Imagem aérea da UnB entre 1963/1964. Fonte: CEDOC
Não poderia deixar passar em branco, já que estamos no mês de abril, o dia 09 de abril de 1964.

Trata-se do dia em que invadiram a Universidade de Brasília (UnB), considerada pelos militares um dos últimos espaços de "revolta" contra o novo regime.

Já postei algumas indicações e memórias em dois outros momentos (Em um 31 de março de 1964 e Em um 1º de abril de 1964).

Quando pesquisava em 2000 para a elaboração de um texto que faz parte da coletânea intitulada "Anísio Teixeira e o Ensino Superior", deparei-me com diversas imagens desse dia.

Tudo ocorreu no fatídico 9 de abril. Nesse dia, o Comando Supremo da Revolução baixou o Ato Institucional nº 1, que concentrava poderes no governo (exclusivo poder de decretar estado de sítio e de apresentar emendas), impunha punições a civis (suspensão de poderes políticos por dez anos e cassação de mandatos de parlamentares, bem como suspensão por seis meses das garantias constitucionais de estabilidade dos servidores públicos) e militares que considere subversivos.

De posse deste ‘ato jurídico legal’ invadiram, com suas forças militares, as instalações da Universidade de Brasília no mesmo dia. Nenhuma pessoa pôde entrar ou sair das dependências da Universidade, sendo professores presos.

Nas recordações do professor Darcy Ribeiro ficou claro o sofrimento por que passaram esses professores e funcionários:
Quando, amanhã, o Brasil – e dentro dele a Universidade de Brasília – conquistar a alforria para retomar o comando de seus próprios destinos, precisaremos recordar estes dias trágicos da travessia do túnel da iniqüidade. Entre eles, principalmente, o da invasão de 1964, em que, depois de assaltada por tropas motorizadas, a UnB teve diversos professores presos levados a um pátio militar para serem ali desnudados e assim humilhados por toda uma tarde. Este quadro de um magote de professores gordos e magros, velhuscos, uns secos de carnes, outros barrigudos, esquálidos, dois deles enfermos, todos nus num pátio policial não deve ser esquecido jamais: é o dia da vergonha.
Em 13 de abril de 1964 Anísio Teixeira, bem como todos os membros do Conselho Diretor da Fundação Universidade de Brasília, foram exonerados e foi nomeado para o cargo o reitor pró-tempore, Zeferino Vaz .

Veja algumas das fotos da época, que encontrei e que fazem parte do texto publicado, retratando o dia em que os professores e alunos foram presos e transportados em ônibus da viação Araguarina. Elas estão no acervo do CEDOC/UnB:





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