito da aprendizagem. Propunha uma ação educativa que valorizasse a cultura dos alfabetizandos como ponto de partida para tomada de consciência de sua importância como sujeito histórico.

Essa revolução foi registrada visualmente por meio de um vídeo produzido em 1943 conhecido como "As Quarenta Horas de Angicos". Ele está disponível no Portal dos Fóruns EJA e reproduzimos a seguir, em duas partes, seguido de alguns pensamentos sobre Freire:
Parte 1


Parte 2


Esse método ficou conhecido como método Paulo Freire (apesar de em diversos momentos ele mesmo falar que não é um método). O espaço educativo proposto por Paulo Freire era mediado pelo diálogo entre educandos e a realidade, entre educandos e educandos e entre educandos e educadores por meio dos círculos de debates. Veja como ele foi avaliado por Osmar Fávero - Universidade Federal Fluminense - UFF:



O papel atribuído ao professor/educador era o de dinamizar o debate e organizar os dados, mapear os problemas, as situações-limites e, coletivamente, retirar os temas-geradores. O tema gerador é discutido e problematizado, parte-se do conhecimento que os educandos têm em sua vivência, agrega-se uma visão crítica da realidade, com o fim de transformá-la.

A Revolução de Angicos, iniciada por Paulo Freire tencionou mais: seu sonho, que se tornou realidade, transformou e transforma a vida de milhares de pessoas que tomam consciência de si. Com “tijolos“, “enxadas“, “campos“ e “sofrimento“, entre dezenas de palavras do universo temático dos trabalhadores expropriados de sua própria consciência, Freire abriu espaço para a renovação e a liberdade da opressão. Desbancou, por meio de sua revolução com o lápis, as elites e séculos de dominação do outro.

Superou, com seu método, a “morte em vida dos oprimidos [e ensinou-lhes a] morrer para reviver através dos oprimidos e com eles [demonstrou que a] comunhão com eles pode fecundar-se” em ações transformadoras e emancipadoras (FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: 1982, p. 155).

Demonstrou, também, que podemos vencer a desconfiança, pois “desconfiar dos homens oprimidos, não é, propriamente, desconfiar deles enquanto homens, mas desconfiar do opressor ‘hospedado’ neles” (FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: 1982, p.199).

Dessa forma, a visão da Revolução de Angicos pode continua a inspirar e, ao aplicá-la, juntamente com outras metodologias , poderemos “sonhar juntos“ uma emancipação dos jovens e adultos com quem trabalhamos.


Em uma dessas noites em que não puder dormir como deveria, encontrei na rede uma animação bem intrigante. Ela é intitulada "DELIVERY" e foi escrita e produzida pelo artista digital Till Novak, tendo música de Andreas & Mathias Hornschuh. Foi produzida utilizando os softwares Discreet 3ds Max 7 e com o Adobe After Effects.

A história é de um senhor que recebe uma caixa misteriosa. Ele mora perto de uma cidade ultra moderna e extremamente poluída. Até aqui, tudo é muito parecido com as nossas metrópoles (é claro que ainda não temos tecnologia para carros que voam, mas comparado com a vida rural/campestre, já temos progresso demais).

Assista ao curta e veja se suas impressões são próximas ao que senti.




Aproveitando a onda ambientalista de preservação, senti que de início, o discurso iria ser "preserve", mas quando a caixa misteriosa chegou e ele começou a interagir com ela, a coisa foi mudando de figura. O clima de suspense (regado a uma música de fundo "sinistra") do que iria acontecer quando ele olhasse dentro da caixa fez a minha imaginação ir muito longe. Pensei um pouco de tudo. Quando ele utilizou a lanterna (uma, duas... três vezes) e houve o jogo de luzes - Eureka! - a genialidade do curta surgiu!

O tempo e o espaço da "realidade" misturou-se a um tempo e espaço imaginário, mas que estava presente. Depois do teste da bolinha jogado na caixa, a perplexidade do senhor foi imensa! O que fazer? Ou melhor, o que não fazer? Penso que é nesse momento que a idéia do curta se manifesta com mais intensidade: se nós tivéssemos essa possibilidade - de intervir direta e imediatamente - deveríamos fazer? Fica a questão....