Como tratar a comunicação e o jornalismo em tempos de convergência? É possível pensar o jornalista digital como "artesão" da informação? Como tratar as informações partindo das mídias sociais?

Essas são algumas questões tratadas no novo livro disponível para download, intitulado Periodismo Digital en un paradigma de transición, organizado por Fernando Irigaray, professor de jornalismo da Universidade de Rosário, Dardo Ceballos e Matías Manna.

O livro é fruto do II Foro de Periodismo Digital de Rosário (Argentina) e traz reflexões bem interessantes sobre a prática jornalística. Boa leitura. 


Top 10 dos ataques mundiais
Um estudo sobre o estado da internet no primeiro trimestre de 2010, produzido pela Akamai, empresa especializada em detectar e melhorar a velocidade da rede mundial, apontou para os 10 países em que se registrou a origem dos ataques na rede. 

O Brasil ocupa o 5º lugar nesse ranking nada amistoso, com 6% dos ataques na rede. O estudo levou em conta o monitoramento de 198 países no primeiro trimestre de 2010 e os ataques provenientes desses. 

A Russia ocupa o primeiro lugar nessa estatística, com 12% dos ataques mundiais, seguido por Estados Unidos com 10%, China com 9,1% e Taiwan com 6,1%. No ano passado, tínhamos outro país da América do Sul, a Argentina. Porém as medidas de proteção, a tiraram do ranking dos 10 países que mais originam ataques na internet.

Foto: Centro Knight para o Jornalismo nas Américas

Ele foi escrito por Guillermo Franco, jornalista, escritor e professor,  e foi publicado pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, em espanhol e inglês

O livro é fruto das discussões, propostas e apresentações feitas durante o Sétimo Fórum de Austin sobre Jornalismo nas Américas, na Universidade do Texas em Austin, nos dias 11 e 12 de setembro de 2009, onde quarenta e oito representantes de 18 países se reuniram para debater os efeitos da transição digital na indústria jornalística, na cobertura política e na democracia, no jornalismo investigativo e nos novos meios de comunicação. 

Segundo o organizador do livro, conforme noticiado pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas:
O impacto pode ser medido de duas formas, pelo menos. A primeira é quantitativa, usando dados disponíveis sobre tópicos como conectividade à internet e uso de telefones celulares. Um segundo método, qualitativo, é ouvir aqueles que usam as tecnologias digitais e são afetados por elas. Este documento reconhece a voz dessas pessoas, e isso tem um grande valor. 
 Trata-se de uma importante leitura para quem deseja aprofundar-se nas temáticas sobre treinamento digital, o uso das mídias sociais, as implicações das disparidades de acesso às ferramentas digitais, o tratamento dado aos comentários dos usuários, e o uso da tecnologia pelos governos para espionar jornalistas. 

Kylie Davis, psicóloga especializada em atividades para jornais, escreveu um artigo bem polêmico. Ele foi publicado no sítio da INMA. A International newsmedia Marketing Association (INMA) foi fundada em 1930 e tem hoje cerca de 5.000 membros em 80 países, desenvolvendo idéias de marketing para empresas jornalísticas. 

Davis argumentou em torno da pergunta: o brainstorming faz os nossos jornais mais burros? Está aqui uma pergunta bem complexa. Essa técnica ou dinâmica de grupo - o brainstorming  - é amplamente utilizada nas redações como forma de captar idéias e iniciar processos de mudança.

Para Davis essa é a "pior coisa que poderíamos fazer". Seus argumentos são baseados em um recente estudo da University of Pennsylvania. O estudo intitulado “Idea Generation and the Quality of the Best Idea”, de autoria de Karan Girotra, da Technology and Operations Management e, de Christian Terwiesch e Karl T. Ulrich, da The Wharton School, University of Pennsylvania, alegam que a dinâmica de grupo, utilizadas pelas empresas jornalísticas para tentar desenvolver maneiras de poupar dinheiro ou desenvolver marketing distintos, são menos eficazes. Em que ordem fica esta ineficácia? Davis aponta outro estudo, produzido pela Australian School of Business, que quantifica em 30%.

Por que essa ineficácia em uma técnica tão utilizada? Ela aponta vários motivos, tais como o perigo dos funcionários se autocensurarem ou mesmo ir junto com o status quo para não irritar o chefe imediato. E, citando o estudo da Australian School of Business, lembra que "a geração de uma conversa em grupo não é necessariamente um sinal de criatividade, porque se todo mundo contribui, há menos tempo para os indivíduos compartilharem todas as suas idéias".

Para Davis, a saída está em utilizar "[...] um método híbrido, onde os funcionários são instruídos a refletir sobre as suas próprias idéias e, em seguida, apresentá-las para discussão em uma data posterior. [...] A dinâmica de grupo pode sufocar boas idéias, porque elas são geralmente tão radicais, que o grupo pode não suportá-las".

Foto: sítio Senãles.
Diversos cursos de curta duração que surgiram pelo país, depois do "fim" da exigência do diploma, fazem a promessa de que, "em 40 horas, você será um jornalista da internet". 

Essa aposta pelo desenvolvimento de competências e habilidades no meio digital em tão pouco tempo é muito arriscada. Alguns tem jogado seu "reais" nessa proposta. Mas, Esther Vargas, uma das principais jornalistas do Peru, defende uma posição contrária a essa credulidade e facilidade na internet.

Vargas tem focado seus estudos na promoção e formação profissional por meio das tecnologias da informação e comunicação e, dessa forma, desenvolvido uma visão do que é o espaço da internet. Em entrevista ao sítio Senãles, especializado em comunicação, mídia e cultura, Vargas apontou para o perfil profissional da pessoa que envereda pela idéia de construir conhecimento e produzir notícias em comunidades virtuais. Segundo Vargas, o gestor ou administrador de comunidades virtuais em jornais:
Debe ser una persona creativa con experiencia en manejo de crisis. No creo que este puesto sea para practicantes o recién graduados. Creo que el apoyo de estos es básico, pero se requiere una persona con trayectoria y con capacidad de responder a la audiencia, con independencia. Debe tener voz y voto en el medio, debe participar en las reuniones del comité editorial y debe manejar una estrategia para llegar a más gente.
Vargas destaca "não acreditar" que esse espaço seja o do simples "praticante" ou do "recém-formado", necessitando de mais. Para ela, a trajetória e a experiência contam muito no momento da notícia. Ter o que dizer e como dizer são, ao ver de Vargas, competências essenciais do jornalista no campo virtual. E ainda acrescentou:
Todo periodista debe, fundamentalmente, saber qué es y qué está pasando en Internet. Debe estar en Twitter y en Facebook, porque son las redes sociales más visitadas; y, por supuesto, debe saber editar un video, armar una galería de fotos, escribir en un blog y transmitir en vivo. No digo que deba ser un experto en todo, pero tener conocimientos básicos, lo que incluye el tan temido HTML.
 É, vai ter muita gente pensando duas ou mais vezes antes de cair no conto do "jornalista em 40 horas" se escutar os conselhos de Esther Vargas. Já os em processos formativos, devem atentar para esses conselhos e rever seus percursos, ainda dentro da Universidade, visando uma melhor inserção profissional.

Crédito/Foto: Henrik Rosenqvist
Essa é a defesa que Fredrik Persson, historiador sueco e escritor de cultura, fez no artigo intitulado "Värdet av att ha  rätt person på rätt plats", publicado pelo jornal Sydsvenskan.  A crítica de Persson aos jornais suecos concentra-se, nesse momento, as colunas/editorias de cultura de seu país e aos editores responsáveis.

Persson critica os jornais pela ausência de análises sobre as produções não-ficcionais nessas editorias, principalmente as ligadas as ciências humanas e sociais, que já tem espaço garantido, devido ao financiamento público dos jornais. 

Mas falta mais. Ele defende que falta qualificar quem faz a crítica. Essa qualificação passa pelo desenvolvimento de competências que torne o editor "capaz de análises sociologicamente estruturadas [...] esse deve escrever bem [...], mas que vale uma bela linguagem se não comunicada significativamente?", reforça Persson. 

Persson não poupou críticas a ação dos jornais suecos. E nós aqui no Brasil, como será que estamos nessa mesma área? Será que gastamos todo o espaço da editoria, simplesmente, pra falar do filme ficcional e seus efeitos especiais? Como estão as "análises sociológicas"? Está aqui um bom campo de pesquisa. Quem se habilita?

Essa é a essência do filme Mr. Nobody (Sr. Ninguém, no Brasil), dirigido por Jaco van Dormael, diretor  premiado em Cannes e indicado ao BAFTA e ao Leão de Ouro em Veneza. O filme narra a história de Nemo Nobody, que com cerca de 120 anos de idade, é o último dos mortais do planeta.

Como era de se esperar, aos 120 anos, Nemo não consegue concatenar as idéias e, suas memórias são tratadas como um "reality show", já que todos estão curiosos de uma tempo de mortalidade que não mais existe entre as pessoas.

Longe de ser um filme somente de ficção científica, com efeitos especiais, não é no futuro que o filme concentra sua atenção. É no passado, aliás, nos múltiplos e possíveis passados que Nemo Nobody pode/poderia ter vivenciado. 

O filme tem um toque de humor, pois um jornalista do futuro, tenta saber "como era um mundo em que as pessoas adoeciam, morriam, amavam e faziam sexo". Mas é bom deixar claro aos mais desavisados: o filme mistura três ou quatro histórias possíveis, construindo uma linha temporal e, logo em seguida, desconstruindo. 

O charme do filme se concentra na idéia da "escolha/decisão"  de um lado e, do outro, o abandono do certo pela sorte e o acaso. Não é um filme convencional e precisa de atenção as constantes construções/desconstruções de cena. Mas vale cada minuto, deixando no ar um gosto de: "E se....".

37 anos atrás: jornais amordaçados

Postado por Gilson Pôrto Jr. às 08:09 0 Comments

Estadão: 360 dias de censura
A exatos 37 anos, o Jornal Estado de S. Paulo, mais conhecido como Estadão, encontrava-se sob censura. Não apenas esse jornal, mas boa parte da imprensa nacional, vivenciava os anos duros do pós AI-5. No caso do Estadão, a edição publicada em 26 de julho de 1973 teve a notícia  "Censura proíbe L'Express". 

A reportagem fazia menção à revista francesa L'Express, que trazia em seus artigos duas referências ao Brasil em sua reportagem: uma sobre a relação clero e militares e, a outra, apontava para as relações Brasil-Argentina.  Essa notícia, obviamente, foi considerada ofensiva e, censurada. Em seu lugar, o jornal foi obrigado a publicar um soneto de Camões, como forma de resistência.

Os tempos mudaram. O período militar acabou, mas é triste ver que a censura ainda existe. O Estadão está a 360 dias sob censura judicial. Até quando vamos reproduzir as mordaças da ditadura?

Veja as páginas do Estadão (censurada e publicada) e, caso queira, imprima do sítio do Estadão:

Edição censurada
Edição publicada com "soneto"

A graça de uma animação está no potencial de aplicação (pelo menos no meu ponto de vista de educador).

Essa produzida por Mike Dacko, animador da Disney's ImageMovers Digital Studio, é bem singular.
Ela é intitulada Lighthedead e retrata criaturas sensíveis à temperatura e uma jornada iniciada, que me lembra muito a idéia de Alcméon de Crotone: “Os homens morrem porque não são capazes de juntar o começo ao fim”.


Veja por si mesmo e tente pensar em usos.


Lightheaded from Mike Dacko on Vimeo.

Pois bem, é inegável que o Twitter se tornou um canal de comunicação popular. Mais do que isso: o popular (particular) se tornou assunto do Twitter. 

O que antes eram apenas "curtas" em uma página de fofocas em revistas e/ou jornais com circulação até nacional, hoje é "mundialmente" visível e explorado. O que antes exigia um filtro do que seria publicado, hoje é potencialmente expresso sem os devidos cuidados.

É, o mundo da noticiabilidade mudou. Não sei bem ainda se para melhor, já que com o Twitter temos as campanhas (como as do Irã, o "Cala Boca Galvão", etc...) que demonstram o engajamento possível na rede de milhares de pessoas em prol de um aspecto específico.Temos a criação de pequenas redes de comunicação entre distantes que, passam a "produzir" notícias e socializá-las. Temos a mobilização massiva quer faz com que milhares de reúnam para protestar. Não faltam usos e abusos do Twitter (Já escrevi sobre esses usos e abusos em outros posts).

No momento vemos a sua ascensão. É o que o infográfico do The Blog Herald nos mostra a seguir, conforme dica do Alec Duarte, no Webmanário:

A revista Exame, em sua edição especial de julho/2010 (ed.971-E), trouxe a lista dos 200 maiores grupos privados do Brasil. Dentre a longa lista, estão três da área de comunicação/mídia: as Organizações Globo, a RBS Comunicações e o Estadão.

As Organizações Globo, segundo a revista, subiu da 38ª posição em 2008 para a 34ª posição em 2009. Com um faturamento de vendas de US$ 6.513.611.000,00 e mais de 15 mil empregados em 104 empresas, as Organizações Globo mantém atividades em três países - Brasil, Inglaterra e Estados Unidos. Dentre as empresas controladas pelo "clã" Marinho (José Roberto, João Roberto e Roberto Irineu) estão: a Globo Comunicação e Participações, a Infoglobo Comunicações, a Editora Globo, a Globosat Programadora, a Agência O Globo Serviços de Imprensa, o Diário de São Paulo, a Comercial Fonográfica, a Distel, a DTH, a Get Empreendimentos Temáticos, a GLB, a Globo International Company, a Interpro, a Net Brasil, a Prime Securities, a Sigem, a Sigla, a Sigla da Amazônia, a UGB e a Zende. Além desse rol de empresas, ainda temos as empresas coligadas, que engrossam o patrimônio e colocam as Organizações Globo nesta posição: o Canal Brasil, a Net Serviços de Comunicação, a PB Brasil Entretenimento, a Telecine Programação de Filmes, a USA Brasil Programadora, a Sky Brasil Serviços, a Zap, o Valor Econômico, a Endemol Globo, a GB Empreendimentos e Participações e a TT2 Telecomunicações. 

Já o grupo RBS Comunicações, de Porto Alegre (RS), ocupa o 180º lugar do ranking dos maiores. Com um faturamento de vendas na faixa dos US$ 645.658.000,00 e com seus 4.996 empregados em 16 empresas, a RBS Comunicações tem sob seu controle as empresas: RBS, TV coligadas de Santa Catarina, Rádio (Gaúcha, Itapema FM de Florianópolis, Atlântida FM de Porto Alegre, Educadora de Guaíba, Itapema FM de São Paulo), a RIC, a ORBEAT Som e Imagens, o Canal Rural Produções e a Kzuka Promoções. O grupo é dividido pela H+ Participações que possuem 70% das ações e pelo grupo GIF III Fundo de Investimentos e Participações, com o restante das ações. 

E, o grupo Estadão, de São Paulo (SP), ocupa o 194º lugar do ranking dos maiores. Com um faturamento de vendas na faixa dos US$ 556.724.000,00 e com seus 2.654 empregados, o Estadão controla as empresas: Agência Estado, o Estado de S. Paulo, o Estúdio Eldorado, a OESP (Gráfica, Mídia, Particpações), a Rádio Eldorado e a ECSL. Ainda tem como empresas coligadas: a ZAP Internet e a SPDL - São Paulo Distribuição e Logística. Esse patrimônio é dividido entre Ruy Mesquita (16,66%),  Octávia de Cerqueira e Cézar Mesquita (16,66%), Maria CecíliaVieira de Carvalho Mesquita (16,66%), Patrícia Maria Mesquita (16,66%) e o restante entre outros sócios da Família Mesquita, com menos ações.

Ainda nem sequer o mercado de trabalho aceitou a idéia de o jornalista utilizar as mídias sociais e, uma nova competência lhe é exigida: a de saber programar. Pois é isso mesmo que estamos vivenciando. O fato é que o jornalista, dentre suas várias competências formativas, visando o mercado de trabalho, está sendo demandado a dominar conceitos de programação.

Sandro Medina Tovar, jornalista e comunicador social, apresentou essa "demanda" em seu blog, o Letra Suelta, espaço destinado a discussões sobre jornalismo.  Tovar apontou que o "mercado"  sofre modificações e o jornalista deveria estar atento a essas mudanças, como uma espaço para constante "inovação". 

É claro que falamos em algo bem complexo e, de fato, assustador para a maioria dos jornalistas: a internet. Muitos colegas ainda resistem a utilizar o computador como ferramenta de trabalho jornalístico e não apenas como uma ferramenta de digitar (que substituiu a máquina de datilografar). Para muitos isso é assustador e, como é apresentado para muitos comunicadores, realmente o é! 

A internet, as mídias sociais e toda a velocidade da mídia digital é visto como um "novo" e, como tal, causa estranhamento. Se a dois anos atrás alguém falasse que eu estaria escrevendo um "código html", eu diria que seria em pesadelo, pois em sonho não seria mesmo. Mas a realidade me fez transformar o computador em uma espaço de teste e, a internet, em ferramenta e suporte às dúvidas. 

Hoje, ao escrever esse comentário, edito o texto, visualizo em "código html", fazendo modificações em tamanhos de fotos e vídeos. Não sou expert nisso, mas adquiri uma expertise pelo exercício diário de partilhar idéias na construção desse blog. Foi uma competência adquirida pela procura de novos horizontes profissionais. Que tal pensar nessa idéia? Enquanto isso, veja o percurso que é exigido. O info foi disponibilizado pelo sítio 10,000 Words :

Uma entrevista bem esclarecedora sobre os direitos autorais e os processos de digitalização das bibliotecas foi disponibilizada pelo Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, realizado em abril de 2010.

O simpósio reuniu especialistas e profissionais do Brasil e do mundo para a troca de experiências, conceitos e soluções tendo em vista a proposição de políticas públicas de digitalização dos acervos. Também discutiu a formulação de um modelo sustentável de preservação e acesso universal do patrimônio cultural brasileiro.

A entrevista, que pode ser vista a seguir, foi dada pelo pelo especialista em direito autoral, o advogado Alexandre Pesserl, do Grupo de Estudos em Direito Autoral e Informação da Universidade Federal de Santa Catarina (Gedai/ UFSC). Pesserl esclarece pontos da legislação brasileira e apresenta os problemas que vivenciamos na manutenção da memória, por meio da digitalização dos acervos. São algumas reflexões que nos fazem pensar que necessitamos ainda avançar muito na publicização das informações, principalmente as que tiveram verbas públicas para sua execução (e que alguns "colegas" acham que são "suas").

Entrevista: Alexandre Pesserl, UFSC from FLi Multimídia on Vimeo.

Essa é a defesa que António Granado, jornalista português, faz sobre a transformação  da mídia tradicional. Granado vem desenvolvendo atividades jornalísticas na internet há alguns anos em Portugal, além de lecionar na Universidade Nova (Portugal). Seu foco principal tem sido a transição entre os meios tradicionais (jornalismo impresso) e os novos meios baseados na internet.
Em recente entrevista ao projeto Onzenomes, Granado falou sobre a internet, o fazer jornalístico e as relações possíveis com a tranformação das mídias digitais. Segundo Granado, os espaços formativos não conseguem acompanhar a velocidade estampada pelas tecnologias digitais. "As universidades estão a reagir devagar, como é normal, e mesmo assim nalguns casos algumas estão a andar devagar demais", ressalta.

De fato, esse é certamente um desafio que todos os jornalístas que desenvolvem atividades com o uso da internet vivenciam. Assista sua entrevista e veja alguma idéias bem interessantes.
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Fazia muito tempo que não encontrava uma animação tão interessante e útil. Trata-se do filme Mary e Max - Uma amizade diferente

Ele foi escrito e dirigido por Adam Eliott, cineasta com uma lista bem eclética de filmes. A animação conta a história de uma menina solitária de 5 anos dos subúrbios de Melbourne (Austrália), que inicia uma relação de amizade à distancia com Max Horovitz, um homem obeso que vive em Nova York (Estados Unidos). Max tem Síndrome de Asperger. 

E é aqui que encontro a importância desta animação: sem perder o humor, são discutidos aspectos ligados as dificuldades que os "aspies" (como se chamam no filme) passam diariamente. Com arte, graça, humor e conhecimento, aspectos da personalidade de Max são trabalhados e, somos lembrados que temos a nossa volta muitos que são isolados por não serem compreendidos. Além disso, tem ainda a lembrança do que se fazia em "um passado bem distante": escrever cartas! Vale a pena assistir.

Quando penso na idéia do imersivo, vem a mente o envolvimento. A idéia por  detrás da palavra envolvimento é a de participar. O jornalismo pressupõe um certo "envolvimento", onde o leitor cria um nível de participação. É claro que no jornalimos tradicional, impresso, o envolvimento muitas vezes é menos visível em primeiro momento. No meio virtual, por outro lado, esse envolvimento pode ser mais imediato, por meio de um comentário.

Por que discutir esse tema? Porque estamos 'falando', já algum tempo, da necessidade que qualquer jornal tem de criar audiência. Espera-se que, o que está escrito, possa gerar manifestação do leitor. É o que também discute Roland Legrand, editor do principal jornal de negócios belga De Tijd e L' Echo, em um artigo intitulado "How Immersive Journalism, Games Can Increase Engagement", no sítio MediaShift. Legrand critica o tempo médio que o leitor do jornal online gasta: pouco mais de 70 segundos (já escrevi sobre o tempo de leitura dos periódicos digitais no post "Jornais e audiência: o que revelam as estatísticas?"). Para ele, não basta apenas o leitor ver o título e agregar o artigo. É preciso mais. É preciso engajamento

Como se cria essa "engajamento" do leitor? Ele aponta para cinco maneiras de aumentar o envolvimento do leitor, tornando a leitura um ato "imersivo":
a) Fornecer contexto: Ampliar a visão da notícia fornecendo "links", "histórias de vida", etc., aumentando o potencial de envolvimento; 
b) Questione as pessoas/leitores: Não basta escrever, o objetivo é fomentar uma "conversa" com os leitores que estarão mais propensos a tornarem-se parte do "processo";
c) Partilhe suas "descobertas": a sugestão de Legrand é que as atividades realizadas na redação deveriam ser publicizadas, visando mostrar o que ocorre "por dentro" da notícia; 
d) Utilize vídeos: Use os mais variados vídeos (câmeras, smartphones, etc), tornando a história mais atrativa;
e) Utilize vídeos colaborativos: Quanto mais as pessoas puderem interagir, tanto mais ficarão inclinadas a engajarem-se.

Essas sugestões de Legrand são bem oportunas. É claro que não são uma "receita de bolo", que basta segui-las e, pronto!..., todos estarão participando. Esse envolvimento, ou como ele chama "engajamento", parte da própria construção que se faz de uma determinada realidade. Por exemplo, podemos preferir um determinado jornal (impresso ou virtual), devido ao rol de jornalistas que escrevem, usando uma determinada linguagem, que seja representativa de uma determinada "visão de mundo" que acredito. Em outras palavras: são muito determinantes/variáveis que tornam um conteúdo atraente, porém as sugestões de Legrand podem "turbinar" as participações e potencializar o engajamento de novos leitores. 

Quando se fala em "checar os fatos" parece  algo primário. De fato o é. Todo jornalista aprende desde cedo que, mesmo com a melhor das intenções e por mais que o "furo" pareça certo, convém "checar" e "checar de novo" um fato antes de o publicar. Essa é uma competência formativa que deve ser incentivado e problematizado dentro dos processos formativos.

Esse é um aspecto essencial que Andy Young, da revista The New Yorker, apontou no texto "Los Datos - El proceso de verificación en the New Yorker", disponibilizado para download. Young descreve o fluxo de trabalho dos fact checkers:
En New Yorker hay 16 fact checkers – un número inferior al de correctores de manuscrito o copy editors, pero superior al número de verificadores de otras revistas. Algunos de mis colegas son jóvenes, recién licenciados; otros realizan este trabajo desde antes de que yo naciera. La sección tiene un director, que antes fue verificador, que también escribe artículos para otras publicaciones. Él resuelve los problemas complicados que surgen y se ocupa de entrevistar y contratar a nuevos empleados. Tiene dos delegados que se encargan del flujo de artículos y de otros asuntos de organización. Todo lo que se publica en la revista es verificado, incluso las historietas gráficas, las portadas, los poemas, los cuentos, las reseñas de arte y, por supuesto, los artículos periodísticos.
Por que essa necessidade? Por inexatidões que podem por em risco a qualidade da informação. Young lembra o caso de um poema, em que o autor "había inventado términos científicos para describir lo que él había visto, detalles que hubieran parecido ridículos a cualquier lector con un conocimiento básico de biología".  Esse é um risco que diminui bastante quando as informações são checadas. É claro que não isenta o periódico de cometer "erros" conceituais, principalmente se o assunto for muito específico. Outras dicas são dadas pelo autor.Vale a leitura do texto.

É isso mesmo! O jornalista é uma rede. Essa é a proposta de David Beriain, Ander Izaguirre e Sergio Caro, no mesa redonda intitulada El periodista empresa, do X Congreso de Periodismo Digital, que ocorreu em Huesca, na Espanha.

Para os autores da proposta, o jornalista é como uma marca que produz rentabilidade aos jornais (veja a imagem). Essa marca, amplifica-se na medida em que o jornalista cria sua "rede" com as redações, fontes, especialistas, público especializado e com seus leitores.

Já vivenciamos essa idéia  no caso dos jornalistas freelances que escrevem para diversos jornais no Brasil. Mais do que um texto, eles vendem uma marca, um nome que representa "respeitabilidade e confiança" sobre um determinado assunto. Ter um texto produzido por "este ou aquele" jornalista, torna o próprio jornal mais atraente para certos públicos. Daí a importância da rede, ou melhor, do jornalista-rede.

Beriain, Izaguirre e Caro apontam para essa rede intrincada de colaborações que é o jornalista:
Donde los periodistas no son ya piezas de una redacción engranada y jerárquica (por mucho que se horizontalice), sino constructores de una marca propia que convierten a su vez en redes sociales porque los nuevos periodistas son capaces de extender los viejos lazos con fuentes y colegas a una esfera más amplia e interactiva con más participantes, interacción y público con quienes aprovechar su inteligencia propia, la colectiva y también su capacidad de redifusión.

El periodista como red social es capaz de crear nuevas interacciones con su propio medio (si pertenece a alguno), las fuentes, los expertos con los que tiene una relación habitual, el público más especializado y segmentado, que sigue su trabajo por interés en su ámbito (geográfico o temático) de información, por empatía y a partir de ahí llega al público general con una estructura de reporteo, edición, difusión, participación, corrección y archivo en red.
Essa é uma boa reflexão sobre o fazer jornalístico. Como redes, os profissionais da comunicação, deveriam ser capazes de novas e complexas interações com seus leitores. Pena que a realidade no campo laboral ainda esteja um pouco distante de vivenciarmos isso plenamente, já que muitos jornalistas parecem resistir ao uso da mídias sociais e de outros aparatos tecnológicos e, quando os possuem, dificilmente "respondem" ou "interagem" com seus leitores nos espaços de comentários (com raras e honrosas exceções!).

De qualquer forma, é como resume Juan Varela, jornalista e consultor de mídia, na análise que escreveu sobre esse assunto no sítio Periodistas 21 (Espanha):
Ya existen en internet muchos periodistas red, igual que blogueros, autores, académicos o expertos que han construido sus redes propias. Todos podemos ser una red social. Es una de las mejores soluciones para salir de una crisis profesional que va más allá de los intereses de los editores o de los problemas cotidianos del oficio.

É, o problema não tem sido, de fato, ser uma rede, mas penso que o problema maior tem sido manter a rede com qualidade. Não é simples, nem fácil transformar "seu espaço", individualizado, impar, no "espaço do nós", coletivizado, partilhado e construído em rede. Mas vale a reflexão dos colegas e a tese.

Um estudo realizado por Hal R. Varian, professor emérito da School of Information e do Department of Economics da University of California, em Berkeley e atualmente economista-chefe do Google, disponibilizou um estudo sobre o consumo de jornais online. O estudo foi feito com a chancela do Google e traz informações bem reveladoras.

Segundo o estudo de Varian, em junho de 2009, os jornais online tiveram 70 milhões de acessos únicos e mais de 3,2 bilhões de page views. Outro aspecto que chama atenção é o tempo por pessoa. Esse ficou na faixa dos 38 minutos por pessoa. O dado do tempo (38 minutos), se dividido pelo quantitativo de páginas consultadas (49 páginas por pessoa em média), nos dá um tempo médio de 77 segundos por página.

De fato, esse é um problema real: qual a qualidade do tempo que o consumidor da notícia online dá ao que lê? Se esse for o tempo "real" (embora em média) gasto com a leitura de um jornal online, que notícia chama a atenção do leitor? Será que no jornal impresso, a "fidelização" à matéria é maior? Essas são boas questões de pesquisa. Quem se habilita?

Outro dado também preocupa. Varian apontou entre 2005 a 2011 uma redução projetada acentuada no consumo de notícias/jornais online. Se isso se concretizar, será que os jornais impressos que pensam na migração para a internet, em face da crise, continuarão seus processos ou apostarão na superação? Está aí uma outra questão de pesquisa e atenção.

Veja a pesquisa realizada e pense nas outras variáveis.

Newspaper economics, Online and Offline (03/13/2010 Hal Varian FTC Preso - Revised)

Quando ser lido é uma necessidade

Postado por Gilson Pôrto Jr. às 08:17 3 Comments

Todo autor de sítio e, mais especificamente um jornal online, ao escrever ou disponibilizar a notícia, espera que seu "público" seja um consumidor das informações ali desenvolvidas. Espera-se que, alguém esteja do "outro" lado da tela, seja no país ou mesmo fora dele. Qualquer que seja a percepção sobre o que se escreve, espera-se que seja necessário para o(s) leitor(es).

Nesse sentido, a fidelização do leitor é um assunto importante, seja no meio impresso, seja no meio virtual/online. Rodrigo Orihuela, jornalista argentino, escreveu para o Amphibia uma reflexão bem interessante que segue nesse caminho. Segundo Orihuela,
Ahí, en esa perdida de la “imprescindibilidad”, está una de los grandes desafíos de los diarios online, desafío que marca con claridad por qué los diarios deben mirar hacia otras latidudes, bien distantes de los medios tal cual los conocemos, para reinventarse en internet. Cada diario necesita encontrar online formas para ser tan diferente que pase a ser único y tan único como para ser imprescindible.
Está aqui uma boa questão: até que ponto o jornal online, ou mesmo o sítio que se produz, é de fato, "imprescindível" ao leitor? Qual o leitor que se espera ao escrever um determinado conteúdo? Será todo leitor consumidor incondicional do conteúdo disponibilizado no sítio? Essas são questões que, ao meu ver, devem nortear a criação e manutenção de um espaço informativo.

É com certeza um grande desafio para os editores, jornalistas e escritores de sítios em geral. Reinventar-se continuamente, sem perder seu foco e, fidelizar seus leitores. Será isso possível quando, muitas vezes, vive-se a "ditadura" do tempo reduzido para se confirmar as fontes, redigir, corrigir e organizar materiais de apoio? Essas são questões que dão muito o que pensar.

Está disponível o novo número da revista Telos - Cuardernos de Comunicación e innovación, mantida pela Fundación Telefónica. A revista Telos tem como foco as ciências sociais, a comunicação e a cultura, destinada a servir como plataforma de investigação.

O número disponibilizado tem como foco a mobilidade, com o título bem sugestivo: "Una sociedad en movilidad: Nuevas fronteras". O número disponibilizado aborda os aspectos da mobilidade, das TVs e celulares como ferramentas de  aprendizagem.

Um dos artigos, Periodismo ciudadano: el fenómeno MoJo, aborda o uso do celular como um instrumento de produção de notícias. O autor, Óscar Espíritusanto, é fundador do sítio periodismociudano.com, especializado em práticas voltadas ao jornalismo cidadão. Ele define bem o potencial do jornalismo cidadão:
Los periodistas ciudadanos, a través de sus móviles, tienen la capacidad de la ubicuidad, es decir, que ahora contamos con el potencial de todos estos individuos para informar de lo que sucede a su alrededor y de contarlo de forma casi inmediata y a un coste mínimo, lo que contribuye a democratizar la información.

Ahora contamos con una esfera de informadores a nivel global que están pensando a nivel local, algo que permite cubrir los acontecimientos de entornos y poblaciones a las que nos hubiese sido imposible acceder antes del desarrollo de la telefonía móvil y de la expansión de la Web 2.0.
Essa competência - a de decidir e produzir notícias´- não é exclusiva do jornalista, mas é seu objeto de trabalho. Vale a pena compreender novas formas de fazê-lo. Esse e outros artigos da revista Telos são importantes para todos que pesquisam a área. Boa leitura.

Pôr do sol do jornalismo impresso?

Postado por Gilson Pôrto Jr. às 07:24 0 Comments

Robert Andrews, jornalista e editor do Financial Times, escreveu recentemente um artigo intitulado "Stop The Presses: ‘Sunset’ For Print In Five Years, FT Sees". Nesse artigo, Andrews apontou para a "crise" provocada pelo aumento dos custos com papel. Esses custos tem motivado jornais a reverem suas expectativas de crescimento e a possibilidade de migrarem para o meio digital, já que suas operações na internet ampliam-se a cada ano.

Andrews cita o Financial Times como um forte candidato a essa transição nos próximos cinco anos. Também aponta outros jornais, tais como o The Guardian, o London’s Times, o The Seattle Post Intelligencer, o Christian Science Monitor, dentre outros, que já fizeram a travessia do impresso para o online. Essa tendência para Andrews é inevitável e pergunta em tom meio sarcástico: "E aí, qual a data para se dar os últimos sacramentos aos jornais impressos?".

Seja qual for o futuro, algo parece certo: o dia está finalizando. Não sabemos ao certo o que reservará o dia seguinte do jornalismo impresso. Talvez ele não exista mais, mas ainda é cedo para afirmar categoricamente que o dia já acabou e que não haverá tentativas de sr reverter essa perspectiva.

No início da semana, o Jornal Zero Hora noticiou que um dos jornais mais antigos país, o Jornal do Brasil que publica diariamente notícias já por 119 anos, deixaria suas atividades impressas.

O Jornal do Brasil foi criado em 1891 por Rodolfo Epifânio de Sousa Dantas, com Intenção de defender o regime deposto monárquico. Foi fechado em 1893, por ordem do presidente Floriano Peixoto, voltando a circular em 1894. Na década de 1950, O Jornal do Brasil passou por uma ampla reforma gráfica que revolucionou o design de Jornais no Brasil. Em 2001, a marca foi arrendada pelo empresário baiano Nelson Tanure.

Segundo o Zero Hora,
Considerado uma referência da imprensa nacional e um dos mais influentes veículos do país entre o período da ditadura militar e o início da redemocratização, o JB não resistiu a dívidas e à queda na tiragem mesmo em um ano em que a circulação dos jornais teve alta de 1,5% nos primeiros cinco meses de 2010.
O jornal carioca começou a enfrentar problemas financeiros a partir da década de 1980 e hoje teria dívidas de R$ 100 milhões, enquanto sua tiragem cai. O jornal econômico Gazeta Mercantil, também controlado por Tanure, deixou de circular em maio do ano passado por dificuldades semelhantes.
Essa notícia foi logo repercutida por outros sítios nacionais, tais como o Jornalistas da Web e, internacionais, como Shaping the Future of the Newspaper blog (sfnblog.com)  e journalism.co.uk. Todos os artigos repercutidos lamentaram o fato do fim do periódico impresso. De fato, devido a situação de endividamento, relatado pelo Zero Hora, é de se lamentar. Mas não vejo isso, a priori, como um fim, mas uma reinício.

O Jornal do Brasil, quando criado em 1891, foi pioneiro em muitos aspectos. Apesar de a motivação atual ser basicamente financeira, será uma boa oportunidade para verificarmos a aceitação/receptividade do períódico no meio online, de forma definitiva. Também será uma boa oportunidade para levantar-se o grau de fidelidade dos leitores tradicionais acostumados ao impresso, porém fidelizados a um tipo de leitura e apresentação da informação. Vamos esperar que essa "crise" sirva de motor propulsor para mudanças e outros possam avaliar o potencial para migrar definitivamente para a internet.

O sítio Newspaper Innovation, mantido pelo jornalista e professor Piet Bakker, da School of Journalism and Communication da Hogeschool Utrecht, tem como foco as informações sobre jornais diários gratuitos.

Bakker disponiblizou a circulação dos maiores jornais europeus gratuitos. Segundo ele, o Top 10 é composto por:
1. Metro (UK): 1,334,000
2. Beijing Daily Messenger: 1,000,000*
3. Leggo (Italy): 963,000
4. City (Italy): 779,000
5. Headline Daily Hong Kong: 740,000
6. Metro Canada: 733,000
7. 20 Minutes France: 710,000
8. 20 Minuten Swiss: 701,000
9. Metro Korea: 700,000
10. 20 Minutos Spain: 687,000

Bakker questiona a posição do Beijing Daily Messenger que apresentou 1 milhão de acessos/exemplares. Segundo ele, "alguns afirmam que é 250.000 ou mesmo 180.000 para 200.000". Com isso, Baker aponta que o 10º lugar seria do jornal França Direct-Plus Group com 650 mil acessos.

Independente da veracidade de algumas informações prestadas, há como auditar se essas são realmente as prestadas. Mas revelam uma tendência preocupante: se esse dado tiver sido, de fato,  inflado para gerar melhor competitividade e, óbvio, melhores possibilidades de atrair publicidade,  precisaremos rever muitas estatísticas disponibilizadas, não apenas na Europa, mas em todos os cantos da Terra.

Quando se fala em tribos indígenas, muita coisa vem à mente. Todas ligadas a tradição, costumes, fazeres. Confesso que nunca pensei em conexão, redes e tecnologias móveis nesse contexto, apesar de saber de experiências em escolas índígenas. Tomei conhecimento disso, por meio de uma notícia publicada no sítio Periodismociudadano.com, especializado em jornalismo cidadão.

Nessa experiência, Índios Online, criou-se uma rede para integrar "a informação e a comunicação para sete nações indígenas: Kiriri, Tupinambá, Pataxó-Hãhãhãe, Tumbalalá na Bahia, Xucuru-Kariri, Kariri-Xocó em Alagoas e os Pankararu em Pernambuco".

Segundo o sítio, "os mesmos índios se conectam a internet em suas próprias aldeias, realizando uma aliança de estudo e trabalho em beneficio de suas comunidades e o mundo". Trata-se de "uma rede composta por índios voluntários que buscam os desenvolvimentos humano, cultural, social e econômico de suas nações ao tempo que benefícios para todos os seres vivos sem distinção de nacionalidade, raça, cor, crenças."

Essa experiência é mediada pelo uso de telefones celulares, que permite aos próprios índios serem "repórteres cidadãos" de sua realidade. Com um celular na mão, o dia-a-dia das tribos conectadas nessa rede é partilhado e ganha visibilidade. Essa experiência integra também o filme Indígenas Digitais, documentário produzido sobre essa atividade. Bom exemplo de uso da tecnologia para aproximar povos tão próximos, mas ao mesmo tempo tão distantes. 

Já não é de agora que esse ditado popular tem repercutido em todos os aspectos da vida moderna. No caso dos jornais, parece que isso demorou um pouco para ser tornar um fato. Mas tem sido uma realidade em tempos de crise dos meios, principalmente nos Estados Unidos.

É o que Steve Safran apontou no artigo "Detroit newspapers join forces to start aggregator", publicado no sítio Lost Remote, especializado em notícias locais. Segundo Safran, os jornais The Detroit Free Press e o The Detroit News estão se unindo para criar um agregador de notícias, o Michigan.com.

Essa proposta visa ampliar a ação dos jornais em torno de um portal que venha agregar notícias e, obviamente, diminuir custos. O novo portal, Michigan.com, se propõe a ser um espaço interativo, onde o leitor poderá agregar suas notícias favoritas, construir espaços de interação e se informar.

Essa é uma boa alternativa para jornais que passam por períodos turbulentos, além de criar novas possibilidades no campo publicitário e de receitas. Resta saber se isso não diminuirá as especificidades dos periódicos, afastando os leitores mais fiéis.


Quanto você pensa que custa um curso sobre competências para o exercício do jornalismo digital? Difícil dizer valores em reais de quanto custaria tal atividade teórica. Pois é, em reais, pois em dólar está mais fácil.
O ciclo de seminários Poynter, com prazo previsto para ocorrer no segundo semestre de 2010, já definiu os custos do exercício pensativo. O preço do curso é de US$ 995,00, segundo o sítio Poynter.org.
O curso é destinado aos "jornalistas que queiram ganhar experiência para enfrentar a transição digital", reforça o sítio. Os conteúdos são bem diversificados:

a) Principais competências multimédia, incluindo áudio e vídeo;
b) Ferramentas para reconhecer e negociar as questões éticas específicas para multimídia;
c) O que é preciso para sobreviver e prosperar em uma paisagem em constante mutação;
d) O que você precisa para construir sua marca como um jornalista - e como fazê-lo;
e) As habilidades de liderança e conhecimento que você precisa para traçar seu plano de carreira próprio.

A proposta é boa e o currículo parece promissor. E aí, você vai encarar?

Arianna Huffington é um nome conhecido. Diretora e fundadora do The Huffington Post, tem inovado no mundo do jornalismo digital. O jornal tem como esteio a informação política em cerca de 25% de seu espaço e sempre começa com um grande tema apoiado por uma grande imagem, possuindo hoje 22 seções. Essas mudanças fizeram do jornal uma referência em jornalismo digital.

Em uma entrevista intitulada "La comandante 'blog'" para o El País, Huffington destacou a importância dos blogueiros na produção de notícias. Segundo ela, no início do jornal, "eram 500 blogueiros, hoje são 6000". Essa estratégia, dentre outras, colocou o  The Huffington Post à frente  do The Washington Post, do The Wall Street Journal e do USA Today nas estatísticas de acesso. Ela também reforça o papel da participação do periódico nas redes sociais (Facebook e Twitter) como um elemento propulsor do trabalho jornalístico realizado, onde somente no mês passado, mais de três milhões de leitores comentaram matérias por esses canais.

Quando indagada sobre a qualidade e  a aposta do The Huffington Post na participação dos cidadãos na produção de notícias, Arianna Huffington declarou:
Yo creo en una fórmula híbrida de periodismo: necesitamos editores profesionales, periodistas profesionales y cientos de ciudadanos periodistas que lo harán como lo hicieron en el último levantamiento que se produjo en Irán, desde sus comunidades.
Será essa uma boa estratégia? Pelo menos no caso do The Huffington Post  parece que sim, já que o jornal tem um volume de tráfego de mais de 12,3 milhões de usuários únicos por mês, além de um "exército de 6.000 blogueiros, [além de] 250 posts originais todos os dias".  Veja outros aspectos da entrevista no vídeo da reportagem.


Essa é a proposta da Escola de Jornalismo da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY). Por meio de um novo curso de quatro semestres, liderado por Jeff Jarvis, analista de mídia, blogueiro e diretor do programa da escola de jornalismo interativo, a proposta é discutir modelos de negócios emergentes e tecnologias para a notícia, bem como desenvolver novos produtos e tendências de crescimento do jornalismo.

A proposta tem por base o que a CUNY já vem fazendo: incentivando seus alunos a serem desenvolvedores de produtos jornalísticos, que propiciem transformação e inovação nas práticas jornalísticas. Segundo reitor da CUNY, Stephen B. Shepard
A formação dos nossos próprios alunos é apenas o começo. Precisamos de pesquisa para encontrar os modelos económicos que substituirão o suporte financeiro que não funciona mais e,  novos produtos para alcançar novas audiências de outras maneiras [...] criaremos uma incubadora para projetos mais ambiciosos,f ornecendo dinheiro e investimento para novas idéias promissoras no jornalismo.
É interessante ver que, mesmo em face de uma "crise" em que parece estar a mídia norte-americana, novos horizontes estão sendo gestados. E nós aqui no Brasil? O que estamos gestando em nossos projetos  nas universidades para o futuro do jornalismo? Está aqui uma pergunta que gostaria de ver a resposta logo.

Essa é uma boa questão. Em tempos de tecnologia avançada, as experiências e aplicações se tornam cada vez mais amplas e, óbvio, o jornalismo não poderia escapar a essas experiências. É o que o Mashable Tech noticiou e problematizou, no artigo intitulado Can robots run the news?

No artigo, Sarah Kessler, escritora freelance para o periódico, destacou a experiência feita pela Medill School of Journalism e  McCormick School of Engineering da Northwestern University, que consiste em criar um "robô" que produz notícias esportivas. Esse projeto foi chamado de Stats Monkey e, disponibiliza automaticamente notícias sobre eventos esportivos, com título "criativo" e até foto.

Como funciona esse "robô jornalista"? O sistema é baseado em duas tecnologias, uma eminentemente estatística, onde os modelos probabilísticos são cruzados com as pontuações dos jogos e, a outra, uma biblioteca de arcos narrativos que descrevem as principais dinâmicas de jogos. O sistema "decide"  qual  o caminho narrativo a ser seguido, os componentes principais da história do jogo e,  o sistema colocá-os juntos em uma forma coesa e convincente.

É claro que existem limites a ação desses programas criados, como reforça Kessler. Mas não podemos esquecer que a tecnologia tem superado muitos limites nas últimas décadas e, com o avanço das chamadas "inteligências artificiais" muito ainda veremos de inovação. 

Será esse o fim do jornalismo? Dificilmente. Mas com certeza será o fim do modelo de jornalismo que conhecemos, onde se reproduz simplemente uma "fórmula ou receita" de como fazer, e não se gasta tempo de qualidade na construção cognitiva de uma produção intelectual. Vamos ver o que as redações preferem.

Se desejar ler outros artigos sobre a temática, seguem algumas sugestões:
L'ère des robots-journalistes Le Monde, March 9, 2010
Program Creates Computer-Generated Sports Stories NPR's All Things Considered, January 10, 2010
The Rise of Machine-Written Journalism - Wired.co.uk, 12/16/2009
US university Coding future of News - AFP 12/15/2009
A twist on broadcast journalism and sports writing - LA Times, 11/27/2009

No segundo dia do curso "Oficinas de Formação Pedagógica e Integração de Mídias", ministrada para os professores da Universidade do Tocantins, o professor Roberto Aparici, da Universidad Nacional de Educación a Distância (UNED), de Madri (Espanha), aborda a cultura da convergência no uso das mídias, com enfoque na imagem.

A partir das idéias de Jenkins, Aparici apresenta a convergência como sistema, com interconexões entre várias esferas. Esse aspecto é importante, já que Jenkins (Henry Jenkins, A Cultura da Convergência, 2008) avança na compreensão de que a convergência é uma transformação cultural, que exige uma participação do consumidor na escolha de conteúdos midiáticos dispersos.

O professor da UNITINS, em sua prática pedagógica, principalmente voltada para aulas televisivas, desenvolve o uso de diversos conteúdos midiáticos, necessitando compreender como os utilizar de forma a "quebrar" a monotonia do powerpoint.