Essa é uma pergunta que constantemente me faço, já que tenho tão pouco tempo de olhar para o céu. De dia é quase impossível fazer o exercício que Aristófanes fez seu personagem Sócrates, na obra As Nuvens, desenvolver: olhar para o céu simplesmente e imaginar. A noite, nem se fala, poucos são os momentos que superamos a luz dos grandes centros e vemos a beleza dos céus estrelados.
Mas, a pouco, recebi uma belíssima indicação via Twitter do colega José Man. Fernandes (@JMF1957). Trata-se da gravação do eclipse lunar, disponibilizado por William Castleman. O vídeo está disponível no Vimeo. A cena gravada ao longo do evento é deslumbrante. Aproveitei e vi outras produções que Castleman disponibiliza. Veja. Pelo menos a êxtase, produzida pela imagens e a música, colaboram para a "experiência".
Eclipse lunar de 21.12, vista na Flórida(Estados Unidos)
Muito já tem sido publicado sobre as tecnologias aplicadas aos processos de leitura. Algumas delas, apontam apocalipticamente para o fim do livro. Pelas visões e argumentos, pode até ser que, os neoleitores tenham outros caminhos em mente.
Encontrei, nesse sentido, alguns vídeos que mostram a linha de defesa do livro. Argumentos bem fortes e uma linha direta de vantagem é apontada para a manutenção desta tecnologia, para muitos, ultrapassada.
Vamos ver a luta épica de titãs e quem sobreviverá! Enquanto esse resultado não sai, assista as defesas....
No final de semana, estive em Belmonte (Portugal) para conhecer a "Terra de Cabral". Na companhia da família Palacios (Marcos, Annamaria e Davi), fui oficialmente apresentado ao Museu dos Descobrimentos. Apesar das interpretações sobre o "Novo Mundo" e da "descoberta" serem questionadas pelos historiadores brasileiros, fiz uma descoberta pessoal muito interessante.
Essa consistiu, para minha felicidade, de ver que a realidade aumentada já é uma prática nessa localidade. Em vários espaços do museu é possível interagir com os diversos objetos e, deles, retirar uma interação instrutiva. Por exemplo, no espaço "produtos brasileiros" o visitante 'conhece' a proposta de uma feira tipicamente bahiana e, tem a possibilidade de interagir com frutas típias do norte-nordeste do Brasil.
Vale a visita. Um vídeo, disponível no YouTube, a seguir mostra outros detalhes do museu:
Não é sempre que encontramos um livro que vale a pena ser lido. De fato, poucas vezes disse isso, apesar de ter lido um "pouquinho" em minha vida acadêmica. Já faz algum tempo que li esse livro, mas não tinha tido tempo de escrever sobre ele.
Ao rememorar algumas coisas a tarde, bateu a vontade de partilhar algumas dessas sensações sobre o livro "Vozes Roubadas – diários de guerra" (São Paulo, Cia. das Letras, 2008). Ele é uma dessas poucas jóias raras do sofrimento humano. E não estou me referindo ao sofrimento auto-imposto, em uma versão moderna de Kierkegaard. Em Vozes Roubadas, uma coletânea de diários pessoais, desconhecidos de diversos tempos históricos, desde a Primeira Guerra Mundial, passando pela Guerra da Bósnia até o fiasco que foi a Guerra do Iraque, traçam um fio condutor: a dor humana de ser privado de um valor extremo, a liberdade.
As organizadoras, Zlata Filipovic e Melanie Challenger, são especialistas na temática. Filipovic por que sobreviveu ao massacre da Bósnia e, publicou sua vida em outro livro "O diário de Zlata: a vida de uma menina na guerra", conhece em primeira mão esse sofrimento. Ao todo são quatorze diários de conflitos, todos escritos por crianças ou jovens, da Primeira Guerra Mundial à mais recente invasão do Iraque.
Segue a lista das histórias de jovens de várias gerações, que nos ensinam a valorizar a existência e a paz:
Piete Kuhr, na Alemanha, com 12-15 anos, entre 1914-18;
Nina Kosterina, na Rússia, com 15-20 anos, entre 1938-41;
Inge Pollak, na Áustria/Inglaterra, 12-15 anos, entre 1939-42;
A propriedade intelectual é um assunto bem espinhoso. De fato, diversos governos encaram como uma "questão de honra" manter a postura tradicional e impedir que conhecimentos universais sejam partilhados liberalmente. É a velha postura do "negócio", que garante a centralização do conhecimento em países com melhores investimentos.
Que dizer da propriedade intelectual quando pensamos na internet? Novamente as contradições e controvérsias são muitas. Achei bem interessante as posturas de Juan Urrutia, professor catedrático de Economia da Universidade Carlos III, da Espanha e, de David de Ugarte, fundador da Sociedade das Índias Eletrônicas. Eles fazem uma análise desta questão e colocam-nos diversas interrogações sobre a possibilidade de se eliminar a propriedade intelectual.
Nick Harkaway escreveu para o Guardian.co.uk uma matéria que dá muito em que pensar. Sob o título Google Books deal forces us to rethink copyright, Harkaway problematiza a existência do Google Books. Não é que ele desconsidere a proposta, mas, como mesmo enfatiza, o método utilizado pela empresa parece não ser bom. Como assim?
Ele não discute a questão do lucro envolvido com as propagandas que são a força motriz do Google, mas com a transferência para a empresa e seus bancos de dados de "um vasto catálogo da cultura e da literatura em um grande número de línguas". A preocupação de Harkaway é com a identidade e a história escrita que são aglutinados nesse "único" banco de dados. Daí, porque ele afirme que precisamos discutir seriamente a questão dos direitos autorais sobre todo esse catálogo cultural mundial.
Ele aponta uma realidade triste: diariamente perdemos histórias e as leis de direitos autorais são "incapazes de lidar com a cópia digital e visualização, e com a qualidade internacional da Internet". Ele acrescenta algo que achei interessante e que não havia ainda pensando na questão de direitos autorais: "Nós precisamos decidir quem é dono de nosso DNA individual, e se é legítimo que uma entidade, faça valer a propriedade [...] porque é decodificado".
Em sua matéria, ele cita ainda um engenheiro do Google que, aparentemente, teria feito a seguinte colocação:
Nós não estamos digitalização todos os livros para serem lidos por pessoas. Estamos pesquisando-os para serem lidos por [nossa] AI.
Daí ele conclui:
Em outras palavras, este é um novo uso: o livro está sendo usado como um conjunto de dados para melhorar o motor de busca do Google e, possivelmente, aumentar a sua compreensão da linguagem natural. Assim como você esperaria ser pago pelo uso de seu trabalho, em fazer um filme, talvez você deve ser pago por sua utilização na criação de software - e olhando para frente, talvez até de AI genuíno.
Que outra fasceta do direito autoral surge aqui? A da responsabilidade coletiva de criação de uma "inteligência artificial" de uso global, mas que é ela mesma um negócio formal, que movimenta imensas cifras financeiras e, que em breve, pode ser a "dona de um catálogo cultural mundial". É temos um outro problema a pensar para a comunicação. O que acha você?
A Era da Estupidez (The Age of Stupid) é um documentário que vai direto na ferida do capitalismo: o consumo. Quando iremos diminuir o consumo de combustíveis fósseis e, preservar o ambiente em que vivemos? Essa é uma questão complexa, pois não é apenas uma resposta simples que resolverá as questões locais e mundiais. Precisamos de mais do que simplesmente deixar de utilizar os combustíveis fósseis. Na realidade precisamos "frear" toda uma máquina social consumista.
O documentário, produzido pela ativista inglesa Franny Armstrong se passa em 2055, quando o ‘arquivista’, um homem solitário que vive num mundo devastado pelo aquecimento global, passa seu tempo catalogando o passado. O filme examina imagens de 2007 e, se indaga por que a humanidade não tomou providências contra a crise climática quando ainda havia tempo.
A veiculação do documentário está ligada a uma campanha ambiental, com o objetivo de influenciar os principais líderes políticos mundiais a assinarem, em dezembro deste ano, na 15ª Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP 15), em Copenhague (Dinamarca), o tratado que obriga as nações a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, de forma que o aumento de temperatura do planeta não ultrapasse os 2º C.
A campanha é bem interessante, sendo composto por diversos vídeos e pelo kit ativista: um 'livro'(formato pdf) que introduz a discussão em torno da Era da Estupidez (1850 a 2020) e, um cartão postal a ser enviado como forma de pressão social. O kit está disponível no sítio do MovieMobz.
Quanto a exibição do documentário, ele será apreciado em alguns poucos espaços no Brasil, na verdade, apenas 13 salas. Veja a lista aqui.
Os vídeos a seguir fazem parte do documentário e dão uma amostra do que aguarda o espectador.
Ontem resolvi almoçar com minha esposa e cunhada na Praia do Prata (Palmas). Ela é uma das dezenas de praias de água doce do Tocantins. Você pode ver a seguir sua localização e detalhes.
Bem, voltemos ao "causo". Minha esposa foi bem cedo, pois queria tomar banho antes. Por volta do meio dia veio buscar-me. Quando retornamos e estacionamos o carro, fomos abordados por um jovem "de farda de vigia" que se apresentou como "guardador de carros autorizado pela prefeitura de Palmas" e, já foi passando um papel com o valor de R$ 5,00 (cinco reais) para encostar o carro na areia.
Fiquei extremamente consternado, pois estávamos em um espaço público, criado e mantido para lazer com dinheiro dos impostos que pagamos. Indaguei sobre o não pagamento - não pelo valor, mas pelo descaso e da desobrigação do dignatário público em cumprir seu papel de proteção ao patrîmônio privado, já que essa é uma das funções do poder municipal - depois de muita desculpa esfarrapada do jovem, ele disse em um tom de ameaça: "o sr. paga só R$ 2,00 se não ficar para o show" (que aconteceria entre as 17:00 e 22:00 h e que é realizado com dinheiro público).
Da última vez que não acatei o aviso de um jovem desses, em um estacionamento público, tive o meu carro, que é da cor preta, banhado na lateral por uma lata de tinta óleo branca! Dá para acreditar? O mais engraçado é que, algumas semanas depois, ao ministrar aula em uma pós-graduação para comandantes e coronéis da polícia e guarda metropolitana, trouxe o assunto a tona, só para ouvir desculpas escorregadias e, na política do "eu não sei de nada", jogar a responsabilidade para outros que não a querem ou mesmo não a aceitam como sua. É a política do descaso!
Essa situação me fez recordar de outra que aconteceu alguns meses antes aqui no Estado do Tocantins. Foi o caso do "aluguel" do Parque Estadual do Jalapão, uma área de preservação ambiental composto por um ecossistema frágil de cerrado, para a equipe norteamericana do reality show Survivor.
O Parque Estadual do Jalapão ficou fechado em suas principais áreas do mês de setembro/2008 a dezembro/2008. E o pior que a maioria dos moradores do estado somente veio a saber da situação, já quase no final de novembro/início de dezembro, por meio de duas reportagens feitas pela TV JOVEM PALMAS, afiliada da TV Record. A seguir coloco-as para apreciação. Parte 1: Jalapão: Território de Estrangeiro?
Parte 2: Jalapão: Território de Estrangeiro?
Independente do que deveria acontecer e quem deveria saber, o que me preocupa é a temática da "privatização do espaço público". Até que ponto, um governo - seja municipal, estadual ou mesmo a União - pode "alugar" o bem público sem ferir a soberania nacional? A situação não poderia ser comparada a concessão de uma estrada/rodovia, já que para esse "aluguel do público" acontecer, deveria haver um edital de licitação pública e, depois disso, contrapartidas em melhorias em troca do pedágio pago.
Não vou ao outro extremo, mas convém indagar: poderíamos nós alugar o belo parque de Yellowstone para fazer um "reality show" e fechar o espaço soberano de outro país, impedindo que seus cidadãos tenham acesso ao seu patrimônio cultural? Lembro-me agora, de uma palestra que assisti na UnB enquanto fazia o mestrado proferida pelo prof. Cristóvam Buarque, hoje senador, que falava sobre o que chamou de "discurso da internacionalização" feita pelo países desenvolvidos sobre os países em desenvolvimento. Ele destacou que todos parecem querer internacionalizar o patrîmônio ambiental brasileiro (principalmente a Amazônia), daí ele afirmou (como me lembro agora): "então vamos internacionalizar também a Torre Eiffel... vamos internacionalizar o Grand Canyon... vamos internacionalizar todo patrimônio pertencente a qualquer país como patrimônio do homem".
De qualquer forma, estive no local dois meses depois para, "em um tom de turista", ver como estava o espaço ocupado pelo grupo americano. Não consegui ver sinal de devastação, a natureza se recuperou bem no local. Agora o que puder ver (e filmar) foi o assoreamento que a nascente do Rio Sussuapara (dentro do Parque do Jalapão) sofreu. Não pude detectar quem ou o que causou, mas veja o estrago que ocorreu. Estou andando onde antes havia um rio com "água pela cintura", como afirmou o guia.
Essa devia ser a preocupação principal: preservar o espaço público do parque da degradação que o próprio homem faz!