Paul Benedetti, Tim Currie e Kim Kierans, professores de jornalismo da King's College de Halifax, no Canadá, lançaram o livro The New Journalist: Roles, Skills, and Critical Thinking, disponíveis pela Edmond Montgomery Publications.

Os autores organizaram a coletânea em uma perspectiva crítica, apontando para habilidades essenciais para os jornalistas. Também discutem os modelos de negócios emergentes e como as mudanças tecnológicas tem reinventado o jeito de se fazer jornalismo. A proposta do livro é ter capítulos em vídeo, que em breve serão disponibilizados.

Estão disponíveis na rede dois capítulos para avaliação: What’s a Good Story? Recognizing Quality in Journalists’ Work, de Ivor Shapiro e, Structure and Story Online, de Paul Benedetti.

Segue o sumário:

Introduction: Why Study Journalism Now? (Mary McGuire)

PART ONE: Thinking About Journalism
New Challenges for Journalism in the 21st Century (Alfred Hermida)
The Journalist and the Audience (Mathew Ingram)
Missing the Link: How the Internet Is Saving Journalism (David Eaves and Taylor Owen)
Newspapers and Thinking the Unthinkable (Clay Shirky)
From the Business of Journalism to Journalism as Business: 1990 to the Present (Mike Gasher)
Sustainable News Models for a Digital Age (Donna Logan and Darryl Korell)
What’s a Good Story? Recognizing Quality in Journalists’ Work (Ivor Shapiro)

PART TWO: Roles and Skills in the Digital Age
Roles and Skills for Cross-Platform Reporting (Tim Currie)
The Journalist as Critical Thinker (Paul Benedetti and Kim Kierans)
Practical Research and Web Navigation Skills (Kelly Toughill and Fred Vallance-Jones)
Developing Story Ideas (Shane Holladay)
Reporting Basics: Accuracy, Precision, and Balance (Rick MacLean)
Structure and Story Online (Paul Benedetti)
Interviewing in the Digital Age (Jennifer Wilson-Speedy)
The Beat Reporter (Various Authors)

PART THREE: Social Media and Multimedia
Social Media (Lisa Lynch)
Blog to the Future: Telling Digital Stories in the Post-9/11 Decade (Vinita Srivastava) —
Video (coming soon)
Working with Photography and Video (Frank O’Connor and Tyler Anderson) — Video (coming soon)
Convergence Journalism: Audio (Karen Zypchyn) — Video (coming soon)
Web-only appendix: Editing Audio with "Audacity" (coming soon)
Data Visualizations and Interactives (Tim Currie) — Video (coming soon)

PART FOUR: Responsibilities
Ethics for the New Mainstream (Stephen J.A. Ward)
Libel, Journalists, and the Online World (Dean Jobb)
Surviving and Thriving in Journalism (David Beers)

Nos últimos tempos tenho me questionado muito sobre as noções que perpassam o ensino e a aprendizagem em jornalismo. Li diversos textos que reforçam muito a noção do ensino de jornalismo, mas a aprendizagem parece ser um assunto desconhecido nos discursos e trabalhos lidos.

Incomoda-me o fato de que, discursivamente, ensino e aprendizagem são vistos quase como processos automáticos e intrínsecos. Explico melhor o incômodo: em educação, já amadurecemos a perspectiva de que ensino e aprendizagem são duas perspectivas distintas, complementares e essenciais, mas não intrínsecas e automáticas. Podemos ter ensino que não gere aprendizagem no sujeito e, aprendizagem que não seja fruto direto do ensino (sistematizado e mantido nas estruturas formativas tradicionais).

Na formação em jornalismo, as leituras me passam uma forte impressão de diagnóstico situacional do emissor. Centram-se as análises, amplamente, na forma como os processos são organizados, mas ainda parece precário estudos que olhem para os processos do receptor, como foco de toda a reflexão do processo formativo.

Aponta-se muito para a reflexão dos atores formativos sobre os graduandos em jornalismo, mas é quase desconhecido o que os próprios pensam sobre seus processos e necessidades formativas. Incomoda-me essa percepção, pois nos sentimos "atores" de um processo que reproduz competências e habilidades necessárias, sob o olhar de especialistas da área.

Mas, "pensando alto" nas leituras feitas em Castoriadis, não deveríamos avançar nos "processos de autoria"? Ao reproduzimos o discurso formativo localmente, esquecemos que o (re)construímos junto e com os graduandos. Dessa forma, somos também autores, com voz e vez. Mas também com processos de escuta. Escuta essa, ainda muito acanhada quando temos de ouvir nossos acadêmicos da área.


Em uma conversa ontem com alunos, discutíamos a questão das competências formativas. Essa parece ser uma necessidade nos últimos tempos. Ao problematizá-la, parece que vencemos a cristalização e uma certa banalização que habita às práticas formativas.

'Exorcizamos' nossas angústias sobre os processos formativos, sobre as competências necessárias e as habilidades demandadas. Isso não é tão simples, como aparentemente fazemos crer. Envolve mais. Envolve, como bem apontou um dos alunos, a utopia. Fui indagado, durante a conversa, se podemos ainda acreditar na "utopia" do processo formativo e, se os processos educativos "realmente" acontecem como planejamos.

Lembrei nesse instante, de um autor francês que muito considero: Michel Lobrot. Lobrot, em seu livro "Para que servem as escolas?", em alto e bom, aponta para a incompletude do ato de ensinar e da imanência do ato de aprender. Por vezes, esquecemos disso durante o ato educativo e no próprio planejamento. Em jornalismo, mais ainda, já que muitas vezes, esse discurso "educativo" resume-se a poucos conhecimentos reproduzidos de nossas vivências. Não de uma sólida formação na área (mesmo por que muitos de nós não a tivemos!).

É essa incompletude, rumo a utopia, que nos motiva a continuar a construir referenciais. São esses referenciais educativos que, junto as teorias da comunicação, permitem um posicionamento. É claro que, nem sempre, tão coesos e coletivamente aceitos por professores e profissionais.

É a conclusão que acabei por reforçar ao final da conversa: "a utopia se encontra no infinito, assim como duas retas paralelas se encontrarão". Espero que "esse infinito" seja mais próximo do que esperamos!

A propriedade intelectual é um assunto bem espinhoso. De fato, diversos governos encaram como uma "questão de honra" manter a postura tradicional e impedir que conhecimentos universais sejam partilhados liberalmente. É a velha postura do "negócio", que garante a centralização do conhecimento em países com melhores investimentos. 

Que dizer da propriedade intelectual quando pensamos na internet? Novamente as contradições e controvérsias são muitas. Achei bem interessante as posturas de Juan Urrutia, professor catedrático de Economia da Universidade Carlos III, da Espanha e, de David de Ugarte, fundador da Sociedade das Índias Eletrônicas. Eles fazem uma análise desta questão e colocam-nos diversas interrogações sobre a possibilidade de se eliminar a propriedade intelectual.


Propiedad Intelectual from agoranews on Vimeo.

O Portal de Bibliotecas del Ecuador permite o acesso às  bibliotecas da FLACSO, da Universidad Andina Simón Bolivar, EPN, ESPOL, ESPOCH, UEB e UTPL. Juntas, o acervo ultrapassa o total de mais de 20.000 documentos digitais em acesso livre. A dica foi dada pelo blog do Kuramoto.
O portal permite o acesso direto as bibliotecas do Equador, México, Colômbia, Espanha, Chile e Venezuela. Uma pesquisa simples pelas palavras "periodismo", "periodismo digital" e "enseñanza del periodismo", permite uma infinidade de encontros com produções de colegas hispânicos. Vale a pena a consulta e partilhar o que os colegas tem produzido na área!

A Reuters está promovendo um curso no período de 6 a 10 de setembro de 2010, destinado a jornalistas de países em desenvolvimento. A Fundação Reuters oferece ao selecionado, bolsa de estudo integral, que inclui despesas de viagem (classe econômica), hospedagem e ajuda de custo.

O curso Ferramentas multimídia para jornalistas, segundo o plano de curso, "ensina maneiras práticas dos jornalistas tirarem vantagem das novas ferramentas e métodos para a descoberta, desenvolvimento e apresentação de histórias". Os demais requisitos de elegibilidade podem ser vistos na página do curso.


Um jogo, emoções e uma memória

Postado por Gilson Pôrto Jr. às 11:40 0 Comments

É assim que muitos que vivenciaram o jogo Pac-Man, podem retratar a sua experiência. Apesar de extremamente simples, o jogo criado por Toru Iwatani e lançado em 22 de maio de 1980, pela Namco, virou febre em todo o mundo. No sítio Pac Man.com, encontram-se diversas histórias, campanhas e downloads do jogo.

Lembro-me de que, nos anos 1980, ele começou a ser comercializado com um nome sugestivo: "come-come". 

Tive o meu primeiro contato com ele em 1984 por meio de uma videogame chamado Odissey. Esse era um dos tantos videogames da época, mas que foi um dos primeiros a ter teclado. Jogava-o por horas a fio!

Ao completar 30 anos de criação, o jogo ainda continua interessante. O Google, por exemplo, o colocou em sua página, onde os que acessavam, interagiam com o jogo. É especialmente interessante o potencial que um jogo tem de resgatar a memória. 

Em poucos minutos diante do Pac-Man, lembrei de tantas coisas de minha infância, de tantos momentos, sabores e desabores, alegrias e tristezas. Puxa! Espero não encontrar essas lembranças novamente tão cedo! Eram de um tempo de ingenuidade que não voltam mais. Vamos ver se o game resiste ao tempo e à tecnologia.

De qualquer forma, encontrei um trailer sobre o Pac-Man muito interessante, de um suposto filme, que foi veiculado no dia 1º de abril. Digo "suposto", pois não encontrei referência ao filme específico e, já que 1º de abril é sempre motivo de chacota!

O trailer foi disponibilizado no sítio do Brainstorm9. Trata-se da história de Michael Pacman, CEO da Pharmaceutical, que é forçado a ingerir os seus próprios medicamentos, e assim tentar sobreviver a um labirinto criado por um sádico paciente em busca de vingança.



PACMAN: THE MOVIE TRAILER from Therefore Productions on Vimeo.

Muita coisa se tem produzido sobre o ensino de jornalismo. De fato, o difícil tem sido sistematizar e encontrar todos esses referenciais disponíveis na rede. Muitos deles, não são textos e/ou artigos científicos, mas reflexões de especialistas e profissionais renomados, que ora 'refletem' mais teoricamente, ora voltam seu olhar para a prática. 

Fiz uma pequena lista com alguns deles, indicando o link de todas as postagens sobre o ensino de jornalismo e temas afetos. É uma leitura inicial que pode auxiliar na pesquisa e aprofundamentos. Quem tiver outras sugestões, deixe o link no comentário. Tomo a liberdade de incluir todo os posts que fiz sobre a temática também: 

António Granado
Alec Duarte
Demétrio Sóster 
Gilson Pôrto Jr 
Jeff Jarvis
Jeremy Porter
José Salvador Faro
João Canavilhas
Manuel Pinto
Marcos Palacios
Mary McGuire
Mindy McAdams
OJR - Diversos 
Rede ICOD
Rogério Christofoletti 


Rogério Christofoletti, jornalista e professor de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), apresenta os dados da pesquisa "Ensino de deontologia jornalística", com foco nos 100 cursos de jornalismo mais antigos do Brasil. A amostra agrega os cursos criados entre 1947 e 1999, com uma abrangência geográfica de 19 estados da federação.

Os dados refletem uma constante no processo formativo no Brasil: as competências formativas gerais, na maioria dos casos, é colocada em segundo plano, priorizando-se as competências específicas profissionais. Discute-se menos os grandes campos temáticos, que são o "gargalo" das práticas profissionais, já no mercado de trabalho.

Christofoletti aponta para uma parte importante do processo formativo ao mergulhar nos elementos de construção curricular, com especial enfoque na ética jornalística. Veja sua apresentação a seguir. Se desejar aprofundá-las, outras idéias são desenvolvidas no blog Monitorando, mantido pelo pesquisador.

intercomsul 2010