Parece uma afirmação forte, mas se tratando de regimes fechados, não poderia ser muito diferente. É o que afirma a revista Columbia Journalism Review em seu número de março/abril 2011.

Para Stephen Franklin que assina o relatório "Sunrise on the Nile: Egypt’s news media enter a new era", os jornalistas egípcios ficaram por quase trinta anos na escuridão não podendo tocar em temas considerados como tabu, sob pena de multa e até prisão. Mas com o fim do governo do presidente Hosni Mubarak a situação tende a mudar.

Nesse relatório, disponível no sítio da Columbia Journalism Review, Franklin aponta para o poder do Twitter como um verdadeiro "megafone eletrônico", onde eram ofertadas notícias práticas (por exemplo, quais ruas eram seguras, onde se precisava de médicos, etc) e partilhada as emoções dos participantes do levante.

São as mídias sociais fazendo parte da construção de uma história, uma história do tempo presente e do que virá a ser o século XXI, e tudo em tempo real. Novos tempos, novas tecnologias, novas histórias.

Doodles: uma arte que apenas começou

Postado por Gilson Pôrto Jr. às 20:44 0 Comments

Doodles? Todo mundo que navega no Google já viu um, mas nem sempre, quando indagado, sabe o que é. Os doodles foram criados pela empresa Google entre 1999/2000 e "consistem em mudanças no visual do logotipo do Google para celebrar feriados, aniversários e as vidas de cientistas e artistas famosos", conforme o histórico produzido pela empresa.

Segundo o Google, "a equipe de doodles já criou mais de 300 doodles para o site www.google.com, nos Estados Unidos, e mais de 700 para o resto do mundo".

Recentemente a empresa resolveu abrir um concurso intitulado "Doodle4Google" com a temática "O Brasil do futuro" com foco em estudantes de 6 a 15 anos, permitindo que seus desenhos apareçam na logo.

O concurso pré-selecionou 36 como semifinalistas da competição e premiou a estudante Maria Luiza Carneiro de Faria, do Colégio Santo Inácio, que concorria na categoria 6 a 9 anos. Parabéns a Maria Luiza. A seguir o doodle vencedor:



Vez por outra encontro em livros que falam da história da mídia referências a uma "época de ouro" do jornalismo. Alguns dizem que os anos 1930 e 1940 foram as décadas do crescimento jornalístico e nada se compara a essa época. São épocas de grande saudosismo para esses.

De fato, foi a época das grandes "indústrias jornalísticas" que surgem como impérios pessoais, não apenas no Brasil, mas por todo o mundo. Eram épocas em que as prensas não podiam parar e as máquinas imperavam nos espaços de escrita. Mas não foi uma "época de ouro" para todos. Realmente, foi dourada apenas para quem ganhou muito, seja o glamour, o reconhecimento/premiação, seja o dinheiro que isso proporcionava.

A ponta dessa cadeia produtiva, a força de trabalho que era o "rosto desconhecido da notícia", o distribuidor de rua, sempre foi o elo mais fraco. Algumas imagens dessa época dourada foram preservadas pelos clics de Lewis W. Hine, que retratou o trabalho infantil e a expropriação do indivíduo nos Estados Unidos.

A seguir, algumas dessas imagens mostram esse período "áureo" das indústrias jornalísticas. As notas de cada fotografia foram produzidas por MarGGa Duval e disponibilizadas na coletânea feita por ela sobre Hine com foco no trabalho infantil:
Michael McNelis (8). Havia acabado de se recuperar de um segundo ataque de pneumonia. Quando foi fotografado havia saído de uma chuva forte (Filadélfia, Pensilvânia)

Tony Casale (11). Vendeu jornal por quatro anos. Vendia jornal até as 22 horas. Tinha marcas em seus braços: mordidas de seu pai por ter vendido pouco. Segundo ele: "bêbados dizem palavras feias para nós"

Num sábado à tarde (St. Louis/Missouri)

Dormindo na escada




Um documentário produzido por Marty Stalker e intitulado "Egypt: After The Revolution", mostra as perspectivas dos egípcios após os movimentos ocorridos no país em março último. Jovens entre 18 e 19 anos, bem como outros setores da sociedade, relatam no documentário suas expectativas por justiça, democracia e liberdade, mas demonstram entender que se trata de uma construção que ainda está longe de sua completude.

Essas são expectativas importantes já que o país esteve mergulhado em contradições que colocavam de lados opostos uma classe minoritária extremamente rica e, do outro, uma massa empobrecida e amordaçada.

O documentário foi filmado em uma Canon 5D Mark II e você poderá ver os bastidores dessa empreitada de Stalker no sítio Scattered Images.


Egypt: After The Revolution from Marty Stalker on Vimeo.


Quem acompanhou na semana passada a lista da COMPÓS, deve ter observado o "embate" entre duas posições formativas em torno da exigência ou não da formação específica em comunicação para editais de seleção de docentes na universidades.

O estopim dessa discussão, que se arrastou durante toda a semana com posições pró e contra, foi o edital para quatro vagas na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que exigia a formação em núcleo duro de Comunicação.

O primeiro a se manifestar foi o prof. Marcos Palacios, que apontou para alguns problemas:
Para cumprir o ritual, não posso deixar de, mais um vez, apontar o caráter restritivo das exigências estabelecidas para o concurso.  Admito que para as vagas 1 e 4 seja aceitável a exigência de Graduação em Comunicação, porém com a ressalva de igual admissibilidade para candidatos com Mestrado e/ou doutorado em Comunicação, como alternativa. Já para as vagas 2 e 3 a exigência de Graduação em Comunicação é simplesmente insustentável (suponho que até mesmo no plano jurídico), uma vez que são áreas de conhecimento perfeitamente passíveis de preenchimento por candidatos oriundos de várias graduações. Aceitável seria, neste caso, a exigência de Mestrado ou Doutorado na área de Comunicação.Mais uma vez, lamento o fechamento e o corporativismo que continuam imperando em nossos concursos.

Após essa mensagem de Palacios, começou a exposição de diferentes olhares, quer favoráveis, quer contrários a opinião. Entre eles estava a colega Rose Vidal, que recentemente terminou se mestrado em Comunicação Social. Segundo Vidal,
Eu discordo totalmente dos meus colegas, pois já existem tão poucos concursos para nós, comunicólogos, e quando surge ainda contestam. Deveriam contestar esse absurdo da queda do diploma para jornalistas. Nós que estamos saindo de mestrados e doutorados da área sabemos o quanto é difícil encontrar concurso.. É pela desunião da classe que a situação está cada vez pior. De 30 concursos abertos (efetivos) apenas este está oferecendo oportunidade para comunicação com formação (incluindo mestrado principalmente)....a escassez de oportunidade ninguém reclama...

Daí para frente, mais um enxurada de posicionamentos, que demonstram a diversidade natural existente na área de Comunicação, tão comum em outras tantas áreas. Mas em meio a diversas posturas, achei especialmente interessante a sugestão do colega José Luiz Braga. Leia a seguir seus argumentos:
As posições apresentadas são certamente compreensíveis, de parte a parte – na medida em que cada um percebe um lado da questão. Talvez essa reflexão pudesse ser, entretanto, aprofundada se não tentássemos definir uma espécie de padrão universal – tipo “todos os concursos devem favorecer um ingresso transdisciplinar” ou “todos os concursos devem favorecer formações específicas”. Creio que o critério que deve prevalecer em cada concurso específico seria o melhor preenchimento da vaga específica – segundo os objetivos especificamente atribuídos ao/à professor/a a ser contratado/a. Creio que em alguns casos, uma formação abrangente e diversificada será interessante, pois o professor deve trabalhar perspectivas comunicacionais que exijam justamente abrangência, articulação de conhecimentos diversos, percepção contextual daquilo que ensina, desenvolvimentos de interface com outra CHS. Nesse caso, cabe pedir que um dos níveis (ou graduação, ou mestrado, ou doutorado) tenha sido feito na área da Comunicação – aceitando, e mesmo preferindo que os outros níveis sejam diversos.
 Em outros casos, o departamento ou curso pode efetivamente estar interessado em um “especialista” – e talvez mais, alguém que tenha experiência profissional específica, além de uma formação voltada para um ângulo específico. Podemos precisar de um professor de jornalismo, que tenha graduação em jornalismo, eventualmente cobrar experiência profissional – e que tenha desenvolvido pesquisas (de mestrado e doutorado) sobre questões de jornalismo. Se esse é o perfil do professor necessário, não vejo porque não exigir tal especificidade (igualmente para qualquer das outras habilitações comunicacionais).
O problema, então, é que, talvez, organizadores de concursos não pensem nessa especificidade – e decidam uma coisa ou outra apenas com base em um padrão abstrato, ditado por um a priori ou por uma questão meramente burocrática. Se isso deve ser criticado, creio que não devemos cair também em posição apriorística – “tudo tem que ser x” ou “tudo tem que ser “y”. O que deveríamos reivindicar é que os concursos apresentem boas razões - ou seja, relacionadas ao perfil efetivamente pretendido para o professor - para determinar “x” ou “y”. Para além dessa pretensão de seriedade seletiva, podemos ainda refletir sobre um complemento. Se o Departamento não tem tanta certeza assim do perfil pretendido especificamente, seria inteligente não “fechar” o concurso – informando preferência pelo perfil de tal tipo – mas aceitando perfis próximos. Pois quem sabe aparece como candidato um “perfil próximo”, mas que, na especificidade do concurso, demonstra ser aquele que mais produtivamente assumirá as funções em concurso. Mesmo porque a especificidade pretendida pode não depender de “todos os níveis de formação”, mas ser desenvolvida em um ou dois deles.
 Assim, acredito na vantagem da abertura – simplesmente porque esta amplia a probabilidade de selecionar o candidato com perfil mais adequado. A obrigação maior de quem organiza um concurso não é o de atender a preferências genéricas abrangentes, mas sim a de maximizar a probabilidade de encontrar o professor (a professora) que efetivamente fará o melhor trabalho.
É interessante acompanhar esses embates, que representam a preocupação com a consolidação de uma área. Mas tendo a concordar com o prof. Palacios em suas indicações. Explico o porquê: tenho graduação em Pedagogia/Educação e, posteriormente em Comunicação Social/Jornalismo. Iniciei o processo de doutoramento em Comunicação Social antes de cursar a garduação nessa área. Procurei-a por achar que agregaria mais conhecimento e capacidade de intervenção na área por "falar de dentro da própria área", mas não foi isso que vi ocorrer. De fato, a graduação em comunicação agregou bem pouco em minha formação já pré-existente. Sim, conheci as teorias que antes não tinha acesso, troquei idéias com outros colegas, cresci. Mas não o quanto pensava e esperava para fazer diferença em meu processo de doutoramento.

Então, em que eu ganhei? Afirmo que graduar-me na área dura de comunicação me deu tranquilidade para falar de seus processos formativos. Posso falar da formação em comunicação/jornalismo por ter sido "agente" desse processo. E aí em tom bem "durkheiminiano" fui agente, isto é, percebi como no processo de formação, a passividade do alunado é grande e como a (de)formação ocorre durante as disciplinas.  Ganhei também por ter um "laboratório próprio", onde percebia as fragilidades formativas de meus colegas docentes tentando ensinar, quando na verdade não tinham fundamentação para falar do assunto. É, essa é uma realidade aqui no Tocantins e, arrisco-me a generalizar um pouco, talvez em boa parte das faculdades/universidades espalhadas pelo Brasil.


Segundo o infográfico produzido pela Parapluie Design, o Facebook cresceu 156% no gosto dos usuários atingindo a marca de 17,9 milhões de usuários no Brasil.  Os dados tem como fonte as pesquisas realizadas pela Alexa, ComScore e Social Bakers, especializadas em tráfego pela internet.

O infográfico revela o crescimento na preferência do brasileiro pelo Facebook, tendo um penetração de 8,52% na população brasileira. Na população online essa cifra sobe para 22,57%. E para quem dizia que Facebook era para o público mais maduro, o infográfico revela que 31% dos usuários já está na faixa etária dos 18 aos 24 anos.  Veja mais dados a seguir:


Demorou um pouco, mas Palmas entrou no circuito das manifestações organizadas por interação com as mídias sociais. Seguindo o modelo de outras cidades no Brasil e no mundo, que utilizaram as mídias sociais para mobilizar, um grupo de estudantes utilizou o Facebook para convidar consumidores para a ação.

O foco do protesto foi o aumento da gasolina nos postos de Palmas. Por meio do Facebook, twitter e mensagens via celular, uma ação rápida de protesto foi organizada no último dia 28.04.2011. O protesto consistiu em se abastecer no máximo com R$ 0,50 (cinquenta centavos de real) com cartão de crédito ou com notas de R$ 50 e  R$ 100 e exigir a nota fiscal devidamente preenchida.

Outro protesto está marcado para hoje, 03.05.2011, às 18:30 h, e está sendo organizado pelo Facebook.

O vídeo a seguir mostra como o protesto foi desenvolvido e as repercussões.



Achei esse infográfico sobre o perfil dos usuários do Facebook e do Twitter. Apesar da temática ser "Facebook vs. Twitter" não consigo vê-los como discordantes ou mesmo antagônicos, mas como complementares na ação da comunicação. Pelo menos tem sido assim no uso cotidiano dessas mídias sociais.

Valem outras reflexões e discussões. Fiquem a vontade para isso. Segue a infografia produzida pela Digital Surgeons:



Será que ainda conseguimos ser simples? Essa é uma pergunta que sempre me faço. Faz tempo que deixei a simplicidade e tornei a vida complexa e ampla. Tanto que nem sempre sei ao certo aonde isso irá me conduzir.

De qualquer forma, achei muito inspiradora a simplicidade de pequenos gestos e formas, que no olhar de uma criança, a animação de hoje traz. Trata-se da animação intitulada "Spring “George”, que é um trabalho de autoria do BEAKUS, um estúdio da animação com base em Londres. Em seu sítio, você encontrará diversas animações contemplativas.

Nessa, George devaneia em torno de seu cotidiano simples, sem ser simplório! Curta essa experiência, que está disponível no Vimeo. Bom domingo.


CBeebies Spring "George" from Matthias Hoegg on Vimeo.