Ross Dawson
Uma dica do GJOL, blog sobre Jornalismo e Internet do grupo de pesquisa da FACOM/UFBA, apontou para os cenários da informação. O infográfico foi criado por Ross Dawson e destaca o que está surgindo no campo da produção, da circulação e do acesso às informações.

Dawson defende 8 fontes de criação de valor, conforme aparecem no infográfico, a saber:
Oportunidade - Velocidade de acesso
Novidade - Sendo novo, torna-se notícia
Relevância - significativo para o indivíduo
Filtragem - Seleção de informação
Introspecção - Perspectivas sobre notícias e informações
Comunidade - Nossa experiência de notícias sociais
Reputação - Indicadores de confiança e valor
Projeto - Reunindo beleza e funcionalidade

Esses seriam os elementos, ou "planetas", que teriam "luas" agregadas e, que seriam responsáveis pelo "valor"atribuído a notícia. Esses planetas teriam ao centro as interfaces (tradicionais e emergentes), reponsáveis pela mediação da informação. Dawson desenvolve mais esses aspectos no texto "Infographic: The NewsScape - 8 sources of value creation in a post-channel media world".



Cena da animação The Monk & The Monkey
Como tomar as decisões acertadas? Essa é uma questão que todos já nos deparamos. Valorar uma ação ao invés de outra pode ter efeitos imediatos e a longo prazo. Mas, infelizmente, saber avaliar isso durante o processo não é tão simples. Os processos formativos não dão conta de ensinar isso, apenas o arranhamos tentanto "ensinar" o que não se ensina.

Na animação The Monk & The Monkey, produzida por Brendan Carroll e Francesco Giroldini, e disponibilizada no Vimeo, vemos esses raros momentos em que nos encontramos em uma encruzilhada, para se tomar uma decisão. Vale a reflexão. Bom domingo!


The Monk & The Monkey from Brendan Carroll on Vimeo.


Desculpem-me o trocadilho, mas é o que está em minha mente desde que retornei do I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo, promovido pela Rede Procad, em Florianópolis. O evento tinha como foco discutir ensino de jornalismo em tempos de convergência e, entre uma e outra apresentação, discutíamos o que os colegas haviam expressado e defendido.

Em um desses momentos, o colega Gerson Martins, prof. da UFMS, que sentava ao meu lado na “mesa redonda“, falou sobre a falta de cuidado que os acadêmicos de jornalismo tem com suas produções e, especialmente com o que escrevem, principalmente no Twitter. Martins expressava a falta de cuidado com o que era expresso, como se não houvesse repercussão, já que pelos contatos, uma pseudo-história podia se transformar em “fato”. Brinquei na hora: uma ciberfofoca!

Rabisquei em meu caderno, uma questão que gostaria de pensar alto: pode credibilidade ser transmitida por um tweet? Também por um tweet posso passar uma autoimagem? Essas são duas questões que não me saíam da cabeça e, no avião, resolvi ‘ensaiar essa idéia’.

O trocadilho que intitula essa postagem é uma referência ao que meu pai dizia sempre: “Diga-me com quem andas, que direi que és!”. Era muito usado para passar o velho “sabão” quando eu fazia alguma asneira. E olha que adolescente faz muitas. Pior é que não me recordo delas! Pena. Dariam boas reflexões.

Bem, voltemos. Pode credibilidade ser transmitida por um tweet? Penso que sim. Principalmente se você, enquanto produtor/criador de notícias o faz. Imagine alguém com centenas de seguidores, twittar uma notícia duvidosa. Se for a “Candinha” (como chamávamos na adolescência quem fofocava), tudo bem, era conversa sem muito significado. Eram ‘estórias’ sem muita credibilidade. Agora imagine um profissional da informação twittar uma ‘meia-verdade’ (se é que tem metade!). Seus seguidores, que o repercutem, o fazem por pensar que esse tem o que dizer. Que o que é dito é uma fato. Tem fundamento e, portanto, é seguro do ponto de vista da informação. Ao retransmitirem, pensam fazê-lo com seriedade.

É esse cuidado com o que postamos no “mundo digital” que precisamos reforçar nos processos formativos. Não estou sendo chato, nem preciosista. É um cuidado com a própria imagem do futuro profissional que pode ficar em risco. Daí, a segunda questão: também por um tweet posso passar uma autoimagem? É claro! Se meus tweets são sempre recheados de trivialidades, que tipo de imagem passo? Tenho um colega que sigo no Twitter, prof. Teske (peço licença a ele, por citá-lo), que sempre envia mensagens sobre a situação política no Tocantins, com comentários sóbrios e claros, mesmo em 140 caracteres. O que ele me transmite? A palavra à mente é engajamento. E, por conhecê-lo profissionalmente, seus comentários são respeitados por mim. Essa é sua autoimagem profissional transmitida por meio de seus tweets.

Daí a minha defesa pela utilização do Twitter como ferramenta jornalística. Como fonte, se a autoimagem do possuidor for sensata e segura. Está aqui também porque tenho seguido tão poucos no Twitter. Esses poucos, tem muito a dizer. O tempo diário de trocas significativas é cada vez mais reduzido entre nossos pares na academia. A distância (eu na região norte e outros tantos espalhados pelo Brasil e fora dele) ainda as torna mais difíceis. Dessa forma, o Twitter tem sido uma “fonte” de troca com muitos desses colegas que sugerem caminhos, pistas de idéias a construir, encruzilhadas, caos, dentre tantas outras possibilidades.

É claro que compreendo, e não estou sendo ingênuo ao defender isso, que esse não foi o uso original da ferramenta. Nós, os profissionais da área (seja educação ou comunicação) estamos “forçando a barra”, como diria Gibson, “criando os usos”, e é nesse constante refazer, que nós encontramos e desencontramos, construindo e desconstruindo. Por isso, antes de produzir um tweet, tenha certeza do que queres dizer/compartilhar. Muitos o ‘escutam’ e, principalmente, o avaliam profissionalmente por isso. Por isso, também, não sou favorável ao bloqueio do acesso ao que se escreve. Sou, antes, favorável a responsabilidade pela escrita.

Pesquisadores que participaram do I Seminário
A Rede Procad vem desenvolvendo ações para ampliar a compreensão do ensino de jornalismo em tempos de convergência digital. Essa é uma tarefa extremamente complexa, em face das restrições bibliográficas e de informações oficiais. Mesmo em face disso, o I Seminário da rede realizado pela UFSC nos dias 26 e 27.08, que contou com pesquisadores de diversas partes do Brasil, apontou para possibilidades importantes nesse campo.

Os pesquisadores envolvidos discutiram a necessidade de um outro encontro, onde novos resultados serão partilhados e problematizados, além de apontarem para a necessidade de ampliar as regiões/estados de aplicação da metodologia desenvolvida pela rede.

A coordenação da Rede na UFSC, que é desenvolvida pelo prof. Elias Machado e equipe, destacou que essa seria uma das questões tratadas na reunião dos coordenadores da rede. Aguardamos com expectativa a indicação de um segundo seminário nacional de ensino de jornalismo.


Alguns dos pesquisadores no I Seminário
O I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo, promovido pela Rede Procad "Ensino de Jornalismo na era da convergência" e formado pelas universidades UFBA, UFSC, UTP e USP, reuniu pesquisadores(as) de várias partes do país para discutir e problematizar estruturas curriculares e projetos pedagógicos.

Essa não é uma tarefa simples, já que a área de Jornalismo passa por diversas transformações e, apesar de antiga, refletiu bem pouco, por meio de produções bibliográficas, sobre a questão do ensino e dos processos de convergência digital associada aos processos formativos.

Dessa forma, esse primeiro evento da rede PROCAD, torna-se um campo de reflexão a mais, com foco nas questões digitais. Sobre os projetos pedagógicos e as estruturas curriculares, é interessante a indicação dada pelo prof. Gerson Martins, que apresentou trabalho no evento:
Nas discussões ainda se destacou a objetividade, clareza que deve permear os Projetos Pedagógicos. Segundo alguns pesquisadores presentes no evento, os Projetos Pedagógicos não devem ser "meras" replicações de outros, mas devem atender as características do curso, da localidade e primar pela clareza, principalmente a coerência entre as ementas, referências bibliográficas e os objetivos do Projeto Pedagógico.
Eu e, ao lado, profa. Malu (UFBA)
A indicação percebida pelo prof. Gerson também é partilhada por mim. Os projetos pedagógicos de curso (PPC) devem ter organicidade em suas construções, mas o que percebemos quando olhamos as disciplinas dos cursos espalhados pelo Brasil, é uma quase total desconexão entre objetivos macro-pedagógicos e a efetividade desses nas disciplinas, tratadas de forma estanque.

No evento, apresentei uma parte do trabalho que desenvolvo em minha tese de doutoramento na UFBA. O trabalho abrange um pouco da história dos processos de formação no Brasil e em Portugal. Veja a seguir os slides que usei. Lembro que, esses não são, em si, a finalização da argumentação. Antes foram indicações que desenvolvi dentro do texto. Portanto, não encare-o como fechado, acabado, mas em construção. Em breve o texto ficará disponível na Rede Procad e farei link para leitura, o que os tornará mais compreensíveis.

Apresentação I Seminário Florianópolis Brasil e Portugal


Não posso deixar de pensar em quanto ainda temos de avançar na estruturação dos próprios sítios governamentais. Falo isso do ponto de vista educacional, já que avalio que um "bom" sítio deva gerar educação, além da própria informação.

O censo da WEB governamental, encontrou 192,2 milhões de links nas páginas da Web .gov.br. Destes, cerca de "89% correspondem a algum tipo de arquivo gráfico, 8,3% correspondiam a algum tipo de arquivo hipertexto e 2,5% algum tipo de arquivo de texto como .DOC, .PDF, .XML, .ODT". 

O gráfico a seguir nos ajuda a ter uma visão melhor do que isso representa:
O dado que mais me impressiona é também o menor: 0,3%. Esse se refere a convergência entre dados, áudio e vídeo. São "pobres" os sítios governamentais nessa área, principalmente se levarmos em conta que  a grande população brasileira não compreende o que é informado. Quanto aos gráficos, que ocupam quase 89% dos links, esses precisam também de uma "tradução" para o leitor que não é "alfabetizado" em economia e/ou estatística. 

Crédito: Infornews
O Censo da Web, recentemente divulgado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, revela alguns dados importantes sobre a internet no Brasil. Entre esses, está o tamanho dos sítios com terminação ".gov.br", ou seja, o tamanho dos sítios governamentais no Brasil.

A pesquisa realizada em outubro de 2009, identificou um total de 18.796 sítios sob o ".gov.br". Sugundo a pesquisa, apesar do número ter ultrapassado os 18 mil sítios,"[...] foram considerados os que continham pelo menos um documento HTML nessa análise. Os sítios satisfazendo essas condições totalizam 11.856".

As figuras a seguir dão uma idéia da dimensão e do impacto dos sítios governamentais:


A figura 3.2 traz uma curiosidade, que reflete um "cuidado" na divulgação da informação apontada no estudo: 
Em relação à participação das unidades da federação na composição da Web governamental, o domínio pr.gov.br, pertencente ao Estado do Paraná, foi o que apresentou a maior participação em número absoluto de sítios de todos os sítios brasileiros de governo coletados, cerca de 17%, conforme mostrado na Figura 3.2. O Governo Federal representado pelos sítios com domínio .gov.br vem em segundo lugar, empatado com o Estado de São Paulo (sp.gov.br). Estes dois últimos participam, cada um, com 14% dos sítios sob a Web governamental brasileira.
Quando estatísticas são divulgadas, como a do censo web governamental, uma triste realidade fica visível: a região norte (da qual o Tocantins faz parte) continua na "lanterninha" quando o assunto é divulgação nos sítios governamentais. De fato, localizar informações nestes sítios tem sido uma verdadeira "cruzada à Terra Santa" e, realizar downloads de documentos e estudos governamentais sobre a região e os estados então, uma procura pelo "cálice sagrado". 

Dados como os referenciados, servem para lembrar algo fundamental: a internet veio para ficar e para divulgar. Documentos e estudos públicos são do povo e, deveriam estar livres para consulta, pelo menos nos sítios governamentais.

capa do censo
Está disponível o censo realizado sobre a WEB no Brasil, intitulado "Dimensões e características da Web brasileira: um estudo do .gov.br". A pesquisa foi realizada pelo Comitê Gestor de Internet do Brasil – CGI.br e o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – NIC.br, por meio do W3C Brasil e do Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologias de Redes e Operações – CEPTRO.br. Teve como objetivo aumentar o conhecimento e o entendimento da Internet brasileira a partir da coleta e análise detalhada de dados dos sítios hospedados sob o domínio .br

Uma leitura cuidadosa do censo, permite saber quanto sítios há na Web.br, qual o tamanho da Web.br e como se dá seu crescimento, que tipos de tecnologias são utilizadas, se os sítios são acessíveis? dentre outras questões. Faça o download e boa leitura.

Chris Anderson e Michael Wolf escreveram um artigo de capa para a revista Wired que criou bastante polêmica. Trata-se do artigo "The Web Is Dead. Long Live the Internet", onde apontam que a WEB (World Wide Web) está em declínio. Esse declínio é, para os autores, fruto de uma gama de aplicativos que fazem o indivíduo passar longas horas na internet, mas não na WEB. A figura a seguir mostra esse movimento de declínio, segundo os autores:


 Para Anderson e Wolf, a "morte" não e o fim da Web:
“Sure, we’ll always have Web pages. We still have postcards and telegrams, don’t we? But the center of interactive media — increasingly, the center of gravity of all media — is moving to a post-HTML environment,” we promised nearly a decade and half ago. The examples of the time were a bit silly — a “3-D furry-muckers VR space” and “headlines sent to a pager” — but the point was altogether prescient: a glimpse of the machine-to-machine future that would be less about browsing and more about getting.
Trata-se de uma previsão funesta? Parece, mas outros jornais trataram de contrapor o artigo da Wired. Foi o caso do The New York Times, no artigo intitulado "Is the Web Dying? It Doesn’t Look That Way". Nesse, Nick Bilton, discorda de Anderson e Wolf. Para Bilton, o tráfego na Web tem aumentado, ao invés de diminuir. Para isso, utiliza o gráfico produzido por um relatório da Cisco, que aponta o crescimento:

O gráfico demonstra que, entre 1995 e 2006, o montante total do tráfego Web passou de cerca de 10 terabytes/mês para um milhão terabytes/mês. Bilton aponta que as indicações de Anderson e Wolf podem estar certos no que diz respeito ao crescimento do uso dos aplicativos, mas assevera que "a maioria dessas aplicações e sites da Web são tão interligados, que é difícil saber a diferença".

É cedo para dizer qual dos dois tem razão, ou mesmo se ambos estão certos ou equivocados. O que podemos afirmar é que a Web está sendo redefinida, sendo seus "usos" cada vez mais ressignificado, em face das tecnologias que eclodem diariamente. Vamos ver o que o futuro reserva para o mundo das notícias e o trabalho jornalístico.

Veja outros pontos de vista em:
Is the web really dead?
Wired Declares The Web Is Dead—Don’t Pull Out The Coffin Just Yet
When Wrong, Call Yourself Prescient Instead
The Web Isn’t Dead; It’s Just Continuing to Evolve

Uma divertida animação dirigida por Mike Klim, Stanley Moore, Dominic Pallotta e Mikey Sauls reforça e redefine um provérbio antigo: Um dia é do caçador, mas pode ser também da caça! 

É bom pensar, pelo menos na animação, que a cruel destruição do ecossistema pode se voltar contra quem o destrói!

Bom domingo.


dilla The Film from mikey sauls on Vimeo.


Recentemente recordei-me das idéias de Cornélius Castoriadis e das aulas que tive no mestrado sobre a tensão entre o "instituinte" e o "instituído". O "instituído" - aquilo que é determinado e regulatório, como no caso das "diretrizes" curriculares de um curso - e, o "instituinte", o desenvolvimento de práticas de formação, estão em permanente tensão. Esse tencionamento necessário e democrático, permite o desenvolvimento de diversas possibilidades no campo da formação.

Por que falar nisso? Porque ficar só no instituído (diretrizes) engessa os processos, já que o diálogo passa a ser susbtituído pela reprodução de práticas. A emancipação do indivíduo, tão necessária nos processos de formação, fica em segundo plano, se é que é exercitada.

Marcos regulatórios são importantes no processo de consolidação de uma área, como a de comunicação, mas não podem engessar os processos de criação do indivíduo (ou de grupos). Esse é um cuidado que o Congresso Nacional deveria atentar ao discutir as 633 sugestões que foram aprovadas na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) em 2009 e, que em breve, farão parte da pauta. Regular sim, aprisionar não! Que o marco regulatório seja um impulsionador de políticas públicas em comunicação e não um "leão travestido de gatinho", onde a simples menção de algo diferente seja motivo de repressão.

Evito entrar nesta seara, pois temos colegas mais aptos a discutir as relações entre política e comunicação, atendo-me as questões de ensino. Mas não posso ficar calado desta vez.

Algumas campanhas eleitorais estão perdendo o "rumo", se é que algum dia o tiveram! E aí entra m algumas questões que julgo importantes: quais os limites que a própria comunicação impõe a seus profissionais que durante os pleitos desenvolvem as campanhas? Devem existir limites? Devem ser éticos ou morais? Ou, por outro lado, devemos deixar a "liberdade" transformar-se em algo espúrio? Não tenho resposta a essas questões. 

Essas estão "pipocando" em minha cabeça depois de ver alguns dos vídeos da campanha de um candidato a deputado federal pelo estado de São Paulo. O candidato resolveu apelar, no pleno sentido da palavra, e lançou uma série de pequenos vídeos que mesclam erotismo, direitos sociais e, óbvio, a defesa de sua candidatura. Não sei se o candidato será eleito, mas que terá os "15 minutos" de fama assegurado, isso terá!

Eles estão disponiveis no You Tube, mas coloco a seguir um deles. A dica veio do blog Futepoca.



Para aqueles que trabalham com a temática, a programação do I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo, que ocorrerá de 26 a 27.08.2010 na UFSC, já encontra-se disponível. O seminário tem como tema "O Ensino de Jornalismo na Era da Convergência Tecnológica – Matrizes curriculares, planos de ensino e demandas profissionais”. Já indicamos por aqui os detalhes.

Nesse evento, apresentarei o trabalho intitulado "Brasil e Portugal: construindo uma perspectiva sobre a história dos processos formativos", que faz parte do processo de doutoramento que desenvolvo junto ao GJOL-UFBA, com o prof. Marcos Palacios. Entre outubro e dezembro/2010, estarei em terras lusitanas, fazendo um estágio junto ao prof. Antonio Fidalgo, da Universidade de Beira Interior, para aprimorar as pesquisas já realizadas. O trabalho apresentado, destacará alguns caminhos desenvolvidos.

Veja a programação a seguir dos trabalhos do I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo:

DIA 26/08/2010
8:00 ‐ Abertura
8:30 às 8:50 – Ensino de Jornalismo em Brasil e Portugal – Gilson Porto UNITINS/UFBA

8:50 às 9:10 – Ensino de Jornalismo Digital: prático ou teórico – Alvaro Laranjeira, Claudia Quadros e Kati Caetano ‐ UTP/PR

9:10 às 9:30 – Três metodologia s ancoradas na prática convencional – O ensino de Jornalismo digital nos cursos da Grande Florianópolis – Elias Machado, Gian Kojikovski, Juliana Teixeira, Leonardo Silva e Tattiana Teixeira, UFSC

10:00 às 10:30 – Intervalo para café

10:30 às 10:50 – O ensino de jornalismo nos tempos da convergência digital – Diretrizes para ação – Alice Mitika Koshiama, USP

10:50 às 11:10 – O ensino de ciberjornalismo: estudo comparativo nos cursos de Jornalismo do Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul – Gerson Martins (UFSM)

11: 10 às 11:30 – O Desafio do ensino de telejornalismo em duas regiões do interior do Rio Grande do Sul, Cárlida Emerim, UNIPAMPA

11:30 às 12:00 ‐ Discussão dos trabalhos apresentados

12:00 às 14 h – Intervalo para almoço

TARDE
14:00 às 14:20 – Jornalismo amoroso. Quem quer (a)provar? Reflexões sobre a aplicação de práticas pedagógicas amorosas na formação e no cotidiano do jornalista – Maria Luiza Cardinale Baptista (ULBRA)

14:20 às 14:40 – Um dispositivo analítico para o ensino de jornalismo: uma abordagem das condições de produção do texto de jornalismo científico – Ricardo Henrique Almeida Dias e Maria José P.M. de Almeida

14:40 às 15:10 – Ensino de Jornalismo e novas tecnologias – a experiência da UFPR – Toni Scharlau (UFPR)

15:10 às 15:40 – Discussão dos trabalhos

15:40 às 16:10 – Intervalo para Café

16:10 às 16:20 ‐ Uso de Plataformas analógicas e digitais na prática de jornalismo‐laboratório – Demétrio Soster (UNISC)

16:20 às 16:40 – Digitalização e convergência na produção laboratorial no curso de Jornalismo
Luciana Gomes Ferreira

16:40 às 17:00 – Discussão do Trabalhos

17:00 às 18:00 – Avaliação dos trabalhos e propostas de cooperação

Mascotes dos jogos
Achei essa animação sobre os Jogos de Inverno de Vancouver - 2010 uma produção bastante interessante. Apesar dos jogos terem ocorrido em fevereiro último, a produção visual em torno dele continua atual. A página oficial traz alguns atrativos que vale a visita.

É o caso da animação a seguir. Com uma pequena história, diversas modalidades dos jogos são apresentadas. Ele foi produzido pela BBC Sport. Aproveite o domingo!




Etiquetas criadas por Tom Scott
Tom Scott é um comediante britânico com muita criatividade e também perspicácia. Em seu sítio, Scott escreveu um post intitulado "Journalism Warning Labels", onde critica de forma aberta práticas jornalísticas muito utilizadas em várias partes do mundo, não apenas no Reino Unido.

Com criatividade e uma dose extra de sarcasmo, Scott criou etiquetas que apontam para práticas jornalística questionáveis e, que muitas vezes, são passadas na mídia impressa como uma "notícia quente", fidedigna e verificável. As etiquetas trazem mensagens do tipo: "Cuidado, este artigo foi plagiado de outra fonte de notícias", "Cuidado, o jornalista não compreende o conteúdo que está escrevendo" ou "Cuidado, as fontes não foram verificadas". Ele sai pelas ruas colocando esses adesivos em diversas notícias de jornais gratuitos  e, garante em seu sítio, que "isso é feito sem caluniar um jornal específico", já que ele o faz a esmo, para gerar humor.

Veja algumas etiquetas a seguir e se quise, faça o download para imprimir (caso precise): 



Pois é, as redes sociais ganham espaço a cada segundo e, não precisa muito esforço para provar isso. Foi o que o Ethan Bloch do sítio Flowtown fez.

Resolveu produzir um "mapa mundi" onde as redes sociais representassem seus milhões de "seguidores". Independente das contestações estatísticas, a "obra de arte" ficou interessante e reveladora: é inegável o crescimento do Facebook, do Twitter e de outras redes que, pouco a pouco, ganham espaço entre jovens e adultos. Durante essa década precisaremos discutir seriamente o papel destas mídias nos processos formativos, já que elas já estão povoando as conversas e as práticas de muitos professores, além dos profissionais.

Veja o novo mapa. Será que pega?

Fonte: Graco Medeiros
Uma discussão interessante que está rolando no momento no meio jornalístico é o caso  WikiLeaks que divulgou grandes volumes de documentos inéditos e secretos. 

O problema que surgiu com essa grande quantidade de fontes inéditas, como um verdadeiro Tsunami,  foi o que fazer com elas. Parece brincadeira: o que um jornalista faz com uma fonte inédita que possibilite um "furo"? Ele pesquisa, confere os dados (uma, duas ou mais vezes), entrevista outros, cria argumentos e conexões e, publica. Simples assim!

É, mas quando a enxurada de fontes veio por meio do WikiLeaks a situação não foi de "euforia jornalística" com o novo, mas sim uma situação de "congelamento". Explico melhor: os jornais ficaram tão entupidos de possibilidades que não sabiam o que fazer com tanta notícia quente. Foram milhares de relatório, todos a serem averiguados, milhares de dados a serem conferidos e milhões de possíveis conexões a serem estabelecidas. Resultado? Quase-inércia. O novo, isto é, a liberação massiva de dados, pegou a imprensa em uma situação que nunca haviam vivenciado.

Martin Moore, diretor do Media Standards Trust, em um artigo para o Idea Lab, chegou a brincar em um post afirmando que "em breve, todas as organizações de notícias, terão um bunker "próprio" - uma sala escura, onde um grupo escolhido à dedo entre os repórteres, estarão recolhidos com seus cartões de memória, laptops com dados recém-abertos, algumas pizzas velhas e muito café". Parece brincadeira? Achei quando li o primeiro parágrafo, mas ele cita o caso do U.K.'s Daily Telegraph, que fez isso com "meia dúzia de jornalistas em uma sala durante nove dias, com cerca de 4 milhões de registros de gastos dos políticos".  E aponta que o mesmo está sendo feito pelo The Guardian, o The New York Times e o Der Spiegel com Julian Assange do WikiLeaks.

Moore apresentou cinco questões importantes para os jornais e jornalistas pensarem quando a enxurada de dados/fontes começarem, já que o assunto também cai na discussão da ética:
1. Como podemos aproveitar a inteligência do público para gerar uma longa lista de matérias?
2. Como podemos torná-las pessoais?
3. Como podemos usar os dados para aumentar a credibilidade das matérias?
4. Como filtramos os dados (e decidimos o que se publicar ou não) da melhor forma e o mais rapidamente possível?
5. Como podemos nos assegurar de que, no futuro, pessoas e organizações dispostas a "vazar" grandes volumes de informação entreguem esses dados para nós?
Estão aqui questões que gostaria de ver a resposta. Com a palavra os editores....

Foto: Gazeta Online
Já falamos do relatório "Annual Survey of Journalism & Mass Communication Graduates", produzido pelo James M. Cox Jr. Center for International Mass Communication Training and Research da Universidade da Geórgia em dois outros posts, mas não podia deixar de lado uma parte mais qualitativa do relatório.

Ela é formada pelas falas dos atores (os alunos/egressos/formados). Essas falas expõem necessidades formativas que todo acadêmico deveria encarar como "conselhos" de quem já passou pelo processo e que já enfrenta a "batalha" do emprego. Extrai as idéias das falas que estão nas páginas 25 a 27 do relatório. Vamos a elas:

1. Certifique-se de aproveitar bem as oportunidades formativas, reforçando suas habilidades;
2. Procure participar de redes que são criadas dentro dos espaços formativos, crie relações profissionais com seus professores, que poderão recomendá-lo para atividades profissionais no futuro;
3. Esteja aberto a todas as oportunidades: façam estágios o máximo possível, seja freelancer, crie redes, isso vai habilitá-lo para o mundo do trabalho;
4. Tenha um plano B para se estabelecer em campos competitivos de trabalho;
5. Persiga um nivel de formação maior do que tem hoje (um mestrado, por exemplo). Isso tornará suas competências profissionais mais claras; 
6. Mantenha um alto nível profissional: crie redes sociais com profissionais e não tenha medo de se relacionar com eles;
7. Publique em tantas mídias quanto possível para mostrar aos potenciais empregadores suas competências (aprenda a "vender-se");
8. Tente emprego em todo lugar, mesmo onde você ache que não está no nível da empresa: nunca se sabe, se não tentar!
9. Esteja preparado para trabalhar em qualquer função. Peça orientação, mas tenha iniciativa;
10. Desenvolva habilidades e competências que possam ser usadas em várias profissões/áreas. Seja flexível e otimista, sem perder de foco seus objetivos; 
11. Tenha certeza de que a escolha profissional pelo jornalismo é o que você realmente quer;
12. A comunicação é um campo versátil, permitindo a inserção em muitas áreas/profissões. Veja isso como uma "bênção"  e não como um limitador.

Foto: Nasa
O World Journalism Education Council estabeleceu uma declaração de princípios que  são  de importância e atenção quanto aos processos formativos em jornalismo.

Segundo o conselho, 11 princípios devem nortear os processos de formação em âmbito mundial. No preâmbulo dos princípios, as 23 entidades internacionais que assinam o documento, apontam que o jornalismo tem como finalidade servir ao público e, dessa forma, devem "[...] dominar um corpo cada vez mais complexo de conhecimentos e habilidades especializadas [...]", mas, como destaca, "[...] acima de tudo, o jornalista deve ser responsável por desenvolver um compromisso ético [...] este compromisso deve incluir uma compreensão e profundo apreço pelo papel que o jornalismo desempenha na formação, valorização e perpetuação de uma sociedade informada". 

São esses os 11 princípios:
1. No coração da educação em jornalismo deve haver um equilíbrio entre o conteúdo conceitual, filosófico e, baseado em competências. Embora seja também interdisciplinar, o ensino do jornalismo é um campo acadêmico com espaço próprio, com um corpo distinto de conhecimento e teoria.
2. O jornalismo é um campo adequado para estudos universitários de graduação à pós-graduação. Os programas de formação jornalísticos devem oferecer uma gama completa de graus acadêmicos, incluindo bacharelados, mestrados e doutorados, assim como certificações, especializações e treinamentos de carreira.
3. Os educadores em jornalismo devem ser uma mistura de acadêmicos e profissionais, sendo importante que os educadores tenham experiência em trabalhar como jornalistas.
4. Os currículos de Jornalismo devem inclui uma variedade de cursos e competências, tais como o estudo da ética no jornalismo, história, estruturas midiáticas/instituições a nível nacional e internacional, análise crítica da mídia e do jornalismo como uma profissão. Devem incluir, ainda nos cursos,o papel social, político e cultural dos meios de comunicação na sociedade e, às vezes, incluir cursos sobre como lidar com os meios de gestão e economia. Em alguns países, o ensino do jornalismo inclui campos como relações públicas, publicidade, produção e difusão.
5. Os educadores em jornalismo têm uma missão importante de sensibilização para promover a compreensão midiática do público em geral e, dentro de suas instituições acadêmicas, especificamente.
6. Os graduados em programas de jornalismo devem estar preparados para trabalhar com a informação, fortemente empenhados profissionalmente, tendo elevados princípios éticos e, capazes de cumprir as obrigações de interesse público que são fundamentais para seu trabalho.
7. A maioria dos programas de graduação e muitos mestres do jornalismo tem uma forte orientação profissional. Nestes programas de aprendizagem profissional/vivencial, devem ser prestados em laboratórios, em salas de aula e estágios em local de trabalho, sendo isso um componente chave.
8. Os educadores em jornalismo devem manter fortes ligações com as indústrias de mídia. Eles devem refletir criticamente sobre as práticas da indústria e oferecer aconselhamento e reflexão para a indústria.
9. O jornalismo é um campo tecnologicamente intenso. Profissionais terão de dominar uma variedade de ferramentas baseadas em computador. Sempre que possível, o ensino do jornalismo fornecerá uma orientação para essas ferramentas.
10. O jornalismo é um esforço global, estudantes de jornalismo devem saber que, apesar das diferenças políticas e culturais, esses compartilham valores e objetivos profissionais com seus pares em outras nações. Sempre que possível, o ensino do jornalismo proporcionará aos alunos a experiência, em primeira-mão, da maneira que o jornalismo é praticado em outras nações.
11. Os educadores em jornalismo têm a obrigação de colaborar com os colegas no mundo inteiro para prestar assistência e apoio, para que o ensino de jornalismo possa ganhar força como uma disciplina acadêmica e, desempenhar um papel mais eficaz em ajudar o jornalismo para alcançar seu pleno potencial.
Esses princípios não são novidade, mas reforçam o que outros países devem ter como metas ao estabelecerem suas estruturas curriculares e proporem competências e habilidades formativas.  Muitos desses princípios já figuram entre os elementos norteadores das Diretrizes Curriculares Nacionais e das competências previstas aos egressos em jornalismo e comunicação social. Mas não custa frisar que o ensino de jornalismo ainda precisar ter mais espaço e acreditação. 

Outro ponto do relatório "Annual Survey of Journalism & Mass Communication Graduates", produzido pelo James M. Cox Jr. Center for International Mass Communication Training and Research da Universidade da Geórgia, sobre o ano de 2009, é a questão dos salários.

Muitos imaginam salários milionários para quem está desenvolvendo atividades em países "desenvolvidos", como é o caso dos Estados Unidos. A pesquisa revelou algo nada animador sobre os salários. Veja o gráfico 35:


Os salários, em 2009, ficaram muito próximos à média dos 30 mil dólares. Em 2007, os salários maiores eram pagos aos formados que desenvolviam atividades na web, um pouco mais de 37 mil dólares. Na pesquisa de 2009, como visto no gráfico 35, esse valor diminuiu para um pouco mais do que 31 mil dólares. Ainda comparando a pesquisa de 2007 do Cox, os salários para formados que exerciam as atividades no rádio era de cerca de 25 mil dólares e, em 2009, esse valor passou para 29 mil dólares.

É bom comparar as pesquisas, pois revelam o movimento do mercado de trabalho. Formados/egressos estão procurando melhores colocações, assim como ocorre em outros países. Os empregos relacionados a Web tendem a estabilizar, na medida em que, novos formados consigam superar as deficiências formativas e, uma massa de reserva, se forme para a área, assim como acontece com as mídias mais tradicionais, onde os salários praticamente não mudaram, desde 2007, segundos os dados da pesquisa.

Se você pensava em procurar trabalho no hemisfério norte é bom repensar. O mercado de lá está em baixa para os jornalistas.

Cena do curta 35mm
Recebi a indicação de um video bem interessante por meio da Renata Deformes (@hellorenats). Trata-se do curta de 35mm que apresenta 35 filmes em 2 minutos.

A experiência é bem legal, apesar de alguns filmes não serem facilmente detectados (isso é o que torna a vivência única!). Experimente.

O conceito e o Layout são de Sarah Biermann, Torsten Strer, Felix Meyer e Pascal Monaco, com animação de Felix Meyer e Pascal Monaco e o som de Torsten Strer.
Bom domingo!


35mm from Pascal Monaco on Vimeo.

The Cox Center
Essa é a triste constatação que o relatório "Annual Survey of Journalism & Mass Communication Graduates", produzido pelo James M. Cox Jr. Center for International Mass Communication Training and Research da Universidade da Geórgia, chegou sobre o ano de 2009.

Segundo o relatório anual, apenas 55,5% dos profissionais formados em jornalismo e comunicação a partir de 2009 conseguiram encontrar emprego. Essa é uma situação bem preocupante para os recém-graduados, já que esses índices não eram registrados desde 1986. Mas o relatório ainda aponta que:
  • Os formandos que receberam pelo menos uma oferta de emprego quando terminassem seus estudos, diminuiu 10% em relação à 2008;
  • Apenas 46,2% dos graduados conseguiram um trabalho até 31.10.2009. Isso significou uma redução de 10% em relação ao mesmo período em 2008; 
  • O nível de emprego de tempo parcial também  bateu o recorde em relação à 2008, assim como o número de alunos que preferiram não ir para o mercado de trabalho;
  • Os salários médios dos formados ficaram na faixa dos US$ 30 mil, a mesma dos últimos 3 anos; 
  • Quatro em cada dez egressos afirmaram que havia habilidades que eram exigidos pelo mercado e que eles não haviam adquirido na formação, principalmente os de cunho tecnológico. 
Quanto a essa última parte, a da descoberta da falta de certas competências e habilidades, o gráfico 54 da pesquisa aponta algo curioso e bem próximo do que vivenciamos pela "bandas de cá":


Não é novidade os egressos afirmarem que a "universidade" não "os preparou para...". Já ouvi isso várias vezes (na graduação e até na Pós-graduação). Esse é um discurso recorrente durante os processos formativos. É legal ver na pesquisa que, os egressos percebem, pena que bem depois, quando o "leite já está derramado", que a universidade/curso deve preparar não apenas no quesito técnica/tecnológico, mas também com uma visão do mundo do trabalho, da competitividade e até para o desemprego!

Arara Azul. Foto: Alvaro Luiz Apolônio
Em minha ingenuidade, achei durante muito tempo que criar uma reserva, seja indígena, seja florestal ou mesmo um parque ecológico, era sinônimo de preservação na natureza (fauna e flora). Grande engano!

Ontem, na II Feira Internacional de Artesanato (Mundial Art), que acontece até o próximo dia 08 em Palmas (TO), me deparei com uma situação. O evento reúne a arte e a cultura do Brasil, da República Tcheca, do Peru, da Bolívia, do Equador, do Paquistão, do Quênia, da África do Sul, da Índia, do Nepal, da Turquia, da Grécia, do Egito, do Marrocos e de Cuba. Uma verdadeira Babel!

Passeando com minha esposa e aprecisando as diversas culturas e produções, encontrei um estande Pataxó. Fiquei encantado com a produção de artefatos e utensílios de madeira de primeira, mogno legítimo!. E aí comecei a pensar "cá com meus botões": de onde vem essa madeira? Tudo bem, você dirá: "Ah, eles podem tirar algumas árvores para produzir subsistência...". Tudo bem até aí.

Foto: Espaço Livre
Mas fiquei fascinado mesmo, foi com um cocar feito de penas. Belo ornamento, em um azul cintilante e estonteante. Novamente em minha ingenuidade, perguntei ao índio pataxó, todo ornamentado, se as penas eram sintéticas. A respostas foi curta e grossa: "Não, são de arara mesmo". E ainda perguntei de novo: "De arara azul mesmo? Originais?", para ouvir um outro sim. Fiquei me perguntando quantas araras deixaram de viver por causa daquele colar?

Mas vamos ao que interessa. Está aí, sem rodeios e de forma clara: a arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) está na lista de animais em extinção desde 2003 no Apêndice 1 do CITES (Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção) e vulnerável de acordo com a IUCN (União Mundial para a Conservação da Natureza). 

E isso fica como? Como preservar, se o "preservado", que internacionalmente grita pela proteção às áreas, também destrói? E quanto era o belo cocar? O preço estava em R$ 1.000,00 (mil reais), sem desconto e à vista! 

Foto: Projeto "World Intelligence HQs
Li a pouco uma notícia do jornal português I-Online, intitulado "As sedes das agências secretas num só mapa.Obra de portugues", que trazia o recente feito de três jovens portugueses: mapear as agências secretas pelo mundo. O nome do projeto é:  "World Intelligence HQs.

Pode parecer coisa de filme de 007, mas é bem real: usando o Google Maps e as informações públicas existentes nos vários países, Ana Paula Coimbra, Yannick Carvalho e André de Borges criaram um mapa onde estão assinaladas 180 agências secretas de dezenas de países, entre elas a CIA (Estados Unidos), a Mossad (Israel), o MI6 (Reino Unido) e a SIED (Portugal). Também lá estão outros menos conhecidos: a Vevak (Irã), a KGB (Bielorrusso), a CIO (Zimbabué) e a ABIN (Brasil).

Segundo o jornal,
Nenhum dos três elementos tem ligações a agências de informações e, aparentemente, não mostram desejo de trabalhar para elas - para já. Este guia Michelin da espionagem já mereceu a atenção do "Washington Post" e de vários profissionais da área, especialmente dos Estados Unidos e do Reino Unido. Mas nenhuma secreta tocou à campainha de Ana Coimbra. "Duvido muito que sejamos contactados. E se formos, caso seja um serviço estrangeiro, informaremos as autoridades nacionais." Ao trabalhar no mapa, nenhum dos três alguma vez pensou estar a meter--se em problemas. A verdade é que as informações recolhidas pelos jovens portugueses podem ser usadas por grupos com fins menos lícitos. "Tivemos esse receio. Mas, repare, a informação que disponibilizamos é de fonte aberta."
 É, temos agora mais uma fonte de pesquisa na rede. Até o que parecia muito oculto, está agora um pouco mais claro e disponível. É a rede encurtando os espaços! Ficou curioso? Então veja o mapa a seguir e faça as suas pesquisas:


View World Intelligence HQ's in a larger map


Rogério Christofoletti, professor da UFSC, informa em seu blog, o Monitorando, que está aberto o período de recebimento de artigos para a revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do PosJor/UFSC

O tema desta edição é "Jornalismo e Políticas Públicas”, sendo o número disponibilizado até dezembro/2010. Veja a ementa no sítio do Monitorando.
Importante:
Prazo para submissão: 20 de setembro de 2010
Site da revista: http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/index
Requisitos de apresentação de originais
: aqui

Fonte: Aula Magna
A pauta de boa parte das empresas jornalísticas tem sido a inovação. De fato, a "crise mundial", que parece ter afetado uma parcela dos veículos noticiosos, tem levado certas empresas do ramo jornalístico a rever seus processos e repensar as formas de se fazer notícia e seu modelo de negócios. 

Mas, assim como ocorre em outras áreas do conhecimento, inovar ou renovar os processos, é algo que não ocorre no isolamento da área. Não é de hoje que a idéia de "construir junto" se aplica muito bem aos jornais e a prática do jornalismo.

Interdisciplinarmente, ou melhor, transdisciplinarmente as áreas do conhecimento podem e devem agregar valor a construção de novas formas de se sair da 'aclamada' crise. É essa renovação, com redefinição das formas de atuar e gerenciar a produção de notícias, que muitos especialistas tem problematizado.

Recentemente alguns estudiosos de várias áreas do conhecimento, entre eles Carlos Scolari, Mário Perez-Montoro e Mar Carnet gravaram suas "visões" pessoais e teóricas do que vem a ser inovação e, possivelmente quais caminhos a seguir. Algumas são bem esclarecedores e dão pistas para se pensar a inovação. Veja a seguir:












Página do World Journalism Education Council
Você já conheceu o sítio do World Journalism Education Council? Trata-se de um conselho composto, inicialmente,  de 29 países que estão envolvidos em ensino de jornalismo e comunicação de massa, em âmbito universitário. 

Esse grupo criou um espaço de divulgação e aproximação entre as universidades dos cinco continentes,  proporcionando um "lugar comum" para os que ensinam jornalismo possam discutir questões que são universais no campo formativo.

O conselho mantém um cadastro de universidades pelo mundo que ofertam jornalismo. No início deste mês, o cadastro foi atualizado, sendo que o repositório conta com o cadastro de 2.348 universidades em todo o mundo que ofertam o ensino de jornalismo. O último censo aponta para os dados a seguir:

Census Results as of August 5, 2010
Continent Programs Percent
Africa 218 9.28%
Asia 645 27.47%
Europe 530 22.57%
North America 692 29.47%
Oceania 53 2.26%
South America 208 8.86%
Total 2,348 100.00%

O repositório permite ainda a pesquisa por regiões do mundo, por continente e por países. Outros detalhes como metodologia podem ser acessadas na página.  Faça um tour pelo sítio

Fotojornalismo: o fim de uma era?

Postado por Gilson Pôrto Jr. às 07:35 0 Comments

Foto: Paulo Miguens

Roy Greenslade, professor de jornalismo da City University (Londres) e ex-editor do Daily Mirror (1990-91), escreveu para o Guardian.co.uk um artigo intitulado "Photojournalism is dead - agency boss laments the passing of an era", onde aponta as observações feitas por Neil Burgess, ex-chefe da Network Photographers, sobre o fim do fotojornalismo.

Para Burgess, citado por Greenslade,
Devemos parar de falar sobre fotojornalistas completamente. Além de alguns 'velhos dinossauros', cujos contratos são tão longos e estão tão perto da aposentadoria, que é mais barato mantê-los, há poucos fotógrafos sendo financiados por organizações jornalísticas para atuarem como repórteres. Alguns são mantidos para fornecer "ilustração" e o trabalho visual decorativo, mas simplesmente não há jornalismo visual ou reportagem a ser apoiados por organizações de notícias. Sete fotógrafos baseados na Inglaterra ganharam prêmios na competição deste ano do World Press Photo e nenhum deles foi financiado por uma organização britânica de notícias. Mas este não é um problema apenas do Reino Unido. Observe o Time e a Newsweek, elas são uma piada... Mesmo elas, têm apenas alguns grandes nomes do fotojornalismo em seus cabeçalhos, mas quando foi a última vez que você viu uma foto de ensaio de algum significado nestas revistas?
Essa não é uma situação nova. Pelas bandas de cá, o fotojornalismo também parece não está sendo uma prática muito incentivada nos meios formativos. Concordo com Burgess que falta mais financiamento para a melhoria e ampliação do espaço laboral. Mas também, tenho de reconhecer a realidade "nua e crua" que ele mesmo transformou em indagação na reportagem de Greenslade: "[...] o que aconteceu com os caras que produzem histórias, que abordam questões ao invés de eventos? Jornais e revistas não querem empregá-los mais".

Triste constatação! O espaço laboral jornalístico mudou. Já não basta uma máquina na mão para se ter garantia de trabalho, nem mesmo uma boa foto, já que ser "freelancer" não enche barriga sempre. E aqui temos um genuíno problema: mas mudou para o quê? O que devemos esperar do futuro do fotojornalismo? Ele ainda "tem" futuro?

Foto: BBNews
Matt Ridley, ex-editor de ciência do The Economist (1984-1987), correspondente em Washington entre 1987-1989 e autor do livro “The Rational Optimist: How Prosperity Evolves” (sobre o livro, veja a entrevista), fez uma apresentação ao TED Talk sobre as idéias serem recombinadas, fundidas e estarem em constante mutação, ou como ele mesmo afirmou, "como as idéias fazem sexo".

Ridley é jornalista e doutor em Zoologia, o que o tornou familiar com termos ligados às ciências duras. Na apresentação, ele compara uma ponta de lança, tecnologia elaborada pelo homo erectus ao mouse, tecnologia do século XX. Em sua fala, destaca a "velocidade" de inovação da ponta de lança: "[...] a ponta de lança levou mais de 1 milhão a 1 milhão e meio de anos para mudar [...] o homo erectus fez a mesma ferramenta por mais de 30.000 gerações". Já o mouse, produto do século XX, "é obsoleto após cinco anos".

Obviamente, essas mutações são fruto da combinação de idéias, de uma tecnologia cumulativa. Para Ridley, "esse é o segredo para entender o que está acontecendo no mundo". E não pára aí: veja o vídeo, que está legendado em português, e perceba as idéias sobre recombinação e fusão, úteis na prática jornalística e nos processos formativos.